Um pecador com o meu nome

Photo by Pixabay from Pexels

Há cerca de dois mil anos Cristo foi julgado culpado, condenado e morto por crimes que não cometeu, a lista de maldições, pecados e erros que foi apresentada estava correta, mas o culpado não. Naquele dia o criminoso chamado Barrabás, que merecendo a morte ganhou a vida no lugar de Cristo que merecendo a vida ganhou a morte, se chamava pelo meu nome, eu era Barrabás.

Não poderia ser diferente, afinal nenhum outro homem poderia pagar pelos meus pecados. Qualquer outro que morresse em meu lugar estaria pagando apenas pelos seus, era necessário alguém sem pecado, um justo, imaculado, para tomar o meu lugar. Sem ter falha alguma ele sentiu o peso de todas as minhas transgressões, toda a minha maldade, vaidade e egoísmo caíram sobre ele, Cristo sentiu injustamente o que estava reservado para mim de maneira justa.

Naquele dia a minha dívida foi paga e Deus já não me chamou mais de inimigo, o sacrifício que rasgou o véu do templo de cima abaixo me tirou do lamaçal do pecado, e mesmo tendo sido eleito desde antes da fundação do mundo, somente agora reconciliado e justificado posso o chamar de pai. 

Infelizmente ainda sinto o peso de minha natureza decaída, como se o velho homem tivesse sido amarrado, mas vez ou outra conseguisse fugir de suas amarras e seduzido pelo pecado me levasse junto ao chão e lá em baixo, triste, lamentando o fracasso, coração contrito e choroso, me sentido o pior dos pecadores, pergunto a Deus o motivo de ter escolhido alguém tão réprobo. Será que em todo o mundo não haveria alguém que cumprisse minha missão com maior zelo? Com maior fidelidade ou mais amor? Quando chego a essas indagações é como se estivesse já no fundo do poço e agora, já sem esperanças de sair de lá sozinho sinto como se novamente fosse resgatado, como se Cristo tivesse por um segundo deixado suas outras noventa e nove ovelhas em segurança para vir ao encontro de uma que após tropeçar ficou para trás.

O sacrifício de Cristo e seu constante amor e cuidado é de igual modo por todos os seus eleitos, mas atua de forma individual em cada um de nós, afinal, ele conhece o coração de cada uma das suas ovelhas, seus sonhos, medos e fraquezas, ele não as chama por um número mas por seu nome, ele sabe que o tal pecador com o meu nome sou eu.