O monstro de Frankenstein: a criatura em busca de seu criador

O livro Frankenstein (ou O Prometeu Moderno) escrito por Mary Shelley em 1826 é uma obra literária de romance de ficção científica e responsável pelo estilo literatura gótica. O livro narra a história de Victor Frankenstein, um cientista em busca do elixir da vida que através de diversos estudos em Química, da vida a um monstro horrendo construído a partir de membros de corpos humanos. Victor Frankenstein sendo cientista, criou a partir de matéria pronta (restos humanos) um ser monstruoso. Devido a sua horrenda aparência em seus 2 metros de altura é rejeitado por seu criador (Victor) que ao contemplar a criatura com vida foge, deixando a criatura viva sem rumo, vagando em meio a sociedade. A criatura uma vez confusa e desorientada se refugia nas florestas, onde inicia-se os primeiros sinais de consciência de sua existência a partir de observações feitas do mundo a sua volta.

“CONHECE A TI MESMO (NOSCE TE IPSUM)” Sócrates foi um filósofo grego que dizia que o homem deveria conhecer a si mesmo e foi um dos responsáveis pela Maiêutica, alegando que o conhecimento das coisas se encontrava dentro do próprio homem. O monstro de Frankenstein recém-criado em laboratório passou do estado instintivo para o estado de ser pensante onde começou a observar o mundo e a formular pensamentos, conhecimento e a duvidar de quem era, de onde veio e quem o criou. “[…] E que era eu? Nada sabia sobre minha criação e meu criador, mas sabia que não possuía a menor parcela disso a que chamavam dinheiro, nem amigos, nem a mais insignificante propriedade. Além disso, era dotado de um físico hediondo e repelente. Eu nem sequer era da mesma natureza que o homem […] “ Não é de se esperar de uma criatura quase humana venha a querer saber de sua origem. Em uma ocasião onde se encontrava refugiado em uma cabana abandonada, o monstro aprendeu a ler e a falar apenas através da observação de uma família que habitava em uma cabana ao lado de onde estava abrigado. Após aprender a ler por si mesmo, pegou um diário no bolso de seu casaco, o qual havia anotações do cientista Victor Frankenstein descrevendo detalhadamente o processo de criação da aberração que era. Cheio de perguntas e pensamentos, ele parte em busca de seu criador para saber o motivo de ter dado vida e o rejeitado. Esses foram alguns momentos de consciência da criatura. O monstro de Frankenstein teve um início e um propósito. E nós?

“NADA SURGE DO NADA (EX NIHILO NIHIL FIT)” A expressão “Nada surge do nada” é uma expressão da metafísica atribuída a Parménides que diz que nada pode vir do nada e se o universo existe então ou ele sempre existiu ou foi criado em determinado momento e logo deve ter um início. Aparentemente parece haver uma contradição no argumento do filósofo, no próximo parágrafo você irá entender melhor. Além dos filósofos que buscavam compreender a razão das coisas e a partir do método indutivo buscavam explicar a vida, surgiram diversos estudos e teorias no decorrer dos séculos tentando justificar a origem do universos e do homem assim como tudo o que nela existe e o seu propósito, como por exemplo a “Teoria do Big Bang” de Georges Lemaître, “A origem das espécies” de Charles Darwin e o Criacionismo Bíblico. Enquanto a Teoria do Big Bang diz que no início de tudo havia um átomo comprido e através de um decaimento radioativo que resultou em uma explosão, resultando na origem do universo e a expansão do mesmo o criacionismo bíblico vai dizer que a partir do nada tudo criou (ex nihilo). Segundo Santo Anselmo tudo o que existe ou provém de algo ou deriva do nada. Mas o nada não pode gerar nada, pois é impossível pensar que algo não seja gerado se não por algo.

E o que a Bíblia diz?

“No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1:1).

O primeiro capítulo no primeiro livro da Bíblia o autor relata que Deus criou os céus e a terra, onde através da sua palavra, do seu poder, tudo veio a existir. Deus é o único ser eterno, imortal e pré-existente e não havia mais ninguém com ele, e, portanto, somente ele existia antes de tudo. Vamos analisar o versículo separando-o por partes:

NO PRINCÍPIO. Quando lemos “No princípio” vemos a condição de tempo onde Deus um ser atemporal criou o tempo, algo que não pode ser manipulado, sendo assim somente pode ser sentido através da percepção de mudança e do movimento como por exemplo a percepção de presente, passado e futuro. Segundo Adaulto Lourenço (2011) “Antes de Deus ter criado o mundo não poderia ter havido o “antes”, pois não haveria o que mudar. Não havendo mudança, não haveria como medir o tempo!”.

DEUS CRIOU. No Cristianismo acreditamos que tudo veio do nada, uma criação ex nihilo onde somente existia o vácuo. Em um determinado momento Deus cria o espaço, onde é encontrado tomo átomo contendo prótons, nêutrons e elétrons que compõe a criação, por exemplo uma rocha e a sua mão. Esse espaço é definido por largura, altura e profundidade. Entenda que nesse momento somente a percepção do espaço é criada e não o que nela existe.

A TERRA. Após a criação do espaço, Deus cria a terra. No primeiro capítulo temos que entender que não se trata do planeta terra ou os planetas do sistema solar e sim a criação da matéria, ou seja, aquilo que é sólido, líquido e gasoso. Paulo na carta aos Romanos 4:17 diz que Deus “chama à existência as coisas que não existem” onde Deus em sua plena existência utilizou de seu poder para criar a partir do nada tudo o que existe. Quando pensamos no nada (ex-nihilo) devemos ter em mente a não existência de matéria pré-existente, ou seja, da ausência da realidade. Na carta aos Hebreus 11:3 Paulo diz: “Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível”. O vazio do universo contemplou a luz da criação onde tudo passou a existir.

E DEUS CRIOU O HOMEM A SUA IMAGEM E SEMELHANÇA

O primeiro relato da criação do homem se encontra em Gênesis 1:26-27 onde Deus cria o homem a sua imagem e semelhança. Primeiro quero dizer que não fomos criados por um cientista desorientado e sedento por experiências com restos de corpos humanos e muito menos fomos criados e abandonados no planeta terra sem rumo, direção e propósito. Enquanto Deus existia na eternidade, decidiu criar o ser humano para poder compartilhar de suas maravilhas, para contemplar a sua existência e magnitude. Deus criou os homens para poder interagir com o criador. Então a partir do pó da terra, soprou vida em Adão e este passou a existir. Não somente isso, de Deus nós herdamos a sua imagem e semelhança, que significa que recebemos suas características morais e éticas assim como suas capacidades pessoais. Ao homem foi dada a liberdade de ser coparticipante e a partir de sua liberdade, administrar toda a criação. Somos como uma sombra de Deus, e isso significa que para uma sombra aparecer e existir algo para gera-la deve existir então somos o reflexo de Deus, onde possuímos o seu contorno, porém não os mesmos detalhes. Diferentemente do Dr. Frankenstein Deus viu que a sua criação era boa e não a abandonou, mas continuou e continua atuante nela.

A RAZÃO DE TUDO

O monstro na história quer respostas vindas da boca de seu criador, portanto ele vai em sua busca até encontra-lo. A criatura não somente quer respostas, mas quer relacionamento, quer se envolver com as pessoas a sua volta, quer explicações a respeito de sua existência e seu propósito na vida, ao invés de ser um sem teto ou alguma coisa viva e sem propósito. Assim somos nós, seres humanos querendo respostas, mas infelizmente muitos buscam respostas nos lugares errados ou não tentam busca-la pois tem um olhar niilista da vida. Quero te dizer que Deus criou o homem para ter um relacionamento com ele. Esse é o plano e o motivo dele ter criado o mundo, para que o homem nele pudesse habitar e caminhar ao lado de Deus, conversando e contemplando a sua existência, porém satanás corrompeu o coração do homem e o fez ir contra a ordem de obediência a Deus. Foi com esse propósito que Deus se fez homem, nasceu da virgem, nasceu em um lugar humilde, sofreu da mesma forma que eu e você sofremos, passando fome, frio e foi traído, morrendo na cruz e venceu a morte, para que nós seres humanos possamos ter essa relação de amizade de pai e filho com o criador. Deus não abandonou a sua obra, mas ele se relaciona com ela e é o Senhor dela, o rei justo e misericordioso. O caminho até o criador é Jesus Cristo onde todo o vazio existencial é preenchido e toda vida sem sentido passa a ter um sentido verdadeiro e real. Você não precisa mais caminhar longos trajetos em busca de respostas. Eu te desafio a nesse momento a conversar com Jesus Cristo e dizer que quer conhecelo. Diferentemente do Dr. Frankenstein você não será rejeitado, mas acolhido.