A Cibercultura e os transtornos psicológicos: Perigos e desafios atuais
3 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura

Embora o DSM V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID 10 (da Organização Mundial da Saúde) não tenham nenhuma palavra final diagnóstica sobre transtornos psicológicos associados ao uso inadequado da internet e das várias redes sociais (Facebook, Instagram, WhatsApp, etc), sabe-se que existem vários comportamentos e sintomas associados, os quais tem sido a preocupação de vários profissionais da saúde, tais como: médicos, psiquiatras, psicólogos, pedagogos etc.
Ainda que, por um lado, sejam inquestionáveis os muitos benefícios da internet e das redes sociais, por outro lado os comportamentos e sintomas preocupantes, com vários riscos nocivos à saúde, ao bem estar e segurança de seus usuários, são perceptíveis, tais como: a depressão, dependência da internet e redes sociais, crises de ansiedade, comportamento abusivo de jogos pela internet, o ciberbullying, a anorexia, a bulimia, a obesidade, problemas de visão, postura corporal, suicídio etc.
Diga-se de passagem, que a internet e as redes sociais, em si, são, de certa forma, neutras. Elas não causam, por elas mesmas, as dificuldades acima mencionadas. A dificuldade está no seu uso inadequado, e também às vulnerabilidades de cada pessoa. Estudiosos apontam que algumas pessoas estão mais suscetíveis a fazer uso inadequados da internet e redes sociais, e colher dificuldades diversas, especialmente adolescentes do sexo feminino, pessoas com descontrole de impulsos, introvertidos, perfeccionistas, pessoas com baixa autoestima, pessoas em constante necessidade de aprovação.
Visto que essas dificuldades, relacionadas ao uso inadequado da internet e redes sociais, são relativamente novas, em virtude da cibercultura ser um fenômeno muito recente, estudos e pesquisas, com metodologias científicas mais precisas, necessitam ser feitos para que os estudiosos da saúde possam categorizar todas essas dificuldades, quem sabe, delineando novos transtornos e tratamentos específicos.
No momento, estudiosos e pesquisadores têm visto essas dificuldades, como por exemplo, a dependência da internet e redes sociais, mais como um comportamento relacionado ao controle do impulso.
É provável que nas próximas edições do DSM e da CID já tragam algum delineamento sobre isso, visto que no primeiro já existe uma sugestão para que alguns assuntos sejam objeto de maiores estudos para futuros delineamentos.
Por enquanto, há de perguntar-se o que, como sociedade, podemos fazer para prevenir e/ou ajudar as pessoas que estejam no processo de incorrer em algum prejuízo significativo no uso da internet e redes sociais?
Além de maiores estudos e pesquisas científicas sobre o assunto, acima mencionados, é necessário haver maiores discussões e informação em todos os âmbitos da sociedade (escolas, universidades, famílias, religião etc) para as pessoas, especialmente os mais vulneráveis, sobre os benefícios e malefícios da internet e das redes sociais.
Nos casos em que alguém esteja tendo um prejuízo significativo no uso dessas mídias, é necessário procurar ajuda médica e psicológica.
A internet e as redes sociais vieram para ficar e modificaram a nossa maneira de ver o mundo, nos comunicarmos uns com os outros, e lidarmos com a informação. Precisamos vencer essa fase de adaptação e usá-las de maneira sábia, ética e adequada para o nosso bem, para o bem dos outros, e da sociedade em geral.

8 de maio de 2026 • 3 min. de leitura
HUMANIDADE E ESPIRITUALIDADE
Ultimamente tenho refletido sobre minha humanidade e minha espiritualidade. Sobre o fato de sermos, ao mesmo tempo, seres humanos e espirituais, e como essas dimensões se complementam. Entendo que nossa humanidade recebe os benefícios da espiritualidade, pois, segundo a Bíblia, quando recebemos a Jesus passamos a ser chamados de espirituais. Isso traz consequências positivas ao nosso ser e afeta diretamente a maneira como vivemos nossa humanidade. Essa conexão é profunda, e uma mente que pensa apenas de forma racional não consegue compreender a dimensão do que o espírito pode alcançar. Para entender o Reino de Deus, é necessário pensar espiritualmente. A espiritualidade enriquece nossa humanidade porque nos conecta ao transcendente que, nesse caso, não pode ser outro senão Deus. É nessa conexão que a humanidade encontra propósito, razão de viver e sentido para a existência. Isso nos move a ser éticos, respeitosos, generosos, pacientes, compreensivos e a manifestar os frutos do Espírito Santo mencionados por Paulo em Gálatas 5.22-23. E, com reverência ao texto, ousaria acrescentar ao final do verso 23 a frase: “Contra essas coisas não há humanidade.” No entanto, nossas dúvidas e incertezas brotam quase todos os dias justamente da nossa humanidade. Aqui falo como um ser comum: que ri, chora, às vezes amaldiçoa, mas também abençoa; que se prende a coisas banais, que trava batalhas internas e até discussões silenciosas com outros; que tem dúvidas, sente que a fé e Deus parecem distantes e que as orações não são ouvidas; que pensa não estar na agenda de Deus ou, se está, é apenas depois de outros que parecem ter mais prioridade. Nesse momento, só posso dizer em primeira pessoa: “Sou assim, sou de carne e osso. Sou humano.” E junto dessa humanidade atuam também as forças das trevas. Embora já derrotadas, elas são perseverantes e insistentes, atacando justamente onde somos mais frágeis. Paulo, em 2 Coríntios 1:8-9, relata uma tribulação tão intensa que chegou a desesperar-se da própria vida. Ali, a humanidade, em linguagem hiperbólica, “gritou”, e a espiritualidade respondeu calmamente por meio do Apóstolo. É como se uma falasse com a outra dentro da mesma pessoa. Por isso, precisamos diariamente reafirmar diante da nossa humanidade que nossas armas são espirituais e poderosas em Deus e capazes de destruir sofismas e resistências do mal. Somos seres espirituais, o Espírito Santo habita em nós, temos todos os benefícios da morte e ressurreição de Cristo e, portanto, devemos viver como tais. Sem esquecer nossa humanidade, mas recordando-a constantemente da nossa espiritualidade em Cristo, que já nos concedeu abundantemente os recursos para uma vida plena no Espírito. Sejamos felizes. Somos mais que vencedores!

31 de outubro de 2019 • 5 min. de leitura
A Radicalização da Cibercultura: o Transumanismo
4 Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Gn. 3:4,5 O desenvolvimento humano sempre esteve atrelado ao desenvolvimento tecnológico. É graças a capacidade humana de criar instrumentos que ampliam a capacidade física natural, que a natureza passa a ser dominada, “pois a fragilidade da natureza humana exigia que o homem buscasse um apoio”. (ROHREGGER; SGANZERLA). Segundo JONAS: A técnica, podemos dizer, representa uma “vocação” da humanidade, isto é, uma necessidade humana para assegurar a continuidade da sua existência. Mesmo no passado quando seu desenvolvimento era bastante vagaroso, a técnica antiga, como afirma Jonas representava um “tributo cobrado pela necessidade” (2006, p. 45) A ciência e o desenvolvimento tecnológico têm contribuído para que a humanidade tenha um maior acesso a bens de consumo, alimentos, medicamentos, facilidades de comunicação e transportes, entre outros inúmeros inventos possibilitados inclusive por um sistema econômico que possibilitou este desenvolvimento e hoje também está atrelado de tal maneira que se tornam interdependentes. Porém, a humanidade ainda enfrenta problemas relacionadas à distribuição de todo este desenvolvimento. Há uma parcela bastante significativa da população mundial que não usufrui de todo este desenvolvimento. Muitos locais de grande concentração humana não têm acesso a questões básicas como a distribuição de água e tratamento de esgoto. Mesmo em países com um grau significativo de desenvolvimento econômico podemos encontrar pessoas sem acesso a tratamento médico e a alimentação digna. Este quadro parece demonstrar que o desenvolvimento técnico-científico não é universalizável, isto é, não é acessível a toda a humanidade, pelo menos não a curto prazo, uma vez que este está atrelado ao desenvolvimento econômico e a políticas públicas. Apesar deste quadro, não parece haver outra possibilidade para o aumento da qualidade de vida humana que não passe pela concepção de que a ciência e a tecnologia seja o caminho inexorável para este objetivo. Desta forma a ciência é vista como àquela que poderá trazer a humanidade um futuro que possa assemelhar-se ao paraíso. É a partir desta concepção que a ideia do transumanismo se desenvolve, como uma ideologia de evolução que possa ser direcionada pela própria humanidade. O conceito geral que sustenta o transumanismo é que o ser humano na atualidade já possui as condições para dominar a sua própria evolução, não ficando mais a mercê do evolucionismo cego, isto é, poderíamos a partir das descobertas cientificas como a manipulação genética e tecnológicas como a miniaturização de processadores transformar o corpo humano, aumentando sua capacidade cerebral, física e de longevidade. O transumanismo deixa de ser apenas uma idéia de ficção científica para passar a ser um conceito ideológico e um projeto filosófico. O “aperfeiçoamento” e a “imortalidade” humana tem sido perseguidos por diferentes grupos sociais, entre empresários, tecnólogos, biotecnólogos. Um dos mais recentes a aderir a essa causa foi Larry Page (co-fundador e CEO do Google) que criou a empresa Calico, voltada para a pesquisa em saúde e longevidade humana. Esta e outras ações e iniciativas estão em curso com o mesmo objetivo e até maiores, a exemplo do empreendimento do empresário russo Dmitry Itskov que pretende, com ajuda da biotecnologia e da informática, alcançar até o ano de 2045, a possibilidade de fazer o upload da mente humana para uma máquina, que seria o passo posterior do transumanismo para o póshumanismo. Apesar de algumas ideias exóticas o transumanismo tem o apoio de uma boa parcela da comunidade científica, filosófica e empresarial, o que parece indicar que algum tipo de manipulação humana será desenvolvido como resultado deste projeto. É óbvio que deste ideal surgem uma série de questões que necessitam ser respondidas, as mais básicas seriam refletir sobre, quais as implicações do transumanismo para o ser humano? Como podemos compreender as afirmações transumanistas pela perspectiva metafísica e religiosa? Quais as implicações éticas para o desenvolvimento do transumanismo? E as implicações sociais? Porém há uma questão fundamental a qual nos leva à parte inicial deste pequeno texto, qual a possibilidade de universalização do transumanismo? Talvez se este desenvolvimento tecnológico não possa ser acessível a qualquer pessoa, signifique a construção de um abismo social muito maior do que o existente na atualidade e o desenvolvimento técnico-cientifico possa, não mais apontar para o progresso de toda a humanidade, mas para apenas um seleto e já privilegiado grupo. Referências bibliográficas para aprofundar o tema. BOSTROM, Nick; Superinteligência. Rio de Janeiro, RJ: Darkside, 2018 FERRY, Luc; A Revolução Transumanista, Barueri, SP: Manole, 2018 FUKUYAMA, Francis. Nosso Futuro Pós-Humano, Rio de Janeiro, RJ: Rocco, 2003 JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUCRio, 2006. JONAS, Hans. Técnica, medicina e ética. Sobre a prática do Princípio Responsabilidade. São Paulo: Paulus, 2013. ROHREGGER, R.; SGANZERLA, A. . Transhumanismo e a ampliação da desigualdade social. In: Daiane Priscila Simão-Silva; Leo Pessini. (Org.). Bioética, Tecnologia e Genética. 1ed.Curitiba: Editora CRV, 2017, v. 1, p. 51-68. ROHREGGER, R.. IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS DO TRANSHUMANISMO. 2019. (Apresentação de Trabalho/Comunicação). SANDEL, Michael J. Contra a Perfeição. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2013 SGANZERLA, A.; ROHREGGER, R. . PRUDÊNCIA: A VIRTUDE DA BIOÉTICA NA CIVILIZAÇÃO TECNOLÓGICA. THAUMAZEIN (SANTA MARIA), v. 10, p. 67-74, 2017. SGANZERLA, A. ; ROHREGGER, R. ; RODRIGUES, M. P. Transhumanismo: Poderá a tecnologia criar um ser humano ‘superior’?. Simpósio Internacional IHU, v. 1, p. 202, 2014.

24 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura
Cibercultura e Consequências Éticas: Questões em Aberto
Pierre LÉWY, que tem sido um referencial na área que estudos sobre a cibercultura, que segunda ele caracteriza-a como sistema universal sem centro: o “sistema do caos” (LEWY, 2018, p.113). Para ele, a cibercultura possui velocidade de evolução e é uni-versal (LEWY, 2018, p.114). O autor considera uma consequência da cibercultura a transformação das pessoas em seres descontextuais (LEWY, 2018, p.118), visto que, “no plano da existência midiática, jamais são atores (LEWY, 2018, p.119). Ocorre um esfacelamento da totalização, vinculando-nos à pós-modernidade, que significa o fim da grande narrativa (LEWY, 2018, p.123). Ocorrem interações de todos os tipos: o ser humano é isolado em frente à tela (LEWY, 2018, p.132). A pergunta que se coloca é se no ambiente acadêmico auxilia o estudante a se integrar e aprender a gostar de ler mais para interagir com as ciências. Uma sátira que apareceu é a que segue: Como podemos transformar a cultura do mundo da informação em algo positivo para a vida acadêmica? O que se percebe é uma grande dependência da informação (e consequentemente daquele que controla o Banco de dados). Com isto, se reconhece que a Info-esfera é o ponto central. Alan Turing, tido como o pai da revolução da Informação (chamada de quarta revolução), disse que nós somos a última geração que distingue entre se encontrar “Online” ou “Offline” (FLORIDI, 2015, p.129). As pessoas são tidas como híbridos: humanos – artificiais. Elas têm sido influenciadas. Nessa semana percebi o quanto as pessoas manifestam dependência de aparelhos: um pedestre caminhava cantando muito acima do volume normal, pois é o aparelho eletrônico que usava no ouvido se tornou o padrão. Temos de nos perguntar se existe ainda privacidade? Ou o conceito mudou? Há uma grande agressão ao ser humano: não há limites mais para as informações. Também se percebe a supremacia da Inteligência artificial: Nos perguntamos se nossa inteligência vai se nivelar? Vamos perder nossa cultura e espiritualidade? Quem controlará os dados na próxima geração? Estaremos nós preparados para a tensão entre globalização ou glocalização? Será viável a efetivação da Democracia ou quem controla o banco de dados é que domina tudo? Quem terá o controle da linguagem? Vi na Europa amigos perderem o emprego por não conseguirem dominar o novo sistema inserido no computador. Recentemente, um professor com Mestrado não conseguiu concluir a tarefa de gravar uma disciplina em EAD por não conseguir trabalhar com o “Template” usado como modelo obrigatório pela instituição de ensino. Quem tem o controle nas conexões na multimídia? Que mudanças comportamentais estão sendo geradas? As pessoas querem cada vez mais aquilo que não os comprometa ou exija sacrifício de suas vontades. Os relacionamentos humanos estão em crise. Vi um programa numa TV alemã sobre um homem que se separou e preferiu adotar bonecas sexuais como parceiras. Ele disse que não queria mais se incomodar. Ele e a filha foram entrevistados. Ele estava substituindo a antiga esposa por 6 bonecas com inteligência artificial. O que as igrejas vão fazer diante das mudanças culturais? Que posição adotaremos diante do uso de drones para nos matarmos uns aos outros? Os militares falam do Ciberespaço como 5º domínio da condução da guerra. No século XXI não se necessita mais de exército. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FLORIDI, Luciano. Die 4. Revolution. Wie die Infosphäre unser Leben verändert. Berlim: Suhrkamp, 2015. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2018. SPADARO, Antonio. Ciberteologia: pensar o cristianismo nos tempos da rede daede. São Paulo: Paulinas, 2012.
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