Abandono e Esperança
29 de outubro de 2020 • 5 min. de leitura

Ao criar o mundo, conforme o relato bíblico de Gênesis capítulos 1 e 2, primeiramente Deus preparou um jardim como um lugar perfeito para colocar a “coroa” de sua criação, o ser humano. Criou também os animais. Quando tudo estava pronto, Deus fez um convite especial ao Filho e ao Espírito Santo para formarem o homem, descrito como: “disse Deus: façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme nossa semelhança”. Em seguida, Deus formou a mulher. “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; eu lhe farei uma ajudadora que lhe seja adequada”.
Os seres recém-criados eram tão perfeitos que Deus resolveu que eles deveriam ser multiplicados e, assim, conforme Gênesis 04:1 e 2, a mulher deu à luz ao seu primeiro filho. Agora o plano estava completo. Tudo perfeitamente orquestrado e funcionando.
O fator mais importante da criação certamente é que apenas o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, diferentemente dos outros animais. Qual seria então o propósito para tal detalhe? Para que o homem pudesse se relacionar com Deus e com o próximo sendo que toda a humanidade teria a mesma origem.
O sopro de Deus fez o homem e todos os seus descendentes seres viventes e capazes de se relacionar. Deus poderia criar todos os homens adultos (e também os animais), mas preferiu criá-los dependentes uns dos outros. Em especial o ser humano, pois este é o único ser que nasce dependente e permanece assim por um bom tempo, recebendo cuidados para depois então se tornarem independentes, ao contrário dos animais. Na viração do dia, Deus procurava o homem para saber “como estava indo”. Batiam então “aquele papo”. A criatura e o criador em perfeita comunhão.
Fomos feitos então “à imagem e semelhança de Deus” para nos relacionar com Ele e com o próximo. Fomos feitos seres relacionáveis, de certa forma dependentes uns dos outros.
Porém, no meio do caminho veio a “Queda” relatada em Gênesis capítulo 3, quando o homem cedeu à tentação e tomou o seu próprio caminho, independente de Deus. A promessa do inimigo é que ele seria igual a Deus; uma de suas primeiras mentiras contadas ao ser humano.
Embora Deus nunca tenha abandonado o homem, mesmo tendo-o expulsado do Jardim perfeito, preparou um plano de redenção para trazer a criatura de volta ao criador, conforme relato em Gênesis 3:15, este tem se afastado cada vez mais do propósito original que é a comunhão, o relacionamento.
No livro A criação restaurada, Albert Wolters escreveu:
Deus persiste na sua criação original caída e a salva. Ele se recusa a abandonar a obra de suas mãos – de fato, ele sacrifica o próprio Filho para salvar o seu projeto original. A humanidade, que estragou o seu mandato original… recebe outra oportunidade em Cristo; somos restabelecidos como administradores de Deus sobre a terra. (São Paulo; Cultura Cristã, 2006, p. 80).
Essa independência trouxe várias consequências, como podemos comprovar tanto no relato bíblico, como em nossa vida, em nosso cotidiano. Uma dessas consequências certamente é o “abandono”.
Andando pelas ruas das cidades, vendo seres humanos, pessoas, feitas à imagem e semelhança de Deus, com o propósito principal de relacionar com ele e com os seus semelhantes, penso no estrago que a “independência”, o desejo de ser igual a Deus em tudo, provocou. Quantas pessoas abandonaram ou foram abandonadas pelos seus. Ou seja, a tentativa de ser independente não afetou somente a relação do homem com Deus, mas também com o seu semelhante, os animais e a natureza.
Deus em sua infinita bondade e misericórdia trabalha incansavelmente para alcançar suas criaturas e torná-las seus filhos através do sacrifício de Jesus, como prometido em Gênesis 3:15.
Como bem colocado por Randy Alcorn:
“Em Gênesis, o Redentor é prometido; em Apocalipse, o Redentor retorna. Gênesis conta a história do Paraíso perdido; Apocalipse conta a história do Paraíso recuperado. Em Gênesis, o homem e a mulher caem como governantes da terra; em Apocalipse, a humanidade justa governa a nova terra, em lealdade ao Rei Jesus. Satanás e o pecado não irão frustrar o plano de Deus”. (O Romancista Romântico. Deus, vida e imaginação na obra de C.S.Lewis; p. 159).
Não haverá mais “abandono”. As ruas serão ocupadas pelos remidos no sangue do cordeiro. A alegria será completa e a presença do Cordeiro nos fará esquecer toda a lágrima, todo o abandono.
Esperamos com confiança a redenção dos homens e da natureza, como prometido desde o início por aquele que nos fez “conforme sua imagem e semelhança”, para que pudéssemos nos relacionar com ele.
A Bíblia começa com um jardim e termina com um jardim, com o mesmo jardineiro. Isso é maravilhoso.
Referências:
A criação restaurada. Wolters Albert; São Paulo, SP. Cultura Cristã, 2º Edição, 2019.
O Racionalista Romântico. Deus, vida e imaginação na obra de C.S.Lewis. Piper J; Mathis, David organizadores; Brasília, DF. Editora Monergismo, 1ª Edição, 2017.
Bíblia Brasileira de Estudos Almeida Século 21. São Paulo, SP. Editora Hagnos, 1ª Edição, 2016.

1 de janeiro de 2020 • 4 min. de leitura
O que era Perfeito e Agradável tornou-se Repugnante
Há um empreendimento no bairro onde moro que é muito bonito. Fica bem na esquina de uma das ruas principais; e a fachada é toda em vidro, contém dois andares, é um belo imóvel. Encontra-se para locação, faz algum tempo. Há no quintal deste imóvel um cachorro; acredito que esteja ali, como protetor daquele local. Cada dia que passa aquele animal faz suas necessidades naquele espaço, e conforme os dias, semanas e meses vão passando, a sujeira vai tomando conta do “pedaço” e aquele cão mal consegue se movimentar, seu espaço vai se reduzindo a cada dia e ele está ficando praticamente encarcerado no meio daqueles estrumes. A esta altura o imóvel que antes chamava atenção por sua beleza, agora é destacado pela sujeira e pela podridão. Isso nos leva a refletir sobre o pecado, que age da mesma maneira em nossas vidas. Nesta analogia somos o empreendimento, que é bonito, bem visado, com todos os requisitos para ser locado e habitado por um ser maravilhoso, o Espírito Santo. Mas acabamos por deixar o pecado habitar ali, ele vai sujando este local, permitindo que essa sujeira vá se alastrando até um ponto em que ficamos aprisionados. Aquele edifício, que antes recebia visitas, e era admirado por todos que passavam por ali, agora naquele estado, com toda aquela sujeira não recebe mais ninguém. Assim é o pecado, nos separa de Deus, das pessoas que amamos, nos isola, nos afunda a solidão, com um enorme vazio no peito. Temos em nós a falsa impressão de que: a vida é nossa, o corpo é nosso, o espaço é nosso e achamos que temos o direito de colocar quem quisermos para morar em nós, mas, a verdade é que dando lugar ao pecado, acabamos nos tornando refém dele, aprisionados a ele. Outro detalhe, é que, o imóvel mesmo sendo alto e sua beleza podendo ser evidenciada ao olhar para cima, o que chama atenção agora é o que está no chão. Isto remete a nós quando estamos aprisionados no pecado, em nossa sujeira espiritual, por mais que falamos de Deus, o que vem à tona e o que chama atenção não será o Deus que pregamos, e de quem falamos, e que está no alto, mas sim o pecado que cometemos que está ao nosso redor. As pessoas vão olhar para os nossos erros, nossas falhas. O Deus que pregamos deve ser evidenciado primeiramente em nós, nas nossas vidas, e ao ver os frutos dignos de arrependimento em nós, automaticamente vão olhar para cima, para Deus, e glorificar o Seu nome. Outra coisa cruel, é que o próprio edifício não pode por seus meios limpar a sujeira que ali foi colocada, ele está refém das consequências de seus atoś de “liberdade”. Não foi ele, e sim, alguém que colocou o cachorro ali. O cachorro fora colocado ali com intuito de guardar aquele lugar. Mas quem o colocou ali não deu a assistência devida, os cuidados adequados. É necessário que alguém entre ali, limpe a bagunça, limpe o terreno, e deixe o imóvel atrativo novamente. Nós que estávamos espiritualmente mortos em nossos pecados, aprisionados e sem condições nenhuma de voltar a vida por nossos próprios meios, fomos resgatados por aquele que nos ama desde a fundaçăo do mundo. Ele entrou em nossas vidas, limpou nossas sujeiras, sarou o nosso coração corrompido e passou a habitar em nós, nos fez uma nova criatura e a beleza que ele tinha projetado em nós quando nos criou, passou a ser vista novamente. Aquilo que estava sujo, nojento, indesejável, agora tem aparência, é desejado, chama atenção, e novamente estamos prontos para relacionarmos com aqueles que não se aproximavam mais de nós, sabe por quê? Porque somos novas criaturas transformadas e restauradas por Deus, o pecado já näo habita mais em nós, já temos comunhão com Ele e com nosso próximo. E agora é o Espírito Santo que habita em nós. “Não por causa de alguma atitude justa que pudéssemos ter praticado, mas devido à sua bondade, ele nos salvou por meio do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” (Tito 3:5) Ao iniciar um novo ano, que possamos nos aproximar mais Dele, nos reconciliar com Ele, deixando para trás, tudo o que nos separa do seu amor, vivendo para Ele e por meio Dele, mediante a sua infinita graça.

18 de maio de 2022 • 4 min. de leitura
O dilema de amar a si mesmo!
“Você ama a si mesmo?” Pois bem, excepcionalmente nas reuniões e redes sociais daqueles que são vítimas da carência, do narcisismo, ou de um relacionamento abusivo, esta pergunta sempre vem acompanhada da afirmação: “Não se submeta a……..tenha AMOR PRÓPRIO”! Ame a si mesmo! Assim, o conceito de amor próprio pode parecer idealista e romântico demais para aqueles que não percebem o perigo nestas palavras, haja vista que, como disse C.S. Lewis, todo amor que se torna um “deus”, da mesma forma, torna-se um demônio; e o amor próprio não escapa desta premissa! A inconsistência desta afirmação (não se submeta a….tenha amor próprio) se revela diante do Cristo do Evangelho, que mesmo podendo evitar, submeteu-se a torturas, humilhações, abandonos e até mesmo cuspidas em sua face. Ora, pergunto-lhe, Jesus amava a si mesmo? Qualquer um que tenha sanidade mental responderia: É óbvio! Contudo, como sustentar o castelo de “princesinhas e principezinhos” que em nome de seu “amor próprio” vivem afirmando: “Eu não aceito qualquer coisa”? É assustador perceber como Lewis estava certo ao afirmar que todo amor pode tornar-se demônio; diante de nossa realidade, onde, em nome de amor próprio criam-se guerras de todos os tipos, feridas de todos os tipos, desavenças, divisões, e já não sabem mais diferenciar o que seria amor próprio de idolatria do próprio “Eu” ou do próprio EGO! Em nome de “amar” a si mesmo, o AMOR desaparece! Em nome de “amar” a si mesmo, o AMOR é sepultado, dando lugar à ira, e trazendo vida aos irmãos siameses, a saber: Egoísmo e Individualismo! Distantes demais do AMOR de Jesus, eles “amam a si mesmos”! E, por amarem a si mesmos, vão jogando na lata do lixo à beira da estrada tudo o que seu amor próprio é incapaz de suportar, perdoar, abraçar ou compreender! Constatando o pequeno limiar entre amor próprio e idolatria do Ego, em nosso tempo, é preciso reacender nos corações o verdadeiro significado de “Amar a si mesmo”, para que este amor não continue tornando-se ‘demônio’ no coração de muitos! Enquanto o amor segundo Jesus, afirma: “O amor tudo suporta”, o grito dos EGOCÊNTRicos (Ego no centro), diz: “Você não é obrigado a suportar, se dê valor”! Enquanto o amor segundo Jesus afirma nos corações: “O amor tudo sofre”, os EGOCÊNTRicos gritam aos telhados: “Você merece mais!” De cara, diante do Evangelho, desaparecem os dois maiores pressupostos dos que dizem se amar, e são elas: 1 – Você é especial, 2 – Você merece; posto que, o Evangelho nos diz: “Você é mau, você não merece nada”! E é diante desta convicção que nasce o que realmente é amor próprio: A convicção de que Deus nos ama, apesar do que somos e em detrimento do que tentamos ser! Pois bem, percebe Cristo afirmou: “Ame o próximo como EU lhe amei!” O mandamento precede uma realidade: Você é amado! E a partir desta realidade, nasce o mandato de Cristo: “Ame, assim como você, por mim, é amado”! Toda relação de amor genuíno nasce da convicção de que sou verdadeiramente amado, e amado por aquele que jamais deixará de me amar com o amor eterno, perfeito, imutável, indescritível, imensurável! A escritura nos afirma: “Ele nos amou primeiro”. A convicção de que sou amado precede a toda entrega de amor! Primeiro sei que sou amado, depois amo! Carência, narcisismo, ansiedade, egoísmo, individualismo, orgulho, são incapazes de resistir ao evangelho que ininterruptamente grita: “Vocês são maus e não há nada em vós mesmos que lhe façam merecer alguma coisa, contudo, EU lhes amo, com tudo o que sou!” A paz que brota deste amor próprio, é a paz que se submete, que se entrega, que compreende, que perdoa, que tudo sofre, que tudo suporta, mas que, não é tola, tudo discerne e não se permite estar numa relação, seja de qual natureza for, onde o amor genuíno não tem liberdade e paz para reinar; paz que também sabe o momento e as ocasiões apropriadas de se afastar, não por narcisismo e seus camaradas, muito menos por dizer que “mereço mais”, mas um afastamento por amor! Amor que traz a convicção de que tal relação (conjugal, profissional, social) se inviabilizou por estar, de modo deliberado, levando o verdadeiro amor a morrer! Assim, é impossível criar padrões para vos definir o que fazer, quando fazer, e como fazer, mas a direção sempre estará lá, na consciência daqueles que tem a convicção de que Deus lhes ama, e que, por essa convicção, amam profundamente seu próximo! O Senhor estará lá…! Assim, abandone agora, toda raiz de “amor próprio” apodrecido, que lhe ensinaram, e entregue-se ao Deus do Evangelho que, por ser puramente AMOR, lhe ensinará amar, tanto a si mesmo como aos outros!

25 de novembro de 2020 • 6 min. de leitura
Jesus e as Mulheres
Jesus disse que quando fosse levantado da terra a todos iria atrair a si (Jo. 12.32). Jesus falou isto referindo-se à sua cruz. Mas muito antes, muito antes da cruz, Jesus atraía as pessoas. O poder de atração de Jesus era enorme. Chama a nossa atenção, salta à vista, se destaca enormemente, o poder de atração que Jesus exercia sobre as mulheres. Ele as atraía como o mel atrai as abelhas, como a flor os colibris. As mulheres ficavam cativadas por Jesus como os planetas que giram na órbita do sol. E não era pelo fato de ser bonito. A única descrição física que temos de Jesus é na palavra profética de Isaías: “Olhamos para ele e não tinha nenhuma beleza que nos agradasse”. Por que Jesus exercia esta atração sobre as mulheres? Certamente uma das razões, senão a mais importante, é que as mulheres se sentiam amadas, acolhidas, compreendidas e valorizadas por Jesus. Na sociedade judaica da época as mulheres tinham pouco valor. Elas estavam limitadas, bloqueadas. Eram desvalorizadas. A teóloga católica Maria Bingemer diz que “a mulher, no judaísmo do tempo de Jesus, era considerada social e religiosamente inferior”. Citando Leonardo Boff ela explica que isto se devia, “Primeiro, por não ser circuncidada e, por conseguinte, não pertencer propriamente à Aliança com Deus; depois pelos rigorosos preceitos de purificação aos quais estava obrigada por causa da sua condição biológica de mulher; e, finalmente, porque personificava a Eva com toda a carga pejorativa que se lhe agregava”. Mas não era assim apenas no judaísmo. Esta desvalorização da mulher tinha um caráter quase universal. Stanley Jones, o grande missionário metodista que trabalhou na Índia e que conhecia profundamente o hinduísmo e o budismo, explica que, “tanto no budismo como no hinduísmo a mulher, como tal, não poderia se salvar, precisaria reencarnar como homem para obter esta graça”. Mas nada disso percebemos em Jesus. Quando Jesus na sinagoga em Nazaré, usando o texto do profeta Isaías, apresentou seu programa messiânico (Lc. 4.17-21) e afirmou: “Hoje se cumpriu a Escritura”. “O ano aceitável do Senhor”, o ano do jubileu, o ano da graça, o ano da remissão, havia chegado. Os pobres ouviriam as boas-novas. Os oprimidos seriam libertados. Os quebrantados seriam curados. Os oprimidos, entre eles as mulheres oprimidas e encurvadas debaixo do peso de séculos de discriminação e marginalização, seriam restaurados. Há um evento relatado em Lucas 13.1-13. Jesus estava ensinando num sábado numa sinagoga e entra uma mulher encurvada. Há 18 anos ela vivia presa a este mal e, encurvada, vivia com o seu rosto voltado para o chão. Jesus a chamou e disse: “Mulher, você está livre da sua enfermidade”. Ela se endireitou. Podia agora erguer a cabeça, podia olhar ao redor, podia ver o rosto das pessoas. Ela começou a louvar a Deus pela sua libertação. Com o devido cuidado podemos fazer aqui uma alegoria. Esta mulher encurvada é um símbolo de todas as mulheres encurvadas, com o olhar voltado para o chão, sentindo-se humilhadas, desvalorizadas. Mulheres no mundo, na sociedade, nas sinagogas, nas religiões e, infelizmente, às vezes, até dentro das igrejas. Mulheres que experimentando o amor e o poder libertador de Jesus, agora erguem o rosto e ocupam o seu lugar de direito no mundo, na sociedade e na igreja. Jesus resgatou a dignidade e o valor da mulher. No reino de Deus, a mulher vive a realidade do jubileu. Jesus, em relação às mulheres, explodiu os paradigmas de sua época. No judaísmo ortodoxo, até hoje, as mulheres são proibidas de estudar a lei. Mas Jesus não tinha estes preconceitos. Ele ensinou teologia não só a Maria, sua amiga assentada a seus pés, mas, à beira da estrada, ensinou sobre a realidade de Deus, da fé e da vida, a uma mulher e, mais do que uma mulher, uma mulher samaritana, e, mais do que isto, era uma mulher com uma vida moral duvidosa. Foi a ela, apenas a ela, que Jesus declarou com todas as letras: “Eu sou o Messias!” As mulheres tinham o seu lugar entre os discípulos que acompanhavam a Jesus. Muitas mulheres o serviam com os seus bens. A importância das mulheres no ministério de Jesus vemos em dois momentos. A primeira vez foi nas Bodas de Caná. Naquele casamento surgiu uma situação constrangedora que podia envergonhar o noivo e estragar a alegria da festa. Maria informa a Jesus sobre a situação e diz aos serventes que façam tudo o que Jesus disser. Jesus mandou encher os vasos de água e transformou a água em vinho. Maria foi o “botão de arranque” para Jesus iniciar o seu ministério. No outro extremo temporal do ministério de Jesus temos o exemplo de Maria Madalena. Jesus ressuscitado se revelou a ela após a sua ressurreição. Jesus a mandou dizer aos discípulos que havia ressuscitado. Foi a primeira pessoa a anunciar que Jesus estava vivo, que havia ressuscitado. Ela foi usada para transmitir a mais gloriosa mensagem que já ecoou na face da terra: “Jesus ressuscitou! Jesus vive!” O ponto alto do resgate do valor, da dignidade da mulher e da igualdade da mulher em relação aos homens, nós temos no evento que é a culminação do ministério salvador de Jesus, o Pentecostes. Lucas nos conta que naquele dia os discípulos estavam reunidos no cenáculo e “perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Quando Jesus enviou o seu Espírito, as mulheres o receberam como os demais, e manifestaram os dons espirituais como todos os outros. O que foi evidenciado no evento do Pentecoste o apóstolo Paulo declarou teologicamente no texto de Gal 3.26-28. Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos vocês que foram batizados em Cristo, de Cristo se revestiram. Assim sendo” diz Paulo, “não há mais distinção entre judeus e gregos (distinções raciais), escravos e libertos (distinções sociais), homens e mulheres (distinções de gênero). Todos vocês são um em Cristo Jesus. O que foi demonstrado por Jesus em sua vida e ministério, o que foi patenteado no Pentecoste, o que foi afirmado pelo apóstolo Paulo, a igualdade entre o homem e a mulher, faz parte da realidade do reino de Deus, e é essência do jubileu definitivo. O tempo de Jesus e o tempo de Paulo foi a época dos inícios. Foram os primeiros raios do dia do jubileu que despontava no horizonte deste mundo. Mas agora o fermento já teve tempo de levedar a massa, a semente já teve tempo de se tornar árvore. Agora é hora da igreja realizar e praticar plenamente o fato de que “em Cristo não há homem nem mulher, mas todos são um”. REFERÊNCIAS: BINGEMER, Maria Clara. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 46. BOFF, Leonardo. O rosto materno de Deus. Petrópolis: Vozes, 1979, pgs 77-78 apud BINGEMER, Maria Clara. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 46. JONES, E. Stanley. O Cristo de todos os caminhos. 2ed. São Paulo: Imprensa Metodista, 1968, pg. 111.
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