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O deus brasileiro

Bruno Hilgenberg Martins
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12 de agosto de 2021 • 4 min. de leitura

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Com o aumento das lives, transmissões de cultos por redes sociais cada dia se torna mais comum que reuniões de igrejas de todos os tamanhos acabem se tornando públicas. Aquelas igrejas pequeninas ou mais reservadas que antes tinham um tapume na porta impedindo que aqueles que passavam na rua pudessem ver o que acontece lá dentro, agora tem seus púlpitos filmados e publicados para quem quiser assistir. Em um primeiro momento até podemos acabar confundidos e pensar que esse novo movimento de lives seria uma grande conquista do Cristianismo, a propagação massiva do evangelho em todas as principais redes, aplicativos de mensagens e até televisionadas, alcançando dos mais jovens aos mais idosos, realmente seria essa uma grande conquista se de fato o que estivéssemos vendo fosse verdadeiramente a pregação do evangelho. O conteúdo dessas reuniões públicas apresentam práticas tão peculiares e discursos tão diferentes da centralidade do evangelho bíblico que somos então obrigados a diferenciar o Deus do Cristianismo do deus brasileiro.

Vivemos em uma época marcada pela relativização da verdade em que a opinião ou achismo toma o lugar do estudo e da certeza analisada e já verificada, pouco importa os anos de pesquisa e dedicação de um cientista que dedicou a vida ao estudo e reflexão de certo tema se um jovem de 13 anos decidir dizer nas redes sociais que ele está errado “porque sim”. Como não poderia ser diferente, esse movimento de instabilidade daquilo que se sabe também alcançou o Cristianismo e tem sido demasiadamente danoso ao verdadeiro evangelho de Cristo, isso porque o resgate de heresias antigas e já superadas retornam agora com uma nova roupagem e acabam por atrapalhar aqueles que as abraçam de um contato com o verdadeiro evangelho. Aos poucos o Deus do cristianismo é abandonado por um deus brasileiro, montado e idealizado em cima de conceitos populares, frases de efeito e sincretismos com outras religiões.

O deus brasileiro é um senhor bonachão que quer que todos tenham uma vida longa e próspera, cheia de riquezas e benesses, que leva para o céu as pessoas que os seus fiéis acham que são boas e condena ao inferno quem eles consideram ruins, ele atende demandas da terra o tempo todo e para tudo o que estiver fazendo quando um dos seus devotos decreta que ele faça algo. O deus brasileiro satisfaz egos, alimenta desejos egoístas e apesar de dizer que usa a mesma bíblia do cristianismo, ele só a usa se for para distorcer os significados dos textos, mas na maioria das vezes ele prefere falar aos “ouvidos espirituais” dos seus devotos as coisas mais estapafúrdias que em boa parte das vezes são completamente opostas às direções que o Deus do cristianismo deixou registrado para os cristãos na bíblia. O deus brasileiro é uma criatura impossível de se conhecer pois todas as vezes que se pergunta aos seus fiéis quem é Deus, todos eles iniciam com a frase “para mim, Deus é…” mas terminam com os conceitos que mais lhes for conveniente e que por vezes são contraditórios, cada um tem a sua própria versão personalizada desse deus.

Enquanto o Deus do cristianismo recebe a todos como pecadores e os transforma para a salvação e para que vivam em novidade de vida em uma única comunidade chamada igreja de Cristo, o deus brasileiro separa as pessoas em grupos de acordo com a moral e cada grupo acha que o outro vai para o inferno. Essa divisão é feita de maneira política, econômica, social e onde pudermos pensar que exista um grupo, ali haverá uma versão desse deus. O deus brasileiro abraça os pecadores, os conforta e diz a eles que está tudo bem e que eles não precisam de arrependimento enquanto caminham rumo ao inferno, o deus brasileiro é o seu próprio ego.

Tenho visto muitos cristãos comemorando o crescimento e expansão do cristianismo protestante no Brasil, mas creio que ainda não se deram conta que a religião que tem crescido cada dia mais não é o cristianismo e sim o hedonismo disfarçado de cristianismo.

Voltemos ao evangelho, voltemos à bíblia, voltemos ao Deus com “D”.

Bruno Hilgenberg Martins
Graduando em teologia na Faculdade Teológica Betânia.
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24 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura

Cibercultura e Consequências Éticas: Questões em Aberto

Pierre LÉWY, que tem sido um referencial na área que estudos sobre a cibercultura, que segunda ele caracteriza-a como sistema universal sem centro: o “sistema do caos” (LEWY, 2018, p.113). Para ele, a cibercultura possui velocidade de evolução e é uni-versal (LEWY, 2018, p.114). O autor considera uma consequência da cibercultura a transformação das pessoas em seres descontextuais (LEWY, 2018, p.118), visto que, “no plano da existência midiática, jamais são atores (LEWY, 2018, p.119). Ocorre um esfacelamento da totalização, vinculando-nos à pós-modernidade, que significa o fim da grande narrativa (LEWY, 2018, p.123). Ocorrem interações de todos os tipos: o ser humano é isolado em frente à tela (LEWY, 2018, p.132). A pergunta que se coloca é se no ambiente acadêmico auxilia o estudante a se integrar e aprender a gostar de ler mais para interagir com as ciências. Uma sátira que apareceu é a que segue: Como podemos transformar a cultura do mundo da informação em algo positivo para a vida acadêmica? O que se percebe é uma grande dependência da informação (e consequentemente daquele que controla o Banco de dados). Com isto, se reconhece que a Info-esfera é o ponto central. Alan Turing, tido como o pai da revolução da Informação (chamada de quarta revolução), disse que nós somos a última geração que distingue entre se encontrar “Online” ou “Offline” (FLORIDI, 2015, p.129). As pessoas são tidas como híbridos: humanos – artificiais. Elas têm sido influenciadas. Nessa semana percebi o quanto as pessoas manifestam dependência de aparelhos: um pedestre caminhava cantando muito acima do volume normal, pois é o aparelho eletrônico que usava no ouvido se tornou o padrão. Temos de nos perguntar se existe ainda privacidade? Ou o conceito mudou? Há uma grande agressão ao ser humano: não há limites mais para as informações. Também se percebe a supremacia da Inteligência artificial: Nos perguntamos se nossa inteligência vai se nivelar? Vamos perder nossa cultura e espiritualidade? Quem controlará os dados na próxima geração? Estaremos nós preparados para a tensão entre globalização ou glocalização? Será viável a efetivação da Democracia ou quem controla o banco de dados é que domina tudo? Quem terá o controle da linguagem? Vi na Europa amigos perderem o emprego por não conseguirem dominar o novo sistema inserido no computador. Recentemente, um professor com Mestrado não conseguiu concluir a tarefa de gravar uma disciplina em EAD por não conseguir trabalhar com o “Template” usado como modelo obrigatório pela instituição de ensino. Quem tem o controle nas conexões na multimídia? Que mudanças comportamentais estão sendo geradas? As pessoas querem cada vez mais aquilo que não os comprometa ou exija sacrifício de suas vontades. Os relacionamentos humanos estão em crise. Vi um programa numa TV alemã sobre um homem que se separou e preferiu adotar bonecas sexuais como parceiras. Ele disse que não queria mais se incomodar. Ele e a filha foram entrevistados. Ele estava substituindo a antiga esposa por 6 bonecas com inteligência artificial. O que as igrejas vão fazer diante das mudanças culturais? Que posição adotaremos diante do uso de drones para nos matarmos uns aos outros? Os militares falam do Ciberespaço como 5º domínio da condução da guerra. No século XXI não se necessita mais de exército. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FLORIDI, Luciano. Die 4. Revolution. Wie die Infosphäre unser Leben verändert. Berlim: Suhrkamp, 2015. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2018. SPADARO, Antonio. Ciberteologia: pensar o cristianismo nos tempos da rede daede. São Paulo: Paulinas, 2012.

Marlon Fluck
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6 de novembro de 2019 • 5 min. de leitura

Uma Mente Renovada para o Discernimento dos Tempos

Li recentemente uma fábula postada em um grupo de aplicativo, parte de um livro do qual não tenho as informações suficientes para fazer a referência, mas aquela estorinha dizia: Era uma vez, na terra de Fuzz[1], o Rei Aling chamou seu sobrinho Ding e ordenou: – Sai e percorre toda a Terra de Fuzz e encontra-me o mais bondoso dos homens, o qual hei de recompensar pela sua bondade. – Mas como haverei eu de reconhecê-lo, quando eu o encontrar? — perguntou. – Como? Ele será sincero — zombou o rei e arrancou-lhe uma perna por sua impertinência. Então ele saiu mancando a procurar o homem bom. Mas logo retornou confuso e de mãos vazias. – Mas como hei de reconhecê-lo quando eu o vir? — perguntou novamente. – Como? Ele será dedicado — resmungou o rei, e arrancou-lhe outra perna por sua impertinência. Então saiu coxeando mais uma vez para procurar o mais bondoso dos homens. Mas outra vez retornou confuso e de mãos vazias. – Mas como hei de reconhecê-lo quando eu o vir? — implorou ao rei. – Como? Ele terá internalizado sua crescente conscientização — vociferou o rei, e arrancou-lhe outra perna por sua impertinência. Então, apoiando-se em sua última perna, saiu sal­titando a fim de continuar sua busca. Depois de algum tempo, retornou com o mais sábio, mais sincero e dedicado Fuzzy de toda a Fuzzylândia e o colocou de pé, em frente ao rei. – Como! Este homem não serve absolutamente — rugiu o rei. — Ele é muito magro para o que quero. — Dizendo isto, arrancou a última perna do servo, que caiu ao chão com um baque surdo! – A moral desta fábula é que. . . se você não pode reconhecer o que vê quando o vê, pode terminar sem nenhuma perna que o sustente.[2] Lendo esta fábula, fui levado a uma citação que Ricardo Barbosa faz, na sua consagrada pastoral da Revista Ultimato. Segundo ele, em uma conversa com o teólogo americano James Huston, sobre a influência das tecnologias, mídias e outras mais, este lhe teria dito: “Quando alguém casa com o espírito da época, a época passa e ele fica viúvo”.[3] A mensagem do Evangelho é uma verdade eterna, que aponta para o governo de Deus sobre a sua criação, em um ato salvífico de redimir o que Ele criara pleno. Porém, esta mensagem e suas realidades subjacentes se materializam na mente das pessoas que a ouvem, por meio de construções sócio culturais. A Igreja é compreendida como aquela que transmite esta mensagem, porque ela se lança a viver a tensão entre os valores eternos de Deus e seu Reino e a necessidade da encarnação destes valores em um mundo caído e sua cultura ainda não redimida, que tem como objetivo ganhar e governar as mentes. Como viver nessa tensão e não perder sua voz profética no mundo da missão de Deus? Como a Igreja pode ser relevante sem se casar com o espírito da época? Algumas considerações – a cultura da beleza é obra de Deus – Gênesis 1.2 diz que não existia forma, estética, antes que Deus desse a ordem para que tudo viesse a existir. Mas, disse que o Espírito do Senhor, que dá forma ao que era somente caos, já estava presente sobre o caos – “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra” (Sl 104.30). Mesmo depois do pecado, Deus prometeu dar um Espírito que renova, que faria jovens e velhos sonharem, terem visões (Joel 2:28) – viverem entusiasticamente – A profecia de Joel aponta para um tempo de bênção – uma nova era, uma era de mudanças, muitas coisas novas estariam acontecendo – obra de renovo do Espírito Santo. A Revelação de Deus nos alerta para um viver de culto, para discernir o espírito dos tempos​ – A perspectiva de Romanos 12.1 e 2, é de uma vida que se dá como um ato litúrgico que se desenvolve enquanto vivemos. Com um comportamento assim, o crente vive todas as realidades subjacentes sem perder a capacidade de discernir os tempos, para nunca deixar de ser uma voz profética no mundo. Para isso acontecer, a vida, que se dá na liturgia do viver para Deus, está em constante renovação, para que se consiga ler os sinais dos tempos e se lançar à proposta de viver na tensão, sem negar à interação cultura, admitindo que “toda verdade é verdade de Deus”, mas sem deixar de discernir os sujeitos culturais que buscam dominar e transformar a criação de Deus, como expressão de sua sabedoria, graça e deleite divino. Não esqueçamos: “Quando alguém casa com o espírito da época, a época passa e ele fica viúvo” e “se você não pode reconhecer o que vê quando o vê, pode terminar sem nenhuma perna que o sustente”. [1] Fuzz significa abstração, falta de clareza. O termo íuzzy, obscuro, será usado no decorrer do livro. [2] R. F. MACER. [3] HUSTON, James In BARBOSA, Ricardo. Revista Ultimato. Viçosa: Ultimato, 2019, Ano LII, n. 379, Setembro/Outubro 2019.

Nonato Vieira
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6 de outubro de 2021 • 4 min. de leitura

O reflexo do “desigrejamento” na tarefa missionária

Não se tem dados oficiais quanto às consequências que o fenômeno do “desigrejamento” provoca na tarefa de missões, no alcance aos perdidos. No entanto para esta pesquisa partiremos do princípio do papel da igreja quanto a obra missionária, como a que comissiona, envia e sustenta. Logo, com o número de “desigrejados” aumentando cada dia mais, sem dúvida, a tarefa missionária sofrerá impacto deficitário quanto ao desenvolvimento da mesma. No último censo do IBGE (2010), os resultados foram alarmantes, pois o número de cristãos que se declarou sem vínculo com a igreja saltou de menos de 1 milhão em 2000 para quase 10 milhões em 2010, um crescimento de mais de 780%, sendo a categoria evangélica a que mais cresceu. ## Missões na Igreja Primitiva Após a ascensão de Jesus e o início da perseguição depois do Pentecostes, os primeiros discípulos saíram para pregar as Boas Novas por todo o mundo de então. Em Atos capítulo 11:19-26 Lucas registra: “Os que tinham sido dispersos por causa da perseguição desencadeada com a morte de Estêvão chegaram até à Fenícia, Chipre e Antioquia, anunciando a mensagem apenas aos judeus. Alguns deles, todavia, cipriotas e cireneus, foram a Antioquia e começaram a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor. Notícias desse fato chegaram aos ouvidos da igreja em Jerusalém, e eles enviaram Barnabé a Antioquia. Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração. Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor. Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”. Atos 11:19-26. O capítulo 13 registra o primeiro envio missionário oficial, a partir da Igreja de Antioquia. “Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram. Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegando em Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como auxiliar”. Atos 13:1-5. Ronaldo Lidório, em seu livro Vocacionados (Ed. Betânia, 2014; Belo Horizonte, MG), vê a imposição de mãos como: – Sinal de autoridade; – Sinal de reconhecimento; – Sinal de cumplicidade. A igreja, portanto, exerce um papel de suma importância quanto ao envio missionário. ## A igreja enviadora Como já foi definido o “desigrejado” como não tendo uma ligação formal com a igreja, fica difícil o mesmo se envolver com missões ou a missão, sendo que na maioria dos casos, ou pelo menos o que se espera é que a igreja seja o propulsor de missões. Portanto, partindo do princípio que missões se faz enviando, cooperando e orando, o “desigrejado”, não faz parte do grupo que se envolve com missões, devido ao desligamento da igreja. O “Reflexo”, neste sentido seria como uma consequência indireta da falta de pessoas engajadas para com a tarefa missionária. Seria, portanto, menos 10 milhões de pessoas que poderiam estar indo, orando e contribuindo e não estão. Se levarmos em consideração as palavras de Jesus em Mateus 14:24, “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim”, não pregar o Evangelho seria retardar a volta de Cristo. A pregação do Evangelho sempre foi tarefa da igreja em todos os tempos. Desde a Igreja Primitiva, durante toda a história das missões, a igreja está presente para enviar, sustentar e orar. Portanto, o “Reflexo” do “desigrejamento” na tarefa missionária é sem dúvida negativo, pois seria como se 10 milhões de pessoas deixassem de trabalhar em uma comunidade, essa comunidade sentiria os efeitos negativos em todos os sentidos. ## Bibliografia: Foto 1- https://pt-br.facebook.com/palavravivavotorantim/photos/ Foto 2 – https://pauloraposocorreia.com.br/2016/11/14/desigrejado-a-ovelha-solitaria Bíblia NVI – https://www.bibliaonline.com.br/nvi/atos/11 Bíblia NVI – https://www.bibliaonline.com.br/nvi/atos/13 Lidório, Ronaldo; Vocacionados; Belo Horizonte, Editora Betânia, 2014. https://br.blastingnews.com/sociedade-opiniao/2017/03/desigrejados-o-movimento-evangelico-que-mais-cresce-no-brasil-001546385.html

Malena Clower
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