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Mergulhar – Parte I

Thauane Cordeiro
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23 de abril de 2020 • 3 min. de leitura

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Há momentos em que nossos olhos ficam cegos para o que nos espera, mas isso não isenta um trajeto de se apresentar à nossa frente. Digo isso, porque era impossível saber o que aquela imensidão azul a minha frente reservava, porém perceber-me diante dela, fez-me desejá-la. Então, tomei a minha decisão. Eu decidi pela saída do cais, pela navegação por altos mares e pelo momento que me fez suspirar: meu mergulho.

A embarcação não deixa o cais sem nenhuma decisão. Não se retira âncoras afundadas em meio a medos, comodismo… sem decisões. O barco nunca será visto navegando, os marinheiros nunca chegarão ao seu destino, se do cais, eles não tiverem partido. Na praia, há lugar para quem quiser. Existem pessoas que querem sentar, deixar o tempo passar… e se elas acham que não estão fazendo escolha nenhuma, infelizmente, enganam-se. Dizem por aí que quem não se posiciona de nenhum lado, já tomou sua decisão. Só espero que elas sejam mais rápidas do que a surpresa de uma ressaca do mar, espero que se levantem antes que a onda venha, e assim tomem lugar ao lado do capitão. Meu desejo é que elas possam subir a bordo, assim como eu.

Bom, quero dizer para você que ao assumir viagem sobre o mar, percebi que muitas coisas serão inevitáveis. Caberá a nós mantermos a rota, mas, a velocidade dos ventos, a força das ondas, as longas tempestades, nada disso, caberá a nós o controle. Poderemos ser uma pequena embarcação em um vasto oceano, um alvo fácil de ser atingido. Mas, a viagem, mesmo com todas essas reviravoltas, oportuniza-nos conhecer o capitão e nos surpreendermos com ele, alguém que chamou todas as coisas à existência e tem prazer em dar força àqueles que mais fracos estão. Mesmo em meio às fortes tormentas, veremos que é possível ter paz, mesmo se o mar revolto estiver tentando nos trazer ao naufrágio, será necessário apenas nos preocuparmos em nos mantermos na rota, persistindo, até que as nuvens se dissipem e seja possível avistar o sol surgindo.

Entre tormentas e calmarias, uma coisa é de almejo unânime entre os navegantes: chegar ao seu destino. Nem antes, nem depois dele. Se você já subiu a bordo, imagino que também abraçou a mesma causa e pretende ir até o fim. Se você já subiu a bordo, imagino que não só de tormentas fez-se sua viagem, mas que você também pode estar avistando belas paisagens, alguns pontos de parada aqui, pequenas ilhas ali, talvez outras rotas… Lembre-se da causa que você abraçou e mantenha o foco. O farol que já iluminou sobre muitos continua fiel em sua causa, ele também brilhará para você, seja fiel também e mantenha o foco. Porque haverá um momento, assim como aconteceu comigo, em que o capitão parará ao seu lado, colocará a mão em seu ombro e dirá: chegamos. Você então vai observar, e os seus olhos não alcançarão nada mais do que a imensidão azul à frente. Mas, o capitão insistirá: chegamos. Você poderia estar esperando uma terra fofa para repousar os pés, mas o convite feito é para retirar os sapatos. Sim meu amigo, o seu destino é aqui, nesta imensidão onde poucos ousam entrar. Onde a confiança é o impulso que te fará desprender-se do barco e mergulhar. Ouse confiar, não em si mesmo, mas no capitão, pois ele conhece o mar como a palma de sua própria mão. Tudo detalhado para Ele, mas um mistério para você. Onde será que esse mergulho poderá te levar?

Continua…

Thauane Cordeiro
Graduanda em teologia na Faculdade Teológica Betânia.
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25 de dezembro de 2017 • 2 min. de leitura

Sobre os caras que dormem olhando para o céu

Quem caminha pelas ruas de Curitiba pode ter se incomodado com o cheiro ou com o pedido de “vultos” que transitam por todas as partes da cidade. São pais e mães, filhos e filhas, que em algum momento de suas histórias acabaram nas ruas sem ter onde morar. O que pode ser um momento de inconveniência para quem se vê do outro lado, revela um mal persistente nessa sociedade adoecida pelo vírus da indiferença. Na situação de rua curitibana encontramos diversas pessoas que pelos infortúnios relacionados a violência, dependência química e desestrutura familiar acabaram optando pelas marquises e calçadas como moradia. Quando escutamos as histórias de quem vive na rua, podemos ver a proximidade que a Igreja tem dessa realidade – são filhos de crentes, membros de denominações evangélicas, irmãos de fé, pessoas que moravam ao lado da congregação. O que faltou para que a história dessas pessoas pudesse ser diferente? Segundo dados da Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua de 2008, foram identificadas 2.776 pessoas nessas condições. São indivíduos que sofrem pela indiferença e descaso da sociedade, isso quando não são vítimas de violência motivada pela discriminação. O Movimento Nacional dos Moradores de Rua e a Prefeitura de Curitiba estimam que em 2014 essa população tenha alcançado um contingente de 4 mil pessoas, com base na quantidade de atendimentos individuais feitos pela Central de Resgate Social e o número crescente de vagas de acolhimento em abrigos. Os “vultos” que perambulam pelas ruas da cidade precisam ter suas imagens bem definidas e suas histórias conhecidas. Afinal não são inconvenientes que nos atrapalham de ir ao shopping, eles são gente como a gente e da nossa gente, mas infelizmente reflexos de uma postura social cada vez mais indiferente. E falando em Igreja, essa tem uma responsabilidade que vai além do resgate social e da distribuição de sopão, algo que implica em um comprometimento profundo em se relacionar – afinal, para que congregações bonitas e cheias de requinte se não for para abrir as portas para quem precisa?

Adoniran de Souza Bail
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18 de abril de 2019 • 2 min. de leitura

Como manter a paixão no que você faz?

Muitos em determinado momento de sua caminhada em busca de seus projetos, acabam se perdendo, não encontram motivação para continuar… o fogo, a paixão, o impulso, perdem a força… Mais importante que o começo é o fim das coisas! Ele de fato revelará quão convictos e perseverantes realmente somos. Chegar ao fim da jornada com êxito fará com que cada sacrifício do caminho tenha valido a pena! O “fim” pode estar bem distante, por isso, manter-se motivado é essencial para quem deseja ter sucesso. Mas como conservar-se firme apesar das dificuldades? Lembrando sempre do porquê e para quem você está fazendo o que faz! Ou seja, lembrar-se constantemente do seu PROPÓSITO! Ao fazer isso: As circunstâncias não poderão abalar sua paixão e sua fé! Deixe que sua convicção mova você e lhe impulsione acima dos desafios! As circunstâncias mudam, mas o propósito permanece sempre! Guarde o coração para conseguir cumprir sua missão! Lembrar que seu propósito o protegerá! Você não tomará decisões erradas, não se encantará pelos atalhos duvidosos, nem agirá no impulso, pois buscará conservar a essência e a pureza de suas ações. Lembrar que seu propósito lhe permitirá avaliar o que realmente vale a pena! Você saberá o que precisa perder, reter, ganhar, dar… pois terá um padrão, uma medida para avaliar as ações necessárias para que o propósito se cumpra. Lembrar que seu propósito lhe fará valorizar as pequenas coisas, as tímidas conquistas, e serão elas mesmas que te manterão humilde, dependente, e com o coração no lugar certo. Lembrar que seu propósito lhe fará respeitar o fator TEMPO! Nenhuma colheita saudável ou resultados permanentes vem em velocidade de fast-food. Quem conserva o propósito, desenvolve perseverança. Lembrar que seu propósito lhe manterá vivo e capaz de enfrentar a realidade de que as coisas nem sempre acontecem como planejamos ou desejamos. A vida não é controlada por uma planilha ou uma lista de tarefas imutáveis e de fácil realização. Ela é dinâmica, e se não estivermos dispostos a nos reinventar e recomeçar, não permaneceremos!

Cíntia Stürmer
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8 de outubro de 2019 • 4 min. de leitura

O Ciberespaço e a Cibercultura e seu impacto sobre o ser humano

Nós vivemos hoje uma realidade única na história. A invenção e o desenvolvimento da internet criou uma realidade que engloba a todas as pessoas de uma forma ou de outra. Pela rede mundial de computadores o mundo tornou-se uma aldeia global. Na história nós temos vários momentos chaves que impactaram a humanidade pelo desenvolvimento da comunicação, da informação, pelo desenvolvimento da cultura e da ciência. Tivemos a invenção da escrita, a imprensa, o telégrafo, o rádio, a televisão. Mas estas conquistas da tecnologia foram apenas prelúdios do grande impacto causado pela internet. A invenção da internet e a disseminação dos conteúdos, das ideias, dos textos e imagens, do conhecimento, por meio da rede mundial de computadores causou e causa um impacto que é difícil de mensurar. A internet é um oceano de profundezas abissais divulgando notícias, informações, canalizando o comércio a nível global, conectando pessoas, espalhando a cultura e o conhecimento. Um extraordinário cabedal de informações está à disposição das pessoas por meio da internet com todos os seus afluentes e ramificações, como as redes sociais. Ao falar da internet duas expressões se destacam: O ciberespaço e a cibercultura. O Ciberespaço A Internet é um planeta. Este planeta não é uniforme. Está dividido em “continentes, países, estados”. Estas áreas dentro da internet agregando, de forma bastante solta, assuntos afins, são chamados de ciberespaços. Não são espaços físicos, mas virtuais. Os ambientes do ciberespaço são incontáveis: Há os espaços culturais, as áreas destinadas às artes, lá se encontram setores educacionais, os esportivos. O comércio mundial é impensável sem as redes de computadores. Imenso é o ciberespaço religioso e, também, o político. Toda e qualquer área da cultura, do conhecimento, das realidades humanas, encontra sua expressão neste ciberuniverso. O ciberespaço do lazer e do entretenimento é algo poderoso. Seu poder de atração é muito grande. Pode ter um poder viciante. Há pessoas que se perdem neste ambiente. Perdem a noção do tempo, dos valores, da vida, do trabalho. Dentro do ciberespaço do entretenimento há áreas sombrias e perniciosas, como uma das maiores, que é a área da pornografia. Existe o ciberespaço educacional, que agrega universidades, temas educacionais e setores voltados à divulgação de ideias as mais variadas. Há também o onipresente e dominador ciberespaço dos relacionamentos e da comunicação. As redes sociais são onipresentes, os contatos são exigentes e os interlocutores exigem respostas imediatas. A Cibercultura De dentro do ciberespaço brota a cibercultura. Podemos dizer que a cibercultura é o conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, valores que permeiam grupos sociais a partir da vivência das mesmas no ciberespaço¹. Pierre Lévy afirma que “a cibercultura supera ciência e religião porque envolve todos os seres humanos”.² A cibercultura “criou novas formas de trabalho e de lazer, de comunicação e relacionamento social, influenciando hábitos, escolhas de consumo, ritmos produtivos e compartilhamento da informação³. Portanto a forma como nós usamos a internet ou nos movemos no ciberespaço pode nos influenciar naquilo que cremos, nos valores que assumimos, nos hábitos que cultivamos, nos alvos que buscamos, nas necessidades que procuramos suprir, na ética que adotamos. O apóstolo Paulo disse o seguinte: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1Cor 6.12). É válido, é lícito, é até necessário mergulhar no oceano da internet, mas, pergunto, usando a linguagem simbólica de Deuteronômio 28.13 (“O Senhor te porá por cabeça e não por cauda”) em relação à internet, você é “cabeça ou cauda” se em relação à internet somos dominantes ou dominados? Numa atitude de autoavaliação podemos perguntar em que ciberespaços temos navegado? De que forma os conteúdos da internet e das mídias sociais tem influenciado nossas convicções e atitudes? Como temos nos posicionado diante das mídias sociais? Sucumbimos à compulsão de consultar de forma incessante as redes sociais? Conseguimos simplesmente ler um livro, desligando o celular? Temos a capacidade de ficar a sós sem as interrupções das mensagens? A internet é uma realidade. Não podemos dispensá-la, mas ela deve estar debaixo da autoridade do Senhor Jesus. O Espírito de Deus deve encher o nosso coração e determinar os conteúdos de nossas mentes e corações e não os conteúdos das mídias sociais. Devemos declarar Jesus como Senhor também desta área de nossas vidas. Senhor do Ciberespaço no qual nos movemos e Senhor daquilo que buscamos na internet. ¹(cf. dic. Houaiss) ²(https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs180104.htm; 27.8.2019) ³(cf. LEMOS, 2004, APUD LEMOS; LÉVY, 2010 http://tiny.cc/djm3cz, 27.8.2019)

Fred R. Bornschein
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