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Uma reflexão sobre o Natal

Thauane Cordeiro
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25 de dezembro de 2019 • 2 min. de leitura

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Certa vez, em uma reportagem natalina, algumas pessoas desde crianças até os mais avançados em idade, foram entrevistadas sobre o que o Natal significava para elas. As respostas para a pergunta não foram muito além de: família e amigos reunidos, presentes, paz e amor. Essa resposta tão comum entre os entrevistados me assustou.

Assustou-me não por ela conter elementos ruins, de pouco valor, mas por esses elementos resumirem a sua festividade. A comemoração do dia 25 de Dezembro estampa a palavra “natal” em sua classificação, a qual significa “nascimento” e esse, como é de consenso geral, remete-se ao nascimento de Jesus Cristo (apesar do dia específico de seu nascimento não ser unânime entre pesquisadores). Contudo, nenhuma alusão a isso pôde ser vista nas respostas para aquela reportagem, o nascimento de Jesus não apareceu diante de tantas coisas agradáveis que foram citadas. A casa estaria cheia, os presentes chegariam aos montões, haveria paz e amor sendo desejados uns para com os outros, entretanto, corações tão cheios dificilmente teriam lugar para Jesus.

Essa mesma dedução pode ser vista há anos, no dia em que Jesus Cristo veio ao mundo. A Bíblia Sagrada, no livro de Lucas capitulo 2, expõe o nascimento de Jesus. Maria e José, seus pais, destinaram-se a Belém, cidade na qual nasceria seu filho. Todavia, eles não encontraram nenhum quarto vazio na hospedaria, todas as estalagens estavam cheias, o que levou os pais de Jesus ao único lugar disponível, o lugar em que se guardavam os rebanhos dos pastores. O motivo dos pais de Jesus não ter conseguido um lugar para este nascer na hospedaria “não foi porque o hospedeiro era cruel ou não hospitaleiro, mas porque a estalagem já estava cheia”.

Essa circunstância da hospedaria de mais de dois mil anos atrás, está representada nos corações da atualidade. Acrescenta-se cada vez mais elementos e perde-se o sentido do nascimento de Cristo. O coração mostra-se focado em honras, prestígio, vaidade. Enche-se a casa de pessoas, presentes, comida e luzes, porém a alma passa mais uma vez escura, uma vez que a “Luz do mundo” não encontrou lugar para brilhar. Não há como ter Jesus em locais que estão ocupados pelo próprio “eu”.

Que neste natal você ofereça-se vazio, a fim de receber tudo o que precisa.

Thauane Cordeiro
Graduanda em teologia na Faculdade Teológica Betânia.
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22 de maio de 2019 • 8 min. de leitura

O monstro de Frankenstein: a criatura em busca de seu criador

O livro Frankenstein (ou O Prometeu Moderno) escrito por Mary Shelley em 1826 é uma obra literária de romance de ficção científica e responsável pelo estilo literatura gótica. O livro narra a história de Victor Frankenstein, um cientista em busca do elixir da vida que através de diversos estudos em Química, da vida a um monstro horrendo construído a partir de membros de corpos humanos. Victor Frankenstein sendo cientista, criou a partir de matéria pronta (restos humanos) um ser monstruoso. Devido a sua horrenda aparência em seus 2 metros de altura é rejeitado por seu criador (Victor) que ao contemplar a criatura com vida foge, deixando a criatura viva sem rumo, vagando em meio a sociedade. A criatura uma vez confusa e desorientada se refugia nas florestas, onde inicia-se os primeiros sinais de consciência de sua existência a partir de observações feitas do mundo a sua volta. “CONHECE A TI MESMO (NOSCE TE IPSUM)” Sócrates foi um filósofo grego que dizia que o homem deveria conhecer a si mesmo e foi um dos responsáveis pela Maiêutica, alegando que o conhecimento das coisas se encontrava dentro do próprio homem. O monstro de Frankenstein recém-criado em laboratório passou do estado instintivo para o estado de ser pensante onde começou a observar o mundo e a formular pensamentos, conhecimento e a duvidar de quem era, de onde veio e quem o criou. “[…] E que era eu? Nada sabia sobre minha criação e meu criador, mas sabia que não possuía a menor parcela disso a que chamavam dinheiro, nem amigos, nem a mais insignificante propriedade. Além disso, era dotado de um físico hediondo e repelente. Eu nem sequer era da mesma natureza que o homem […] “ Não é de se esperar de uma criatura quase humana venha a querer saber de sua origem. Em uma ocasião onde se encontrava refugiado em uma cabana abandonada, o monstro aprendeu a ler e a falar apenas através da observação de uma família que habitava em uma cabana ao lado de onde estava abrigado. Após aprender a ler por si mesmo, pegou um diário no bolso de seu casaco, o qual havia anotações do cientista Victor Frankenstein descrevendo detalhadamente o processo de criação da aberração que era. Cheio de perguntas e pensamentos, ele parte em busca de seu criador para saber o motivo de ter dado vida e o rejeitado. Esses foram alguns momentos de consciência da criatura. O monstro de Frankenstein teve um início e um propósito. E nós? “NADA SURGE DO NADA (EX NIHILO NIHIL FIT)” A expressão “Nada surge do nada” é uma expressão da metafísica atribuída a Parménides que diz que nada pode vir do nada e se o universo existe então ou ele sempre existiu ou foi criado em determinado momento e logo deve ter um início. Aparentemente parece haver uma contradição no argumento do filósofo, no próximo parágrafo você irá entender melhor. Além dos filósofos que buscavam compreender a razão das coisas e a partir do método indutivo buscavam explicar a vida, surgiram diversos estudos e teorias no decorrer dos séculos tentando justificar a origem do universos e do homem assim como tudo o que nela existe e o seu propósito, como por exemplo a “Teoria do Big Bang” de Georges Lemaître, “A origem das espécies” de Charles Darwin e o Criacionismo Bíblico. Enquanto a Teoria do Big Bang diz que no início de tudo havia um átomo comprido e através de um decaimento radioativo que resultou em uma explosão, resultando na origem do universo e a expansão do mesmo o criacionismo bíblico vai dizer que a partir do nada tudo criou (ex nihilo). Segundo Santo Anselmo tudo o que existe ou provém de algo ou deriva do nada. Mas o nada não pode gerar nada, pois é impossível pensar que algo não seja gerado se não por algo. E o que a Bíblia diz? “No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1:1). O primeiro capítulo no primeiro livro da Bíblia o autor relata que Deus criou os céus e a terra, onde através da sua palavra, do seu poder, tudo veio a existir. Deus é o único ser eterno, imortal e pré-existente e não havia mais ninguém com ele, e, portanto, somente ele existia antes de tudo. Vamos analisar o versículo separando-o por partes: NO PRINCÍPIO. Quando lemos “No princípio” vemos a condição de tempo onde Deus um ser atemporal criou o tempo, algo que não pode ser manipulado, sendo assim somente pode ser sentido através da percepção de mudança e do movimento como por exemplo a percepção de presente, passado e futuro. Segundo Adaulto Lourenço (2011) “Antes de Deus ter criado o mundo não poderia ter havido o “antes”, pois não haveria o que mudar. Não havendo mudança, não haveria como medir o tempo!”. DEUS CRIOU. No Cristianismo acreditamos que tudo veio do nada, uma criação ex nihilo onde somente existia o vácuo. Em um determinado momento Deus cria o espaço, onde é encontrado tomo átomo contendo prótons, nêutrons e elétrons que compõe a criação, por exemplo uma rocha e a sua mão. Esse espaço é definido por largura, altura e profundidade. Entenda que nesse momento somente a percepção do espaço é criada e não o que nela existe. A TERRA. Após a criação do espaço, Deus cria a terra. No primeiro capítulo temos que entender que não se trata do planeta terra ou os planetas do sistema solar e sim a criação da matéria, ou seja, aquilo que é sólido, líquido e gasoso. Paulo na carta aos Romanos 4:17 diz que Deus “chama à existência as coisas que não existem” onde Deus em sua plena existência utilizou de seu poder para criar a partir do nada tudo o que existe. Quando pensamos no nada (ex-nihilo) devemos ter em mente a não existência de matéria pré-existente, ou seja, da ausência da realidade. Na carta aos Hebreus 11:3 Paulo diz: “Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível”. O vazio do universo contemplou a luz da criação onde tudo passou a existir. E DEUS CRIOU O HOMEM A SUA IMAGEM E SEMELHANÇA O primeiro relato da criação do homem se encontra em Gênesis 1:26-27 onde Deus cria o homem a sua imagem e semelhança. Primeiro quero dizer que não fomos criados por um cientista desorientado e sedento por experiências com restos de corpos humanos e muito menos fomos criados e abandonados no planeta terra sem rumo, direção e propósito. Enquanto Deus existia na eternidade, decidiu criar o ser humano para poder compartilhar de suas maravilhas, para contemplar a sua existência e magnitude. Deus criou os homens para poder interagir com o criador. Então a partir do pó da terra, soprou vida em Adão e este passou a existir. Não somente isso, de Deus nós herdamos a sua imagem e semelhança, que significa que recebemos suas características morais e éticas assim como suas capacidades pessoais. Ao homem foi dada a liberdade de ser coparticipante e a partir de sua liberdade, administrar toda a criação. Somos como uma sombra de Deus, e isso significa que para uma sombra aparecer e existir algo para gera-la deve existir então somos o reflexo de Deus, onde possuímos o seu contorno, porém não os mesmos detalhes. Diferentemente do Dr. Frankenstein Deus viu que a sua criação era boa e não a abandonou, mas continuou e continua atuante nela. A RAZÃO DE TUDO O monstro na história quer respostas vindas da boca de seu criador, portanto ele vai em sua busca até encontra-lo. A criatura não somente quer respostas, mas quer relacionamento, quer se envolver com as pessoas a sua volta, quer explicações a respeito de sua existência e seu propósito na vida, ao invés de ser um sem teto ou alguma coisa viva e sem propósito. Assim somos nós, seres humanos querendo respostas, mas infelizmente muitos buscam respostas nos lugares errados ou não tentam busca-la pois tem um olhar niilista da vida. Quero te dizer que Deus criou o homem para ter um relacionamento com ele. Esse é o plano e o motivo dele ter criado o mundo, para que o homem nele pudesse habitar e caminhar ao lado de Deus, conversando e contemplando a sua existência, porém satanás corrompeu o coração do homem e o fez ir contra a ordem de obediência a Deus. Foi com esse propósito que Deus se fez homem, nasceu da virgem, nasceu em um lugar humilde, sofreu da mesma forma que eu e você sofremos, passando fome, frio e foi traído, morrendo na cruz e venceu a morte, para que nós seres humanos possamos ter essa relação de amizade de pai e filho com o criador. Deus não abandonou a sua obra, mas ele se relaciona com ela e é o Senhor dela, o rei justo e misericordioso. O caminho até o criador é Jesus Cristo onde todo o vazio existencial é preenchido e toda vida sem sentido passa a ter um sentido verdadeiro e real. Você não precisa mais caminhar longos trajetos em busca de respostas. Eu te desafio a nesse momento a conversar com Jesus Cristo e dizer que quer conhecelo. Diferentemente do Dr. Frankenstein você não será rejeitado, mas acolhido.

Victor Augusto de Oliveira
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29 de abril de 2019 • 3 min. de leitura

Um pouco sobre críticas e críticos

Sou profundamente crítico com muitos fatos que ocorrem nas igrejas evangélicas. Sei que não somos perfeitos e há muitas distorções, – muitas igrejas inclusive levam o título de evangélica apenas de fachada – mas critico de dentro das fileiras cristãs. Faço como auto-crítica religiosa, e inclusive pessoal, pois sei que como cristão estou muito aquém daquilo que meu Senhor e Salvador me instrui… Por outro lado, creio que a sociedade esquece facilmente também o que as igrejas evangélicas e os cristãos fazem pelo bem comum; pelo próximo. E o fazem mesmo sabendo que nada do que fizermos é o que nos leva à salvação, ou seja, não é para “recebermos favores de Deus”, já que somos salvos pela Graça. As igrejas cristãs estão entre as que mais investem na sociedade para o bem comum. É só verificar, aqui mesmo em Curitiba, a quantidade de hospitais, – evangélicos e católicos – de instituições de ensino, de casas de apoio a toxicômanos, além da imensa quantidade de igrejas que fazem um grande trabalho social de apoio à pessoas carentes, como distribuição de cestas básicas, apoio psicológico e, claro, espiritual, etc, etc, etc… Grandes ativistas pelos direitos humanos e pela justiça social saíram das fileiras das igrejas cristãs, e falo isto não somente no Brasil, mas no mundo todo. As agências missionárias cristãs estão entre as organizações mais ativas e que mais levam socorro, inclusive apoio médico e alimento, à nações extremamente fechadas. Missionários correm risco de morte para levar justiça e esperança a povos subjugados e oprimidos. Claro que o que mais aparece na mídia, são aqueles que se aproveitam do povo em benefício próprio, mas nós, cristãos protestantes, fazemos questão de afirmar que tais instituições não compartilham de fato de nossa fé e do nosso entendimento do Evangelho. Faço parte de uma Igreja séria e trabalho em instituições acadêmicas que formam pastores e pensadores sob o prisma da reta doutrina cristã ensinada por Cristo e compartilhada pelos apóstolos. Como acadêmico cristão, procuro sempre estar intelectualmente preparado para responder aos anseios e dilemas que a sociedade moderna compartilha. Como pastor, procuro sempre estar conectado com minha fé e compartilhar com aqueles que necessitam e procuram a Deus. E é por ver tantas pessoas criticando o cristianismo sem sequer ter a mínima noção do que é ser cristão, ou porque em algum momento de sua parca experiência cristã não teve os seus desejos atendidos, é que resolvi ponderar algumas das questões colocadas acima. Salvo ledo engano, creio que pouquíssimas instituições religiosas fazem pela sociedade o que o cristianismo faz. Aprendemos com os nossos erros históricos e sim, já fizemos muito mal também, mas creio, olhando para o presente, que estamos tentando acertar.

Roberto Rohregger
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13 de dezembro de 2019 • 3 min. de leitura

A Arte de Ser Cuidado

Não é fácil deixar cuidar-se, é sempre mais fácil cuidar do outro. Porque isso exige de nós abrir o coração, se expor. Cuidado significa: atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho e responsabilidade. Cuidar é perceber a outra pessoa como ela é, e como se mostra, em seus gestos e falas, sua dor e limitação. E esse cuidado, deve ir além da parte física, pois além do sofrimento físico decorrente de uma doença ou limitação, há que se levar em conta as questões emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções do outro. Para ser cuidado você precisa transparecer necessidade ou até mesmo, fragilidade. Olhando por este ponto de vista é mais fácil cuidar. Pois caso você não faça nada, de certa forma, a culpa não cai em você. Porém ao necessitar de cuidado, e não encontrando amparo, você ainda está perdendo, mas ainda assim é mais fácil permanecer em silêncio. “Cada um por si e Deus por todos” é a Máxima da Lógica. Vivemos hoje numa crise de apatia em nossas famílias, em nosso trabalho e nas ruas. É como se a gente por si só bastasse. A postura individualista diante de um mundo competitivo estabelece a superficialidade absurda que desumaniza e maquia relações. No filme O Grande Ditador de Charlie Chaplin, ele cita: “Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos (duro como pedra) e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. Perdemos a vontade de sermos cuidados pela dureza de nosso coração. Pelo medo de nos expor ao outro, ou pelo fato de não nos acharmos dignos de cuidado. Mas Deus tem cuidado de nós de uma maneira que não podemos compreender, “olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mt. 6:26). No cuidar precisa-se estar bem consigo, pois o “amar ao próximo como a si mesmo” é cuidar de si e deixar-se ser cuidado; render-se por inteiro, facilitando ao cuidador essa tarefa. É um exercício de humildade que deve ser motivo de reflexão diária, o qual nos faz lembrar a todo momento que Deus também tem cuidado de nós desde sempre. Como diz o salmista: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Sl 139: 13-16). Experimente se deixar cuidar. Abra seu coração. Fazem dois anos que passei pelo pior momento de minha vida onde foi necessária uma decisão: me expor e deixar ser cuidado de uma vez por todas ou deixar passar como se fosse mais uma tribulação e não resolvê-la. Escolhi deixar ser conhecido na totalidade, sem máscaras ou fingimentos, decidi aceitar os conselhos com humildade, reconheci que o Senhor é bom em todo o tempo. Experimentei o perdão e o amor. Por isso, posso constatar: Ao me deixar ser cuidado senti o amor de Deus através da vida dos meus irmãos, compreendi e obedeci ao meu chamado, sempre latente, que antes relegava.

Michell Scheid da Silva
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