LIDERANÇA EFICAZ

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Quando eu sonhei em montar uma banda, isso há muito tempo, não levei em conta o quanto liderar era desafiador. Um bom líder com certeza, define o tom de uma empreitada e tem a capacidade de manter um teor de paz ou caos dentro de um ambiente, tudo vai depender da sua atitude e posicionamento.

Eu tive muitos líderes complicados, tanto na igreja quanto no trabalho. Pessoas que a própria presença em um ambiente já causava desconforto, não era agradável estar no mesmo espaço que eles e quando eles saíam o sentimento de alívio era o único que causavam. E apesar de muitos acreditarem que líderes e chefes causam esta sensação, Carol Dweck aborda alguns pontos complicados destes tipos de pessoas e mostra como é possível ser um bom líder e não causar este desconforto.

Um líder complicado, que não ouve, muito menos respeita e valoriza o próximo, modifica o ambiente e canaliza todo o esforço dos liderados em satisfazer seus gostos. O intuito do líder seja em uma igreja ou empresa, é cuidar para que determinada área tenha frutos, que cresça e atenda uma certa demanda. O líder deve fazer o empreendimento funcionar e não cuidar para que as suas vontades sejam satisfeitas. A missão não é massagear o seu ego ou mostrar que lidera bem e sim, fazer um determinado setor caminhar (DWECK, 2017 p. 135).

É muito comum não percebermos como as nossas ideias são falhas ao liderarmos, mas quando cultivamos um ambiente de respeito, sempre aberto a novas ideias e ao diálogo, conseguiremos ouvir outros pontos de vistas e aprimorar os nossos planos. Esta é a função do verdadeiro líder. É claro que nem todas as ideias são boas, mas ouvir todas elas e respeitar a ideia de cada um é o primeiro passo para que seus liderados não tenham medo de falar e colaborar com o trabalho.

Muitos acreditam que o respeito é algo que se impõe, por isso, quando assumem um cargo de liderança, entendem que impor é o ponto de partida para um verdadeiro líder. Alguns até afirmam que quando o chefe é bonzinho demais as outras pessoas passam a não o respeitar, o que não é verdade. Um bom líder sabe ser respeitoso e ao mesmo tempo eficiente, ele sabe ouvir e mudar de opinião para o bem de uma empreitada. E acima de tudo, ele não precisa ter a glória toda para si, ao contrário, ele sabe fazer a equipe toda brilhar e trabalhar em prol de um bem comum.

Outro problema que este tipo de líder traz é a estagnação, visto que o medo e a preocupação em ser julgado pelo chefe, freia a inovação e as boas ideias. Apenas em um ambiente de respeito e liberdade é que as boas ideias surgem e ganham vida (DWECK, 2017 p. 136).Carol Dweck complementa pontuando que:

“Quando chefes humilham os demais, há uma mudança no ambiente. Tudo começa a girar em torno da satisfação do chefe” (DWECK, 2017 p. 135). 

A parte interessante em me lembrar dos antigos líderes era o fato de que, mesmo que você não fosse a pessoa mais atingida pelas grosserias dele, as atitudes que víamos terminava por nos deixar receosos em colaborar com uma ideia para também não sermos alvos das suas grosserias. No final, éramos apenas pessoas que executavam uma função e mesmo que entre nós existissem pessoas competentes, aptas a colaborar e solucionar um determinado problema, eles permaneciam calados, oprimidos pelo estilo de liderança.

Um dos principais problemas destes líderes é serem controladores e terem medo de serem julgados ou de serem alvos de críticas. Isso leva estas pessoas a imporem sua forma de pensar e se fecharem para sugestões, críticas ou opiniões. Sendo que esta mesma atitude transforma o ambiente em um lugar medíocre, sem inovação e crescimento, ela mata aquele espírito empreendedor. Saber ouvir opiniões contrárias, críticas e sugestões sem medo é a atitude daqueles líderes que entendem que não sabem de tudo, que não são fechados, e trabalham em prol de um bem comum (DWECK, 2017 p. 135, 136).

O desafio da igreja é muitas vezes saber servir, é conseguir olhar além e aprender a escutar. Um líder com boas ideias as vezes cala algumas sugestões ou não escutam críticas importantes para os seus empreendimentos. Talvez pela euforia ou mesmo orgulho, terminam por não ouvir e criar um ambiente engessado.

Não é tão simples liderar, motivar pessoas e conseguir com que todos trabalhem em prol de um bem comum, principalmente em uma igreja, mas escutar e ter a humildade suficiente para refletir sobre o que é dito, já é um bom princípio. E principalmente, criar um ambiente agradável, com diálogo e respeito, deve ser o ponto de partida de todos os líderes relevantes.

O líder que olha para além de si e não tem medo de críticas, transforma o ambiente em um lugar frutífero e cheio de ideias!

BIBLIOGRAFIA

DWECK, C. S. Mindset: A nova psicologia do sucesso. 1. ed. São Paulo: Objetiva, 2017.