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Jesus e as Mulheres

Fred R. Bornschein
Fred R. Bornschein
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25 de novembro de 2020 • 6 min. de leitura

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Jesus disse que quando fosse levantado da terra a todos iria atrair a si (Jo. 12.32). Jesus falou isto referindo-se à sua cruz. Mas muito antes, muito antes da cruz, Jesus atraía as pessoas. O poder de atração de Jesus era enorme. Chama a nossa atenção, salta à vista, se destaca enormemente, o poder de atração que Jesus exercia sobre as mulheres.

Ele as atraía como o mel atrai as abelhas, como a flor os colibris. As mulheres ficavam cativadas por Jesus como os planetas que giram na órbita do sol. E não era pelo fato de ser bonito. A única descrição física que temos de Jesus é na palavra profética de Isaías: “Olhamos para ele e não tinha nenhuma beleza que nos agradasse”.

Por que Jesus exercia esta atração sobre as mulheres? Certamente uma das razões, senão a mais importante, é que as mulheres se sentiam amadas, acolhidas, compreendidas e valorizadas por Jesus. Na sociedade judaica da época as mulheres tinham pouco valor. Elas estavam limitadas, bloqueadas. Eram desvalorizadas.

A teóloga católica Maria Bingemer diz que “a mulher, no judaísmo do tempo de Jesus, era considerada social e religiosamente inferior”. Citando Leonardo Boff ela explica que isto se devia,

“Primeiro, por não ser circuncidada e, por conseguinte, não pertencer propriamente à Aliança com Deus; depois pelos rigorosos preceitos de purificação aos quais estava obrigada por causa da sua condição biológica de mulher; e, finalmente, porque personificava a Eva com toda a carga pejorativa que se lhe agregava”.

Mas não era assim apenas no judaísmo. Esta desvalorização da mulher tinha um caráter quase universal. Stanley Jones, o grande missionário metodista que trabalhou na Índia e que conhecia profundamente o hinduísmo e o budismo, explica que, “tanto no budismo como no hinduísmo a mulher, como tal, não poderia se salvar, precisaria reencarnar como homem para obter esta graça”.

Mas nada disso percebemos em Jesus. Quando Jesus na sinagoga em Nazaré, usando o texto do profeta Isaías, apresentou seu programa messiânico (Lc. 4.17-21) e afirmou: “Hoje se cumpriu a Escritura”. “O ano aceitável do Senhor”, o ano do jubileu, o ano da graça, o ano da remissão, havia chegado.

Os pobres ouviriam as boas-novas. Os oprimidos seriam libertados. Os quebrantados seriam curados. Os oprimidos, entre eles as mulheres oprimidas e encurvadas debaixo do peso de séculos de discriminação e marginalização, seriam restaurados. Há um evento relatado em Lucas 13.1-13. Jesus estava ensinando num sábado numa sinagoga e entra uma mulher encurvada. Há 18 anos ela vivia presa a este mal e, encurvada, vivia com o seu rosto voltado para o chão. Jesus a chamou e disse: “Mulher, você está livre da sua enfermidade”. Ela se endireitou. Podia agora erguer a cabeça, podia olhar ao redor, podia ver o rosto das pessoas. Ela começou a louvar a Deus pela sua libertação.

Com o devido cuidado podemos fazer aqui uma alegoria. Esta mulher encurvada é um símbolo de todas as mulheres encurvadas, com o olhar voltado para o chão, sentindo-se humilhadas, desvalorizadas. Mulheres no mundo, na sociedade, nas sinagogas, nas religiões e, infelizmente, às vezes, até dentro das igrejas. Mulheres que experimentando o amor e o poder libertador de Jesus, agora erguem o rosto e ocupam o seu lugar de direito no mundo, na sociedade e na igreja.

Jesus resgatou a dignidade e o valor da mulher. No reino de Deus, a mulher vive a realidade do jubileu. Jesus, em relação às mulheres, explodiu os paradigmas de sua época. No judaísmo ortodoxo, até hoje, as mulheres são proibidas de estudar a lei. Mas Jesus não tinha estes preconceitos. Ele ensinou teologia não só a Maria, sua amiga assentada a seus pés, mas, à beira da estrada, ensinou sobre a realidade de Deus, da fé e da vida, a uma mulher e, mais do que uma mulher, uma mulher samaritana, e, mais do que isto, era uma mulher com uma vida moral duvidosa. Foi a ela, apenas a ela, que Jesus declarou com todas as letras: “Eu sou o Messias!”

As mulheres tinham o seu lugar entre os discípulos que acompanhavam a Jesus. Muitas mulheres o serviam com os seus bens. A importância das mulheres no ministério de Jesus vemos em dois momentos.

A primeira vez foi nas Bodas de Caná. Naquele casamento surgiu uma situação constrangedora que podia envergonhar o noivo e estragar a alegria da festa. Maria informa a Jesus sobre a situação e diz aos serventes que façam tudo o que Jesus disser. Jesus mandou encher os vasos de água e transformou a água em vinho. Maria foi o “botão de arranque” para Jesus iniciar o seu ministério.

No outro extremo temporal do ministério de Jesus temos o exemplo de Maria Madalena. Jesus ressuscitado se revelou a ela após a sua ressurreição. Jesus a mandou dizer aos discípulos que havia ressuscitado. Foi a primeira pessoa a anunciar que Jesus estava vivo, que havia ressuscitado. Ela foi usada para transmitir a mais gloriosa mensagem que já ecoou na face da terra: “Jesus ressuscitou! Jesus vive!”

O ponto alto do resgate do valor, da dignidade da mulher e da igualdade da mulher em relação aos homens, nós temos no evento que é a culminação do ministério salvador de Jesus, o Pentecostes. Lucas nos conta que naquele dia os discípulos estavam reunidos no cenáculo e “perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Quando Jesus enviou o seu Espírito, as mulheres o receberam como os demais, e manifestaram os dons espirituais como todos os outros.

O que foi evidenciado no evento do Pentecoste o apóstolo Paulo declarou teologicamente no texto de Gal 3.26-28.

Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos vocês que foram batizados em Cristo, de Cristo se revestiram. Assim sendo” diz Paulo, “não há mais distinção entre judeus e gregos (distinções raciais), escravos e libertos (distinções sociais), homens e mulheres (distinções de gênero). Todos vocês são um em Cristo Jesus.

O que foi demonstrado por Jesus em sua vida e ministério, o que foi patenteado no Pentecoste, o que foi afirmado pelo apóstolo Paulo, a igualdade entre o homem e a mulher, faz parte da realidade do reino de Deus, e é essência do jubileu definitivo.

O tempo de Jesus e o tempo de Paulo foi a época dos inícios. Foram os primeiros raios do dia do jubileu que despontava no horizonte deste mundo. Mas agora o fermento já teve tempo de levedar a massa, a semente já teve tempo de se tornar árvore. Agora é hora da igreja realizar e praticar plenamente o fato de que “em Cristo não há homem nem mulher, mas todos são um”.

REFERÊNCIAS:

BINGEMER, Maria Clara. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 46.

BOFF, Leonardo. O rosto materno de Deus. Petrópolis: Vozes, 1979, pgs 77-78 apud BINGEMER, Maria Clara. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 46.

JONES, E. Stanley. O Cristo de todos os caminhos. 2ed. São Paulo: Imprensa Metodista, 1968, pg. 111.

Fred R. Bornschein
Fred R. Bornschein
Prof. Fred R. Bornschein é mestre em Teologia pela PUC/PR, pós graduado em Estudos Avançados em Teologia e Bíblia pela FLT/SC e Bacharel em Teologia pela Faculdade Evangélica do Brasil/PR. Pastor da Igreja Evangélica Livre e professor da Fatebe.
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8 de julho de 2020 • 4 min. de leitura

A crise no contexto missionário: um panorama

A partir da análise de eventos relacionados ao cristianismo dos primeiros séculos, em especial as epidemias sucessivas até meados do século terceiro e a chamada conversão do imperador romano Constantino, no início do século quarto, propomos um paralelo com a conjuntura de 2020. Este paralelo tem como objetivo, através da leitura destes eventos, compartilhar oportunidades e alertas para o comportamento da igreja cristã durante a recente crise que se abateu sobre o mundo com o advento da manifestação da COVID-19, que se materializa em múltiplas crises, seja ela sanitária, econômica e, no caso do Brasil, uma crise política sem paralelos na história da república brasileira. O Movimento Missionário na Igreja Antiga Em seus primeiros séculos, o cristianismo apresenta um movimento descentralizado de evangelismo, partindo dos apóstolos e de seus discípulos diretos. Neste “cristianismo embrionário”, o processo de evangelização e transmissão das boas novas de Cristo acontecia a partir do contato pessoal entre o convertido e o “pagão”, compreendido como o fiel das religiões politeístas tradicionais dos limites do império romano, mas não só. Os territórios “bárbaros” (não romanizados), também contavam com a presença de cristãos, na medida em que este processo acompanhava o avanço de soldados, comerciantes e outras funções que demandassem o deslocamento geográfico por parte destes convertidos. Neste sentido, a pessoalidade estava muito presente neste processo, através do contato pessoal com aquele que conhecia o Evangelho. Neste sentido, as mulheres eram uma grande força missionária, no sentido de serem as primeiras em seus núcleos a conhecerem e propagarem a mensagem de Cristo. Até a segunda metade do século três, diversas epidemias se abateram sobre os territórios mediterrânicos e os cristãos cresceram neste ambiente por duas razões principais. Em primeiro lugar, o senso de comunidade gerado desde o período apostólico fez com que os cristãos cuidassem mais de si mesmos, ao mesmo tempo em que cuidavam dos doentes, que eram descartados pela sociedade romana. Este contato direto com os infectados, levou muitos cristãos à morte e isso trouxe simpatia de camadas mais simples da população romana, desprotegidas pela estrutura oficial imperial. Em contrapartida, a declaração de conversão do imperador Constantino no início do século IV trouxe desafios adicionais, até o momento inéditos para a Igreja Cristã. Se por um lado, o fim das perseguições melhorou a produção teológica que floresce após este período, notoriamente marcada pelos escritos de Atanásio, Jerônimo, Agostinho, entre outros, por outro, a institucionalização do cristianismo pelo império trouxe diversos antagonismos, dos quais destacamos dois de maneira especial. Em primeiro lugar, uma divisão interna entre aqueles que viam com bons olhos a chegada da fé cristã à estrutura imperial e aqueles que viam este novo momento como um desvirtuamento dos ensinos de Cristo com esta aproximação da fé com o império. Em segundo lugar, a associação dos cristãos de maneira direta com o governo imperial, trouxe a hostilização para aqueles que estavam em territórios “bárbaros”, por serem considerados simpatizantes dos romanos. Possibilidades Partindo do exposto até o momento, analisando os feitos da igreja em sua gênese, é possível destacar possíveis oportunidades, além de um alerta para a igreja contemporânea. A pandemia da COVID-19 pode oferecer uma grande oportunidade de aproximação com a sociedade pós-moderna, caso ela ofereça empatia e auxílio para aqueles que estão necessitados. Na medida em que a crise sanitária gera uma crise econômica, o papel da igreja como agente ativo de auxílio e instrumento social de integralidade do evangelho que atinja o indivíduo em todas as suas necessidades será cada vez mais necessário. Como alerta, usando o evento da conversão de Constantino como base de análise, é preciso verificar o papel de parte da liderança protestante brasileira, como elemento ativo no quadro político presente. Quando a igreja demonstra publicamente seu apoio a determinado governo, qualquer que ele seja, automaticamente gerará os efeitos apontados neste artigo: a divisão interna entre os que apoiam e os que desaprovam este apoio, e a hostilidade entre o grupo maior da sociedade que não se identifica ao governo vigente. A reflexão é válida, na medida em que a igreja precisa atentar para seu papel fundamental de fazer discípulos de todas as nações. A igreja tem prevalecido diante dos governos ao longo dos últimos dois milênios. Por esta razão, é condição essencial analisar sua longa história e aprender com ela para direcionar suas ações em nosso presente.

Eduardo Medeiros
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6 de maio de 2020 • 4 min. de leitura

A Difícil Realidade em Tempos de Crise e a busca do Equilíbrio

Por que o equilíbrio das informações recebidas durante a pandemia é importante? É fato que a falta de informação não confere imunidade a alguém. Os veículos de comunicação cumprem seu papel ao alertar a população sobre os riscos que a COVID-19 acometem aos infectados; às vezes é preciso chocar para conscientizar. Nisto as denúncias de escassez de recursos, leitos e profissionais qualificados nos hospitais cumprem também este papel. Entretanto, neste pêndulo, realismo e pessimismo se confundem e a linha é tênue. Sim, cada vida é importante e por isso todos os meios de enfrentamento da doença se fazem essenciais neste período. Mas sem desconsiderar tudo que foi afirmado até aqui, quero pensar em outro enfrentamento: o da batalha pela sanidade mental. Nos últimos dias obtive informação de uma profissional de saúde que os hospitais estão recebendo inúmeras pessoas com sintomas que parecem com os do infarto, mas que na verdade são referentes a um ataque de pânico. E não é de se estranhar o motivo, basta assistir os jornais para ver valas abertas, funerais, gente sofrendo nos leitos e superlotação nos hospitais… Um dia vi um neurocientista falar que as informações que ouvimos são internalizadas por nosso cérebro e os sentimentos produzidos independem se aquilo é uma realidade para nós ou não. Não é difícil perceber isso após assistir a esses jornais. Com isso, você acha que proponho o fechar dos olhos para a realidade? Claro que não! Mas em tempos de enfrentamento a recepção das informações pelos meios de comunicação precisa de um cuidado importante: o equilíbrio. De acordo com o dicionário, um dos significados para equilíbrio é “ igualdade de força entre duas ou mais coisas ou pessoas, grupos etc. em oposição”. O equilíbrio das informações é importante porque o que tem ocorrido no cenário que o coronavírus propiciou é muito sério e digno de toda a atenção e cuidados, mas a forma como tudo tem sido tratado, de forma tão escancarada e intensa tem gerado desânimo e ansiedade na população. É preciso equilibrar; estamos enfrentando tempos muito difíceis, mas em momentos de crise é preciso dar à população, além de motivos para se proteger, motivos para crer, para autotranscender, para encontrar soluções, para somar esforços e beneficiar os mais frágeis. Neste sentido, há um certo jornal no Estado do Paraná que tem prestado um verdadeiro serviço à comunidade. Nele vi a solidariedade humana de fazer máscaras para a população carente, grupos comunitários encontrando alternativas para dirimir a falta da presença física e acompanhar seus beneficiados, depoimentos de pessoas recuperadas, fotos de pessoas realizando atividades em casa, pesquisas promissoras com a construção de respiradores a baixo custo e invenção de aparelho de desinfecção de roupas a partir de luz específica, conversa com a psicóloga e até uma música com mensagem de esperança composta pela banda da própria emissora. Houve a informação mas também houve uma mensagem de esperança e superação das dificuldades. E por falar em esperança, não é à toa que as Escrituras nos trazem essa mensagem. Nela as injustiças, a dor, o sofrimento e até a tragédia são descritos, mas também é nela que podemos ler “ quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21) ou, ainda, que “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8). Que Deus nos ajude neste momento difícil e que, com uma mente equilibrada, sejamos capazes, não só de passar por ele, mas de realizarmos ações de enfrentamento para que venham dias melhores.

Grazielle Silva de Carvalho Abreu
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1 de junho de 2022 • 5 min. de leitura

Oro a um Deus que não me ouve!

# Oro a um Deus que não me ouve! Sem dúvida nenhuma, um dos maiores pilares da mensagem cristã é a oração! Jesus não somente orava, como também nos aconselha a orar! É muito comum vermos no evangelho Jesus se retirando de entre a multidão e indo para a solitude do ‘monte da oração’. É muito comum vermos Jesus se retirar dos ‘palcos’, se retirar dos ‘holofotes’, e correr para o anonimato do ‘quarto de oração’, pois sem dúvida nenhuma, de nada adiantaria ter as multidões a ouvi-lo e não ter o Deus das multidões na intimidade do quarto! A grande questão na oração é uma simples pergunta: “Por que orar?”. Porque orar se o próprio Jesus disse que Deus já sabe o que precisamos antes mesmo de falarmos? Porque orar se o Senhor já sabe tudo o que iremos dizer na oração antes mesmo de pensarmos naquilo que iremos falar? Porque orar se toda a graça já nos foi dada na Cruz? Porque orar se o que Deus quiser fazer Ele irá fazer independente se eu pedir ou não? Porque orar se o que Deus não quiser fazer Ele não fará independentemente se eu pedir ou não? Porque orar o ‘seja feita a tua vontade’ se a vontade dEle já será feita independemente se eu pedir que ela seja feita ou não? (Existem muitos outros pontos). Porque orar se o ministério do evangelho é simplesmente servir ao próximo em amor? Porque orar sendo que não podemos ‘comprar’ Deus pelos nossos sacrifícios? Porque orar sendo que tudo já nos foi dado quando Jesus gritou “Tetelestai” (está consumado)? Essa foi uma grande questão que invadia minha mente até que encontrei a resposta em Jesus! Me impactou saber que na oração Deus não nos ouve, Ele nos vê! Jesus disse: “Quando fores orar entra no teu quarto, fecha a porta, porque aquele (Deus) que te VÊ em secreto…”, não é aquele que nos ouve, é aquele que nos vê! Um dia perguntaram a Madre Teresa o que ela dizia a Deus em suas orações, ela respondeu: “Eu não falo nada, eu somente escuto!”, então lhe perguntaram: ‘E o que Deus diz’, “Ele não diz nada, Ele somente me escuta” – respondeu ela, Não eram as palavras que moviam a oração, não eram a quantidade de palavras ditas, o tom de voz em que eram ditas, o volume em que eram ditas e muito menos o como eram ditas, mas sim a atitude de estar a orar, a oração do silêncio, a atitude de apresentar-se diante de Deus no quarto da oração e relacionar-se em gemidos da alma! Foi John Bunyan quem disse: “Na oração mais vale um coração sem palavras do que palavras sem um coração!”, orar não é falar e falar, orar é se relacionar mesmo que sem palavras! A respeito da oração muito se ensina a como prolongá-la. Uns pronunciam palavras de modo devagar para que dure mais tempo, outros oram em todos os assuntos possíveis para que fique mais tempo em oração, oram por todos os nomes para que preencha tempo como que cumprindo sua carga horária, fazem como tolos que pensam que por muito falarem serão ouvidos, uns oram gritando acreditando que isso demonstra maior ‘unção e autoridade’, uns oram de maneira rápida e ofegante acreditando que isso é o poder de Deus, mas não! Queridos, orar não é ‘falar e falar’, orar é se relacionar, pois Ele nos VÊ, Ele VÊ a atitude de se retirar do mundo e apegar-se ao silêncio de um quarto escuro!”! Agora eu entendo, oração não é pedir algo (até porque Ele sabe de tudo o que precisamos, mas, se quiser pedir, não é proibido rs), oração é entregar, me entregar, quanto mais oro, mais me entrego. Oração não é a quantidade de decibéis que sai de minha boca, mas sim o aroma suave que vem do coração! Oração é amá-lo, oração é simplesmente o querer estar mais perto, orar não é uma obrigação para os servos mas é um prazer dos filhos! Por isso essa grande pergunta se responde no que é relacional, “por que orar?”, para, simplesmente, me relacionar! Foi assim então que entendi que oração não é questão de “falar e ouvir “, mas de “fazer e ver”! Oração é como o abraço de um casal de namorados, apaixonados…, nenhuma palavra se é pronunciada, nenhuma palavra se faz necessária, o carinho no abraço já diz tudo, os olhos fechados no abraço já dizem tudo, a atitude no abraço já diz tudo! Orar é “abraçar” e não somente palavras pronunciar! Eu não ouço, não escuto quem me abraça, eu o vejo, eu vejo o sentimento no abraço, vejo a sinceridade no abraçar! Oro a um Deus que não me ouve, oro a um Deus que me vê, Ele vê a sinceridade na oração em silêncio, Ele vê o sentimento na oração sem palavras, Ele vê o meu sentir por ele, Ele sente o meu ‘abraçar’ (oração)!

Luiz Henrique Silva dos Santos
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