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Afinal a mulher pode ou não ensinar no culto? Um estudo à luz de 1 Coríntios 14.33-34

Juliano Marlus
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13 de janeiro de 2021 • 5 min. de leitura

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Mesmo em dias hodiernos a mulher ainda sofre, além da violência, com preconceitos ministeriais e profissionais, e não estamos analisando uma cultura mais tradicional e conservadora como em países influenciados pela religião islâmica. Denominações cristãs evangélicas ocidentais ainda proíbem as mulheres de ensinarem nas igrejas.

Nossa tarefa será fazer uma breve análise do texto de 1 Coríntios 14.33-35:

34 As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. 35 E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja.

O estudo da crítica textual nos informa que alguns manuscritos chegam a colocar os versículos 34 ao 35 no final do capítulo 14 depois do versículo 40. (OMANSON, 2010, p. 355). Já Gordon Fee (2019, p. 853) classifica essa passagem como: “[…] passagem espúria (v. 33,34) que conseguiu se aninhar na tradição manuscrita, tendo sido inserida nesse ponto na maioria dos textos remanescentes […]”, ou seja, o autor se nega a comentar esses versículos em sua obra, pois para ele não tem valia nem mesmo como uma interpolação.

Todavia, o breve estudo abordará os versículos dentro do seu contexto histórico-cultural e literário partindo do pressuposto como parte integrante do NT, independente de sua colocação nos manuscritos antigos.

Não se pode deixar de lado os aspectos culturais da época, a posição da mulher na sociedade era deprimente. O grego Sófocles havia dito que: “O silêncio confere graça a uma mulher”, já os rabinos que “Com respeito a ensinar a lei a uma mulher, o mesmo seria ensinar-lhe impiedade.” (BARCLAY, 1956, p. 136). O mundo greco-romano não conferia valor nenhum à mulher e no judaísmo não era diferente. É nesse contexto em que o NT é escrito.

Barclay (1956, p. 134) nos chama a atenção para a observação de como era o culto na Igreja Primitiva. Existia uma “liberdade e uma informalidade” diferente dos nossos cultos atuais, pois não existia “pastores profissionais”, todo aquele que tinha o dom estava livre para usá-lo, a ordem no culto tinha uma flexibilidade. Não participava de um culto somente como ouvinte passivo. As mulheres no NT se destacavam por suas qualidades e virtudes e não por titularidade funcional, uma vez que essa institucionalização vem a posteriori.

O contexto literário imediato dos versículos “esboça regras de conduta que promovem o culto ordeiro”, conforme nos relata Kistemaker (2003, p. 711). As profecias devem ser julgadas pelos ouvintes. Porém, Paulo impede as mulheres de julgarem as profecias dos homens. Para o Dr. Waldyr Carvalho Luz (2011, p. 44-49) essa é uma questão de “etiqueta feminina da época” e não uma “injunção teológica.”

Quando faz apelo a Lei de forma genérica a Escritura, “ele tem em mente o relato de Gênesis 2.18-24, que ensina a ordem da criação na qual Adão foi criado primeiro e depois Eva como ajudadora de Adão. Desse relato, Paulo deduz o princípio de que a esposa é sujeita ao marido como ajudadora dele e é responsável perante ele”. (KISTEMAKER, 2003, p. 712).

Paulo orienta as mulheres de Corinto a respeitarem seus maridos no culto, ficando em silêncio quando discordarem da profecia (pregação) dele e questioná-lo na privacidade do lar.

Se a ordem de Paulo era para que as mulheres ficassem totalmente caladas nos cultos, teremos uma grande contradição com o capítulo 11.5: “Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse raspada.”

Kistemaker (2003, p. 711) presume “que com os homens, as mulheres também cantavam salmos e hinos na igreja (14.26).” Paulo, jamais quis proibir a mulher de falar e adorar a Deus no culto uma vez que a passagem bíblica citada pelo autor traz além de salmos e hinos, doutrina, revelação, língua e interpretação.

Ademais, não permitir que uma mulher fale, ensine ou pregue numa igreja é limitar a ação do Espírito Santo prometida no AT em Joel 2.28-29 e concretizada em Atos 2.17-18:

E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos sonharão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão;

Teríamos que ser honestos em afirmar que o dom do ensino e da pregação foi concedido somente aos homens, uma vez que no contexto amplo de 1 Coríntios, Paulo trata com os dons espirituais no capítulo 12. No compêndio da teologia paulina, os dons foram dados para a edificação da igreja. Teríamos também que diferenciar os dons espirituais. Exemplificaremos agora em Romanos 12, uns exclusivos para homens: profecia, ministrar, ensinar, exortar, presidir e outros para homens e mulheres: repartir e misericórdia.

Fica a pergunta baseada em Efésios 4.11-12: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.” Será mesmo que as mulheres também estão de fora dos dons ministeriais? Eu creio que não.

Bibliografia

KISTEMAKER, Simon. Exposição da Primeira Epístola aos Coríntios. SP: Cultura Cristã, 2003.

BARCLAY, Willian. Comentário de 1 Coríntios. Trinidade College, 1956.

FEE, Gordon. Comentário Exegético de 1 Coríntios. SP: Vida Nova, 2010.

OMANSON, Roger. Variantes Textuais do Novo Testamento, Análise e Avaliação do Aparato Crítico de “O Novo Testamento Grego”. SP: SBB, 2010.

LUZ, Waldyr. Ordenação feminina. Revista Ultimato. Viçosa, MG, Vol. 329, p. 44-49, Março-Abril de 2011.

Juliano Marlus
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29 de abril de 2019 • 3 min. de leitura

Um pouco sobre críticas e críticos

Sou profundamente crítico com muitos fatos que ocorrem nas igrejas evangélicas. Sei que não somos perfeitos e há muitas distorções, – muitas igrejas inclusive levam o título de evangélica apenas de fachada – mas critico de dentro das fileiras cristãs. Faço como auto-crítica religiosa, e inclusive pessoal, pois sei que como cristão estou muito aquém daquilo que meu Senhor e Salvador me instrui… Por outro lado, creio que a sociedade esquece facilmente também o que as igrejas evangélicas e os cristãos fazem pelo bem comum; pelo próximo. E o fazem mesmo sabendo que nada do que fizermos é o que nos leva à salvação, ou seja, não é para “recebermos favores de Deus”, já que somos salvos pela Graça. As igrejas cristãs estão entre as que mais investem na sociedade para o bem comum. É só verificar, aqui mesmo em Curitiba, a quantidade de hospitais, – evangélicos e católicos – de instituições de ensino, de casas de apoio a toxicômanos, além da imensa quantidade de igrejas que fazem um grande trabalho social de apoio à pessoas carentes, como distribuição de cestas básicas, apoio psicológico e, claro, espiritual, etc, etc, etc… Grandes ativistas pelos direitos humanos e pela justiça social saíram das fileiras das igrejas cristãs, e falo isto não somente no Brasil, mas no mundo todo. As agências missionárias cristãs estão entre as organizações mais ativas e que mais levam socorro, inclusive apoio médico e alimento, à nações extremamente fechadas. Missionários correm risco de morte para levar justiça e esperança a povos subjugados e oprimidos. Claro que o que mais aparece na mídia, são aqueles que se aproveitam do povo em benefício próprio, mas nós, cristãos protestantes, fazemos questão de afirmar que tais instituições não compartilham de fato de nossa fé e do nosso entendimento do Evangelho. Faço parte de uma Igreja séria e trabalho em instituições acadêmicas que formam pastores e pensadores sob o prisma da reta doutrina cristã ensinada por Cristo e compartilhada pelos apóstolos. Como acadêmico cristão, procuro sempre estar intelectualmente preparado para responder aos anseios e dilemas que a sociedade moderna compartilha. Como pastor, procuro sempre estar conectado com minha fé e compartilhar com aqueles que necessitam e procuram a Deus. E é por ver tantas pessoas criticando o cristianismo sem sequer ter a mínima noção do que é ser cristão, ou porque em algum momento de sua parca experiência cristã não teve os seus desejos atendidos, é que resolvi ponderar algumas das questões colocadas acima. Salvo ledo engano, creio que pouquíssimas instituições religiosas fazem pela sociedade o que o cristianismo faz. Aprendemos com os nossos erros históricos e sim, já fizemos muito mal também, mas creio, olhando para o presente, que estamos tentando acertar.

Roberto Rohregger
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25 de dezembro de 2019 • 2 min. de leitura

Uma reflexão sobre o Natal

Certa vez, em uma reportagem natalina, algumas pessoas desde crianças até os mais avançados em idade, foram entrevistadas sobre o que o Natal significava para elas. As respostas para a pergunta não foram muito além de: família e amigos reunidos, presentes, paz e amor. Essa resposta tão comum entre os entrevistados me assustou. Assustou-me não por ela conter elementos ruins, de pouco valor, mas por esses elementos resumirem a sua festividade. A comemoração do dia 25 de Dezembro estampa a palavra “natal” em sua classificação, a qual significa “nascimento” e esse, como é de consenso geral, remete-se ao nascimento de Jesus Cristo (apesar do dia específico de seu nascimento não ser unânime entre pesquisadores). Contudo, nenhuma alusão a isso pôde ser vista nas respostas para aquela reportagem, o nascimento de Jesus não apareceu diante de tantas coisas agradáveis que foram citadas. A casa estaria cheia, os presentes chegariam aos montões, haveria paz e amor sendo desejados uns para com os outros, entretanto, corações tão cheios dificilmente teriam lugar para Jesus. Essa mesma dedução pode ser vista há anos, no dia em que Jesus Cristo veio ao mundo. A Bíblia Sagrada, no livro de Lucas capitulo 2, expõe o nascimento de Jesus. Maria e José, seus pais, destinaram-se a Belém, cidade na qual nasceria seu filho. Todavia, eles não encontraram nenhum quarto vazio na hospedaria, todas as estalagens estavam cheias, o que levou os pais de Jesus ao único lugar disponível, o lugar em que se guardavam os rebanhos dos pastores. O motivo dos pais de Jesus não ter conseguido um lugar para este nascer na hospedaria “não foi porque o hospedeiro era cruel ou não hospitaleiro, mas porque a estalagem já estava cheia”. Essa circunstância da hospedaria de mais de dois mil anos atrás, está representada nos corações da atualidade. Acrescenta-se cada vez mais elementos e perde-se o sentido do nascimento de Cristo. O coração mostra-se focado em honras, prestígio, vaidade. Enche-se a casa de pessoas, presentes, comida e luzes, porém a alma passa mais uma vez escura, uma vez que a “Luz do mundo” não encontrou lugar para brilhar. Não há como ter Jesus em locais que estão ocupados pelo próprio “eu”. Que neste natal você ofereça-se vazio, a fim de receber tudo o que precisa.

Thauane Cordeiro
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13 de dezembro de 2019 • 3 min. de leitura

A Arte de Ser Cuidado

Não é fácil deixar cuidar-se, é sempre mais fácil cuidar do outro. Porque isso exige de nós abrir o coração, se expor. Cuidado significa: atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho e responsabilidade. Cuidar é perceber a outra pessoa como ela é, e como se mostra, em seus gestos e falas, sua dor e limitação. E esse cuidado, deve ir além da parte física, pois além do sofrimento físico decorrente de uma doença ou limitação, há que se levar em conta as questões emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções do outro. Para ser cuidado você precisa transparecer necessidade ou até mesmo, fragilidade. Olhando por este ponto de vista é mais fácil cuidar. Pois caso você não faça nada, de certa forma, a culpa não cai em você. Porém ao necessitar de cuidado, e não encontrando amparo, você ainda está perdendo, mas ainda assim é mais fácil permanecer em silêncio. “Cada um por si e Deus por todos” é a Máxima da Lógica. Vivemos hoje numa crise de apatia em nossas famílias, em nosso trabalho e nas ruas. É como se a gente por si só bastasse. A postura individualista diante de um mundo competitivo estabelece a superficialidade absurda que desumaniza e maquia relações. No filme O Grande Ditador de Charlie Chaplin, ele cita: “Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos (duro como pedra) e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. Perdemos a vontade de sermos cuidados pela dureza de nosso coração. Pelo medo de nos expor ao outro, ou pelo fato de não nos acharmos dignos de cuidado. Mas Deus tem cuidado de nós de uma maneira que não podemos compreender, “olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mt. 6:26). No cuidar precisa-se estar bem consigo, pois o “amar ao próximo como a si mesmo” é cuidar de si e deixar-se ser cuidado; render-se por inteiro, facilitando ao cuidador essa tarefa. É um exercício de humildade que deve ser motivo de reflexão diária, o qual nos faz lembrar a todo momento que Deus também tem cuidado de nós desde sempre. Como diz o salmista: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Sl 139: 13-16). Experimente se deixar cuidar. Abra seu coração. Fazem dois anos que passei pelo pior momento de minha vida onde foi necessária uma decisão: me expor e deixar ser cuidado de uma vez por todas ou deixar passar como se fosse mais uma tribulação e não resolvê-la. Escolhi deixar ser conhecido na totalidade, sem máscaras ou fingimentos, decidi aceitar os conselhos com humildade, reconheci que o Senhor é bom em todo o tempo. Experimentei o perdão e o amor. Por isso, posso constatar: Ao me deixar ser cuidado senti o amor de Deus através da vida dos meus irmãos, compreendi e obedeci ao meu chamado, sempre latente, que antes relegava.

Michell Scheid da Silva
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