A mão que rege o mundo

As sociedades mais antigas (ou pelos menos a maioria delas, até onde sabemos) atribuíam um valor desequilibrado à mulher, em comparação ao homem. A brutalidade masculina, sua tendência à violência e o machismo levaram os homens a inferiorizarem o sexo oposto. Quase toda a cultura que se sabe tem uma origem que vai além do patriarcado, de uma real misoginia.

Cristão ou não, você conhece a história da mulher adúltera que iria ser apedrejada. Surpreendentemente (para nossa realidade) sua sentença iria ser executada por toda a sociedade, e estava amparada pelas normas da época. Contudo Jesus, o polêmico e agitador, intervém na situação lançando sua famosa frase: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”. E assim, ele dissipa a multidão de hipócritas (João 8:1-11).

O Evangelho de Jesus trouxe a indistinção entre pessoas: raça, etnia, idade, liberdade e gênero (Gálatas 3:28 e Romanos 10:12). Por instrução e testemunho do mesmo, seus seguidores levaram adiante suas ideias, até que um dia alguém os chamou de “cristãos”, e logo, esse movimento de “cristianismo” (Atos 11:26).

O mundo ocidental é onde a mulher é menos desvalorizada, e como este mundo foi construído? Bem, sobre 3 fundamentos: o Direito Romano, a cultura grega e a religião (e ética) judaico-cristã. É notória a diferença que se vê mesmo hoje, ao se deparar com a realidade de países oficialmente islâmicos. Nestes as mulheres são desprezadas. Seu valor é quase equiparado a um bem material. Por mais que alguns destes países possuam uma grande quantidade de petróleo e grandes fortunas, a verdade é que a grande e esmagadora maioria da população vive com muito pouco[1].

É o caso de Dubai. Talvez você conheça pelas fotos e vídeos as grandes construções, carros de luxo e as mais diversas ostentações de famosos. No entanto, esta cidade dos Emirados Árabes apresenta uma desigualdade como há em poucos lugares. Enquanto alguns desfrutam das melhores iguarias do mundo, milhares de trabalhadores são reduzidos à uma condição bem próxima à escravidão[2].

Nosso parâmetro de prosperidade não pode ser apenas financeiro. Porém, no mundo ocidental, todos os países prósperos (o que vai além do critério financeiro apenas) dão maior valor à mulher. Notadamente nações de tradição cristã-protestante, cita-se: EUA; Canadá; Suíça; Alemanha; Dinamarca; Noruega; Reino Unido; dentre outros.  Todos estes têm uma forte herança cristã, e esta os moldou em sua ética, o que, por sua vez, refletiu em suas legislações nacionais[3].

Acredito que um dos segredos cruciais para a prosperidade de uma nação está na mulher. Quando pensamos em um país, em seu povo, tendemos a uma abstração, mas um “povo” ou país é formado por pessoas, e pessoas são simples, isto é, compartilham de grande igualdade: nascem, crescem, se reproduzem, envelhecem e morrem. Em famílias funcionais ou não, sendo criados por parentes ou até mesmo por ninguém, todos fomos gerados por homem e mulher. Até mesmo o “bebê de proveta” precisa dos gametas masculino e feminino.

Valorizar a mulher tem as suas consequências, dentre elas, a valorização da família: eis o segredo. Um casamento forte e sadio leva a uma família forte e sadia, se há uma família estruturada, um casamento solidificado, os filhos serão fortes. Por favor, entenda que quando falo de famílias fortes isso não implica em uma família rica, ou mesmo “perfeita”, mas naquela em que há um esforço genuíno para ser o melhor cônjuge possível, e os melhores pais que se possa ser. Estou falando de dedicação profunda, comprometimento em todas as áreas e aspectos[4].

A sociedade está fundamentada em famílias. Estas, quando fortes, criam indivíduos fortes. A família é base da nossa sociedade segundo a própria  Constituição Federal (artigo 226). Jamais teremos isso se a mulher não for valorizada, protegida e amada. A mulher é a chave para o sucesso de uma nação. É ela quem cria o médico, o advogado, o contador, o engenheiro, o militar e o presidente. Todos nós temos uma dívida com nossas esposas, irmãs, filhas, mães e avós. A mulher dá a forma ao mundo. A mulher faz a sociedade como ela quer.       “A mão que balança o berço rege o mundo”.


[1] COPE, Landa Template Social do Antigo Testamento. Almirante Tamandaré, PR. Ed. Jocum, 2007.

[2] Disponível em: https://www.greenme.com.br/viver/costume-e-sociedade/1160-a-dubai-que-voce-nunca-imaginou-miseria-e-pobreza-na-cidade-do-luxo. Acesso em: 21/08/2019.

[3] CUNNINGHAM, Loren. Livro que transforma nações. Almirante Tamandaré, PR. Ed. Jocum, 2009.

[4] BAUCHAM JR, Voddie. Família guiada pela fé. Brasília. Ed. Monergismo, 2012.