Os Impactos das Mídias e a Cibercultura nos Aspectos Litúrgicos
20 de novembro de 2019 • 6 min. de leitura

Para começarmos a entender os impactos da mídia e da cibercultura em nossas liturgias, primeiramente é necessário relembrar as definições de cultura e de cyber cultura:
Cultura: significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.[1]
Cibercultura: Reunião de padrões, produtos, comportamentos ou valores, que são compartilhados na Internet. Condição social influenciada pelo uso contínuo de computadores, para a comunicação, diversão ou negócios.[2]
Inegavelmente toda a cultura está sendo diretamente influenciada pela cibercultura. Em todas as áreas de conhecimento estamos tendo mudanças muito significativas. No conhecimento, a expressão “o céu é o limite” cai bem. Infinitas pesquisas e descobertas estão acontecendo, quase que diariamente. Nunca antes se teve tanto acesso à informação e ao conhecimento como nos dias de hoje. É possível facilmente pensar que se pegássemos um criança de hoje e a colocássemos cem anos atrás ela facilmente seria considerado um gênio. Há quem diga que esta mesma criança tem mais informação do que o imperador romano no auge de Roma.
Nas artes, hoje é possível por exemplo, gravar, mixar, e vender músicas e conteúdo de vídeos sem sair de casa. Basta ter os programas e aplicativos certo. Não há como negar que os tempos são outros. Assim também nas leis, aliás, essas mudanças vieram com tanta velocidade que não estávamos preparados juridicamente para punir crimes virtuais. Foi preciso sentar, pensar e redigir novos textos e inseri-los no código penal. Um exemplo disso é a lei 12737/2012 conhecida como lei Carolina Dieckmann[3].
Ainda nesse sentido, a Moral, os costumes e hábitos estão sendo modificados na mesma velocidade em que novas informações, programas e aplicativos são gerados. Novas profissões, novos objetivos, uma nova ética e uma “nova” moral. E ao observar essas mudanças nosso papel é ir além de sentar e observar mas, pesquisar, analisar e projetar, a fim, de dar uma resposta ainda que temporária e limitada as demanda que se revelam nos dias de hoje.
Hoje é quase impossível acreditar que alguém não tenha uma ou várias redes sociais. Whatsapp, instagram, facebook, twiter e etc, são mais conhecidos e usados do que se pode imaginar. As empresas especializadas na utilização dessas tecnologias geram bilhões de dólares na economia mundial. Massificando publicidade, transformando hábitos, transmitindo conteúdo em tempo “real”. A história é dividida em antes de Cristo e depois de Cristo. E, assim será para sempre, mas a história pós moderna facilmente se divide em antes do facebook e depois do facebook.
Vivemos tempos da internet das coisas. Onde você executa uma busca e instantaneamente começam a chegar promoções e indicações daquilo que você pesquisou nos seus aplicativos e no seu e-mail. Estamos sendo vigiados? Certamente estamos sendo estudados e mapeados também. Com que finalidade? Acredito que são as mais diversas possíveis, desde uma busca ávida do mercado por mais consumidores, até disseminação de conceitos e valores ideológicos. Certeza, só o tempo poderá mostrar.
Mas, longe de querer “demonizar” tudo. A análise aqui é no sentido de entender, como a Igreja cristã vai se comportar frente a essas mudanças tão radicais? Como esses avanços podem contribuir ou prejudicar por exemplo, em nossas liturgias? Passamos de uma liturgia “clássica” para uma “moderna” e para alguns “super moderna”. Muitos dos que estão à frente de Igrejas hoje são oriundos dos processos evangelísticos dos anos 80, 90 e início de 2000. Viram muitas coisas mudarem desde a utilização de instrumentos musicais, tipos de ritmos, até o próprio conteúdo das mensagens pregadas.
A questão que se pode levantar é: essas “modernidades” são modernas para quem?. Certamente, são para que vem de gerações anteriores, que cresceram sem telefones celulares, internet e aplicativos. Mas, para quem já nasceu nesse contexto não há “modernidade” e sim “normalidade”. E como então apresentar uma liturgia que seja atraente para o tempo que se chama hoje?
Será que não cabe aqui a expressão: princípios são inegociáveis, formas não? Será que antes de demonizar tudo e deixar passar oportunidades preciosas, nossas liturgias e cerimônias não deveriam ser pensadas no sentido de atrair para ganhar?
O apóstolo Paulo expressa essa estratégia ao escrever aos Coríntios em sua primeira carta, quando diz:
Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele. (1Co 9.19-23)
A inteligência em utilizar tudo que está disponível para fazer o evangelho proclamado e Jesus conhecido, tem que ser maior que nossas amarras religiosas. Utilizar tecnologia para atrair essa sociedade que respira a cibercultura, sem esvaziar as mensagens e mudar os princípios, e ainda não só usar como instrumento de atração, mas também de retenção e capacitação é um desafio.
O que precisa ser levado em consideração é que, não tem como segurar as mudanças impulsionadas pela cibercultura, que não podemos ficar para trás como gerações anteriores, que criticaram e demonizaram a televisão e hoje tem programas nos mais diferentes canais, que tentaram segurar o movimento de adoração e hoje compõem e gravam nos mesmos estilos que criticavam. Somos chamados para o tempo que se chama hoje por mais mutável e acelerado que esteja.
Que não se perca mais tempo em dicções eternas se é ou não de Deus. Mas, que avancemos para um dia poder dizer: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele” (1Co 9.22,23).
Referências
[1] https://www.significados.com.br/cultura/
[2] https://www.dicio.com.br/cibercultura/
[3] A Lei Carolina Dieckmann é como ficou conhecida a Lei Brasileira 12.737/2012, sancionada em 30 de novembro de 2012 pela ex presidente Dilma Rousseff, que promoveu alterações no Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940), tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Carolina_Dieckmann acessado em 13 de novembro de 2019. as 17:38h.

19 de junho de 2020 • 6 min. de leitura
Retorno a uma Espiritualidade Autêntica
Do grego κρίσεις, a palavra crises é evocada, já há muito tempo, para identificar os desencontros humanos, eventos catastróficos da natureza, ou eventos sociais de descontinuidade do modus operandi em curso, em um dado momento sócio-histórico. A espiritualidade faz parte do mundo da vida, pois está longe de fazer parte do mundo objetivado, onde as suas sessões se realizam em espaços pré-definidos, como se o modus vivendi da espiritualidade fosse programado para responder aos estímulos divinos em uma realidade geometrificada. Para este curto espaço, abordaremos o porquê de as crises impactarem as expressões de espiritualidade, um fragmento de olhar sobre a crise sanitária atual e se podemos esperar um bramido de genuína espiritualidade. As crises Provocam um Retorno ao Pensar na Existência Além de Si Em um de seus melhores livros – Crime e Castigo, Dostoiévski nos apresenta um homem religioso, que ao mudar para a capital Russa (1712-1918), São Petersburgo, para estudar direito na universidade, se distancia da tradição religiosa doméstica e se torna um misto de gente, inclusive com traços de ateísmo. Uma grande crise na sua vida, um duplo assassinato, lhe faz voltar a se importar com as “insignificâncias” da vida, como ajudar uma viúva pobre que perdera seu marido e a resgatar uma jovenzinha da prostituição e o livro termina com este jovem Rodion Românovitch Raskólnikov na prisão, com um ar esperançoso para encontrar um sentido real para a vida, Dostoiévski lhe deixa com um Novo Testamento, velho e amarelado nas mãos. O Antigo Testamento descreve a peregrinação espiritual de um rei chamado Davi. Este homem vive a espiritualidade do mundo da vida, onde ora, faz confissões maravilhosas sobre Deus e seu inabalável caráter, ora está distante de um relacionamento religioso autêntico. Mas, as crises lhes trazem à mente os melhores cânticos, os mais belos poemas. O Novo Testamento nos mostra Paulo vivendo uma vida de prazer cristão exemplar, mas uma crise, talvez do não reconhecimento do seu apostolado (2 Co 9.11), o que lhe faz deixar um legado escriturístico belo (minha graça te basta, o meu poder se aperfeiçoa na tua fraqueza (2 Co 12.9). Isso é muito próximo da realidade de homens e mulheres no modus vivendi da sua jornada de espiritualidade. As grandes crises da história mostram exatamente o mesmo comportamento humano. No estudo da história se diz que “a história não é professora de ninguém”. Segundo algumas pesquisas, depois do 11 de setembro de 2001, aumentou o número de casamentos, de natalidade, de assiduidade nos templos religiosos, na generosidade dos americanos, entre outros dados positivos, para o período. Mas depois de passado um tempo, o que ficou foi o aumento da desconfiança com o estrangeiro de ascendência árabe; o divórcio ofuscou o casamento; o controle de natalidade ofuscou o acostumado viver a dois ou a sós; a agenda do entretenimento tomou o seu lugar de volta e empurrou a frequência dos cultos religiosos no colo da secularização. A generosidade, como um traço humanista permanece, mas por razões religiosas ou culturais. Mas, alguma coisa sempre fica, no campo humano, bem como na relação com a espiritualidade, da trajetória histórica das crises intramundanas. Espiritualidade e a Presente Crise A crise que ora atravessamos tem servido para vermos o quanto a humanidade é frágil na sua individualidade, e empurrado, do mundo de sistemas individualista para o mundo da vida, da partilha, experiências sócio-humanas que refletem como vemos a nós e o outro. Peter L. Berger e Thomas Luckmann afirmam que “a realidade é construída socialmente”. Isso tem implicações para a teologia, mas concordo em grande parte com esta afirmação. No caso do que ora vivemos, não é a pandemia construidora da realidade que se apresenta, mas as ações dos atores sociais em razão dessa realidade extra mundo social. O vírus é apenas uma realidade contingencial, não possuindo sentido social nele mesmo. Não podemos negar, no entanto, que grandes avivamentos foram precedidos por crises e transformações sociais: o impacto da revolução industrial na Inglaterra do século XVIII e XIX; A guerra fratricida entre os Zulus; a própria Reforma Protestante… Apesar do vírus ser uma realidade contingencial, não podemos negar, que em situações como essas, Deus se manifesta, falando mais alto, causando impactos existenciais e despertando homens e mulheres para uma vida mais significativa – mais perto de Deus e mais perto das instâncias intramundanas. A duração disso pode ser questionada, mas o seu acontecimento é real. Acredito que possa haver, neste tempo, maridos se convertendo às suas esposas, esposas se convertendo aos seus maridos, pais se convertendo a seus filhos, filhos se convertendo aos seus pais, irmãos se convertendo a irmãos. Estamos mais sensíveis para enxergar que a religião não cria um grupo de elite, mas todos são frágeis, caminhando na mesma estrada, clamando pelo salvador – “Jesus, filho de Davi tem compaixão de mim”. Apesar de saber que também é tempo de distanciamento familiar, muitos não tem conseguido viver a vida comum do lar. O que esperar? O cerne da piedade cristã é: “Ama o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de todo o teu entendimento e de toda a tua força e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10.27). Dessas duas sínteses magnas religiosas, emergem a compreensão de uma vida piedosa autêntica, de onde faz surgir respostas autênticas, nutridoras de mentes em constante renovação, para pureza ética, moral e espiritual, como um ato que vai se dando reflexivamente. Pode-se dizer: Pelas Escrituras eu conheço o meu Senhor, seu modus e respondo com a Coram Deo – a vida perante Deus. Por outro lado, a segunda síntese religiosa mencionada aponta para uma espiritualidade que se horizontaliza, se expande além de uma relação verticalizada, egoísta, ascética, mas se materializa na compaixão, na busca dos encontros mais inusitados da experiência humana – é vivendo a realidade mística/espiritual e social de “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14) que resgataremos a espiritualidade de encontros e desencontros, mas sempre gritando ao salvador: tenha misericórdia de mim... pecador. Esperamos que a acontecimento social e espiritual dessa crise nos leve para uma espiritualidade que deseja estar mais perto de gente que Deus criou. Soli Deo Gloria

23 de abril de 2020 • 3 min. de leitura
Mergulhar – Parte I
Há momentos em que nossos olhos ficam cegos para o que nos espera, mas isso não isenta um trajeto de se apresentar à nossa frente. Digo isso, porque era impossível saber o que aquela imensidão azul a minha frente reservava, porém perceber-me diante dela, fez-me desejá-la. Então, tomei a minha decisão. Eu decidi pela saída do cais, pela navegação por altos mares e pelo momento que me fez suspirar: meu mergulho. A embarcação não deixa o cais sem nenhuma decisão. Não se retira âncoras afundadas em meio a medos, comodismo… sem decisões. O barco nunca será visto navegando, os marinheiros nunca chegarão ao seu destino, se do cais, eles não tiverem partido. Na praia, há lugar para quem quiser. Existem pessoas que querem sentar, deixar o tempo passar… e se elas acham que não estão fazendo escolha nenhuma, infelizmente, enganam-se. Dizem por aí que quem não se posiciona de nenhum lado, já tomou sua decisão. Só espero que elas sejam mais rápidas do que a surpresa de uma ressaca do mar, espero que se levantem antes que a onda venha, e assim tomem lugar ao lado do capitão. Meu desejo é que elas possam subir a bordo, assim como eu. Bom, quero dizer para você que ao assumir viagem sobre o mar, percebi que muitas coisas serão inevitáveis. Caberá a nós mantermos a rota, mas, a velocidade dos ventos, a força das ondas, as longas tempestades, nada disso, caberá a nós o controle. Poderemos ser uma pequena embarcação em um vasto oceano, um alvo fácil de ser atingido. Mas, a viagem, mesmo com todas essas reviravoltas, oportuniza-nos conhecer o capitão e nos surpreendermos com ele, alguém que chamou todas as coisas à existência e tem prazer em dar força àqueles que mais fracos estão. Mesmo em meio às fortes tormentas, veremos que é possível ter paz, mesmo se o mar revolto estiver tentando nos trazer ao naufrágio, será necessário apenas nos preocuparmos em nos mantermos na rota, persistindo, até que as nuvens se dissipem e seja possível avistar o sol surgindo. Entre tormentas e calmarias, uma coisa é de almejo unânime entre os navegantes: chegar ao seu destino. Nem antes, nem depois dele. Se você já subiu a bordo, imagino que também abraçou a mesma causa e pretende ir até o fim. Se você já subiu a bordo, imagino que não só de tormentas fez-se sua viagem, mas que você também pode estar avistando belas paisagens, alguns pontos de parada aqui, pequenas ilhas ali, talvez outras rotas… Lembre-se da causa que você abraçou e mantenha o foco. O farol que já iluminou sobre muitos continua fiel em sua causa, ele também brilhará para você, seja fiel também e mantenha o foco. Porque haverá um momento, assim como aconteceu comigo, em que o capitão parará ao seu lado, colocará a mão em seu ombro e dirá: chegamos. Você então vai observar, e os seus olhos não alcançarão nada mais do que a imensidão azul à frente. Mas, o capitão insistirá: chegamos. Você poderia estar esperando uma terra fofa para repousar os pés, mas o convite feito é para retirar os sapatos. Sim meu amigo, o seu destino é aqui, nesta imensidão onde poucos ousam entrar. Onde a confiança é o impulso que te fará desprender-se do barco e mergulhar. Ouse confiar, não em si mesmo, mas no capitão, pois ele conhece o mar como a palma de sua própria mão. Tudo detalhado para Ele, mas um mistério para você. Onde será que esse mergulho poderá te levar? Continua…
19 de março de 2020 • 6 min. de leitura
O Deus das Montanhas
“Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo”. Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. “Este receberá a benção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação” Salmos 24. 3-5 Certamente, há 16 anos atrás, não era eu a quem o Salmo acima se referia… Por que? Dia 19 de fevereiro de 2004, 17 horas. Nenhuma fé. Desfaleço. Perco a consciência. Estou morto. Como Deus nos leva por caminhos e como nós (ou pelo menos eu) somos rebeldes… Nesta data eu tive o privilégio de ser a pessoa mais perto do céu, na face da terra. Em meio a mais de 7.8 bilhões de pessoas, eu estava a quase 7.000 metros de altura e ninguém mais…, mas meu coração certamente estava bem abaixo e vazio. Durante algumas horas Deus usou 14 pessoas para me resgatarem de um acidente na montanha e me trazerem de volta à vida. Demorei muito para entender isto! Deus nunca me abandonou. Sempre fui eu que o abandonei. Mas aos primeiros movimentos meus em direção a Ele, coisas boas e novas começaram a acontecer em minha vida. Eu sempre fui um executivo de muito trabalho e pouca fé. Meu deus era o trabalho e minha estrada era a carreira profissional. Meu intuito era ter muito dinheiro, prestígio e poder. O resto não tinha muita importância. Foram quase 60 anos vivendo dessa forma. Precisei perder quase tudo para entender que nada estava no meu controle. Descobri que havia depositado minha confiança nos homens e não em Deus. Não que Deus nunca me houvesse mandado sinais, mas eu nunca os havia percebido. Estava demais ocupado para sentir a Sua presença ou ouvir o seu Espírito. Sempre achei que a força estava nas pessoas e não em Deus. Um dia, Deus me mandou alguém muito especial. Rose Petenucci. Ela foi um grande presente: Entre conhecê-la e começar a namorar foi uma semana… Deus às vezes é rápido e eu fui também! Deu certo. Casamos e começamos uma vida nova dentro dos princípios cristãos. Ela tem sido um anjo permanente ao meu lado, um testemunho de fé total em Deus. Eu sempre fui um homem de pouca fé. Ainda sou um pouco, mas tenho certeza que foi Deus quem me trouxe até a Primeira Igreja Batista. E por caminhos bem estranhos. A primeira vez que entrei neste templo do SENHOR foi para jogar futebol. Mas sei que era Deus me trazendo para uma das melhores experiências de minha vida. Daquela tarde que vim me divertir com as crianças como instrutor, para o primeiro culto foram apenas alguns dias. Não faltei mais. Hoje, frequento a PIB que é minha segunda casa. No inicio de 2009, resolvi me aprofundar um pouco mais na leitura da Bíblia, que para mim ainda era um livro bastante novo, e fazer o curso para ser batizado. Acho que o SENHOR Deus já me mostrava o caminho, e coube a mim aceitá-lo integralmente. A Profissão de fé que fiz pelo batismo foi deixar para trás aquela pessoa que era, materialista, que acreditava só em si, que comprava centenas de livros de auto-ajuda, que tinha deuses para cada causa, que não se importava com o perdão das pessoas à sua volta, e cujo a moeda de troca era a vingança, de preferência tardia para ser bem saboreada. Fé? Simplesmente não tinha. Sei que a transformação é e será lenta e que muitas vezes ainda repetirei o homem que já fui, mas acredito também no perdão, arrependimento e graça de Deus, pois sou um homem novo, lavado pelo sangue de Cristo e batizado em o nome de Jesus. Durante minha vida, já me preparei para iniciar cursos muito importantes. Lembro-me quando passei no vestibular da FAE, no longínquo ano de 1967 e com muita ansiedade esperei pelo primeiro dia de aula na faculdade… Anos mais tarde, ao fazer o Mestrado na COPPEAD – UFRJ, a mesma emoção se apoderou de mim, mas a vida estava para me reservar uma alegria ainda maior: O curso de Teologia na Faculdade Betânia – Fatebe. Foi depois de ter feito o curso de pós-graduação em Aconselhamento e Gestão de Pessoas nesta Instituição, que tomei a decisão de fazer o curso de bacharelado em Teologia. Já se passaram quase quatro anos e estou me formando, se Deus quiser, neste final de ano. Pretendo ser um Teólogo e atuar na academia. Já estou, de certa maneira fazendo isto, como professor do curso de pós-graduação da Fatebe. Para terminar, gostaria de voltar ao primeiro assunto, que é como gosto de me encontrar com Deus nas montanhas. Desde aquele acontecimento fatídico de 2004, onde fui resgatado, já quase sem vida, subi muitas outras montanhas. Estive por mais 5 vezes no Aconcágua, que é a maior montanha do hemisfério Sul. Também fui escalar a Cordilheira Blanca no Peru, a Cordilheira Real na Bolívia, a Cordilheira Huayhuash que é tida como a cordilheira mais bonita depois dos Himalayas e recentemente estive no Deserto de Atacama, escalando alguns vulcões dentre os quais o Ojos del Salado, que tem quase 7.000 metros de altura. Este deserto, por ser o mais alto do mundo, é implacável e é o mais seco do planeta Terra. As temperaturas variam muito, chegando durante o dia a quase 40 graus positivos e baixando à noite para 20 graus negativos ou mais, dependendo da altura dos vulcões. Nesta viagem, fiz questão de levar comigo uma bandeira da Faculdade Betânia, para fazer uma homenagem a todos os meus amigos, alunos e professores desta Instituição. Este é o meu Deus das montanhas, todas as noites no deserto, ao olhar para o céu, a imensidão das estrelas, tive o privilégio de estar mais perto d’Ele. Minha oração é para que eu possa subir ao monte do SENHOR e estar no seu lugar santo, no aconchego da Sua proteção. Que ele limpe minhas mãos, purifique meu coração e livre minha alma da vaidade. Obrigado Senhor Deus da minha vida, por tudo que tens feito em mim!
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