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O que Deus me ensinou e o que ainda estou aprendendo

Bruno Hilgenberg Martins
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12 de junho de 2020 • 3 min. de leitura

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Ainda quando criança, aprendi que amar o próximo e servir meus irmãos não é algo facultativo, mas uma obrigação muito honrosa, pois no reino de Deus a promoção é para baixo. Um pouco mais velho aprendi que as coisas que eu pensava que tinha, não eram minhas, mas de Deus, que por sua infinita misericórdia me permitiu administrar e usufruir delas, sabendo que também é minha obrigação usar todas elas em benefício daqueles que não foram favorecidos.

Há pouco tempo, também descobri que minha vida aqui não serve apenas para minha própria alegria ou prazer mas que ela tem um propósito maior que a minha própria existência, pois muitas pessoas ainda vivem escravizadas pelo sofrimento e medo e elas também têm o direito de conhecer o Deus maravilhoso que me foi apresentado ainda quando criança. Descobri que para essa nobre tarefa me foi confiada uma lanterna, alimentada pelo evangelho de nosso Senhor, que além de iluminar meus passos também pode iluminar o caminho daqueles que estiverem em trevas, e mais, descobri que ao fazer isso, meu coração se enche com tanta alegria e satisfação que mal posso me conter, a ponto de desejar cada dia mais compartilhar essa luz.

Aprendi que às vezes, as pessoas cometem erros terríveis com intenções puras mas que devo sempre lembrar que eu também não consigo fazer o bem que gostaria todas as vezes que tento e que o perdão é libertador. Aprendi que em alguns dias, apesar de fazer sol lá fora e não ter nuvens no céu, meu coração pode enfrentar grandes tempestades e que esses dias costumam ser bem longos, mas aprendi também que em outros dias, não importa o frio que faça lá fora, não importa o quão cinza o céu esteja, meu coração se aquece com o amor de Deus de tal forma, que poderia derreter toda frieza e apatia que me cercar, esses são dias maravilhosos.

Com o passar do tempo, tenho aprendido a orar em silêncio, ouvindo mais o que Deus espera de mim, do que dizendo o que eu espero dele, expondo sim, meus anseios e angústias porque sei que ele tem poder para fazer todas as coisas, mas sem me frustrar quando não sou atendido, porque mesmo que as negativas não façam sentido para mim, é Ele quem sabe o que é melhor de acordo com seu plano soberano para minha vida. Tenho aprendido que quando choramos fazemos as nossas melhores orações, pois são as mais sinceras e que nenhuma lágrima é desperdiçada quando derramada na presença de Deus.

Descobri que o silêncio de Deus não é sinal de sua apatia, mas na maioria dos casos, a resposta que eu preciso, e que se ambos ficarmos em silêncio por algum tempo, poderemos passar momentos incríveis juntos. Por fim, tenho aprendido que seu amor se manifesta das mais variadas formas, de pássaros cantando na janela a abraços de amigos e que absolutamente nada poderá nos afastar desse amor ou nos arrebatar de suas mãos.

Bruno Hilgenberg Martins
Graduando em teologia na Faculdade Teológica Betânia.
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1 de junho de 2022 • 5 min. de leitura

Oro a um Deus que não me ouve!

# Oro a um Deus que não me ouve! Sem dúvida nenhuma, um dos maiores pilares da mensagem cristã é a oração! Jesus não somente orava, como também nos aconselha a orar! É muito comum vermos no evangelho Jesus se retirando de entre a multidão e indo para a solitude do ‘monte da oração’. É muito comum vermos Jesus se retirar dos ‘palcos’, se retirar dos ‘holofotes’, e correr para o anonimato do ‘quarto de oração’, pois sem dúvida nenhuma, de nada adiantaria ter as multidões a ouvi-lo e não ter o Deus das multidões na intimidade do quarto! A grande questão na oração é uma simples pergunta: “Por que orar?”. Porque orar se o próprio Jesus disse que Deus já sabe o que precisamos antes mesmo de falarmos? Porque orar se o Senhor já sabe tudo o que iremos dizer na oração antes mesmo de pensarmos naquilo que iremos falar? Porque orar se toda a graça já nos foi dada na Cruz? Porque orar se o que Deus quiser fazer Ele irá fazer independente se eu pedir ou não? Porque orar se o que Deus não quiser fazer Ele não fará independentemente se eu pedir ou não? Porque orar o ‘seja feita a tua vontade’ se a vontade dEle já será feita independemente se eu pedir que ela seja feita ou não? (Existem muitos outros pontos). Porque orar se o ministério do evangelho é simplesmente servir ao próximo em amor? Porque orar sendo que não podemos ‘comprar’ Deus pelos nossos sacrifícios? Porque orar sendo que tudo já nos foi dado quando Jesus gritou “Tetelestai” (está consumado)? Essa foi uma grande questão que invadia minha mente até que encontrei a resposta em Jesus! Me impactou saber que na oração Deus não nos ouve, Ele nos vê! Jesus disse: “Quando fores orar entra no teu quarto, fecha a porta, porque aquele (Deus) que te VÊ em secreto…”, não é aquele que nos ouve, é aquele que nos vê! Um dia perguntaram a Madre Teresa o que ela dizia a Deus em suas orações, ela respondeu: “Eu não falo nada, eu somente escuto!”, então lhe perguntaram: ‘E o que Deus diz’, “Ele não diz nada, Ele somente me escuta” – respondeu ela, Não eram as palavras que moviam a oração, não eram a quantidade de palavras ditas, o tom de voz em que eram ditas, o volume em que eram ditas e muito menos o como eram ditas, mas sim a atitude de estar a orar, a oração do silêncio, a atitude de apresentar-se diante de Deus no quarto da oração e relacionar-se em gemidos da alma! Foi John Bunyan quem disse: “Na oração mais vale um coração sem palavras do que palavras sem um coração!”, orar não é falar e falar, orar é se relacionar mesmo que sem palavras! A respeito da oração muito se ensina a como prolongá-la. Uns pronunciam palavras de modo devagar para que dure mais tempo, outros oram em todos os assuntos possíveis para que fique mais tempo em oração, oram por todos os nomes para que preencha tempo como que cumprindo sua carga horária, fazem como tolos que pensam que por muito falarem serão ouvidos, uns oram gritando acreditando que isso demonstra maior ‘unção e autoridade’, uns oram de maneira rápida e ofegante acreditando que isso é o poder de Deus, mas não! Queridos, orar não é ‘falar e falar’, orar é se relacionar, pois Ele nos VÊ, Ele VÊ a atitude de se retirar do mundo e apegar-se ao silêncio de um quarto escuro!”! Agora eu entendo, oração não é pedir algo (até porque Ele sabe de tudo o que precisamos, mas, se quiser pedir, não é proibido rs), oração é entregar, me entregar, quanto mais oro, mais me entrego. Oração não é a quantidade de decibéis que sai de minha boca, mas sim o aroma suave que vem do coração! Oração é amá-lo, oração é simplesmente o querer estar mais perto, orar não é uma obrigação para os servos mas é um prazer dos filhos! Por isso essa grande pergunta se responde no que é relacional, “por que orar?”, para, simplesmente, me relacionar! Foi assim então que entendi que oração não é questão de “falar e ouvir “, mas de “fazer e ver”! Oração é como o abraço de um casal de namorados, apaixonados…, nenhuma palavra se é pronunciada, nenhuma palavra se faz necessária, o carinho no abraço já diz tudo, os olhos fechados no abraço já dizem tudo, a atitude no abraço já diz tudo! Orar é “abraçar” e não somente palavras pronunciar! Eu não ouço, não escuto quem me abraça, eu o vejo, eu vejo o sentimento no abraço, vejo a sinceridade no abraçar! Oro a um Deus que não me ouve, oro a um Deus que me vê, Ele vê a sinceridade na oração em silêncio, Ele vê o sentimento na oração sem palavras, Ele vê o meu sentir por ele, Ele sente o meu ‘abraçar’ (oração)!

Luiz Henrique Silva dos Santos
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17 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura

Relações Possíveis entre a Cibercultura e a Leitura Bíblica

Introdução O objetivo desse artigo é apresentar as possíveis relações entre a ‘cultura da internet’ e a cultura do Antigo Testamento. A ‘cultura da internet’ é atualíssima e muda rapidamente, enquanto que a cultura do AT é antiga e estável. Sendo assim, qual a contribuição das disciplinas do AT para a cultura cibernética? Qual o diálogo possível entre a cultura do AT e cibercultura? Para abordar essa interrelação, propomos dois casos de choque cultural no mundo Antigo Testamento para, a partir deles, extrair, por analogia, algumas reflexões e orientações para lidar com a cibercultura. Esses dois casos são a passagem da tradição oral para a escrita e a globalização greco-romana. Da oralidade à escrita A tradição oral gera uma cultura própria, cujo principal suporte de preservação da informação é a “memória”. Nessa cultura, a tradição era emitida e recebida no mesmo contexto. A invenção da escrita não substitui a tradição oral, mas coexistem por muitos séculos. A escrita permite adotar outros suportes, como pedra, cerâmica, papiro (2500 a.C.), velino (Jr 36.26), pergaminho (séc. IV d.C.) até chegar ao papel (séc. XV). Além disso, a escrita permite a fixação do texto de modo que a mensagem saia do contexto sem perder o sentido original, dando importância às ciências hermenêuticas. A globalização greco-romana A primeira grande globalização da cultura greco-romana representou um choque grave para os judeus, impondo-lhes o dilema: resistência ou assimilação. A nosso ver, o cristianismo primitivo soube aproveitar as vantagens, como integração cultural, idiomática, maior segurança nos transportes, interligação das regiões do Império, a ampla circulação de escritos e de pessoas, ao mesmo tempo resiste aos costumes, como, por exemplo, o culto ao imperador. O processo de globalização foi acelerado pelos avanços tecnológicos, especialmente no setor de comunicações. A interconexão supriu um desejo do ser humano. Com isso, chegamos a uma nova Babel: a cibercultura venceu ‘Babel’ ou a cibercultura se tornou uma super-Babel? A Cibercultura e o estudo da Bíblia: aspectos positivos e negativos a) Aspectos positivos: – Acesso ao acervo de obras digitais: dicionários, comentários, obras não traduzidas para o português. – Pesquisa e estatística: maior capacidade de cruzamento de dados e de análise de textos; – Leitura da Bíblia: diversas versões da Bíblia e diversos idiomas e línguas originais; democratização do conhecimento. – Ciberteologia: a reflexão teológica das novas tecnologias (cibernética); a inteligência da fé em tempos de internet (SPADARO, 2011). b) Aspectos negativos e preocupantes – Dilúvio de informações: dispersão: dificuldade de seleção de fontes; superficialidade: efeito do excesso de informação; – Comunicação de massa: propaganda ideológica/comercial (mercado gospel); igrejas virtuais x fraternidade comunitária; frustração: fracasso em produzir os resultados prometidos; – Teologia fake: sensacionalismo: as novas tecnologias como ‘sinais’ da escatologia (controle mundial, chips, numerologia etc.); a rapidez da informação joga contra a verificação da verdade teológica. Considerações finais: A cibercultura, como todas as culturas da humanidade, tem aspectos positivos e negativos. Ela não é parte do desenvolvimento retilíneo e necessário da humanidade, pois, outro mundo é possível. A cibercultura reflete desejos de interconexão, de superação de limites. A teologia oferece base para a crítica permanente das obras humanas.

Eliseu Pereira
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16 de setembro de 2021 • 4 min. de leitura

Uma breve construção histórica do olhar filosófico na relação homem e mulher

Nesta construção histórica da filosofia existem características e eventos que podem lançar luz sobre as questões da mulher em ocupar um lugar de referência dentro do âmbito religioso, e até mesmo potencializar e elucidar a questão da mulher como produtora de conhecimento. Desta forma, pretendo pinçar fatos e personagens que poderão minimamente oferecer apontamentos à questão. Quando a filosofia nasce, na Grécia, no âmbito religioso, as mulheres, enquanto sacerdotisas, tinham os mesmos privilégios que os homens, os quais poderia citar: assento garantido nas primeiras filas dos jogos em Atenas; direito à propriedade e de perpetuar a herança; prestígio ao ponto de terem monumentos erguidos em sua homenagem. Mas este prestígio não era encontrado na vida da sociedade não religiosa grega, pois as mulheres não tinham acesso aos estudos e nenhum direito na democracia Ateniense. Sem dúvida, a condição delas manifestava uma disparidade entre a vida dentro da religião e fora dela. A primeira filósofa que temos notícias foi Safo, 630 ou 604 a.C., nascida em Mitilene – Lesbos, uma ilha grega. Dentre as suas atribuições, podemos citar: poetisa, tecelã, sacerdotisa e filósofa. Devido as suas ideias provocarem perturbações nos poderosos, foi exilada na Sicília junto com a família, mas quando retornou, fundou uma escola só para mulheres, onde as mesmas eram educadas na poesia e filosofia, e eram ensinadas a pensar criticamente e a serem femininas. Sem dúvida esta escola foi um grande marco para a educação das mulheres na época. Por sua vez, o filósofo Platão (428/348 a.C.), na obra “A República”, inova o papel da mulher em sua cidade ideal, possibilitando a sua emancipação social, política e a mesma educação dos homens. Para ele, o único impedimento de uma mulher em praticar o que quiser, seria a sua competência ou não para o ofício desejado. Nesta cidade ideal, todas as funções, até mesmo a de governar sobre outros, não se fixa pelo sexo que cada um possui, e sim, pela competência que cada um carrega em si; o mais capaz então, deve realizar o propósito. Diferente de Platão pensa o seu discípulo Aristóteles, pois para ele a mulher possui uma alma inferior a do homem, ela seria apenas um pouco mais superior que a alma do escravo. Isso intrinsecamente a impediria de realizar algumas funções que seriam próprias do homem livre, entre elas de tecer um pensamento crítico e de governar. Dando um salto na história, iremos nos deparar com Hipátia, nascida em Alexandria no ano de 360 d.C. Ela é uma prova histórica, entre tantas outras, que a mulher tem condições de assumir um protagonismo na liderança e no pensamento crítico, pois foi ela considerada a primeira matemática da história e dirigiu por um significativo período a Escola Platônica de Alexandria, uma das mais conceituadas da época, onde seus alunos, após passarem por ela, tornavam-se prefeitos, governadores e líderes da igreja. Hipátia teve uma morte trágica, foi esfolada viva na Ágora por cristãos radicais. Mas mesmo sendo perseguida em sua vida, nunca deixou de anunciar o que acreditava e por isso tornou-se um ícone na história. Certa vez ela disse: “Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força”. Outra filósofa a considerar é Simone de Beauvoir (1908/1986). Segundo ela, “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Esta frase, à primeira vista, causa muita estranheza para aqueles que nunca pensaram no assunto. Mas de fato, a mulher sempre foi ensinada a se comportar e agir de determinada maneira e por muito tempo foi educada para ser uma boa esposa e servir ao marido. Com isso, a superioridade do masculino foi ganhando cada vez mais força e o gênero feminino passou a ser visto como inferior. O que está em pauta, não é nascer mulher no sentido biológico, mas sim que a mulher é obrigada a se moldar às expectativas de uma sociedade que a inferioriza. Neste sentido, a mulher, segundo Beauvoir, tem direito de assumir o protagonismo de sua própria existência e querer ser o que ela desejar e não o que se espera socialmente dela. Acredito que estas provocações e exemplos possam ser uma fagulha para pensar melhor sobre a mulher e seus direitos, que devem ser esculpidos à luz das Escrituras e não especificamente da tradição ou de qualquer força que inferiorize o valor da mulher; neste sentido a filosofia tem algo, ainda que de forma singela, a acrescentar.

Rogério Leoderio de Souza
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