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A pregação do Lógos no Evangelho de João: um exemplo para a contextualização do Evangelho na contemporaneidade

José Godoi Filho
José Godoi Filho
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20 de outubro de 2024 • 6 min. de leitura

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Assim como aconteceu nos dias da igreja cristã, no final do 1º século, nos dias do apóstolo João, com seus múltiplos desafios, urge que contextualizemos a mensagem do Evangelho de Jesus na contemporaneidade, não apenas para contrapor-se às ideologias contrárias à fé cristã, mas para que as pessoas compreendam a missão de Jesus, e sejam salvas por ele.

Contextualizar a mensagem do Evangelho não é alterá-la em seu conteúdo, mas sim torná-la compreensível às pessoas dentro de um determinadpeo tempo e cultura. Ronaldo e Rossana Lidório, num brilhante artigo, Teologia Bíblia da Contextualização, citando Hesselgrave, disse o seguinte sobre o desafio da igreja na contextualização da mensagem evangélica na contemporaneidade:

Quando Hesselgrave afirma que contextualizar é tentar comunicar a mensagem, trabalho, Palavra e desejo de Deus de forma fiel à Sua Revelação e de maneira significante e aplicável nos distintos contextos, seja culturais ou existenciais, ele expõe um desafio à Igreja de Cristo: comunicar o Evangelho de forma teologicamente fiel e ao mesmo tempo humanamente inteligível e relevante. E este talvez seja o maior desafio de estudo e compreensão quando tratamos da teologia da contextualização. Historicamente, a ausência de uma teologia bíblica de contextualização tem gerado duas consequências desastrosas no movimento missionário mundial: o sincretismo religioso e o nominalismo evangélico.

O prólogo do Evangelho de João, cap. 1, dos versos 1 a 18, nos fornece um exemplo de como podemos contextualizar a mensagem do Evangelho para os nossos dias, e ainda sim conservarmos a verdade bíblica.

O apóstolo João, à semelhança do apóstolo Paulo, em Atenas (At 17.16-34), ao veicular a mensagem do Evangelho, partiu da revelação natural, levando o seu público à revelação especial de Deus em Cristo. Para isso, João utilizou-se de um conceito filosófico, muito conhecido nos seus dias e na sua região, o conceito do Lógos.

Essa estratégia de João não apenas era necessária, mas totalmente explicável. Ele estava em território gentio. Mais especificamente, grego. Éfeso e arredores incluindo a própria Grécia, era o reduto do pensamento grego.

No começo, a pregação se voltava para os judeus, e usava a história do seu povo, e elementos judaicos da revelação divina, para alcançar os conterrâneos não convertidos ao Cristianismo. E agora, quando a igreja está cheia de gentios, de pessoas dadas ao pensamento grego? Como comunicar o Evangelho a esse grupo? Nunca tinham ouvido falar do Messias.

Os gregos foram os primeiros a especular sobre a origem das coisas, partindo da filosofia, e também de um começo científico rudimentar. O Lógos, conceito que versava sobre esse tema, já era conhecido desde os tempos de Heráclito (535 – 475 a.C.) que foi primeiro a formular o conceito. Para este, o Lógos era o princípio criador de todas as coisas, as quais não têm início prévio (άρχή). Para ele, o lógos era algo que está fora (transcendente). Diferente daqueles que diziam que a criação fora oriunda de material já existente.

Para os estoicos, por outro lado, o Lógos era como algo dentro na natureza, ou seja, imanente. As coisas criadas são “semente de Deus”. Ainda, para Philo de Alexandria, um filósofo judeu-helenista do Egito, o Lógos era o mediador entre o criador invisível e a sua criação.

Quis Deus que João fosse o articulador entre aquela revelação natural e a revelação especial de Deus na pessoa de Jesus. Assim, o apóstolo, no prólogo do seu Evangelho, por meio de um possível hino da igreja cristã circulante no 1º século , vai dizer, com todas as letras, que esse Lógos, que os filósofos especulavam como o princípio de todas as coisas, é Jesus.

Ao apresentar Jesus dessa maneira, para o seu público gentio, o apóstolo João, em primeiro lugar, nomina o que era até então inominável. Especulava-se, desde os tempos de Heráclito, sobre o início de todas as coisas, reduzindo a criação de Deus a um princípio filosófico. Porém, João dá um nome a esse princípio. Esse princípio é uma pessoa. É Jesus. Ou seja, ele traz luz à essa verdade sobre qual se especulava, conectando-a à revelação especial de Deus na pessoa de Jesus.

Em segundo lugar, João deixa patente que aquilo que era transcendente tornou-se imanente. Para Heráclito, o Lógos era transcendente. João faz uma ligação entre a transcendência e a imanência do Lógos. O Lógos é Deus que desceu dos céus até nós.

William Barclay, em seu comentário do Evangelho de João, diz, em outras palavras, o que João estaria comunicando aos gregos no seu prólogo:

Por séculos vocês vêm pensando e escrevendo e sonhando acerca do Logos, o poder que fez o mundo, o poder que mantem a ordem do mundo, o poder pelo qual os homens pensam e raciocinam e conhecem, o poder pelo qual os homens entram em contato com Deus. Jesus é este Logos que vem à terra. A Palavra, disse Joao, ‘se tornou carne’. Poderíamos colocar isso de uma outra maneira – A Mente de Deus se tornou pessoa.

Em terceiro lugar, João torna aquilo que era abominável para os pré-gnósticos dos seus dias o meio sábio pelo qual Deus empreende o seu projeto de salvar o homem: por meio da encarnação de Jesus.

Para os gnósticos, era inconcebível que Deus pudesse se fazer carne, visto que a matéria é essencialmente má, enquanto que só o espírito é bom. João lida também com essa heresia nas suas epístolas (1 João 4.2,3; 2 João 8), sendo que uma das ramificações do gnosticismo, o Docetismo, dizia que Jesus não tinha corpo. Ele era apenas uma aparência. Ou seja, negavam que Jesus veio em carne.

Ainda, em relação ao Prólogo de João, ele não apenas usou um conceito filosófico para falar à mentalidade e cultura gregas, mas preservou as grandes doutrinas da revelação de Deus e do Evangelho. As grandes verdades da cristologia foram preservadas: a eternidade de Jesus, sua relação especial com o Pai, sua divindade, seu poder criador tanto quanto ao do seu Pai, a importância da fé em Jesus, por meio da qual nos tornamos filhos de Deus, e a encarnação do Filho de Deus.

Hoje, dentre aquelas pessoas que não conhecem a revelação especial de Deus, é comum também ouvirmos suposições e especulações sobre a origem das coisas - sobre se há ou não uma mente racional, ordenadora, por trás de toda ordem da natureza. Às vezes, ouve-se comentários tais como: - “Deve haver alguma força por trás de toda essa ordem”.

Nesse caso, e em dizeres similares, nós, cristãos, à semelhança do que fez o apóstolo João, podemos partir daí, e dizer que essa ordem por trás de todas as coisas é Jesus, que se encarnou, e veio salvar a todos quantos crerem nele como o único meio pelo qual Deus escolheu, e revelou-se historicamente, para salvar a humanidade.

Psicólogo, teólogo e escritor. Pós-graduação em Psicologia Clínica pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Novo Testamento e Grego pelo Spurgeon’s College – Londres/Inglaterra, em Psicodrama Terapêutica - Associação Paranaense de Psicodrama. FEP. E em Aconselhamento Pastoral, pelo Wheaton College – Wheaton/EUA. Graduado em Psicologia e Teologia e professor da FATEBE.

José Godoi Filho
José Godoi Filho
Psicólogo, teólogo e escritor. Pós-graduação em Psicologia Clínica pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Novo Testamento e Grego pelo Spurgeon’s College – Londres/Inglaterra, em Psicodrama Terapêutica - Associação Paranaense de Psicodrama. FEP. E em Aconselhamento Pastoral, pelo Wheaton College – Wheaton/EUA. Graduado em Psicologia e Teologia e professor da FATEBE.
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22 de setembro de 2021 • 4 min. de leitura

Conflito entre irmãos

“Bem-aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus” Mateus 5.9 Por mais controverso que possa ser, não é raro observarmos nos dias atuais cristãos declarando ódio publicamente pelos mais variados motivos em que se possa expressar uma opinião. A divergência que antes era motivo de reflexão com busca pela verdade, hoje costuma ser recebida à base de pedradas. Todos querem ter razão e pior, custe o que custar ou custe a quem custar. Diversos relacionamentos são destruídos por divergências de opinião em questões tão pequenas que com o tempo o próprio motivo de se odiar acaba sumindo e dando lugar apenas ao sentimento, não se lembra com exatidão o motivo da briga, mas se lembra da aversão que ela gerou. Por toda a bíblia desde o Antigo Testamento, temos exemplos práticos do ministério da pacificação e reconciliação. O apóstolo Paulo trabalha mais de uma vez a solução de conflitos entre irmãos de fé e percebendo sua estratégia percebe-se que seu ponto de partida costuma ser o motivo principal do conflito que normalmente está oculto, o orgulho humano. Causa estranheza pensar em orgulho cristão quando o símbolo do cristianismo é o próprio Deus encarnado que se permite humilhar e crucificar por algo que não fez. No Antigo Testamento também vemos que apesar de sua soberania e santidade, Deus perdoa as injustas ofensas de Israel e repetidas vezes promove a sua reconciliação sem ser ele o causador do conflito. A questão que paira então é: se nem o próprio Deus toma para si o direito de executar as injustas ofensas do homem, antes escolhe agir com misericórdia e reconciliar com seus ofensores, como poderia um pecador se sentir no direito de executar direitos sobre seu irmão? Ainda sobre a forma como o apóstolo Paulo lida com conflitos, percebemos que sua primeira estratégia para combater o orgulho é situar os conflitantes de quem eles são, filhos de Deus e portanto irmãos em Cristo, logo após ele busca refletir sobre a importância de que sendo filhos de Deus, irmãos em Cristo, busquem agir como o próprio Cristo agiria, sempre para a glorificação do pai e nunca da carne, por fim adverte que pecar contra seu irmão também é pecar contra o próprio Cristo e que o mais forte em entendimento deverá suportar aquele que é mais fraco. O tempo de vida e experiência ministerial proporcionaram a Paulo estratégias valiosas para gestão de conflitos. Na epístola escrita a Filemon, com grande maestria mesmo à distância, de dentro de seu cativeiro, Paulo intercede por Onésimo junto a Filemon, que era seu credor. Ele inicia a carta falando de seu martírio, e se chama de “prisioneiro de Jesus Cristo” indicando que servir a Deus corretamente também pode produzir sofrimento. Na sequência inicia uma lista de elogios a Filemon, dizendo que sabia de sua fé e amor pelo Senhor e pelos seus irmãos de fé e essa lista segue justamente com qualidades que o próprio Paulo parecia considerar necessárias para o cumprimento daquilo que ele pediria logo na sequência, não apenas o perdão da dívida de Onésimo que havia deixado Filemon na qualidade de escravo e devedor, mas que agora deveria ser recebido como irmão amado. Caso Filemon decidisse por recusar o pedido de Paulo, estaria então agindo exatamente em oposição aos elogios que acabara de receber e, portanto, faria de Paulo um mentiroso. Mesmo sendo uma excelente estratégia, Paulo ainda apela dizendo que está enviando à Filemon o seu próprio coração, representado na figura de Onésimo e que esperava que ele fosse tratado da mesma forma com que Filemon trataria a Paulo. Sempre que estivermos diante de um conflito, devemos lembrar desses e tantos outros exemplos bíblicos de abnegação e humildade, não nos envolvendo em disputas fúteis e se possível, pacificando os conflitos presenciados. A atitude daqueles que colocam sua justiça em Deus evitando a contenda desnecessária, é um poderoso testemunho do evangelho da paz.

Bruno Hilgenberg Martins
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24 de agosto de 2020 • 5 min. de leitura

Isolado, mas não angustiado!

O tema deste texto é “Teologia para tempos de Crise”. “Teologia”, uma palavra sobre Deus, ou de Deus, sobre a crise. Pensando em “crise” pensamos nas inumeráveis crises que podem atingir uma pessoa devido às contingências da vida e, de modo particular, pensamos na crise de saúde, crise econômica, social, emocional, que a todos nós atinge atualmente. É uma situação que, por forças das circunstâncias, traz consigo outras preocupações e ansiedades: o medo do contágio, a crise financeira, resultado do afastamento do trabalho, e, em alguns casos, até mesmo de demissões, preocupações com o futuro das firmas e empresas. O fato é que nós não podemos mudar as circunstâncias. Mas há uma coisa que podemos mudar: nós mesmos. Podemos mudar nossas atitudes, nossas reações, nossa maneira de encarar, de enfrentar esta contingência da vida. Todos nós podemos aprender com um homem que enfrentou também a crise, o isolamento, mas de uma forma brutal, compulsória, forçada, violenta – o apóstolo Paulo. Podemos perguntar como ele enfrentou as crises em sua vida, o isolamento imposto a ele pela prisão? Como ele reagiu, o que falou, como ele encarou esta situação? Especialmente na carta que Paulo escreveu à Igreja de Filipos temos alguns princípios valiosos que devemos conhecer e aplicar. Quero destacar três deles. 1. O segredo está no centro O segredo maior de Paulo para enfrentar as crises da vida é esta: no núcleo de sua vida havia uma realidade que dava sentido, que determinava todas as outras e que não dependia dos altos e baixos da vida: esta realidade era Cristo! Quero usar de uma imagem. Há pessoas que são como pêssegos, outras são como cebolas. O pêssego tem casca, polpa e semente. Tem um núcleo central. A cebola tem camadas, várias camadas. Você procura algo no centro, mas não encontra. Há pessoas que só tem camadas: trabalho, estudo, casa, carro, beleza, esporte, amigos, o clube, diplomas, dinheiro. A vida vai removendo as camadas. Esta pandemia removeu várias camadas da vida de muitas pessoas e o que há no centro? O que dá valor à vida mesmo que todas as camadas sejam removidas? Paulo tinha algo que era central. Algo que dava valor à sua vida. Uma realidade que determinava o sentido de sua existência. Ele disse: “Para mim o viver é Cristo” (Fil 1.21). 2. “Floresça onde você está plantado”. Esta frase é o título de um livreto do famoso e já falecido pastor Robert Schuller. Neste livreto ele afirma que muitas pessoas acham que só poderão ser vencedoras, ter uma vida feliz, ser pessoas realizadas, “florescerem”, se estiverem “plantadas” em outro lugar, se tiverem um outro emprego, se estudarem em outra escola, se mudarem para outra cidade ou país e, pior, muitas vezes, se tiverem um outro marido, uma outra esposa. Mas Schuller afirma: Você pode florescer, viver, ser realizado, encontrar a felicidade onde você está agora. Se há alguma coisa que precisa mudar: é você – por dentro. Voltando para o apóstolo Paulo, ele estava “plantado” num chão inóspito e desagradável – uma prisão romana. Ele poderia ter dito: “Vou poder voltar a ser útil, a servir, a ser realizado, feliz, quando sair desta prisão miserável”. Mas não! Lá onde ele estava, ele floresceu. Ele falou de Cristo aos guardas, ele escreveu várias cartas que estão entre os escritos mais lidos no mundo até aos nossos dias. Você não está bloqueado, algemado, engessado, congelado pela crise, não! “Floresça onde você está plantado!” 3. “Acabe com as saúvas, antes que elas acabem com você”. No passado havia uma frase muito conhecida: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Esta frase é atribuída ao naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, que esteve no Brasil há um século e meio atrás, estudando a flora brasileira. Usando de uma metáfora, quantas “saúvas” de preocupação, ansiedade, nos assediam nestes dias do vírus se espalhando, do perigo de contaminação, do isolamento social, da crise financeira, pessoal e nacional, do medo de ficar doente, de perder o emprego, de perder a firma. Estas “saúvas” nos atacam principalmente a noite, perturbando o nosso sono. O apóstolo Paulo também tem uma sugestão para nós diante das crises de ansiedade e de medo. Ele disse: “Não vivam preocupados com coisa alguma; em vez disso, orem a Deus pedindo aquilo de que precisam e agradecendo-lhe por tudo que ele já fez. Então vocês experimentarão a paz de Deus, que excede todo entendimento e que guardará seu coração e sua mente em Cristo Jesus.” (Fil 4.6-7, NVT) O conselho de Paulo é este: “Em vez de você carregar dia e noite o peso das preocupações nos seus ombros e no seu coração, entregue nas mãos de Deus e deixe nas mãos dele.” Alguém disse que tinha uma caixinha chamada “CDC” (Coisas para Deus cuidar). Ele colocava na caixinha as suas preocupações e deixava lá. Confiava que Deus iria cuidar daquilo que ele entregou a Deus. Eu sugiro que todos tenhamos uma caixinha “CDC” – “Coisas para Deus cuidar” e coloquemos nela tudo o que nos preocupa e aflige. Portanto, vamos aprender com o apóstolo Paulo. Ele enfrentou a crise, o isolamento, a prisão de forma brutal, mas não apenas teve uma vitória diante destas circunstâncias de sua vida, como deixou tantos princípios preciosos para nós hoje também, que poderão nos ajudar a termos, também, uma atitude de vitória.

Fred R. Bornschein
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12 de junho de 2020 • 3 min. de leitura

O que Deus me ensinou e o que ainda estou aprendendo

Ainda quando criança, aprendi que amar o próximo e servir meus irmãos não é algo facultativo, mas uma obrigação muito honrosa, pois no reino de Deus a promoção é para baixo. Um pouco mais velho aprendi que as coisas que eu pensava que tinha, não eram minhas, mas de Deus, que por sua infinita misericórdia me permitiu administrar e usufruir delas, sabendo que também é minha obrigação usar todas elas em benefício daqueles que não foram favorecidos. Há pouco tempo, também descobri que minha vida aqui não serve apenas para minha própria alegria ou prazer mas que ela tem um propósito maior que a minha própria existência, pois muitas pessoas ainda vivem escravizadas pelo sofrimento e medo e elas também têm o direito de conhecer o Deus maravilhoso que me foi apresentado ainda quando criança. Descobri que para essa nobre tarefa me foi confiada uma lanterna, alimentada pelo evangelho de nosso Senhor, que além de iluminar meus passos também pode iluminar o caminho daqueles que estiverem em trevas, e mais, descobri que ao fazer isso, meu coração se enche com tanta alegria e satisfação que mal posso me conter, a ponto de desejar cada dia mais compartilhar essa luz. Aprendi que às vezes, as pessoas cometem erros terríveis com intenções puras mas que devo sempre lembrar que eu também não consigo fazer o bem que gostaria todas as vezes que tento e que o perdão é libertador. Aprendi que em alguns dias, apesar de fazer sol lá fora e não ter nuvens no céu, meu coração pode enfrentar grandes tempestades e que esses dias costumam ser bem longos, mas aprendi também que em outros dias, não importa o frio que faça lá fora, não importa o quão cinza o céu esteja, meu coração se aquece com o amor de Deus de tal forma, que poderia derreter toda frieza e apatia que me cercar, esses são dias maravilhosos. Com o passar do tempo, tenho aprendido a orar em silêncio, ouvindo mais o que Deus espera de mim, do que dizendo o que eu espero dele, expondo sim, meus anseios e angústias porque sei que ele tem poder para fazer todas as coisas, mas sem me frustrar quando não sou atendido, porque mesmo que as negativas não façam sentido para mim, é Ele quem sabe o que é melhor de acordo com seu plano soberano para minha vida. Tenho aprendido que quando choramos fazemos as nossas melhores orações, pois são as mais sinceras e que nenhuma lágrima é desperdiçada quando derramada na presença de Deus. Descobri que o silêncio de Deus não é sinal de sua apatia, mas na maioria dos casos, a resposta que eu preciso, e que se ambos ficarmos em silêncio por algum tempo, poderemos passar momentos incríveis juntos. Por fim, tenho aprendido que seu amor se manifesta das mais variadas formas, de pássaros cantando na janela a abraços de amigos e que absolutamente nada poderá nos afastar desse amor ou nos arrebatar de suas mãos.

Bruno Hilgenberg Martins
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