logo

Retorno a uma Espiritualidade Autêntica

Nonato Vieira
Nonato Vieira
 - 

19 de junho de 2020 • 6 min. de leitura

post

Do grego κρίσεις, a palavra crises é evocada, já há muito tempo, para identificar os desencontros humanos, eventos catastróficos da natureza, ou eventos sociais de descontinuidade do modus operandi em curso, em um dado momento sócio-histórico.

A espiritualidade faz parte do mundo da vida, pois está longe de fazer parte do mundo objetivado, onde as suas sessões se realizam em espaços pré-definidos, como se o modus vivendi da espiritualidade fosse programado para responder aos estímulos divinos em uma realidade geometrificada. Para este curto espaço, abordaremos o porquê de as crises impactarem as expressões de espiritualidade, um fragmento de olhar sobre a crise sanitária atual e se podemos esperar um bramido de genuína espiritualidade.

As crises Provocam um Retorno ao Pensar na Existência Além de Si

Em um de seus melhores livros – Crime e Castigo, Dostoiévski nos apresenta um homem religioso, que ao mudar para a capital Russa (1712-1918), São Petersburgo, para estudar direito na universidade, se distancia da tradição religiosa doméstica e se torna um misto de gente, inclusive com traços de ateísmo. Uma grande crise na sua vida, um duplo assassinato, lhe faz voltar a se importar com as “insignificâncias” da vida, como ajudar uma viúva pobre que perdera seu marido e a resgatar uma jovenzinha da prostituição e o livro termina com este jovem Rodion Românovitch Raskólnikov na prisão, com um ar esperançoso para encontrar um sentido real para a vida, Dostoiévski lhe deixa com um Novo Testamento, velho e amarelado nas mãos.

O Antigo Testamento descreve a peregrinação espiritual de um rei chamado Davi. Este homem vive a espiritualidade do mundo da vida, onde ora, faz confissões maravilhosas sobre Deus e seu inabalável caráter, ora está distante de um relacionamento religioso autêntico. Mas, as crises lhes trazem à mente os melhores cânticos, os mais belos poemas. O Novo Testamento nos mostra Paulo vivendo uma vida de prazer cristão exemplar, mas uma crise, talvez do não reconhecimento do seu apostolado (2 Co 9.11), o que lhe faz deixar um legado escriturístico belo (minha graça te basta, o meu poder se aperfeiçoa na tua fraqueza (2 Co 12.9).

Isso é muito próximo da realidade de homens e mulheres no modus vivendi da sua jornada de espiritualidade. As grandes crises da história mostram exatamente o mesmo comportamento humano. No estudo da história se diz que “a história não é professora de ninguém”.

Segundo algumas pesquisas, depois do 11 de setembro de 2001, aumentou o número de casamentos, de natalidade, de assiduidade nos templos religiosos, na generosidade dos americanos, entre outros dados positivos, para o período. Mas depois de passado um tempo, o que ficou foi o aumento da desconfiança com o estrangeiro de ascendência árabe; o divórcio ofuscou o casamento; o controle de natalidade ofuscou o acostumado viver a dois ou a sós; a agenda do entretenimento tomou o seu lugar de volta e empurrou a frequência dos cultos religiosos no colo da secularização. A generosidade, como um traço humanista permanece, mas por razões religiosas ou culturais.

Mas, alguma coisa sempre fica, no campo humano, bem como na relação com a espiritualidade, da trajetória histórica das crises intramundanas.

Espiritualidade e a Presente Crise

A crise que ora atravessamos tem servido para vermos o quanto a humanidade é frágil na sua individualidade, e empurrado, do mundo de sistemas individualista para o mundo da vida, da partilha, experiências sócio-humanas que refletem como vemos a nós e o outro.

Peter L. Berger e Thomas Luckmann afirmam que “a realidade é construída socialmente”. Isso tem implicações para a teologia, mas concordo em grande parte com esta afirmação. No caso do que ora vivemos, não é a pandemia construidora da realidade que se apresenta, mas as ações dos atores sociais em razão dessa realidade extra mundo social. O vírus é apenas uma realidade contingencial, não possuindo sentido social nele mesmo. Não podemos negar, no entanto, que grandes avivamentos foram precedidos por crises e transformações sociais: o impacto da revolução industrial na Inglaterra do século XVIII e XIX; A guerra fratricida entre os Zulus; a própria Reforma Protestante…

Apesar do vírus ser uma realidade contingencial, não podemos negar, que em situações como essas, Deus se manifesta, falando mais alto, causando impactos existenciais e despertando homens e mulheres para uma vida mais significativa – mais perto de Deus e mais perto das instâncias intramundanas. A duração disso pode ser questionada, mas o seu acontecimento é real.

Acredito que possa haver, neste tempo, maridos se convertendo às suas esposas, esposas se convertendo aos seus maridos, pais se convertendo a seus filhos, filhos se convertendo aos seus pais, irmãos se convertendo a irmãos. Estamos mais sensíveis para enxergar que a religião não cria um grupo de elite, mas todos são frágeis, caminhando na mesma estrada, clamando pelo salvador – “Jesus, filho de Davi tem compaixão de mim”. Apesar de saber que também é tempo de distanciamento familiar, muitos não tem conseguido viver a vida comum do lar.

O que esperar?

O cerne da piedade cristã é: “Ama o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de todo o teu entendimento e de toda a tua força e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10.27).

Dessas duas sínteses magnas religiosas, emergem a compreensão de uma vida piedosa autêntica, de onde faz surgir respostas autênticas, nutridoras de mentes em constante renovação, para pureza ética, moral e espiritual, como um ato que vai se dando reflexivamente. Pode-se dizer: Pelas Escrituras eu conheço o meu Senhor, seu modus e respondo com a Coram Deo – a vida perante Deus. Por outro lado, a segunda síntese religiosa mencionada aponta para uma espiritualidade que se horizontaliza, se expande além de uma relação verticalizada, egoísta, ascética, mas se materializa na compaixão, na busca dos encontros mais inusitados da experiência humana – é vivendo a realidade mística/espiritual e social de “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14) que resgataremos a espiritualidade de encontros e desencontros, mas sempre gritando ao salvador: tenha misericórdia de mim... pecador.

Esperamos que a acontecimento social e espiritual dessa crise nos leve para uma espiritualidade que deseja estar mais perto de gente que Deus criou.

Soli Deo Gloria

Nonato Vieira
Nonato Vieira
Mestrado em Ciências da Religião, pela Universidade Católica de Pernambuco e em Missões Urbanas pela FATSUL. Pós-Graduação em Docência de Filosofia e Sociologia. Bacharelado em Teologia pelo Seminário Teológico Betânia e pela Faculdade de Teologia Hokemah e Licenciatura em História pela Fundação de Ensino Superior de Olinda. Pastor da Igreja Evangélica Livre e professor da Fatebe.
placeholder

8 de julho de 2020 • 4 min. de leitura

A crise no contexto missionário: um panorama

A partir da análise de eventos relacionados ao cristianismo dos primeiros séculos, em especial as epidemias sucessivas até meados do século terceiro e a chamada conversão do imperador romano Constantino, no início do século quarto, propomos um paralelo com a conjuntura de 2020. Este paralelo tem como objetivo, através da leitura destes eventos, compartilhar oportunidades e alertas para o comportamento da igreja cristã durante a recente crise que se abateu sobre o mundo com o advento da manifestação da COVID-19, que se materializa em múltiplas crises, seja ela sanitária, econômica e, no caso do Brasil, uma crise política sem paralelos na história da república brasileira. O Movimento Missionário na Igreja Antiga Em seus primeiros séculos, o cristianismo apresenta um movimento descentralizado de evangelismo, partindo dos apóstolos e de seus discípulos diretos. Neste “cristianismo embrionário”, o processo de evangelização e transmissão das boas novas de Cristo acontecia a partir do contato pessoal entre o convertido e o “pagão”, compreendido como o fiel das religiões politeístas tradicionais dos limites do império romano, mas não só. Os territórios “bárbaros” (não romanizados), também contavam com a presença de cristãos, na medida em que este processo acompanhava o avanço de soldados, comerciantes e outras funções que demandassem o deslocamento geográfico por parte destes convertidos. Neste sentido, a pessoalidade estava muito presente neste processo, através do contato pessoal com aquele que conhecia o Evangelho. Neste sentido, as mulheres eram uma grande força missionária, no sentido de serem as primeiras em seus núcleos a conhecerem e propagarem a mensagem de Cristo. Até a segunda metade do século três, diversas epidemias se abateram sobre os territórios mediterrânicos e os cristãos cresceram neste ambiente por duas razões principais. Em primeiro lugar, o senso de comunidade gerado desde o período apostólico fez com que os cristãos cuidassem mais de si mesmos, ao mesmo tempo em que cuidavam dos doentes, que eram descartados pela sociedade romana. Este contato direto com os infectados, levou muitos cristãos à morte e isso trouxe simpatia de camadas mais simples da população romana, desprotegidas pela estrutura oficial imperial. Em contrapartida, a declaração de conversão do imperador Constantino no início do século IV trouxe desafios adicionais, até o momento inéditos para a Igreja Cristã. Se por um lado, o fim das perseguições melhorou a produção teológica que floresce após este período, notoriamente marcada pelos escritos de Atanásio, Jerônimo, Agostinho, entre outros, por outro, a institucionalização do cristianismo pelo império trouxe diversos antagonismos, dos quais destacamos dois de maneira especial. Em primeiro lugar, uma divisão interna entre aqueles que viam com bons olhos a chegada da fé cristã à estrutura imperial e aqueles que viam este novo momento como um desvirtuamento dos ensinos de Cristo com esta aproximação da fé com o império. Em segundo lugar, a associação dos cristãos de maneira direta com o governo imperial, trouxe a hostilização para aqueles que estavam em territórios “bárbaros”, por serem considerados simpatizantes dos romanos. Possibilidades Partindo do exposto até o momento, analisando os feitos da igreja em sua gênese, é possível destacar possíveis oportunidades, além de um alerta para a igreja contemporânea. A pandemia da COVID-19 pode oferecer uma grande oportunidade de aproximação com a sociedade pós-moderna, caso ela ofereça empatia e auxílio para aqueles que estão necessitados. Na medida em que a crise sanitária gera uma crise econômica, o papel da igreja como agente ativo de auxílio e instrumento social de integralidade do evangelho que atinja o indivíduo em todas as suas necessidades será cada vez mais necessário. Como alerta, usando o evento da conversão de Constantino como base de análise, é preciso verificar o papel de parte da liderança protestante brasileira, como elemento ativo no quadro político presente. Quando a igreja demonstra publicamente seu apoio a determinado governo, qualquer que ele seja, automaticamente gerará os efeitos apontados neste artigo: a divisão interna entre os que apoiam e os que desaprovam este apoio, e a hostilidade entre o grupo maior da sociedade que não se identifica ao governo vigente. A reflexão é válida, na medida em que a igreja precisa atentar para seu papel fundamental de fazer discípulos de todas as nações. A igreja tem prevalecido diante dos governos ao longo dos últimos dois milênios. Por esta razão, é condição essencial analisar sua longa história e aprender com ela para direcionar suas ações em nosso presente.

Eduardo Medeiros
placeholder

6 de maio de 2020 • 4 min. de leitura

A Difícil Realidade em Tempos de Crise e a busca do Equilíbrio

Por que o equilíbrio das informações recebidas durante a pandemia é importante? É fato que a falta de informação não confere imunidade a alguém. Os veículos de comunicação cumprem seu papel ao alertar a população sobre os riscos que a COVID-19 acometem aos infectados; às vezes é preciso chocar para conscientizar. Nisto as denúncias de escassez de recursos, leitos e profissionais qualificados nos hospitais cumprem também este papel. Entretanto, neste pêndulo, realismo e pessimismo se confundem e a linha é tênue. Sim, cada vida é importante e por isso todos os meios de enfrentamento da doença se fazem essenciais neste período. Mas sem desconsiderar tudo que foi afirmado até aqui, quero pensar em outro enfrentamento: o da batalha pela sanidade mental. Nos últimos dias obtive informação de uma profissional de saúde que os hospitais estão recebendo inúmeras pessoas com sintomas que parecem com os do infarto, mas que na verdade são referentes a um ataque de pânico. E não é de se estranhar o motivo, basta assistir os jornais para ver valas abertas, funerais, gente sofrendo nos leitos e superlotação nos hospitais… Um dia vi um neurocientista falar que as informações que ouvimos são internalizadas por nosso cérebro e os sentimentos produzidos independem se aquilo é uma realidade para nós ou não. Não é difícil perceber isso após assistir a esses jornais. Com isso, você acha que proponho o fechar dos olhos para a realidade? Claro que não! Mas em tempos de enfrentamento a recepção das informações pelos meios de comunicação precisa de um cuidado importante: o equilíbrio. De acordo com o dicionário, um dos significados para equilíbrio é “ igualdade de força entre duas ou mais coisas ou pessoas, grupos etc. em oposição”. O equilíbrio das informações é importante porque o que tem ocorrido no cenário que o coronavírus propiciou é muito sério e digno de toda a atenção e cuidados, mas a forma como tudo tem sido tratado, de forma tão escancarada e intensa tem gerado desânimo e ansiedade na população. É preciso equilibrar; estamos enfrentando tempos muito difíceis, mas em momentos de crise é preciso dar à população, além de motivos para se proteger, motivos para crer, para autotranscender, para encontrar soluções, para somar esforços e beneficiar os mais frágeis. Neste sentido, há um certo jornal no Estado do Paraná que tem prestado um verdadeiro serviço à comunidade. Nele vi a solidariedade humana de fazer máscaras para a população carente, grupos comunitários encontrando alternativas para dirimir a falta da presença física e acompanhar seus beneficiados, depoimentos de pessoas recuperadas, fotos de pessoas realizando atividades em casa, pesquisas promissoras com a construção de respiradores a baixo custo e invenção de aparelho de desinfecção de roupas a partir de luz específica, conversa com a psicóloga e até uma música com mensagem de esperança composta pela banda da própria emissora. Houve a informação mas também houve uma mensagem de esperança e superação das dificuldades. E por falar em esperança, não é à toa que as Escrituras nos trazem essa mensagem. Nela as injustiças, a dor, o sofrimento e até a tragédia são descritos, mas também é nela que podemos ler “ quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21) ou, ainda, que “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8). Que Deus nos ajude neste momento difícil e que, com uma mente equilibrada, sejamos capazes, não só de passar por ele, mas de realizarmos ações de enfrentamento para que venham dias melhores.

Grazielle Silva de Carvalho Abreu
placeholder

1 de junho de 2022 • 5 min. de leitura

Oro a um Deus que não me ouve!

# Oro a um Deus que não me ouve! Sem dúvida nenhuma, um dos maiores pilares da mensagem cristã é a oração! Jesus não somente orava, como também nos aconselha a orar! É muito comum vermos no evangelho Jesus se retirando de entre a multidão e indo para a solitude do ‘monte da oração’. É muito comum vermos Jesus se retirar dos ‘palcos’, se retirar dos ‘holofotes’, e correr para o anonimato do ‘quarto de oração’, pois sem dúvida nenhuma, de nada adiantaria ter as multidões a ouvi-lo e não ter o Deus das multidões na intimidade do quarto! A grande questão na oração é uma simples pergunta: “Por que orar?”. Porque orar se o próprio Jesus disse que Deus já sabe o que precisamos antes mesmo de falarmos? Porque orar se o Senhor já sabe tudo o que iremos dizer na oração antes mesmo de pensarmos naquilo que iremos falar? Porque orar se toda a graça já nos foi dada na Cruz? Porque orar se o que Deus quiser fazer Ele irá fazer independente se eu pedir ou não? Porque orar se o que Deus não quiser fazer Ele não fará independentemente se eu pedir ou não? Porque orar o ‘seja feita a tua vontade’ se a vontade dEle já será feita independemente se eu pedir que ela seja feita ou não? (Existem muitos outros pontos). Porque orar se o ministério do evangelho é simplesmente servir ao próximo em amor? Porque orar sendo que não podemos ‘comprar’ Deus pelos nossos sacrifícios? Porque orar sendo que tudo já nos foi dado quando Jesus gritou “Tetelestai” (está consumado)? Essa foi uma grande questão que invadia minha mente até que encontrei a resposta em Jesus! Me impactou saber que na oração Deus não nos ouve, Ele nos vê! Jesus disse: “Quando fores orar entra no teu quarto, fecha a porta, porque aquele (Deus) que te VÊ em secreto…”, não é aquele que nos ouve, é aquele que nos vê! Um dia perguntaram a Madre Teresa o que ela dizia a Deus em suas orações, ela respondeu: “Eu não falo nada, eu somente escuto!”, então lhe perguntaram: ‘E o que Deus diz’, “Ele não diz nada, Ele somente me escuta” – respondeu ela, Não eram as palavras que moviam a oração, não eram a quantidade de palavras ditas, o tom de voz em que eram ditas, o volume em que eram ditas e muito menos o como eram ditas, mas sim a atitude de estar a orar, a oração do silêncio, a atitude de apresentar-se diante de Deus no quarto da oração e relacionar-se em gemidos da alma! Foi John Bunyan quem disse: “Na oração mais vale um coração sem palavras do que palavras sem um coração!”, orar não é falar e falar, orar é se relacionar mesmo que sem palavras! A respeito da oração muito se ensina a como prolongá-la. Uns pronunciam palavras de modo devagar para que dure mais tempo, outros oram em todos os assuntos possíveis para que fique mais tempo em oração, oram por todos os nomes para que preencha tempo como que cumprindo sua carga horária, fazem como tolos que pensam que por muito falarem serão ouvidos, uns oram gritando acreditando que isso demonstra maior ‘unção e autoridade’, uns oram de maneira rápida e ofegante acreditando que isso é o poder de Deus, mas não! Queridos, orar não é ‘falar e falar’, orar é se relacionar, pois Ele nos VÊ, Ele VÊ a atitude de se retirar do mundo e apegar-se ao silêncio de um quarto escuro!”! Agora eu entendo, oração não é pedir algo (até porque Ele sabe de tudo o que precisamos, mas, se quiser pedir, não é proibido rs), oração é entregar, me entregar, quanto mais oro, mais me entrego. Oração não é a quantidade de decibéis que sai de minha boca, mas sim o aroma suave que vem do coração! Oração é amá-lo, oração é simplesmente o querer estar mais perto, orar não é uma obrigação para os servos mas é um prazer dos filhos! Por isso essa grande pergunta se responde no que é relacional, “por que orar?”, para, simplesmente, me relacionar! Foi assim então que entendi que oração não é questão de “falar e ouvir “, mas de “fazer e ver”! Oração é como o abraço de um casal de namorados, apaixonados…, nenhuma palavra se é pronunciada, nenhuma palavra se faz necessária, o carinho no abraço já diz tudo, os olhos fechados no abraço já dizem tudo, a atitude no abraço já diz tudo! Orar é “abraçar” e não somente palavras pronunciar! Eu não ouço, não escuto quem me abraça, eu o vejo, eu vejo o sentimento no abraço, vejo a sinceridade no abraçar! Oro a um Deus que não me ouve, oro a um Deus que me vê, Ele vê a sinceridade na oração em silêncio, Ele vê o sentimento na oração sem palavras, Ele vê o meu sentir por ele, Ele sente o meu ‘abraçar’ (oração)!

Luiz Henrique Silva dos Santos
 Voltar ao início