Mergulhar – Parte I

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Há momentos em que nossos olhos ficam cegos para o que nos espera, mas isso não isenta um trajeto de se apresentar à nossa frente. Digo isso, porque era impossível saber o que aquela imensidão azul a minha frente reservava, porém perceber-me diante dela, fez-me desejá-la. Então, tomei a minha decisão. Eu decidi pela saída do cais, pela navegação por altos mares e pelo momento que me fez suspirar: meu mergulho. 

A embarcação não deixa o cais sem nenhuma decisão. Não se retira âncoras afundadas em meio a medos, comodismo… sem decisões. O barco nunca será visto navegando, os marinheiros nunca chegarão ao seu destino, se do cais, eles não tiverem partido. Na praia, há lugar para quem quiser. Existem pessoas que querem sentar, deixar o tempo passar… e se elas acham que não estão fazendo escolha nenhuma, infelizmente, enganam-se. Dizem por aí que quem não se posiciona de nenhum lado, já tomou sua decisão. Só espero que elas sejam mais rápidas do que a surpresa de uma ressaca do mar, espero que se levantem antes que a onda venha, e assim tomem lugar ao lado do capitão. Meu desejo é que elas possam subir a bordo, assim como eu. 

Bom, quero dizer para você que ao assumir viagem sobre o mar, percebi que muitas coisas serão inevitáveis. Caberá a nós mantermos a rota, mas, a velocidade dos ventos, a força das ondas, as longas tempestades, nada disso, caberá a nós o controle. Poderemos ser uma pequena embarcação em um vasto oceano, um alvo fácil de ser atingido. Mas, a viagem, mesmo com todas essas reviravoltas, oportuniza-nos conhecer o capitão e nos surpreendermos com ele, alguém que chamou todas as coisas à existência e tem prazer em dar força àqueles que mais fracos estão. Mesmo em meio às fortes tormentas, veremos que é possível ter paz, mesmo se o mar revolto estiver tentando nos trazer ao naufrágio, será necessário apenas nos preocuparmos em nos mantermos na rota, persistindo, até que as nuvens se dissipem e seja possível avistar o sol surgindo.

Entre tormentas e calmarias, uma coisa é de almejo unânime entre os navegantes: chegar ao seu destino. Nem antes, nem depois dele. Se você já subiu a bordo, imagino que também abraçou a mesma causa e pretende ir até o fim. Se você já subiu a bordo, imagino que não só de tormentas fez-se sua viagem, mas que você também pode estar avistando belas paisagens, alguns pontos de parada aqui, pequenas ilhas ali, talvez outras rotas… Lembre-se da causa que você abraçou e mantenha o foco. O farol que já iluminou sobre muitos continua fiel em sua causa, ele também brilhará para você, seja fiel também e mantenha o foco. Porque haverá um momento, assim como aconteceu comigo, em que o capitão parará ao seu lado, colocará a mão em seu ombro e dirá: chegamos. Você então vai observar, e os seus olhos não alcançarão nada mais do que a imensidão azul à frente. Mas, o capitão insistirá: chegamos. Você poderia estar esperando uma terra fofa para repousar os pés, mas o convite feito é para retirar os sapatos. Sim meu amigo, o seu destino é aqui, nesta imensidão onde poucos ousam entrar. Onde a confiança é o impulso que te fará desprender-se do barco e mergulhar. Ouse confiar, não em si mesmo, mas no capitão, pois ele conhece o mar como a palma de sua própria mão. Tudo detalhado para Ele, mas um mistério para você. Onde será que esse mergulho poderá te levar?

Continua…