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O Deus das Montanhas

José Manuel Kantek Garcia Navarro
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19 de março de 2020 • 6 min. de leitura

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“Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo”. Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. “Este receberá a benção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação” Salmos 24. 3-5

Certamente, há 16 anos atrás, não era eu a quem o Salmo acima se referia…

Por que?

Dia 19 de fevereiro de 2004, 17 horas. Nenhuma fé. Desfaleço. Perco a consciência. Estou morto.

Como Deus nos leva por caminhos e como nós (ou pelo menos eu) somos rebeldes…

Nesta data eu tive o privilégio de ser a pessoa mais perto do céu, na face da terra. Em meio a mais de 7.8 bilhões de pessoas, eu estava a quase 7.000 metros de altura e ninguém mais…, mas meu coração certamente estava bem abaixo e vazio.

Durante algumas horas Deus usou 14 pessoas para me resgatarem de um acidente na montanha e me trazerem de volta à vida. Demorei muito para entender isto!

Deus nunca me abandonou. Sempre fui eu que o abandonei. Mas aos primeiros movimentos meus em direção a Ele, coisas boas e novas começaram a acontecer em minha vida.

Eu sempre fui um executivo de muito trabalho e pouca fé. Meu deus era o trabalho e minha estrada era a carreira profissional. Meu intuito era ter muito dinheiro, prestígio e poder. O resto não tinha muita importância. Foram quase 60 anos vivendo dessa forma. Precisei perder quase tudo para entender que nada estava no meu controle. Descobri que havia depositado minha confiança nos homens e não em Deus.

Não que Deus nunca me houvesse mandado sinais, mas eu nunca os havia percebido. Estava demais ocupado para sentir a Sua presença ou ouvir o seu Espírito.

Sempre achei que a força estava nas pessoas e não em Deus.

Um dia, Deus me mandou alguém muito especial. Rose Petenucci. Ela foi um grande presente: Entre conhecê-la e começar a namorar foi uma semana… Deus às vezes é rápido e eu fui também! Deu certo. Casamos e começamos uma vida nova dentro dos princípios cristãos. Ela tem sido um anjo permanente ao meu lado, um testemunho de fé total em Deus.

Eu sempre fui um homem de pouca fé. Ainda sou um pouco, mas tenho certeza que foi Deus quem me trouxe até a Primeira Igreja Batista. E por caminhos bem estranhos.

A primeira vez que entrei neste templo do SENHOR foi para jogar futebol. Mas sei que era Deus me trazendo para uma das melhores experiências de minha vida. Daquela tarde que vim me divertir com as crianças como instrutor, para o primeiro culto foram apenas alguns dias. Não faltei mais.

Hoje, frequento a PIB que é minha segunda casa.

No inicio de 2009, resolvi me aprofundar um pouco mais na leitura da Bíblia, que para mim ainda era um livro bastante novo, e fazer o curso para ser batizado. Acho que o SENHOR Deus já me mostrava o caminho, e coube a mim aceitá-lo integralmente.

A Profissão de fé que fiz pelo batismo foi deixar para trás aquela pessoa que era, materialista, que acreditava só em si, que comprava centenas de livros de auto-ajuda, que tinha deuses para cada causa, que não se importava com o perdão das pessoas à sua volta, e cujo a moeda de troca era a vingança, de preferência tardia para ser bem saboreada. Fé? Simplesmente não tinha.

Sei que a transformação é e será lenta e que muitas vezes ainda repetirei o homem que já fui, mas acredito também no perdão, arrependimento e graça de Deus, pois sou um homem novo, lavado pelo sangue de Cristo e batizado em o nome de Jesus.

Durante minha vida, já me preparei para iniciar cursos muito importantes. Lembro-me quando passei no vestibular da FAE, no longínquo ano de 1967 e com muita ansiedade esperei pelo primeiro dia de aula na faculdade… Anos mais tarde, ao fazer o Mestrado na COPPEAD – UFRJ, a mesma emoção se apoderou de mim, mas a vida estava para me reservar uma alegria ainda maior: O curso de Teologia na Faculdade Betânia – Fatebe.

Foi depois de ter feito o curso de pós-graduação em Aconselhamento e Gestão de Pessoas nesta Instituição, que tomei a decisão de fazer o curso de bacharelado em Teologia. Já se passaram quase quatro anos e estou me formando, se Deus quiser, neste final de ano.

Pretendo ser um Teólogo e atuar na academia. Já estou, de certa maneira fazendo isto, como professor do curso de pós-graduação da Fatebe.

Para terminar, gostaria de voltar ao primeiro assunto, que é como gosto de me encontrar com Deus nas montanhas.

Desde aquele acontecimento fatídico de 2004, onde fui resgatado, já quase sem vida, subi muitas outras montanhas. Estive por mais 5 vezes no Aconcágua, que é a maior montanha do hemisfério Sul. Também fui escalar a Cordilheira Blanca no Peru, a Cordilheira Real na Bolívia, a Cordilheira Huayhuash que é tida como a cordilheira mais bonita depois dos Himalayas e recentemente estive no Deserto de Atacama, escalando alguns vulcões dentre os quais o Ojos del Salado, que tem quase 7.000 metros de altura.

Este deserto, por ser o mais alto do mundo, é implacável e é o mais seco do planeta Terra. As temperaturas variam muito, chegando durante o dia a quase 40 graus positivos e baixando à noite para 20 graus negativos ou mais, dependendo da altura dos vulcões. Nesta viagem, fiz questão de levar comigo uma bandeira da Faculdade Betânia, para fazer uma homenagem a todos os meus amigos, alunos e professores desta Instituição.

Este é o meu Deus das montanhas, todas as noites no deserto, ao olhar para o céu, a imensidão das estrelas, tive o privilégio de estar mais perto d’Ele.

Minha oração é para que eu possa subir ao monte do SENHOR e estar no seu lugar santo, no aconchego da Sua proteção. Que ele limpe minhas mãos, purifique meu coração e livre minha alma da vaidade.

Obrigado Senhor Deus da minha vida, por tudo que tens feito em mim!

José Manuel Kantek Garcia Navarro
Mestre em ciências da Administração. É professor da Pós-Graduação em Aconselhamento e Gestão de Pessoas e aluno do curso de Teologia na FATEBE.
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24 de agosto de 2020 • 5 min. de leitura

Isolado, mas não angustiado!

O tema deste texto é “Teologia para tempos de Crise”. “Teologia”, uma palavra sobre Deus, ou de Deus, sobre a crise. Pensando em “crise” pensamos nas inumeráveis crises que podem atingir uma pessoa devido às contingências da vida e, de modo particular, pensamos na crise de saúde, crise econômica, social, emocional, que a todos nós atinge atualmente. É uma situação que, por forças das circunstâncias, traz consigo outras preocupações e ansiedades: o medo do contágio, a crise financeira, resultado do afastamento do trabalho, e, em alguns casos, até mesmo de demissões, preocupações com o futuro das firmas e empresas. O fato é que nós não podemos mudar as circunstâncias. Mas há uma coisa que podemos mudar: nós mesmos. Podemos mudar nossas atitudes, nossas reações, nossa maneira de encarar, de enfrentar esta contingência da vida. Todos nós podemos aprender com um homem que enfrentou também a crise, o isolamento, mas de uma forma brutal, compulsória, forçada, violenta – o apóstolo Paulo. Podemos perguntar como ele enfrentou as crises em sua vida, o isolamento imposto a ele pela prisão? Como ele reagiu, o que falou, como ele encarou esta situação? Especialmente na carta que Paulo escreveu à Igreja de Filipos temos alguns princípios valiosos que devemos conhecer e aplicar. Quero destacar três deles. 1. O segredo está no centro O segredo maior de Paulo para enfrentar as crises da vida é esta: no núcleo de sua vida havia uma realidade que dava sentido, que determinava todas as outras e que não dependia dos altos e baixos da vida: esta realidade era Cristo! Quero usar de uma imagem. Há pessoas que são como pêssegos, outras são como cebolas. O pêssego tem casca, polpa e semente. Tem um núcleo central. A cebola tem camadas, várias camadas. Você procura algo no centro, mas não encontra. Há pessoas que só tem camadas: trabalho, estudo, casa, carro, beleza, esporte, amigos, o clube, diplomas, dinheiro. A vida vai removendo as camadas. Esta pandemia removeu várias camadas da vida de muitas pessoas e o que há no centro? O que dá valor à vida mesmo que todas as camadas sejam removidas? Paulo tinha algo que era central. Algo que dava valor à sua vida. Uma realidade que determinava o sentido de sua existência. Ele disse: “Para mim o viver é Cristo” (Fil 1.21). 2. “Floresça onde você está plantado”. Esta frase é o título de um livreto do famoso e já falecido pastor Robert Schuller. Neste livreto ele afirma que muitas pessoas acham que só poderão ser vencedoras, ter uma vida feliz, ser pessoas realizadas, “florescerem”, se estiverem “plantadas” em outro lugar, se tiverem um outro emprego, se estudarem em outra escola, se mudarem para outra cidade ou país e, pior, muitas vezes, se tiverem um outro marido, uma outra esposa. Mas Schuller afirma: Você pode florescer, viver, ser realizado, encontrar a felicidade onde você está agora. Se há alguma coisa que precisa mudar: é você – por dentro. Voltando para o apóstolo Paulo, ele estava “plantado” num chão inóspito e desagradável – uma prisão romana. Ele poderia ter dito: “Vou poder voltar a ser útil, a servir, a ser realizado, feliz, quando sair desta prisão miserável”. Mas não! Lá onde ele estava, ele floresceu. Ele falou de Cristo aos guardas, ele escreveu várias cartas que estão entre os escritos mais lidos no mundo até aos nossos dias. Você não está bloqueado, algemado, engessado, congelado pela crise, não! “Floresça onde você está plantado!” 3. “Acabe com as saúvas, antes que elas acabem com você”. No passado havia uma frase muito conhecida: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Esta frase é atribuída ao naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, que esteve no Brasil há um século e meio atrás, estudando a flora brasileira. Usando de uma metáfora, quantas “saúvas” de preocupação, ansiedade, nos assediam nestes dias do vírus se espalhando, do perigo de contaminação, do isolamento social, da crise financeira, pessoal e nacional, do medo de ficar doente, de perder o emprego, de perder a firma. Estas “saúvas” nos atacam principalmente a noite, perturbando o nosso sono. O apóstolo Paulo também tem uma sugestão para nós diante das crises de ansiedade e de medo. Ele disse: “Não vivam preocupados com coisa alguma; em vez disso, orem a Deus pedindo aquilo de que precisam e agradecendo-lhe por tudo que ele já fez. Então vocês experimentarão a paz de Deus, que excede todo entendimento e que guardará seu coração e sua mente em Cristo Jesus.” (Fil 4.6-7, NVT) O conselho de Paulo é este: “Em vez de você carregar dia e noite o peso das preocupações nos seus ombros e no seu coração, entregue nas mãos de Deus e deixe nas mãos dele.” Alguém disse que tinha uma caixinha chamada “CDC” (Coisas para Deus cuidar). Ele colocava na caixinha as suas preocupações e deixava lá. Confiava que Deus iria cuidar daquilo que ele entregou a Deus. Eu sugiro que todos tenhamos uma caixinha “CDC” – “Coisas para Deus cuidar” e coloquemos nela tudo o que nos preocupa e aflige. Portanto, vamos aprender com o apóstolo Paulo. Ele enfrentou a crise, o isolamento, a prisão de forma brutal, mas não apenas teve uma vitória diante destas circunstâncias de sua vida, como deixou tantos princípios preciosos para nós hoje também, que poderão nos ajudar a termos, também, uma atitude de vitória.

Fred R. Bornschein
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12 de junho de 2020 • 3 min. de leitura

O que Deus me ensinou e o que ainda estou aprendendo

Ainda quando criança, aprendi que amar o próximo e servir meus irmãos não é algo facultativo, mas uma obrigação muito honrosa, pois no reino de Deus a promoção é para baixo. Um pouco mais velho aprendi que as coisas que eu pensava que tinha, não eram minhas, mas de Deus, que por sua infinita misericórdia me permitiu administrar e usufruir delas, sabendo que também é minha obrigação usar todas elas em benefício daqueles que não foram favorecidos. Há pouco tempo, também descobri que minha vida aqui não serve apenas para minha própria alegria ou prazer mas que ela tem um propósito maior que a minha própria existência, pois muitas pessoas ainda vivem escravizadas pelo sofrimento e medo e elas também têm o direito de conhecer o Deus maravilhoso que me foi apresentado ainda quando criança. Descobri que para essa nobre tarefa me foi confiada uma lanterna, alimentada pelo evangelho de nosso Senhor, que além de iluminar meus passos também pode iluminar o caminho daqueles que estiverem em trevas, e mais, descobri que ao fazer isso, meu coração se enche com tanta alegria e satisfação que mal posso me conter, a ponto de desejar cada dia mais compartilhar essa luz. Aprendi que às vezes, as pessoas cometem erros terríveis com intenções puras mas que devo sempre lembrar que eu também não consigo fazer o bem que gostaria todas as vezes que tento e que o perdão é libertador. Aprendi que em alguns dias, apesar de fazer sol lá fora e não ter nuvens no céu, meu coração pode enfrentar grandes tempestades e que esses dias costumam ser bem longos, mas aprendi também que em outros dias, não importa o frio que faça lá fora, não importa o quão cinza o céu esteja, meu coração se aquece com o amor de Deus de tal forma, que poderia derreter toda frieza e apatia que me cercar, esses são dias maravilhosos. Com o passar do tempo, tenho aprendido a orar em silêncio, ouvindo mais o que Deus espera de mim, do que dizendo o que eu espero dele, expondo sim, meus anseios e angústias porque sei que ele tem poder para fazer todas as coisas, mas sem me frustrar quando não sou atendido, porque mesmo que as negativas não façam sentido para mim, é Ele quem sabe o que é melhor de acordo com seu plano soberano para minha vida. Tenho aprendido que quando choramos fazemos as nossas melhores orações, pois são as mais sinceras e que nenhuma lágrima é desperdiçada quando derramada na presença de Deus. Descobri que o silêncio de Deus não é sinal de sua apatia, mas na maioria dos casos, a resposta que eu preciso, e que se ambos ficarmos em silêncio por algum tempo, poderemos passar momentos incríveis juntos. Por fim, tenho aprendido que seu amor se manifesta das mais variadas formas, de pássaros cantando na janela a abraços de amigos e que absolutamente nada poderá nos afastar desse amor ou nos arrebatar de suas mãos.

Bruno Hilgenberg Martins
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13 de novembro de 2019 • 5 min. de leitura

Comunidade Tradicional e Comunidade Virtual

A construção da identidade de um ser humano é um dos fatores centrais na sua própria existência. O seu posicionamento social acaba plasmado pela sua capacidade de identificar-se enquanto um ser frente aos seus semelhantes. Neste aspecto a instituição é fator essencial para propiciar elementos que estabelecem o aspecto identitário. Em primeiro plano é essencial compreender que identidade é diferente de papel. Os papeis desempenhados pela pessoa “são definidos por normas estruturadas pelas instituições e organizações da sociedade”(CASTELLS, 1999, p. 23). São elementos que permeiam a vida do ser humano, muitas vezes usado para tentar definir o mesmo embora sejam apenas manifestações desta pessoa no seu aspecto funcional. “Identidades, por sua vez, constituem fontes de significado para os próprios atores, por eles originadas e construídas por meio de um processo de individuação” (CASTELLS, 1999, p. 23) Nesta construção, a instituição assume papel importante, auxiliando na introjeção dos elementos constitutivos da identidade mediante a construção do imaginário e elementos valorativos do indivíduo. Castells indica a existência de três tipos de identidade. A primeira é a legitimadora que, mediante a ação das instituições, acaba por tornar natural a opressão e os elementos predatórios existentes no tecido social. A segunda, dentro da lógica da sobrevivência, acaba sendo desenvolvida sempre que se sente ameaçado. Nesta segunda identidade incluem-se tanto os grupos e etnias que sofrem perseguição como os grupamentos religiosos que buscam no fundamentalismo a sobrevivência frente a uma comunidade em constante mutação. A última identidade é a de projeto. Esta terceira identidade se aproxima muito daquilo que Jesus Cristo pregou ao indicar uma nova mensagem por meio do evangelho. É uma identidade que compreende a necessidade de transformação do tecido social mediante uma ressignificação da própria sociedade e da implementação de valores transformadores. Desta forma a identidade do indivíduo se estrutura nesta tríplice possibilidade. É importante notar, contudo, que não se trata de elementos estanques. Uma mesma pessoa que se coloca numa identidade de resistência, pode acabar contraindo elementos que o levem a uma identidade de projeto ou mesmo legitimadora. É neste ponto que entra a importância das comunidades. Inicialmente é possível, a grosso modo, dividi-las entre tradicionais e virtuais (CASTELLS, 1999c,b). As tradicionais são aquelas que existem de forma física, muitas vezes já durando milênios. Normalmente são formais pois estão estruturadas em um tempo e local estabelecidos. As regras, símbolos e ritos marcam a sua existência. Normalmente as pessoas possuem uma relação direta com a comunidade o que permite desenvolver relacionamentos profundos que derivam num senso de pertencimento. Muitas lideranças são estabelecidas por carisma. Suas principais limitações são a atitude normalmente refratária a mudanças e o risco de se tornar uma trincheira no qual os indivíduos se sentem os últimos guardiões da verdade. Quando pensamos em comunidades virtuais o que se traz à tona é um ambiente virtual, o espaço da internet. Um espaço em que sua identidade torna-se múltipla e pode até mesmo ser trocada e disfarçada. É neste espaço que se organizam as comunidades virtuais (CASTELLS, 1999a). Caracteriza-se por possuir pouca ou nenhuma formalidade e uma tendência constante de mutação. O líder deixa de ser carismático para se tornar um influencer. Os relacionamentos são superficiais, ou nas palavras de Bauman (2004), líquidos. Desta forma existe pouca, ou nenhuma, preocupação real com as pessoas. Busca-se o espetacular e o distanciamento dos problemas alheios. Antes de prosseguir para a provocação necessitamos voltar os olhos para Baumann (2001b,a; 2004). Ele observa que existem comunidades virtuais que acabam trazendo consigo elementos tradicionais tais como a possibilidade de exclusão caso não concorde com a “verdade” estabelecida (desfazer amizade). Por outro lado, a contaminação do virtual também chega às comunidades tradicionais que acabam adotando elementos virtuais como o pouco compromisso, o influencer como líder, pouca preocupação real com o outro. Desta forma é possível ter uma comunidade no mundo digital marcada por elementos tradicionais e uma comunidade no mundo real imbricada pela lógica virtual. Desta forma é bastante empobrecedor, numa sociedade líquida imaginar que uma comunidade virtual sempre estará no mundo virtual ou uma tradicional seguindo a lógica do mundo físico. Desta forma a provocação deste texto é uma reflexão sobre qual tipo de identidade nossas Igrejas têm construído. Se olharmos para Jesus Cristo com certeza indicaríamos a de projeto como a mais adequada, mas não é raro observarmos Igrejas construindo identidades legitimadoras e de resistência. Por outro lado, como tem sido a postura da Igreja contemporânea? Ela se contaminou com a tendência líquida da sociedade ou se mantém um espaço onde a Verdade de Jesus Cristo é pregada? Os relacionamentos, ritos e símbolos do sagrado têm sido elementos identitários, ou têm sido substituídos por elementos fluidos que pouco têm a acrescentar na construção identitária de seus membros? São questões que a Igreja precisa responder cotidianamente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAUMAN, Z. Comunidade: a busca da segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2001a. 136 p. ISBN: 8571106991. _________. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001b. 192 p. ISBN: 8571105987. _________. Amor Líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. 77 p. ISBN: 9788571107953. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999a. _________. Fim do milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999b. . O Poder Da Identidade. São Paulo: Paz e Terra, 1999c. 492 p. ISBN: 85-219-0336-7.

Nilton Torquato
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