A crise no contexto missionário: um panorama

8 de julho de 2020 • 4 min. de leitura

A partir da análise de eventos relacionados ao cristianismo dos primeiros séculos, em especial as epidemias sucessivas até meados do século terceiro e a chamada conversão do imperador romano Constantino, no início do século quarto, propomos um paralelo com a conjuntura de 2020. Este paralelo tem como objetivo, através da leitura destes eventos, compartilhar oportunidades e alertas para o comportamento da igreja cristã durante a recente crise que se abateu sobre o mundo com o advento da manifestação da COVID-19, que se materializa em múltiplas crises, seja ela sanitária, econômica e, no caso do Brasil, uma crise política sem paralelos na história da república brasileira.
O Movimento Missionário na Igreja Antiga
Em seus primeiros séculos, o cristianismo apresenta um movimento descentralizado de evangelismo, partindo dos apóstolos e de seus discípulos diretos. Neste “cristianismo embrionário”, o processo de evangelização e transmissão das boas novas de Cristo acontecia a partir do contato pessoal entre o convertido e o “pagão”, compreendido como o fiel das religiões politeístas tradicionais dos limites do império romano, mas não só. Os territórios “bárbaros” (não romanizados), também contavam com a presença de cristãos, na medida em que este processo acompanhava o avanço de soldados, comerciantes e outras funções que demandassem o deslocamento geográfico por parte destes convertidos.
Neste sentido, a pessoalidade estava muito presente neste processo, através do contato pessoal com aquele que conhecia o Evangelho. Neste sentido, as mulheres eram uma grande força missionária, no sentido de serem as primeiras em seus núcleos a conhecerem e propagarem a mensagem de Cristo.
Até a segunda metade do século três, diversas epidemias se abateram sobre os territórios mediterrânicos e os cristãos cresceram neste ambiente por duas razões principais. Em primeiro lugar, o senso de comunidade gerado desde o período apostólico fez com que os cristãos cuidassem mais de si mesmos, ao mesmo tempo em que cuidavam dos doentes, que eram descartados pela sociedade romana. Este contato direto com os infectados, levou muitos cristãos à morte e isso trouxe simpatia de camadas mais simples da população romana, desprotegidas pela estrutura oficial imperial.
Em contrapartida, a declaração de conversão do imperador Constantino no início do século IV trouxe desafios adicionais, até o momento inéditos para a Igreja Cristã. Se por um lado, o fim das perseguições melhorou a produção teológica que floresce após este período, notoriamente marcada pelos escritos de Atanásio, Jerônimo, Agostinho, entre outros, por outro, a institucionalização do cristianismo pelo império trouxe diversos antagonismos, dos quais destacamos dois de maneira especial. Em primeiro lugar, uma divisão interna entre aqueles que viam com bons olhos a chegada da fé cristã à estrutura imperial e aqueles que viam este novo momento como um desvirtuamento dos ensinos de Cristo com esta aproximação da fé com o império. Em segundo lugar, a associação dos cristãos de maneira direta com o governo imperial, trouxe a hostilização para aqueles que estavam em territórios “bárbaros”, por serem considerados simpatizantes dos romanos.
Possibilidades
Partindo do exposto até o momento, analisando os feitos da igreja em sua gênese, é possível destacar possíveis oportunidades, além de um alerta para a igreja contemporânea.
A pandemia da COVID-19 pode oferecer uma grande oportunidade de aproximação com a sociedade pós-moderna, caso ela ofereça empatia e auxílio para aqueles que estão necessitados. Na medida em que a crise sanitária gera uma crise econômica, o papel da igreja como agente ativo de auxílio e instrumento social de integralidade do evangelho que atinja o indivíduo em todas as suas necessidades será cada vez mais necessário.
Como alerta, usando o evento da conversão de Constantino como base de análise, é preciso verificar o papel de parte da liderança protestante brasileira, como elemento ativo no quadro político presente. Quando a igreja demonstra publicamente seu apoio a determinado governo, qualquer que ele seja, automaticamente gerará os efeitos apontados neste artigo: a divisão interna entre os que apoiam e os que desaprovam este apoio, e a hostilidade entre o grupo maior da sociedade que não se identifica ao governo vigente.
A reflexão é válida, na medida em que a igreja precisa atentar para seu papel fundamental de fazer discípulos de todas as nações. A igreja tem prevalecido diante dos governos ao longo dos últimos dois milênios. Por esta razão, é condição essencial analisar sua longa história e aprender com ela para direcionar suas ações em nosso presente.


31 de outubro de 2019 • 5 min. de leitura
A Radicalização da Cibercultura: o Transumanismo
4 Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Gn. 3:4,5 O desenvolvimento humano sempre esteve atrelado ao desenvolvimento tecnológico. É graças a capacidade humana de criar instrumentos que ampliam a capacidade física natural, que a natureza passa a ser dominada, “pois a fragilidade da natureza humana exigia que o homem buscasse um apoio”. (ROHREGGER; SGANZERLA). Segundo JONAS: A técnica, podemos dizer, representa uma “vocação” da humanidade, isto é, uma necessidade humana para assegurar a continuidade da sua existência. Mesmo no passado quando seu desenvolvimento era bastante vagaroso, a técnica antiga, como afirma Jonas representava um “tributo cobrado pela necessidade” (2006, p. 45) A ciência e o desenvolvimento tecnológico têm contribuído para que a humanidade tenha um maior acesso a bens de consumo, alimentos, medicamentos, facilidades de comunicação e transportes, entre outros inúmeros inventos possibilitados inclusive por um sistema econômico que possibilitou este desenvolvimento e hoje também está atrelado de tal maneira que se tornam interdependentes. Porém, a humanidade ainda enfrenta problemas relacionadas à distribuição de todo este desenvolvimento. Há uma parcela bastante significativa da população mundial que não usufrui de todo este desenvolvimento. Muitos locais de grande concentração humana não têm acesso a questões básicas como a distribuição de água e tratamento de esgoto. Mesmo em países com um grau significativo de desenvolvimento econômico podemos encontrar pessoas sem acesso a tratamento médico e a alimentação digna. Este quadro parece demonstrar que o desenvolvimento técnico-científico não é universalizável, isto é, não é acessível a toda a humanidade, pelo menos não a curto prazo, uma vez que este está atrelado ao desenvolvimento econômico e a políticas públicas. Apesar deste quadro, não parece haver outra possibilidade para o aumento da qualidade de vida humana que não passe pela concepção de que a ciência e a tecnologia seja o caminho inexorável para este objetivo. Desta forma a ciência é vista como àquela que poderá trazer a humanidade um futuro que possa assemelhar-se ao paraíso. É a partir desta concepção que a ideia do transumanismo se desenvolve, como uma ideologia de evolução que possa ser direcionada pela própria humanidade. O conceito geral que sustenta o transumanismo é que o ser humano na atualidade já possui as condições para dominar a sua própria evolução, não ficando mais a mercê do evolucionismo cego, isto é, poderíamos a partir das descobertas cientificas como a manipulação genética e tecnológicas como a miniaturização de processadores transformar o corpo humano, aumentando sua capacidade cerebral, física e de longevidade. O transumanismo deixa de ser apenas uma idéia de ficção científica para passar a ser um conceito ideológico e um projeto filosófico. O “aperfeiçoamento” e a “imortalidade” humana tem sido perseguidos por diferentes grupos sociais, entre empresários, tecnólogos, biotecnólogos. Um dos mais recentes a aderir a essa causa foi Larry Page (co-fundador e CEO do Google) que criou a empresa Calico, voltada para a pesquisa em saúde e longevidade humana. Esta e outras ações e iniciativas estão em curso com o mesmo objetivo e até maiores, a exemplo do empreendimento do empresário russo Dmitry Itskov que pretende, com ajuda da biotecnologia e da informática, alcançar até o ano de 2045, a possibilidade de fazer o upload da mente humana para uma máquina, que seria o passo posterior do transumanismo para o póshumanismo. Apesar de algumas ideias exóticas o transumanismo tem o apoio de uma boa parcela da comunidade científica, filosófica e empresarial, o que parece indicar que algum tipo de manipulação humana será desenvolvido como resultado deste projeto. É óbvio que deste ideal surgem uma série de questões que necessitam ser respondidas, as mais básicas seriam refletir sobre, quais as implicações do transumanismo para o ser humano? Como podemos compreender as afirmações transumanistas pela perspectiva metafísica e religiosa? Quais as implicações éticas para o desenvolvimento do transumanismo? E as implicações sociais? Porém há uma questão fundamental a qual nos leva à parte inicial deste pequeno texto, qual a possibilidade de universalização do transumanismo? Talvez se este desenvolvimento tecnológico não possa ser acessível a qualquer pessoa, signifique a construção de um abismo social muito maior do que o existente na atualidade e o desenvolvimento técnico-cientifico possa, não mais apontar para o progresso de toda a humanidade, mas para apenas um seleto e já privilegiado grupo. Referências bibliográficas para aprofundar o tema. BOSTROM, Nick; Superinteligência. Rio de Janeiro, RJ: Darkside, 2018 FERRY, Luc; A Revolução Transumanista, Barueri, SP: Manole, 2018 FUKUYAMA, Francis. Nosso Futuro Pós-Humano, Rio de Janeiro, RJ: Rocco, 2003 JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUCRio, 2006. JONAS, Hans. Técnica, medicina e ética. Sobre a prática do Princípio Responsabilidade. São Paulo: Paulus, 2013. ROHREGGER, R.; SGANZERLA, A. . Transhumanismo e a ampliação da desigualdade social. In: Daiane Priscila Simão-Silva; Leo Pessini. (Org.). Bioética, Tecnologia e Genética. 1ed.Curitiba: Editora CRV, 2017, v. 1, p. 51-68. ROHREGGER, R.. IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS DO TRANSHUMANISMO. 2019. (Apresentação de Trabalho/Comunicação). SANDEL, Michael J. Contra a Perfeição. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2013 SGANZERLA, A.; ROHREGGER, R. . PRUDÊNCIA: A VIRTUDE DA BIOÉTICA NA CIVILIZAÇÃO TECNOLÓGICA. THAUMAZEIN (SANTA MARIA), v. 10, p. 67-74, 2017. SGANZERLA, A. ; ROHREGGER, R. ; RODRIGUES, M. P. Transhumanismo: Poderá a tecnologia criar um ser humano ‘superior’?. Simpósio Internacional IHU, v. 1, p. 202, 2014.

24 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura
Cibercultura e Consequências Éticas: Questões em Aberto
Pierre LÉWY, que tem sido um referencial na área que estudos sobre a cibercultura, que segunda ele caracteriza-a como sistema universal sem centro: o “sistema do caos” (LEWY, 2018, p.113). Para ele, a cibercultura possui velocidade de evolução e é uni-versal (LEWY, 2018, p.114). O autor considera uma consequência da cibercultura a transformação das pessoas em seres descontextuais (LEWY, 2018, p.118), visto que, “no plano da existência midiática, jamais são atores (LEWY, 2018, p.119). Ocorre um esfacelamento da totalização, vinculando-nos à pós-modernidade, que significa o fim da grande narrativa (LEWY, 2018, p.123). Ocorrem interações de todos os tipos: o ser humano é isolado em frente à tela (LEWY, 2018, p.132). A pergunta que se coloca é se no ambiente acadêmico auxilia o estudante a se integrar e aprender a gostar de ler mais para interagir com as ciências. Uma sátira que apareceu é a que segue: Como podemos transformar a cultura do mundo da informação em algo positivo para a vida acadêmica? O que se percebe é uma grande dependência da informação (e consequentemente daquele que controla o Banco de dados). Com isto, se reconhece que a Info-esfera é o ponto central. Alan Turing, tido como o pai da revolução da Informação (chamada de quarta revolução), disse que nós somos a última geração que distingue entre se encontrar “Online” ou “Offline” (FLORIDI, 2015, p.129). As pessoas são tidas como híbridos: humanos – artificiais. Elas têm sido influenciadas. Nessa semana percebi o quanto as pessoas manifestam dependência de aparelhos: um pedestre caminhava cantando muito acima do volume normal, pois é o aparelho eletrônico que usava no ouvido se tornou o padrão. Temos de nos perguntar se existe ainda privacidade? Ou o conceito mudou? Há uma grande agressão ao ser humano: não há limites mais para as informações. Também se percebe a supremacia da Inteligência artificial: Nos perguntamos se nossa inteligência vai se nivelar? Vamos perder nossa cultura e espiritualidade? Quem controlará os dados na próxima geração? Estaremos nós preparados para a tensão entre globalização ou glocalização? Será viável a efetivação da Democracia ou quem controla o banco de dados é que domina tudo? Quem terá o controle da linguagem? Vi na Europa amigos perderem o emprego por não conseguirem dominar o novo sistema inserido no computador. Recentemente, um professor com Mestrado não conseguiu concluir a tarefa de gravar uma disciplina em EAD por não conseguir trabalhar com o “Template” usado como modelo obrigatório pela instituição de ensino. Quem tem o controle nas conexões na multimídia? Que mudanças comportamentais estão sendo geradas? As pessoas querem cada vez mais aquilo que não os comprometa ou exija sacrifício de suas vontades. Os relacionamentos humanos estão em crise. Vi um programa numa TV alemã sobre um homem que se separou e preferiu adotar bonecas sexuais como parceiras. Ele disse que não queria mais se incomodar. Ele e a filha foram entrevistados. Ele estava substituindo a antiga esposa por 6 bonecas com inteligência artificial. O que as igrejas vão fazer diante das mudanças culturais? Que posição adotaremos diante do uso de drones para nos matarmos uns aos outros? Os militares falam do Ciberespaço como 5º domínio da condução da guerra. No século XXI não se necessita mais de exército. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FLORIDI, Luciano. Die 4. Revolution. Wie die Infosphäre unser Leben verändert. Berlim: Suhrkamp, 2015. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2018. SPADARO, Antonio. Ciberteologia: pensar o cristianismo nos tempos da rede daede. São Paulo: Paulinas, 2012.

6 de novembro de 2019 • 5 min. de leitura
Uma Mente Renovada para o Discernimento dos Tempos
Li recentemente uma fábula postada em um grupo de aplicativo, parte de um livro do qual não tenho as informações suficientes para fazer a referência, mas aquela estorinha dizia: Era uma vez, na terra de Fuzz[1], o Rei Aling chamou seu sobrinho Ding e ordenou: – Sai e percorre toda a Terra de Fuzz e encontra-me o mais bondoso dos homens, o qual hei de recompensar pela sua bondade. – Mas como haverei eu de reconhecê-lo, quando eu o encontrar? — perguntou. – Como? Ele será sincero — zombou o rei e arrancou-lhe uma perna por sua impertinência. Então ele saiu mancando a procurar o homem bom. Mas logo retornou confuso e de mãos vazias. – Mas como hei de reconhecê-lo quando eu o vir? — perguntou novamente. – Como? Ele será dedicado — resmungou o rei, e arrancou-lhe outra perna por sua impertinência. Então saiu coxeando mais uma vez para procurar o mais bondoso dos homens. Mas outra vez retornou confuso e de mãos vazias. – Mas como hei de reconhecê-lo quando eu o vir? — implorou ao rei. – Como? Ele terá internalizado sua crescente conscientização — vociferou o rei, e arrancou-lhe outra perna por sua impertinência. Então, apoiando-se em sua última perna, saiu saltitando a fim de continuar sua busca. Depois de algum tempo, retornou com o mais sábio, mais sincero e dedicado Fuzzy de toda a Fuzzylândia e o colocou de pé, em frente ao rei. – Como! Este homem não serve absolutamente — rugiu o rei. — Ele é muito magro para o que quero. — Dizendo isto, arrancou a última perna do servo, que caiu ao chão com um baque surdo! – A moral desta fábula é que. . . se você não pode reconhecer o que vê quando o vê, pode terminar sem nenhuma perna que o sustente.[2] Lendo esta fábula, fui levado a uma citação que Ricardo Barbosa faz, na sua consagrada pastoral da Revista Ultimato. Segundo ele, em uma conversa com o teólogo americano James Huston, sobre a influência das tecnologias, mídias e outras mais, este lhe teria dito: “Quando alguém casa com o espírito da época, a época passa e ele fica viúvo”.[3] A mensagem do Evangelho é uma verdade eterna, que aponta para o governo de Deus sobre a sua criação, em um ato salvífico de redimir o que Ele criara pleno. Porém, esta mensagem e suas realidades subjacentes se materializam na mente das pessoas que a ouvem, por meio de construções sócio culturais. A Igreja é compreendida como aquela que transmite esta mensagem, porque ela se lança a viver a tensão entre os valores eternos de Deus e seu Reino e a necessidade da encarnação destes valores em um mundo caído e sua cultura ainda não redimida, que tem como objetivo ganhar e governar as mentes. Como viver nessa tensão e não perder sua voz profética no mundo da missão de Deus? Como a Igreja pode ser relevante sem se casar com o espírito da época? Algumas considerações – a cultura da beleza é obra de Deus – Gênesis 1.2 diz que não existia forma, estética, antes que Deus desse a ordem para que tudo viesse a existir. Mas, disse que o Espírito do Senhor, que dá forma ao que era somente caos, já estava presente sobre o caos – “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra” (Sl 104.30). Mesmo depois do pecado, Deus prometeu dar um Espírito que renova, que faria jovens e velhos sonharem, terem visões (Joel 2:28) – viverem entusiasticamente – A profecia de Joel aponta para um tempo de bênção – uma nova era, uma era de mudanças, muitas coisas novas estariam acontecendo – obra de renovo do Espírito Santo. A Revelação de Deus nos alerta para um viver de culto, para discernir o espírito dos tempos – A perspectiva de Romanos 12.1 e 2, é de uma vida que se dá como um ato litúrgico que se desenvolve enquanto vivemos. Com um comportamento assim, o crente vive todas as realidades subjacentes sem perder a capacidade de discernir os tempos, para nunca deixar de ser uma voz profética no mundo. Para isso acontecer, a vida, que se dá na liturgia do viver para Deus, está em constante renovação, para que se consiga ler os sinais dos tempos e se lançar à proposta de viver na tensão, sem negar à interação cultura, admitindo que “toda verdade é verdade de Deus”, mas sem deixar de discernir os sujeitos culturais que buscam dominar e transformar a criação de Deus, como expressão de sua sabedoria, graça e deleite divino. Não esqueçamos: “Quando alguém casa com o espírito da época, a época passa e ele fica viúvo” e “se você não pode reconhecer o que vê quando o vê, pode terminar sem nenhuma perna que o sustente”. [1] Fuzz significa abstração, falta de clareza. O termo íuzzy, obscuro, será usado no decorrer do livro. [2] R. F. MACER. [3] HUSTON, James In BARBOSA, Ricardo. Revista Ultimato. Viçosa: Ultimato, 2019, Ano LII, n. 379, Setembro/Outubro 2019.