O dilema de amar a si mesmo!

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“Você ama a si mesmo?”

Pois bem, excepcionalmente nas reuniões e redes sociais daqueles que são vítimas da carência, do narcisismo, ou de um relacionamento abusivo, esta pergunta sempre vem acompanhada da afirmação: 

“Não se submeta a……..tenha AMOR PRÓPRIO”!

Ame a si mesmo!

Assim, o conceito de amor próprio pode parecer idealista e romântico demais para aqueles que não percebem o perigo nestas palavras, haja vista que, como disse C.S. Lewis, todo amor que se torna um “deus”, da mesma forma, torna-se um demônio; e o amor próprio não escapa desta premissa!

A inconsistência desta afirmação (não se submeta a….tenha amor próprio) se revela diante do Cristo do Evangelho, que mesmo podendo evitar, submeteu-se a torturas, humilhações, abandonos e até mesmo cuspidas em sua face. 

Ora, pergunto-lhe, Jesus amava a si mesmo? Qualquer um que tenha sanidade mental responderia: É óbvio! Contudo, como sustentar o castelo de “princesinhas e principezinhos” que em nome de seu “amor próprio” vivem afirmando: “Eu não aceito qualquer coisa”?

É assustador perceber como Lewis estava certo ao afirmar que todo amor pode tornar-se demônio; diante de nossa realidade, onde, em nome de amor próprio criam-se guerras de todos os tipos, feridas de todos os tipos, desavenças, divisões, e já não sabem mais diferenciar o que seria amor próprio de idolatria do próprio “Eu” ou do próprio EGO!

Em nome de “amar” a si mesmo, o AMOR desaparece! Em nome de “amar” a si mesmo, o AMOR é sepultado, dando lugar à ira, e trazendo vida aos irmãos siameses, a saber: Egoísmo e Individualismo!

Distantes demais do AMOR de Jesus, eles “amam a si mesmos”! E, por amarem a si mesmos, vão jogando na lata do lixo à beira da estrada tudo o que seu amor próprio é incapaz de suportar, perdoar, abraçar ou compreender!

Constatando o pequeno limiar entre amor próprio e idolatria do Ego, em nosso tempo, é preciso reacender nos corações o verdadeiro significado de “Amar a si mesmo”, para que este amor não continue tornando-se ‘demônio’ no coração de muitos!

Enquanto o amor segundo Jesus, afirma: “O amor tudo suporta”, o grito dos EGOCÊNTRicos (Ego no centro), diz: “Você não é obrigado a suportar, se dê valor”! 

Enquanto o amor segundo Jesus afirma nos corações: “O amor tudo sofre”, os EGOCÊNTRicos gritam aos telhados:

 “Você merece mais!”

De cara, diante do Evangelho, desaparecem os dois maiores pressupostos dos que dizem se amar, e são elas: 1 – Você é especial, 2 – Você merece; posto que, o Evangelho nos diz: “Você é mau, você não merece nada”!

E é diante desta convicção que nasce o que realmente é amor próprio: A convicção de que Deus nos ama, apesar do que somos e em detrimento do que tentamos ser! 

Pois bem, percebe Cristo afirmou: “Ame o próximo como EU lhe amei!” 

O mandamento precede uma realidade: Você é amado! E a partir desta realidade, nasce o mandato de Cristo: “Ame, assim como você, por mim, é amado”! Toda relação de amor genuíno nasce da convicção de que sou verdadeiramente amado, e amado por aquele que jamais deixará de me amar com o amor eterno, perfeito, imutável, indescritível, imensurável! 

A escritura nos afirma: “Ele nos amou primeiro”. A convicção de que sou amado precede a toda entrega de amor! Primeiro sei que sou amado, depois amo!

Carência, narcisismo, ansiedade, egoísmo, individualismo, orgulho, são incapazes de resistir ao evangelho que ininterruptamente grita: “Vocês são maus e não há nada em vós mesmos que lhe façam merecer alguma coisa, contudo, EU lhes amo, com tudo o que sou!”

A paz que brota deste amor próprio, é a paz que se submete, que se entrega, que compreende, que perdoa, que tudo sofre, que tudo suporta, mas que, não é tola, tudo discerne e não se permite estar numa relação, seja de qual natureza for, onde o amor genuíno não tem liberdade e paz para reinar; paz que também sabe o momento e as ocasiões apropriadas de se afastar, não por narcisismo e seus camaradas, muito menos por dizer que “mereço mais”, mas um afastamento por amor!

Amor que traz a convicção de que tal relação (conjugal, profissional, social) se inviabilizou por estar, de modo deliberado, levando o verdadeiro amor a morrer!

Assim, é impossível criar padrões para vos definir o que fazer, quando fazer, e como fazer, mas a direção sempre estará lá, na consciência daqueles que tem a convicção de que Deus lhes ama, e que, por essa convicção, amam profundamente seu próximo!

O Senhor estará lá…! 

Assim, abandone agora, toda raiz de “amor próprio” apodrecido, que lhe ensinaram, e entregue-se ao Deus do Evangelho que, por ser puramente AMOR, lhe ensinará amar, tanto a si mesmo como aos outros!