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2 de junho de 2026 • 4 min. de leitura

CRÍTICA CONSTRUTIVA: UMA BÊNÇÃO ESQUECIDA

Dificilmente você vai conseguir melhorar o seu modo de ser e de fazer as coisas se não houver uma autoavaliação ou receber uma crítica construtiva de alguém que se preocupa com você. Muitos cristãos não aceitam fazer ou receber críticas. Eles dizem: “Não faço nenhum tipo de crítica porque eu também não sou perfeito e também não aceito que me critiquem.” Infelizmente, muitos crentes, inclusive pastores e líderes, deixam de “exortar em amor” a quem precisa, por medo de ouvir do irmão frases do tipo: “Você não tem nada a ver com a minha vida”, ou “você também não é nenhum santo”, ou “macaco olha o seu rabo.” Percebemos, por um lado, o medo de alertar sobre o perigo dos erros que o irmão está cometendo e ser chamado de acusador, orgulhoso e intrometido. Por outro lado, existe a falta de humildade que impede aquele que é exortado de acatar e avaliar a crítica recebida.

Esquecemos de que a crítica construtiva é biblicamente válida e benéfica. A Bíblia nos informa que Moisés foi abençoado com uma crítica construtiva que ele recebeu do seu sogro Jetro e que resultou no aumento da eficiência do seu trabalho de julgar as causas do povo de Israel no deserto (Êxodo 18:13 a 26). Se não fosse a crítica feita pelo profeta Natan ao rei Davi, talvez ele nunca tivesse se arrependido do adultério e do assassinato que cometeu (2 Samuel 12:1 a 9). O apóstolo Paulo precisou criticar o comportamento hipócrita do apóstolo Pedro quando deixou de comer com os gentios ao perceber a chegada dos judeus (Gálatas 2:11 a 14). Também no contexto do Novo Testamento, somos avisados de que estará pecando quem vir a seu irmão andar por um caminho de morte e não o alertar.

Na verdade, a reação do cristão ao receber uma crítica é um indicativo de como anda a sua espiritualidade ou a sua comunhão com Deus. Um dos propósitos de Deus para a Igreja é que os cristãos sejam cada vez mais parecidos com Jesus Cristo, e isso requer um processo chamado “santificação”. O Espírito de Deus, muitas vezes, nos chama para auxiliar na santificação dos irmãos através da exortação e da repreensão. Quem repreende deve fazê-lo com e por amor. Quem é repreendido deve ter a humildade de analisar bem a crítica recebida. Assim, haverá restauração e crescimento tanto a nível pessoal como comunitário. A crítica construtiva ou repreensão deve ser sempre expressão de amor e de preocupação com o próximo. O amor que vem de Deus também inclui palavras fortes de advertência como: “Hipócritas, raça de víboras” (Mateus 23:33), “vocês estão errados porque não conhecem as Escrituras” (Marcos 12:24), ou “vá e pare de pecar” (João 8:11). Assim como o médico precisa dizer ao paciente teimoso: “- Se você não parar de beber hoje, em breve estará morto.”

Durante a criação do mundo, por cinco vezes, Deus avaliou as obras das Suas mãos e, ao final, aprovou todo o seu trabalho (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25 e 31). Assim também devem ser considerados aqueles eventos que são realizados nas igrejas ano após ano, apresentando os mesmos erros. Ninguém ousa fazer um comentário negativo aos responsáveis pelo evento com medo de que se sintam ofendidos ou humilhados diante de alguma crítica, ainda que construtiva. Após cada evento realizado, é necessária a iniciativa, por parte dos organizadores, de fazer uma reunião com a finalidade de levantar as opiniões, as críticas e as sugestões para a melhoria do evento, na sua organização e realização, no ano seguinte.

Nas mãos de Deus, somos como “obras em construção” e, por isso, precisamos uns dos outros para nos manter unidos ao Senhor até o final da caminhada, sendo mutuamente orientados através dos elogios e das críticas. Conforme a orientação de Hebreus 3:13: “Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado”.

Alexandre Fonseca de Melo
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8 de maio de 2026 • 3 min. de leitura

HUMANIDADE E ESPIRITUALIDADE

Ultimamente tenho refletido sobre minha humanidade e minha espiritualidade. Sobre o fato de sermos, ao mesmo tempo, seres humanos e espirituais, e como essas dimensões se complementam. Entendo que nossa humanidade recebe os benefícios da espiritualidade, pois, segundo a Bíblia, quando recebemos a Jesus passamos a ser chamados de espirituais. Isso traz consequências positivas ao nosso ser e afeta diretamente a maneira como vivemos nossa humanidade. Essa conexão é profunda, e uma mente que pensa apenas de forma racional não consegue compreender a dimensão do que o espírito pode alcançar. Para entender o Reino de Deus, é necessário pensar espiritualmente. A espiritualidade enriquece nossa humanidade porque nos conecta ao transcendente que, nesse caso, não pode ser outro senão Deus. É nessa conexão que a humanidade encontra propósito, razão de viver e sentido para a existência. Isso nos move a ser éticos, respeitosos, generosos, pacientes, compreensivos e a manifestar os frutos do Espírito Santo mencionados por Paulo em Gálatas 5.22-23. E, com reverência ao texto, ousaria acrescentar ao final do verso 23 a frase: “Contra essas coisas não há humanidade.” No entanto, nossas dúvidas e incertezas brotam quase todos os dias justamente da nossa humanidade. Aqui falo como um ser comum: que ri, chora, às vezes amaldiçoa, mas também abençoa; que se prende a coisas banais, que trava batalhas internas e até discussões silenciosas com outros; que tem dúvidas, sente que a fé e Deus parecem distantes e que as orações não são ouvidas; que pensa não estar na agenda de Deus ou, se está, é apenas depois de outros que parecem ter mais prioridade. Nesse momento, só posso dizer em primeira pessoa: “Sou assim, sou de carne e osso. Sou humano.” E junto dessa humanidade atuam também as forças das trevas. Embora já derrotadas, elas são perseverantes e insistentes, atacando justamente onde somos mais frágeis. Paulo, em 2 Coríntios 1:8-9, relata uma tribulação tão intensa que chegou a desesperar-se da própria vida. Ali, a humanidade, em linguagem hiperbólica, “gritou”, e a espiritualidade respondeu calmamente por meio do Apóstolo. É como se uma falasse com a outra dentro da mesma pessoa. Por isso, precisamos diariamente reafirmar diante da nossa humanidade que nossas armas são espirituais e poderosas em Deus e capazes de destruir sofismas e resistências do mal. Somos seres espirituais, o Espírito Santo habita em nós, temos todos os benefícios da morte e ressurreição de Cristo e, portanto, devemos viver como tais. Sem esquecer nossa humanidade, mas recordando-a constantemente da nossa espiritualidade em Cristo, que já nos concedeu abundantemente os recursos para uma vida plena no Espírito. Sejamos felizes. Somos mais que vencedores!

Benides Bergamo
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17 de setembro de 2025 • 3 min. de leitura

Desde a vista do meu ponto: humanidade e espiritualidade

Ultimamente tenho refletido sobre minha humanidade e minha espiritualidade. Sobre o fato de sermos, ao mesmo tempo, seres humanos e espirituais, e como essas dimensões se complementam. Entendo que nossa humanidade recebe os benefícios da espiritualidade, pois, segundo a Bíblia, quando recebemos a Jesus passamos a ser chamados de espirituais. Isso traz consequências positivas ao nosso ser e afeta diretamente a maneira como vivemos nossa humanidade. Essa conexão é profunda, e uma mente que pensa apenas de forma racional não consegue compreender a dimensão do que o espírito pode alcançar. Para entender o Reino de Deus, é necessário pensar espiritualmente. A espiritualidade enriquece nossa humanidade porque nos conecta ao transcendente que, nesse caso, não pode ser outro senão Deus. É nessa conexão que a humanidade encontra propósito, razão de viver e sentido para a existência. Isso nos move a sermos éticos, respeitosos, generosos, pacientes, compreensivos e a manifestar os frutos do Espírito Santo mencionados por Paulo em Gálatas 5.22-23. E, com reverência ao texto, ousaria acrescentar ao final do verso 23 a frase: “Contra essas coisas não há humanidade.” No entanto, nossas dúvidas e incertezas brotam quase todos os dias justamente da nossa humanidade. Aqui falo como um ser comum: que ri, chora, às vezes amaldiçoa, mas também abençoa; que se prende a coisas banais, que trava batalhas internas e até discussões silenciosas com outros; que tem dúvidas, sente que a fé e Deus parecem distantes e que as orações não são ouvidas; que pensa não estar na agenda de Deus ou, se está, é apenas depois de outros que parecem ter mais prioridade. Nesse momento, só posso dizer em primeira pessoa: “Sou assim, sou de carne e osso. Sou humano.” E junto dessa humanidade atuam também as forças das trevas. Embora já derrotadas, elas são perseverantes e insistentes, atacando justamente onde somos mais frágeis. Paulo, em 2 Coríntios 1:8-9, relata uma tribulação tão intensa que chegou a desesperar-se da própria vida. Ali, a humanidade, em linguagem hiperbólica, “gritou”, e a espiritualidade respondeu calmamente por meio do Apóstolo. É como se uma falasse com a outra dentro da mesma pessoa. >Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida. De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Ele nos livrou e continuará nos livrando de tal perigo de morte. Nele temos colocado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos, 2 Coríntios 1:8-10 >Por isso, precisamos diariamente reafirmar diante da nossa humanidade que nossas armas são poderosas em Deus e capazes de destruir sofismas e resistências do mal. Somos seres espirituais, o Espírito Santo habita em nós, temos todos os benefícios da morte e ressurreição de Cristo e, portanto, devemos viver como tais. Sem esquecer nossa humanidade, mas recordando-a constantemente da nossa espiritualidade em Cristo, que já nos concedeu abundantemente os recursos para uma vida plena no Espírito. Sejamos felizes no Senhor, pois somos mais que vencedores.

Benides Bergamo
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12 de fevereiro de 2025 • 3 min. de leitura

Doutrina ou Prática: Qual o mais importante?

Qualquer cristão contemporâneo já deve ter participado de discussões objetivadas em definir o que importa mais: doutrina ou prática. Não raramente este tipo de debate é encabeçado por dois grupos distintos; o primeiro com um zeloso apego à intelectualidade da doutrina, muitas vezes desconectado de qualquer espiritualidade; e o segundo, que faz parecer que a prática de justiça social e hospitalidade elimina qualquer importância e necessidade de doutrina. A realidade é que ambos parecem ter uma perspectiva equivocada do que de fato é a doutrina para a fé cristã. Isto é, em sua correta assimilação, vivência, e dependência do Espírito Santo. Primeiramente, não há espaço para o acolhimento dos ensinos bíblicos de forma meramente memorizada e intelectualizada. Toda doutrina, após ser conhecida, exige um processo de reflexão e assimilação que apenas são dados através da iluminação do Espírito Santo. O conhecimento de Deus se distingue de todo outro conhecimento quando nota-se que, sem a revelação e luz do próprio Deus, nada de fato decanta às profundezas do coração do ouvinte. A doutrina verdadeiramente conhecida sempre gerará transformação. Em segundo lugar, a tensão entre doutrina e prática apenas encontra espaço na ausência de doutrina vivida. Não há como afirmar conhecer a misericórdia de Deus, se esta mesma misericórdia não tem gerado frutos na vida do cristão. Ou ainda, defender a justificação pela fé, mantendo uma postura legalista e julgadora. O validador da correta assimilação de uma doutrina sempre será o impacto que esta tem gerado na cosmovisão e prática do crente. Sem este, não há, certamente, raízes profundas de tais doutrinas nos corações daqueles que as arrogam. Por último, não há espaço nem para a prática da justiça cristã, nem para qualquer sabedoria ou entendimento fora do Espírito Santo e seu domínio. Toda obra, toda boa ação, qualquer aula, por mais bem elaborada que seja, não passam de atitudes vazias se não forem guiadas, enchidas e nutridas pelo Espírito de Deus para a glória de Cristo. E todo ensino iluminado por Ele, sem dúvidas, cooperará para a edificação, não apenas do ouvinte, mas também de toda comunidade ao seu redor, através do nutrimento de corações de fé profunda e ativa nas verdades do Evangelho. Em um ambiente cheio e guiado pelo Espírito Santo, toda doutrina é prática e profundamente enraizada no coração dos fiéis. Logo, a busca para responder o questionamento “doutrina ou prática?” se dá, não na definição de uma coisa como superior à outra, mas sim no correto alinhamento dos corações para receberem as verdades do Evangelho banhadas da luz do Espírito Santo, que resulta em uma fé agradável ao Senhor, em sua proclamação, e em sua operação.

Vinícius Barreto Machado
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11 de fevereiro de 2025 • 3 min. de leitura

OBEDIÊNCIA PRECEDE A REVELAÇÃO

Na última reunião em Altônia, durante a assembleia anual da Missão Betânia, me lembrei com muito carinho e gratidão de uma figura do meu passado, Cliff Dahlen. O que o trouxe à minha memória foi uma frase repetida várias vezes nas reuniões: “Obediência precede a revelação”. Cliff foi um dos pioneiros da Bethany, trabalhando principalmente em coisas práticas com mãos habilidosas, mas, também dava uma matéria no seminário, o Evangelho de João. Esta frase é oriunda das suas aulas. Talvez não seja lembrado por sua didática na sala de aula, mas conseguiu implantar alguns princípios e frases na mente e coração dos alunos. Nunca soube da fonte da estrutura do evangelho que passou para nós, mas, os oito “Eu Sou” de Jesus também ficaram na memória e são lembrados até hoje ao contemplar os vitrais da capela do (Seminário e Instituto Bíblico Betânia) SEMIB. A frase: “Obediência precede Revelação”, foi cunhada por Cliff e inspirada do mesmo evangelho, capítulo 7 versículo 17: “Se alguém decidir fazer a vontade de Deus descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo”. Este princípio fundamental está gravado na mente de gerações de alunos americanos, brasileiros e provavelmente na memória de algumas etnias ao redor do mundo através dos formados da Betânia. Tudo vindo de um senhor simples, sorridente, magrinho, com uma voz meio rouca, cuja vida correspondia às suas palavras. Sentei na sua sala de aula, mas, também trabalhei na fábrica de trailers de camping que ele gerenciava e que de fato ocupou a maior parte do seu tempo. Seu trabalho era produzir centenas de trailers de alta qualidade liderando um bando de seminaristas, a maioria sem noção... Tipo eu mesmo. Através deste trabalho secular e exigente ajudou a construir a capela do SEMIB, bem como sustentar missionários espalhados pelo mundo. Era também por meio dele que demonstrava liderança cristã, como lidar com jovens complicados, como sorrir sob pressões, como confrontar com firmeza e amor. Enfim, como ser como Jesus na arena do trabalho. Desde então, eu mesmo, em momentos difíceis, décadas depois da sua morte, tenho voltado ao tempo que trabalhei com ele e me perguntado, como será que Cliff agiria nesta circunstância? Não apenas a frase deste herói esquecido está iluminando a vida de muitos, como também a vida íntegra de Cliff Dahlen continua brilhando décadas depois. Patrick Dugan: Missionário da Missão Betânia por mais de quatro décadas, mestre em teologia, professor, escritor e palestrante.

Patrick Dugan
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28 de novembro de 2024 • 3 min. de leitura

O Racismo e seus desdobramento na sociedade

Racismo é imputar algum tipo de superioridade ou inferioridade entre as pessoas em virtude da cor da pele. O Brasil de acordo com a lei 7.716/1989 torna todo e qualquer tipo de preconceito relacionado a cor da pele em crime inafiançável e não deveria ser diferente. Não se pode deixar de lado o fato de que o Brasil é um país racista e isso se dá em várias áreas da sociedade. É um erro fechar os olhos para esse fato, pois se trata de seres humanos, crianças, jovens, adultos e idosos e não meros números. De acordo com Junior Costa (2023), o Brasil encontra-se na 23º posição na lista dos países mais racistas do mundo. Antes dele temos a Alemanha e logo depois a Suíça, e ao fechar os olhos para esse fato, acelera-se a decadência da humanidade. Em se tratando do racismo em solo brasileiro, é possível observar que a região Sul tem os maiores índices de crimes relacionados à injúria racial. Deve-se atentar para o fato de que a lei do racismo o torna inafiançável e a injúria racial tem como pena a detenção de 2 a 5 anos e multa, de acordo com a lei 14.532/2023, isso é extremamente preocupante, pois estamos falando de uma das regiões mais bem desenvolvidas do Brasil (ARAUJO, 2024; BORGES, 2024). Infelizmente muitas pessoas estão vivendo uma vida baseada na superioridade, de acordo com a cor da pele, e isso passa por uma visão deturpada a respeito do outro, onde não se leva em consideração quem ele(a) é, e quem o criou. Um preconceito que vem sendo passado de geração em geração, e uma realidade em grande parte da sociedade. É preciso entender que toda e qualquer pessoa tem um valor imensurável, algo que de forma nenhuma pode ser medido, muito menos pela cor da pele, pois todos somos feituras de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Faz-se necessário ensinar a geração atual e as próximas, a enxergar o outro, não pela cor da pele, raça, gênero, ou qualquer outra distinção superficial, mais pela ótica de Deus, que entregou seu filho Jesus Cristo, em amor, por todos. Não se pode perder de vista a obra de Deus, realizada por seu filho Jesus e confirmada dia após dia por meio do Espírito Santo, e isso tudo, por toda a sua criação. Nunca é tarde para aprender a olhar o outro de dentro para fora e não de fora para dentro. Que Deus nos ajude a superar o racismo! Por: Hudson Vieira dos Santos, aluno do 7º Período de Teologia da Fatebe

Hudson Vieira dos Santos
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20 de outubro de 2024 • 6 min. de leitura

A pregação do Lógos no Evangelho de João: um exemplo para a contextualização do Evangelho na contemporaneidade

Assim como aconteceu nos dias da igreja cristã, no final do 1º século, nos dias do apóstolo João, com seus múltiplos desafios, urge que contextualizemos a mensagem do Evangelho de Jesus na contemporaneidade, não apenas para contrapor-se às ideologias contrárias à fé cristã, mas para que as pessoas compreendam a missão de Jesus, e sejam salvas por ele. Contextualizar a mensagem do Evangelho não é alterá-la em seu conteúdo, mas sim torná-la compreensível às pessoas dentro de um determinadpeo tempo e cultura. Ronaldo e Rossana Lidório, num brilhante artigo, Teologia Bíblia da Contextualização, citando Hesselgrave, disse o seguinte sobre o desafio da igreja na contextualização da mensagem evangélica na contemporaneidade: Quando Hesselgrave afirma que contextualizar é tentar comunicar a mensagem, trabalho, Palavra e desejo de Deus de forma fiel à Sua Revelação e de maneira significante e aplicável nos distintos contextos, seja culturais ou existenciais, ele expõe um desafio à Igreja de Cristo: comunicar o Evangelho de forma teologicamente fiel e ao mesmo tempo humanamente inteligível e relevante. E este talvez seja o maior desafio de estudo e compreensão quando tratamos da teologia da contextualização. Historicamente, a ausência de uma teologia bíblica de contextualização tem gerado duas consequências desastrosas no movimento missionário mundial: o sincretismo religioso e o nominalismo evangélico. O prólogo do Evangelho de João, cap. 1, dos versos 1 a 18, nos fornece um exemplo de como podemos contextualizar a mensagem do Evangelho para os nossos dias, e ainda sim conservarmos a verdade bíblica. O apóstolo João, à semelhança do apóstolo Paulo, em Atenas (At 17.16-34), ao veicular a mensagem do Evangelho, partiu da revelação natural, levando o seu público à revelação especial de Deus em Cristo. Para isso, João utilizou-se de um conceito filosófico, muito conhecido nos seus dias e na sua região, o conceito do _Lógos_. Essa estratégia de João não apenas era necessária, mas totalmente explicável. Ele estava em território gentio. Mais especificamente, grego. Éfeso e arredores incluindo a própria Grécia, era o reduto do pensamento grego. No começo, a pregação se voltava para os judeus, e usava a história do seu povo, e elementos judaicos da revelação divina, para alcançar os conterrâneos não convertidos ao Cristianismo. E agora, quando a igreja está cheia de gentios, de pessoas dadas ao pensamento grego? Como comunicar o Evangelho a esse grupo? Nunca tinham ouvido falar do Messias. Os gregos foram os primeiros a especular sobre a origem das coisas, partindo da filosofia, e também de um começo científico rudimentar. O _Lógos_, conceito que versava sobre esse tema, já era conhecido desde os tempos de Heráclito (535 – 475 a.C.) que foi primeiro a formular o conceito. Para este, o Lógos era o princípio criador de todas as coisas, as quais não têm início prévio (άρχή). Para ele, o _lógos_ era algo que está fora (transcendente). Diferente daqueles que diziam que a criação fora oriunda de material já existente. Para os estoicos, por outro lado, o _Lógos_ era como algo dentro na natureza, ou seja, imanente. As coisas criadas são “semente de Deus”. Ainda, para Philo de Alexandria, um filósofo judeu-helenista do Egito, o Lógos era o mediador entre o criador invisível e a sua criação. Quis Deus que João fosse o articulador entre aquela revelação natural e a revelação especial de Deus na pessoa de Jesus. Assim, o apóstolo, no prólogo do seu Evangelho, por meio de um possível hino da igreja cristã circulante no 1º século , vai dizer, com todas as letras, que esse _Lógos_, que os filósofos especulavam como o princípio de todas as coisas, é Jesus. Ao apresentar Jesus dessa maneira, para o seu público gentio, o apóstolo João, em primeiro lugar, nomina o que era até então inominável. Especulava-se, desde os tempos de Heráclito, sobre o início de todas as coisas, reduzindo a criação de Deus a um princípio filosófico. Porém, João dá um nome a esse princípio. Esse princípio é uma pessoa. É Jesus. Ou seja, ele traz luz à essa verdade sobre qual se especulava, conectando-a à revelação especial de Deus na pessoa de Jesus. Em segundo lugar, João deixa patente que aquilo que era transcendente tornou-se imanente. Para Heráclito, o Lógos era transcendente. João faz uma ligação entre a transcendência e a imanência do Lógos. O Lógos é Deus que desceu dos céus até nós. William Barclay, em seu comentário do Evangelho de João, diz, em outras palavras, o que João estaria comunicando aos gregos no seu prólogo: Por séculos vocês vêm pensando e escrevendo e sonhando acerca do Logos, o poder que fez o mundo, o poder que mantem a ordem do mundo, o poder pelo qual os homens pensam e raciocinam e conhecem, o poder pelo qual os homens entram em contato com Deus. Jesus é este Logos que vem à terra. A Palavra, disse Joao, ‘se tornou carne’. Poderíamos colocar isso de uma outra maneira – A Mente de Deus se tornou pessoa. Em terceiro lugar, João torna aquilo que era abominável para os pré-gnósticos dos seus dias o meio sábio pelo qual Deus empreende o seu projeto de salvar o homem: por meio da encarnação de Jesus. Para os gnósticos, era inconcebível que Deus pudesse se fazer carne, visto que a matéria é essencialmente má, enquanto que só o espírito é bom. João lida também com essa heresia nas suas epístolas (1 João 4.2,3; 2 João 8), sendo que uma das ramificações do gnosticismo, o Docetismo, dizia que Jesus não tinha corpo. Ele era apenas uma aparência. Ou seja, negavam que Jesus veio em carne. Ainda, em relação ao Prólogo de João, ele não apenas usou um conceito filosófico para falar à mentalidade e cultura gregas, mas preservou as grandes doutrinas da revelação de Deus e do Evangelho. As grandes verdades da cristologia foram preservadas: a eternidade de Jesus, sua relação especial com o Pai, sua divindade, seu poder criador tanto quanto ao do seu Pai, a importância da fé em Jesus, por meio da qual nos tornamos filhos de Deus, e a encarnação do Filho de Deus. Hoje, dentre aquelas pessoas que não conhecem a revelação especial de Deus, é comum também ouvirmos suposições e especulações sobre a origem das coisas - sobre se há ou não uma mente racional, ordenadora, por trás de toda ordem da natureza. Às vezes, ouve-se comentários tais como: - “Deve haver alguma força por trás de toda essa ordem”. Nesse caso, e em dizeres similares, nós, cristãos, à semelhança do que fez o apóstolo João, podemos partir daí, e dizer que essa ordem por trás de todas as coisas é Jesus, que se encarnou, e veio salvar a todos quantos crerem nele como o único meio pelo qual Deus escolheu, e revelou-se historicamente, para salvar a humanidade. **Psicólogo, teólogo e escritor. Pós-graduação em Psicologia Clínica pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Novo Testamento e Grego pelo Spurgeon’s College – Londres/Inglaterra, em Psicodrama Terapêutica - Associação Paranaense de Psicodrama. FEP. E em Aconselhamento Pastoral, pelo Wheaton College – Wheaton/EUA. Graduado em Psicologia e Teologia e professor da FATEBE.**

José Godoi Filho
José Godoi Filho
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1 de junho de 2022 • 5 min. de leitura

Oro a um Deus que não me ouve!

# Oro a um Deus que não me ouve! Sem dúvida nenhuma, um dos maiores pilares da mensagem cristã é a oração! Jesus não somente orava, como também nos aconselha a orar! É muito comum vermos no evangelho Jesus se retirando de entre a multidão e indo para a solitude do ‘monte da oração’. É muito comum vermos Jesus se retirar dos ‘palcos’, se retirar dos ‘holofotes’, e correr para o anonimato do ‘quarto de oração’, pois sem dúvida nenhuma, de nada adiantaria ter as multidões a ouvi-lo e não ter o Deus das multidões na intimidade do quarto! A grande questão na oração é uma simples pergunta: “Por que orar?”. Porque orar se o próprio Jesus disse que Deus já sabe o que precisamos antes mesmo de falarmos? Porque orar se o Senhor já sabe tudo o que iremos dizer na oração antes mesmo de pensarmos naquilo que iremos falar? Porque orar se toda a graça já nos foi dada na Cruz? Porque orar se o que Deus quiser fazer Ele irá fazer independente se eu pedir ou não? Porque orar se o que Deus não quiser fazer Ele não fará independentemente se eu pedir ou não? Porque orar o ‘seja feita a tua vontade’ se a vontade dEle já será feita independemente se eu pedir que ela seja feita ou não? (Existem muitos outros pontos). Porque orar se o ministério do evangelho é simplesmente servir ao próximo em amor? Porque orar sendo que não podemos ‘comprar’ Deus pelos nossos sacrifícios? Porque orar sendo que tudo já nos foi dado quando Jesus gritou “Tetelestai” (está consumado)? Essa foi uma grande questão que invadia minha mente até que encontrei a resposta em Jesus! Me impactou saber que na oração Deus não nos ouve, Ele nos vê! Jesus disse: “Quando fores orar entra no teu quarto, fecha a porta, porque aquele (Deus) que te VÊ em secreto…”, não é aquele que nos ouve, é aquele que nos vê! Um dia perguntaram a Madre Teresa o que ela dizia a Deus em suas orações, ela respondeu: “Eu não falo nada, eu somente escuto!”, então lhe perguntaram: ‘E o que Deus diz’, “Ele não diz nada, Ele somente me escuta” – respondeu ela, Não eram as palavras que moviam a oração, não eram a quantidade de palavras ditas, o tom de voz em que eram ditas, o volume em que eram ditas e muito menos o como eram ditas, mas sim a atitude de estar a orar, a oração do silêncio, a atitude de apresentar-se diante de Deus no quarto da oração e relacionar-se em gemidos da alma! Foi John Bunyan quem disse: “Na oração mais vale um coração sem palavras do que palavras sem um coração!”, orar não é falar e falar, orar é se relacionar mesmo que sem palavras! A respeito da oração muito se ensina a como prolongá-la. Uns pronunciam palavras de modo devagar para que dure mais tempo, outros oram em todos os assuntos possíveis para que fique mais tempo em oração, oram por todos os nomes para que preencha tempo como que cumprindo sua carga horária, fazem como tolos que pensam que por muito falarem serão ouvidos, uns oram gritando acreditando que isso demonstra maior ‘unção e autoridade’, uns oram de maneira rápida e ofegante acreditando que isso é o poder de Deus, mas não! Queridos, orar não é ‘falar e falar’, orar é se relacionar, pois Ele nos VÊ, Ele VÊ a atitude de se retirar do mundo e apegar-se ao silêncio de um quarto escuro!”! Agora eu entendo, oração não é pedir algo (até porque Ele sabe de tudo o que precisamos, mas, se quiser pedir, não é proibido rs), oração é entregar, me entregar, quanto mais oro, mais me entrego. Oração não é a quantidade de decibéis que sai de minha boca, mas sim o aroma suave que vem do coração! Oração é amá-lo, oração é simplesmente o querer estar mais perto, orar não é uma obrigação para os servos mas é um prazer dos filhos! Por isso essa grande pergunta se responde no que é relacional, “por que orar?”, para, simplesmente, me relacionar! Foi assim então que entendi que oração não é questão de “falar e ouvir “, mas de “fazer e ver”! Oração é como o abraço de um casal de namorados, apaixonados…, nenhuma palavra se é pronunciada, nenhuma palavra se faz necessária, o carinho no abraço já diz tudo, os olhos fechados no abraço já dizem tudo, a atitude no abraço já diz tudo! Orar é “abraçar” e não somente palavras pronunciar! Eu não ouço, não escuto quem me abraça, eu o vejo, eu vejo o sentimento no abraço, vejo a sinceridade no abraçar! Oro a um Deus que não me ouve, oro a um Deus que me vê, Ele vê a sinceridade na oração em silêncio, Ele vê o sentimento na oração sem palavras, Ele vê o meu sentir por ele, Ele sente o meu ‘abraçar’ (oração)!

Luiz Henrique Silva dos Santos
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18 de maio de 2022 • 4 min. de leitura

O dilema de amar a si mesmo!

“Você ama a si mesmo?” Pois bem, excepcionalmente nas reuniões e redes sociais daqueles que são vítimas da carência, do narcisismo, ou de um relacionamento abusivo, esta pergunta sempre vem acompanhada da afirmação: “Não se submeta a……..tenha AMOR PRÓPRIO”! Ame a si mesmo! Assim, o conceito de amor próprio pode parecer idealista e romântico demais para aqueles que não percebem o perigo nestas palavras, haja vista que, como disse C.S. Lewis, todo amor que se torna um “deus”, da mesma forma, torna-se um demônio; e o amor próprio não escapa desta premissa! A inconsistência desta afirmação (não se submeta a….tenha amor próprio) se revela diante do Cristo do Evangelho, que mesmo podendo evitar, submeteu-se a torturas, humilhações, abandonos e até mesmo cuspidas em sua face. Ora, pergunto-lhe, Jesus amava a si mesmo? Qualquer um que tenha sanidade mental responderia: É óbvio! Contudo, como sustentar o castelo de “princesinhas e principezinhos” que em nome de seu “amor próprio” vivem afirmando: “Eu não aceito qualquer coisa”? É assustador perceber como Lewis estava certo ao afirmar que todo amor pode tornar-se demônio; diante de nossa realidade, onde, em nome de amor próprio criam-se guerras de todos os tipos, feridas de todos os tipos, desavenças, divisões, e já não sabem mais diferenciar o que seria amor próprio de idolatria do próprio “Eu” ou do próprio EGO! Em nome de “amar” a si mesmo, o AMOR desaparece! Em nome de “amar” a si mesmo, o AMOR é sepultado, dando lugar à ira, e trazendo vida aos irmãos siameses, a saber: Egoísmo e Individualismo! Distantes demais do AMOR de Jesus, eles “amam a si mesmos”! E, por amarem a si mesmos, vão jogando na lata do lixo à beira da estrada tudo o que seu amor próprio é incapaz de suportar, perdoar, abraçar ou compreender! Constatando o pequeno limiar entre amor próprio e idolatria do Ego, em nosso tempo, é preciso reacender nos corações o verdadeiro significado de “Amar a si mesmo”, para que este amor não continue tornando-se ‘demônio’ no coração de muitos! Enquanto o amor segundo Jesus, afirma: “O amor tudo suporta”, o grito dos EGOCÊNTRicos (Ego no centro), diz: “Você não é obrigado a suportar, se dê valor”! Enquanto o amor segundo Jesus afirma nos corações: “O amor tudo sofre”, os EGOCÊNTRicos gritam aos telhados: “Você merece mais!” De cara, diante do Evangelho, desaparecem os dois maiores pressupostos dos que dizem se amar, e são elas: 1 – Você é especial, 2 – Você merece; posto que, o Evangelho nos diz: “Você é mau, você não merece nada”! E é diante desta convicção que nasce o que realmente é amor próprio: A convicção de que Deus nos ama, apesar do que somos e em detrimento do que tentamos ser! Pois bem, percebe Cristo afirmou: “Ame o próximo como EU lhe amei!” O mandamento precede uma realidade: Você é amado! E a partir desta realidade, nasce o mandato de Cristo: “Ame, assim como você, por mim, é amado”! Toda relação de amor genuíno nasce da convicção de que sou verdadeiramente amado, e amado por aquele que jamais deixará de me amar com o amor eterno, perfeito, imutável, indescritível, imensurável! A escritura nos afirma: “Ele nos amou primeiro”. A convicção de que sou amado precede a toda entrega de amor! Primeiro sei que sou amado, depois amo! Carência, narcisismo, ansiedade, egoísmo, individualismo, orgulho, são incapazes de resistir ao evangelho que ininterruptamente grita: “Vocês são maus e não há nada em vós mesmos que lhe façam merecer alguma coisa, contudo, EU lhes amo, com tudo o que sou!” A paz que brota deste amor próprio, é a paz que se submete, que se entrega, que compreende, que perdoa, que tudo sofre, que tudo suporta, mas que, não é tola, tudo discerne e não se permite estar numa relação, seja de qual natureza for, onde o amor genuíno não tem liberdade e paz para reinar; paz que também sabe o momento e as ocasiões apropriadas de se afastar, não por narcisismo e seus camaradas, muito menos por dizer que “mereço mais”, mas um afastamento por amor! Amor que traz a convicção de que tal relação (conjugal, profissional, social) se inviabilizou por estar, de modo deliberado, levando o verdadeiro amor a morrer! Assim, é impossível criar padrões para vos definir o que fazer, quando fazer, e como fazer, mas a direção sempre estará lá, na consciência daqueles que tem a convicção de que Deus lhes ama, e que, por essa convicção, amam profundamente seu próximo! O Senhor estará lá…! Assim, abandone agora, toda raiz de “amor próprio” apodrecido, que lhe ensinaram, e entregue-se ao Deus do Evangelho que, por ser puramente AMOR, lhe ensinará amar, tanto a si mesmo como aos outros!

Luiz Henrique Silva dos Santos
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28 de outubro de 2021 • 3 min. de leitura

Preciso de um chamado específico para “fazer” missões?

O plano perfeito de Deus para a redenção da humanidade após a queda, conta com a participação do homem como um cooperador para sua execução. Após o juízo aplicado através do Dilúvio e da Torre de Babel, Deus escolheu um homem segundo o seu coração para dar continuidade ao seu plano, dando início ao povo de Israel, do qual viria o Messias prometido em Gênesis, 3:15 “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”, sendo essa a primeira menção do sacrifício de Jesus para salvar os perdidos. A partir de Gênesis 12, Deus escolhe Abrão como o pai da futura nação de Israel, prometendo que em Abrão “seriam benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3). Daí em diante, Deus escolheu Jacó, José, Davi e outros reis de Israel para dar continuidade ao seu plano, chegando ao Novo Testamento com o nascimento de Jesus, quando escolheu Maria como a mãe do Salvador. Todos estes citados receberam uma missão específica em cumprimento do plano de Deus. Para dar continuidade ao plano de Deus, Jesus escolheu 12 discípulos para estar com ele enquanto aqui na terra e os instruiu sobre as verdades do Reino de Deus e o seu propósito. Os Evangelhos registraram que após sua morte e ressurreição Jesus apareceu aos seus discípulos e lhes deu uma missão, a maior missão de todos os tempos dada aos filhos dos homens, “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a obedecer a todas as coisas que vos ordenei” (Mateus 28:19,20). Em Atos 1:8 Jesus deu ênfase a esta tarefa especificando Jerusalém, Samaria, Judeia e até “os confins da terra”, para que não houvesse dúvida quanto ao alcance de sua mensagem. Portanto, a todos os que aceitam a mensagem do sacrifício de Cristo deverão fazer parte dessa missão, a missão de espalhar as “Boas Novas” ou o Evangelho a todos os que ainda não ouviram. Esse chamado é geral, embora em muitos casos nos relatos bíblicos encontramos vários chamados específicos, como Paulo e Barnabé para os gentios, aqueles que não conheciam o Evangelho e Timóteo para pregar a palavra. Ronaldo Lidório em seu livro Vocacionados (Editora Betânia, 2014), resume este assunto afirmando que “todos os remidos são chamados por Deus e para Deus.” A origem do chamado não é do homem ou da igreja, mas sim de Deus. O Evangelho é como um remédio que sabemos que fará bem a todos os enfermos que o receber, mas muitas vezes guardamos apenas para nós, quando poderia alcançar milhares de doentes espiritualmente que seriam curados. A missão de pregar o Evangelho, revelar o segredo do remédio é para todos os salvos em Cristo, embora muitas vezes Deus revela algo específico a ser realizado por um dos seus filhos, seja local ou mundial. Nem todos serão missionários ou pastores, mas todos devem assumir a missão de pregar o Evangelho para o maior número de pessoas possível. Dessa forma, a visão de João registrada em Apocalipse se cumprirá, “Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas”, Apocalipse 7:9.

Malena Clower
Malena Clower