logo

Desde a vista do meu ponto: humanidade e espiritualidade

Benides Bergamo
 - 

17 de setembro de 2025 • 3 min. de leitura

post

Ultimamente tenho refletido sobre minha humanidade e minha espiritualidade. Sobre o fato de sermos, ao mesmo tempo, seres humanos e espirituais, e como essas dimensões se complementam. Entendo que nossa humanidade recebe os benefícios da espiritualidade, pois, segundo a Bíblia, quando recebemos a Jesus passamos a ser chamados de espirituais. Isso traz consequências positivas ao nosso ser e afeta diretamente a maneira como vivemos nossa humanidade. Essa conexão é profunda, e uma mente que pensa apenas de forma racional não consegue compreender a dimensão do que o espírito pode alcançar. Para entender o Reino de Deus, é necessário pensar espiritualmente. A espiritualidade enriquece nossa humanidade porque nos conecta ao transcendente que, nesse caso, não pode ser outro senão Deus. É nessa conexão que a humanidade encontra propósito, razão de viver e sentido para a existência. Isso nos move a sermos éticos, respeitosos, generosos, pacientes, compreensivos e a manifestar os frutos do Espírito Santo mencionados por Paulo em Gálatas 5.22-23. E, com reverência ao texto, ousaria acrescentar ao final do verso 23 a frase: “Contra essas coisas não há humanidade.” No entanto, nossas dúvidas e incertezas brotam quase todos os dias justamente da nossa humanidade. Aqui falo como um ser comum: que ri, chora, às vezes amaldiçoa, mas também abençoa; que se prende a coisas banais, que trava batalhas internas e até discussões silenciosas com outros; que tem dúvidas, sente que a fé e Deus parecem distantes e que as orações não são ouvidas; que pensa não estar na agenda de Deus ou, se está, é apenas depois de outros que parecem ter mais prioridade. Nesse momento, só posso dizer em primeira pessoa: “Sou assim, sou de carne e osso. Sou humano.” E junto dessa humanidade atuam também as forças das trevas. Embora já derrotadas, elas são perseverantes e insistentes, atacando justamente onde somos mais frágeis. Paulo, em 2 Coríntios 1:8-9, relata uma tribulação tão intensa que chegou a desesperar-se da própria vida. Ali, a humanidade, em linguagem hiperbólica, “gritou”, e a espiritualidade respondeu calmamente por meio do Apóstolo. É como se uma falasse com a outra dentro da mesma pessoa.

Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida. De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Ele nos livrou e continuará nos livrando de tal perigo de morte. Nele temos colocado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos, 2 Coríntios 1:8-10 Por isso, precisamos diariamente reafirmar diante da nossa humanidade que nossas armas são poderosas em Deus e capazes de destruir sofismas e resistências do mal. Somos seres espirituais, o Espírito Santo habita em nós, temos todos os benefícios da morte e ressurreição de Cristo e, portanto, devemos viver como tais. Sem esquecer nossa humanidade, mas recordando-a constantemente da nossa espiritualidade em Cristo, que já nos concedeu abundantemente os recursos para uma vida plena no Espírito. Sejamos felizes no Senhor, pois somos mais que vencedores.

Benides Bergamo
Graduado em teologia e Jornalismo. Missionário e diretor da Missão Betânia no Paraguai por mais de 30 anos
placeholder

12 de junho de 2020 • 3 min. de leitura

O que Deus me ensinou e o que ainda estou aprendendo

Ainda quando criança, aprendi que amar o próximo e servir meus irmãos não é algo facultativo, mas uma obrigação muito honrosa, pois no reino de Deus a promoção é para baixo. Um pouco mais velho aprendi que as coisas que eu pensava que tinha, não eram minhas, mas de Deus, que por sua infinita misericórdia me permitiu administrar e usufruir delas, sabendo que também é minha obrigação usar todas elas em benefício daqueles que não foram favorecidos. Há pouco tempo, também descobri que minha vida aqui não serve apenas para minha própria alegria ou prazer mas que ela tem um propósito maior que a minha própria existência, pois muitas pessoas ainda vivem escravizadas pelo sofrimento e medo e elas também têm o direito de conhecer o Deus maravilhoso que me foi apresentado ainda quando criança. Descobri que para essa nobre tarefa me foi confiada uma lanterna, alimentada pelo evangelho de nosso Senhor, que além de iluminar meus passos também pode iluminar o caminho daqueles que estiverem em trevas, e mais, descobri que ao fazer isso, meu coração se enche com tanta alegria e satisfação que mal posso me conter, a ponto de desejar cada dia mais compartilhar essa luz. Aprendi que às vezes, as pessoas cometem erros terríveis com intenções puras mas que devo sempre lembrar que eu também não consigo fazer o bem que gostaria todas as vezes que tento e que o perdão é libertador. Aprendi que em alguns dias, apesar de fazer sol lá fora e não ter nuvens no céu, meu coração pode enfrentar grandes tempestades e que esses dias costumam ser bem longos, mas aprendi também que em outros dias, não importa o frio que faça lá fora, não importa o quão cinza o céu esteja, meu coração se aquece com o amor de Deus de tal forma, que poderia derreter toda frieza e apatia que me cercar, esses são dias maravilhosos. Com o passar do tempo, tenho aprendido a orar em silêncio, ouvindo mais o que Deus espera de mim, do que dizendo o que eu espero dele, expondo sim, meus anseios e angústias porque sei que ele tem poder para fazer todas as coisas, mas sem me frustrar quando não sou atendido, porque mesmo que as negativas não façam sentido para mim, é Ele quem sabe o que é melhor de acordo com seu plano soberano para minha vida. Tenho aprendido que quando choramos fazemos as nossas melhores orações, pois são as mais sinceras e que nenhuma lágrima é desperdiçada quando derramada na presença de Deus. Descobri que o silêncio de Deus não é sinal de sua apatia, mas na maioria dos casos, a resposta que eu preciso, e que se ambos ficarmos em silêncio por algum tempo, poderemos passar momentos incríveis juntos. Por fim, tenho aprendido que seu amor se manifesta das mais variadas formas, de pássaros cantando na janela a abraços de amigos e que absolutamente nada poderá nos afastar desse amor ou nos arrebatar de suas mãos.

Bruno Hilgenberg Martins
placeholder

13 de novembro de 2019 • 5 min. de leitura

Comunidade Tradicional e Comunidade Virtual

A construção da identidade de um ser humano é um dos fatores centrais na sua própria existência. O seu posicionamento social acaba plasmado pela sua capacidade de identificar-se enquanto um ser frente aos seus semelhantes. Neste aspecto a instituição é fator essencial para propiciar elementos que estabelecem o aspecto identitário. Em primeiro plano é essencial compreender que identidade é diferente de papel. Os papeis desempenhados pela pessoa “são definidos por normas estruturadas pelas instituições e organizações da sociedade”(CASTELLS, 1999, p. 23). São elementos que permeiam a vida do ser humano, muitas vezes usado para tentar definir o mesmo embora sejam apenas manifestações desta pessoa no seu aspecto funcional. “Identidades, por sua vez, constituem fontes de significado para os próprios atores, por eles originadas e construídas por meio de um processo de individuação” (CASTELLS, 1999, p. 23) Nesta construção, a instituição assume papel importante, auxiliando na introjeção dos elementos constitutivos da identidade mediante a construção do imaginário e elementos valorativos do indivíduo. Castells indica a existência de três tipos de identidade. A primeira é a legitimadora que, mediante a ação das instituições, acaba por tornar natural a opressão e os elementos predatórios existentes no tecido social. A segunda, dentro da lógica da sobrevivência, acaba sendo desenvolvida sempre que se sente ameaçado. Nesta segunda identidade incluem-se tanto os grupos e etnias que sofrem perseguição como os grupamentos religiosos que buscam no fundamentalismo a sobrevivência frente a uma comunidade em constante mutação. A última identidade é a de projeto. Esta terceira identidade se aproxima muito daquilo que Jesus Cristo pregou ao indicar uma nova mensagem por meio do evangelho. É uma identidade que compreende a necessidade de transformação do tecido social mediante uma ressignificação da própria sociedade e da implementação de valores transformadores. Desta forma a identidade do indivíduo se estrutura nesta tríplice possibilidade. É importante notar, contudo, que não se trata de elementos estanques. Uma mesma pessoa que se coloca numa identidade de resistência, pode acabar contraindo elementos que o levem a uma identidade de projeto ou mesmo legitimadora. É neste ponto que entra a importância das comunidades. Inicialmente é possível, a grosso modo, dividi-las entre tradicionais e virtuais (CASTELLS, 1999c,b). As tradicionais são aquelas que existem de forma física, muitas vezes já durando milênios. Normalmente são formais pois estão estruturadas em um tempo e local estabelecidos. As regras, símbolos e ritos marcam a sua existência. Normalmente as pessoas possuem uma relação direta com a comunidade o que permite desenvolver relacionamentos profundos que derivam num senso de pertencimento. Muitas lideranças são estabelecidas por carisma. Suas principais limitações são a atitude normalmente refratária a mudanças e o risco de se tornar uma trincheira no qual os indivíduos se sentem os últimos guardiões da verdade. Quando pensamos em comunidades virtuais o que se traz à tona é um ambiente virtual, o espaço da internet. Um espaço em que sua identidade torna-se múltipla e pode até mesmo ser trocada e disfarçada. É neste espaço que se organizam as comunidades virtuais (CASTELLS, 1999a). Caracteriza-se por possuir pouca ou nenhuma formalidade e uma tendência constante de mutação. O líder deixa de ser carismático para se tornar um influencer. Os relacionamentos são superficiais, ou nas palavras de Bauman (2004), líquidos. Desta forma existe pouca, ou nenhuma, preocupação real com as pessoas. Busca-se o espetacular e o distanciamento dos problemas alheios. Antes de prosseguir para a provocação necessitamos voltar os olhos para Baumann (2001b,a; 2004). Ele observa que existem comunidades virtuais que acabam trazendo consigo elementos tradicionais tais como a possibilidade de exclusão caso não concorde com a “verdade” estabelecida (desfazer amizade). Por outro lado, a contaminação do virtual também chega às comunidades tradicionais que acabam adotando elementos virtuais como o pouco compromisso, o influencer como líder, pouca preocupação real com o outro. Desta forma é possível ter uma comunidade no mundo digital marcada por elementos tradicionais e uma comunidade no mundo real imbricada pela lógica virtual. Desta forma é bastante empobrecedor, numa sociedade líquida imaginar que uma comunidade virtual sempre estará no mundo virtual ou uma tradicional seguindo a lógica do mundo físico. Desta forma a provocação deste texto é uma reflexão sobre qual tipo de identidade nossas Igrejas têm construído. Se olharmos para Jesus Cristo com certeza indicaríamos a de projeto como a mais adequada, mas não é raro observarmos Igrejas construindo identidades legitimadoras e de resistência. Por outro lado, como tem sido a postura da Igreja contemporânea? Ela se contaminou com a tendência líquida da sociedade ou se mantém um espaço onde a Verdade de Jesus Cristo é pregada? Os relacionamentos, ritos e símbolos do sagrado têm sido elementos identitários, ou têm sido substituídos por elementos fluidos que pouco têm a acrescentar na construção identitária de seus membros? São questões que a Igreja precisa responder cotidianamente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAUMAN, Z. Comunidade: a busca da segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2001a. 136 p. ISBN: 8571106991. _________. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001b. 192 p. ISBN: 8571105987. _________. Amor Líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. 77 p. ISBN: 9788571107953. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999a. _________. Fim do milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999b. . O Poder Da Identidade. São Paulo: Paz e Terra, 1999c. 492 p. ISBN: 85-219-0336-7.

Nilton Torquato
placeholder

8 de maio de 2026 • 3 min. de leitura

HUMANIDADE E ESPIRITUALIDADE

Ultimamente tenho refletido sobre minha humanidade e minha espiritualidade. Sobre o fato de sermos, ao mesmo tempo, seres humanos e espirituais, e como essas dimensões se complementam. Entendo que nossa humanidade recebe os benefícios da espiritualidade, pois, segundo a Bíblia, quando recebemos a Jesus passamos a ser chamados de espirituais. Isso traz consequências positivas ao nosso ser e afeta diretamente a maneira como vivemos nossa humanidade. Essa conexão é profunda, e uma mente que pensa apenas de forma racional não consegue compreender a dimensão do que o espírito pode alcançar. Para entender o Reino de Deus, é necessário pensar espiritualmente. A espiritualidade enriquece nossa humanidade porque nos conecta ao transcendente que, nesse caso, não pode ser outro senão Deus. É nessa conexão que a humanidade encontra propósito, razão de viver e sentido para a existência. Isso nos move a ser éticos, respeitosos, generosos, pacientes, compreensivos e a manifestar os frutos do Espírito Santo mencionados por Paulo em Gálatas 5.22-23. E, com reverência ao texto, ousaria acrescentar ao final do verso 23 a frase: “Contra essas coisas não há humanidade.” No entanto, nossas dúvidas e incertezas brotam quase todos os dias justamente da nossa humanidade. Aqui falo como um ser comum: que ri, chora, às vezes amaldiçoa, mas também abençoa; que se prende a coisas banais, que trava batalhas internas e até discussões silenciosas com outros; que tem dúvidas, sente que a fé e Deus parecem distantes e que as orações não são ouvidas; que pensa não estar na agenda de Deus ou, se está, é apenas depois de outros que parecem ter mais prioridade. Nesse momento, só posso dizer em primeira pessoa: “Sou assim, sou de carne e osso. Sou humano.” E junto dessa humanidade atuam também as forças das trevas. Embora já derrotadas, elas são perseverantes e insistentes, atacando justamente onde somos mais frágeis. Paulo, em 2 Coríntios 1:8-9, relata uma tribulação tão intensa que chegou a desesperar-se da própria vida. Ali, a humanidade, em linguagem hiperbólica, “gritou”, e a espiritualidade respondeu calmamente por meio do Apóstolo. É como se uma falasse com a outra dentro da mesma pessoa. Por isso, precisamos diariamente reafirmar diante da nossa humanidade que nossas armas são espirituais e poderosas em Deus e capazes de destruir sofismas e resistências do mal. Somos seres espirituais, o Espírito Santo habita em nós, temos todos os benefícios da morte e ressurreição de Cristo e, portanto, devemos viver como tais. Sem esquecer nossa humanidade, mas recordando-a constantemente da nossa espiritualidade em Cristo, que já nos concedeu abundantemente os recursos para uma vida plena no Espírito. Sejamos felizes. Somos mais que vencedores!

Benides Bergamo
 Voltar ao início