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Uma breve construção histórica do olhar filosófico na relação homem e mulher

Rogério Leoderio de Souza
Rogério Leoderio de Souza
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16 de setembro de 2021 • 4 min. de leitura

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Nesta construção histórica da filosofia existem características e eventos que podem lançar luz sobre as questões da mulher em ocupar um lugar de referência dentro do âmbito religioso, e até mesmo potencializar e elucidar a questão da mulher como produtora de conhecimento. Desta forma, pretendo pinçar fatos e personagens que poderão minimamente oferecer apontamentos à questão.

Quando a filosofia nasce, na Grécia, no âmbito religioso, as mulheres, enquanto sacerdotisas, tinham os mesmos privilégios que os homens, os quais poderia citar: assento garantido nas primeiras filas dos jogos em Atenas; direito à propriedade e de perpetuar a herança; prestígio ao ponto de terem monumentos erguidos em sua homenagem.

Mas este prestígio não era encontrado na vida da sociedade não religiosa grega, pois as mulheres não tinham acesso aos estudos e nenhum direito na democracia Ateniense. Sem dúvida, a condição delas manifestava uma disparidade entre a vida dentro da religião e fora dela.

A primeira filósofa que temos notícias foi Safo, 630 ou 604 a.C., nascida em Mitilene – Lesbos, uma ilha grega. Dentre as suas atribuições, podemos citar: poetisa, tecelã, sacerdotisa e filósofa. Devido as suas ideias provocarem perturbações nos poderosos, foi exilada na Sicília junto com a família, mas quando retornou, fundou uma escola só para mulheres, onde as mesmas eram educadas na poesia e filosofia, e eram ensinadas a pensar criticamente e a serem femininas. Sem dúvida esta escola foi um grande marco para a educação das mulheres na época.

Por sua vez, o filósofo Platão (428/348 a.C.), na obra “A República”, inova o papel da mulher em sua cidade ideal, possibilitando a sua emancipação social, política e a mesma educação dos homens. Para ele, o único impedimento de uma mulher em praticar o que quiser, seria a sua competência ou não para o ofício desejado. Nesta cidade ideal, todas as funções, até mesmo a de governar sobre outros, não se fixa pelo sexo que cada um possui, e sim, pela competência que cada um carrega em si; o mais capaz então, deve realizar o propósito.

Diferente de Platão pensa o seu discípulo Aristóteles, pois para ele a mulher possui uma alma inferior a do homem, ela seria apenas um pouco mais superior que a alma do escravo. Isso intrinsecamente a impediria de realizar algumas funções que seriam próprias do homem livre, entre elas de tecer um pensamento crítico e de governar.

Dando um salto na história, iremos nos deparar com Hipátia, nascida em Alexandria no ano de 360 d.C. Ela é uma prova histórica, entre tantas outras, que a mulher tem condições de assumir um protagonismo na liderança e no pensamento crítico, pois foi ela considerada a primeira matemática da história e dirigiu por um significativo período a Escola Platônica de Alexandria, uma das mais conceituadas da época, onde seus alunos, após passarem por ela, tornavam-se prefeitos, governadores e líderes da igreja. Hipátia teve uma morte trágica, foi esfolada viva na Ágora por cristãos radicais. Mas mesmo sendo perseguida em sua vida, nunca deixou de anunciar o que acreditava e por isso tornou-se um ícone na história. Certa vez ela disse: “Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força”.

Outra filósofa a considerar é Simone de Beauvoir (1908/1986). Segundo ela, “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Esta frase, à primeira vista, causa muita estranheza para aqueles que nunca pensaram no assunto. Mas de fato, a mulher sempre foi ensinada a se comportar e agir de determinada maneira e por muito tempo foi educada para ser uma boa esposa e servir ao marido. Com isso, a superioridade do masculino foi ganhando cada vez mais força e o gênero feminino passou a ser visto como inferior. O que está em pauta, não é nascer mulher no sentido biológico, mas sim que a mulher é obrigada a se moldar às expectativas de uma sociedade que a inferioriza. Neste sentido, a mulher, segundo Beauvoir, tem direito de assumir o protagonismo de sua própria existência e querer ser o que ela desejar e não o que se espera socialmente dela.

Acredito que estas provocações e exemplos possam ser uma fagulha para pensar melhor sobre a mulher e seus direitos, que devem ser esculpidos à luz das Escrituras e não especificamente da tradição ou de qualquer força que inferiorize o valor da mulher; neste sentido a filosofia tem algo, ainda que de forma singela, a acrescentar.

Rogério Leoderio de Souza
Rogério Leoderio de Souza
Especialista em Filosofia da Religião – Faculdade de Ciências e Letras. Graduado em Teologia – SEMIB. Graduado em Teologia – Bacharelado – FACETEN. Bacharelado e Licenciatura em Filosofia – UFPR.
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8 de julho de 2020 • 4 min. de leitura

A crise no contexto missionário: um panorama

A partir da análise de eventos relacionados ao cristianismo dos primeiros séculos, em especial as epidemias sucessivas até meados do século terceiro e a chamada conversão do imperador romano Constantino, no início do século quarto, propomos um paralelo com a conjuntura de 2020. Este paralelo tem como objetivo, através da leitura destes eventos, compartilhar oportunidades e alertas para o comportamento da igreja cristã durante a recente crise que se abateu sobre o mundo com o advento da manifestação da COVID-19, que se materializa em múltiplas crises, seja ela sanitária, econômica e, no caso do Brasil, uma crise política sem paralelos na história da república brasileira. O Movimento Missionário na Igreja Antiga Em seus primeiros séculos, o cristianismo apresenta um movimento descentralizado de evangelismo, partindo dos apóstolos e de seus discípulos diretos. Neste “cristianismo embrionário”, o processo de evangelização e transmissão das boas novas de Cristo acontecia a partir do contato pessoal entre o convertido e o “pagão”, compreendido como o fiel das religiões politeístas tradicionais dos limites do império romano, mas não só. Os territórios “bárbaros” (não romanizados), também contavam com a presença de cristãos, na medida em que este processo acompanhava o avanço de soldados, comerciantes e outras funções que demandassem o deslocamento geográfico por parte destes convertidos. Neste sentido, a pessoalidade estava muito presente neste processo, através do contato pessoal com aquele que conhecia o Evangelho. Neste sentido, as mulheres eram uma grande força missionária, no sentido de serem as primeiras em seus núcleos a conhecerem e propagarem a mensagem de Cristo. Até a segunda metade do século três, diversas epidemias se abateram sobre os territórios mediterrânicos e os cristãos cresceram neste ambiente por duas razões principais. Em primeiro lugar, o senso de comunidade gerado desde o período apostólico fez com que os cristãos cuidassem mais de si mesmos, ao mesmo tempo em que cuidavam dos doentes, que eram descartados pela sociedade romana. Este contato direto com os infectados, levou muitos cristãos à morte e isso trouxe simpatia de camadas mais simples da população romana, desprotegidas pela estrutura oficial imperial. Em contrapartida, a declaração de conversão do imperador Constantino no início do século IV trouxe desafios adicionais, até o momento inéditos para a Igreja Cristã. Se por um lado, o fim das perseguições melhorou a produção teológica que floresce após este período, notoriamente marcada pelos escritos de Atanásio, Jerônimo, Agostinho, entre outros, por outro, a institucionalização do cristianismo pelo império trouxe diversos antagonismos, dos quais destacamos dois de maneira especial. Em primeiro lugar, uma divisão interna entre aqueles que viam com bons olhos a chegada da fé cristã à estrutura imperial e aqueles que viam este novo momento como um desvirtuamento dos ensinos de Cristo com esta aproximação da fé com o império. Em segundo lugar, a associação dos cristãos de maneira direta com o governo imperial, trouxe a hostilização para aqueles que estavam em territórios “bárbaros”, por serem considerados simpatizantes dos romanos. Possibilidades Partindo do exposto até o momento, analisando os feitos da igreja em sua gênese, é possível destacar possíveis oportunidades, além de um alerta para a igreja contemporânea. A pandemia da COVID-19 pode oferecer uma grande oportunidade de aproximação com a sociedade pós-moderna, caso ela ofereça empatia e auxílio para aqueles que estão necessitados. Na medida em que a crise sanitária gera uma crise econômica, o papel da igreja como agente ativo de auxílio e instrumento social de integralidade do evangelho que atinja o indivíduo em todas as suas necessidades será cada vez mais necessário. Como alerta, usando o evento da conversão de Constantino como base de análise, é preciso verificar o papel de parte da liderança protestante brasileira, como elemento ativo no quadro político presente. Quando a igreja demonstra publicamente seu apoio a determinado governo, qualquer que ele seja, automaticamente gerará os efeitos apontados neste artigo: a divisão interna entre os que apoiam e os que desaprovam este apoio, e a hostilidade entre o grupo maior da sociedade que não se identifica ao governo vigente. A reflexão é válida, na medida em que a igreja precisa atentar para seu papel fundamental de fazer discípulos de todas as nações. A igreja tem prevalecido diante dos governos ao longo dos últimos dois milênios. Por esta razão, é condição essencial analisar sua longa história e aprender com ela para direcionar suas ações em nosso presente.

Eduardo Medeiros
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6 de maio de 2020 • 4 min. de leitura

A Difícil Realidade em Tempos de Crise e a busca do Equilíbrio

Por que o equilíbrio das informações recebidas durante a pandemia é importante? É fato que a falta de informação não confere imunidade a alguém. Os veículos de comunicação cumprem seu papel ao alertar a população sobre os riscos que a COVID-19 acometem aos infectados; às vezes é preciso chocar para conscientizar. Nisto as denúncias de escassez de recursos, leitos e profissionais qualificados nos hospitais cumprem também este papel. Entretanto, neste pêndulo, realismo e pessimismo se confundem e a linha é tênue. Sim, cada vida é importante e por isso todos os meios de enfrentamento da doença se fazem essenciais neste período. Mas sem desconsiderar tudo que foi afirmado até aqui, quero pensar em outro enfrentamento: o da batalha pela sanidade mental. Nos últimos dias obtive informação de uma profissional de saúde que os hospitais estão recebendo inúmeras pessoas com sintomas que parecem com os do infarto, mas que na verdade são referentes a um ataque de pânico. E não é de se estranhar o motivo, basta assistir os jornais para ver valas abertas, funerais, gente sofrendo nos leitos e superlotação nos hospitais… Um dia vi um neurocientista falar que as informações que ouvimos são internalizadas por nosso cérebro e os sentimentos produzidos independem se aquilo é uma realidade para nós ou não. Não é difícil perceber isso após assistir a esses jornais. Com isso, você acha que proponho o fechar dos olhos para a realidade? Claro que não! Mas em tempos de enfrentamento a recepção das informações pelos meios de comunicação precisa de um cuidado importante: o equilíbrio. De acordo com o dicionário, um dos significados para equilíbrio é “ igualdade de força entre duas ou mais coisas ou pessoas, grupos etc. em oposição”. O equilíbrio das informações é importante porque o que tem ocorrido no cenário que o coronavírus propiciou é muito sério e digno de toda a atenção e cuidados, mas a forma como tudo tem sido tratado, de forma tão escancarada e intensa tem gerado desânimo e ansiedade na população. É preciso equilibrar; estamos enfrentando tempos muito difíceis, mas em momentos de crise é preciso dar à população, além de motivos para se proteger, motivos para crer, para autotranscender, para encontrar soluções, para somar esforços e beneficiar os mais frágeis. Neste sentido, há um certo jornal no Estado do Paraná que tem prestado um verdadeiro serviço à comunidade. Nele vi a solidariedade humana de fazer máscaras para a população carente, grupos comunitários encontrando alternativas para dirimir a falta da presença física e acompanhar seus beneficiados, depoimentos de pessoas recuperadas, fotos de pessoas realizando atividades em casa, pesquisas promissoras com a construção de respiradores a baixo custo e invenção de aparelho de desinfecção de roupas a partir de luz específica, conversa com a psicóloga e até uma música com mensagem de esperança composta pela banda da própria emissora. Houve a informação mas também houve uma mensagem de esperança e superação das dificuldades. E por falar em esperança, não é à toa que as Escrituras nos trazem essa mensagem. Nela as injustiças, a dor, o sofrimento e até a tragédia são descritos, mas também é nela que podemos ler “ quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21) ou, ainda, que “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8). Que Deus nos ajude neste momento difícil e que, com uma mente equilibrada, sejamos capazes, não só de passar por ele, mas de realizarmos ações de enfrentamento para que venham dias melhores.

Grazielle Silva de Carvalho Abreu
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1 de junho de 2022 • 5 min. de leitura

Oro a um Deus que não me ouve!

# Oro a um Deus que não me ouve! Sem dúvida nenhuma, um dos maiores pilares da mensagem cristã é a oração! Jesus não somente orava, como também nos aconselha a orar! É muito comum vermos no evangelho Jesus se retirando de entre a multidão e indo para a solitude do ‘monte da oração’. É muito comum vermos Jesus se retirar dos ‘palcos’, se retirar dos ‘holofotes’, e correr para o anonimato do ‘quarto de oração’, pois sem dúvida nenhuma, de nada adiantaria ter as multidões a ouvi-lo e não ter o Deus das multidões na intimidade do quarto! A grande questão na oração é uma simples pergunta: “Por que orar?”. Porque orar se o próprio Jesus disse que Deus já sabe o que precisamos antes mesmo de falarmos? Porque orar se o Senhor já sabe tudo o que iremos dizer na oração antes mesmo de pensarmos naquilo que iremos falar? Porque orar se toda a graça já nos foi dada na Cruz? Porque orar se o que Deus quiser fazer Ele irá fazer independente se eu pedir ou não? Porque orar se o que Deus não quiser fazer Ele não fará independentemente se eu pedir ou não? Porque orar o ‘seja feita a tua vontade’ se a vontade dEle já será feita independemente se eu pedir que ela seja feita ou não? (Existem muitos outros pontos). Porque orar se o ministério do evangelho é simplesmente servir ao próximo em amor? Porque orar sendo que não podemos ‘comprar’ Deus pelos nossos sacrifícios? Porque orar sendo que tudo já nos foi dado quando Jesus gritou “Tetelestai” (está consumado)? Essa foi uma grande questão que invadia minha mente até que encontrei a resposta em Jesus! Me impactou saber que na oração Deus não nos ouve, Ele nos vê! Jesus disse: “Quando fores orar entra no teu quarto, fecha a porta, porque aquele (Deus) que te VÊ em secreto…”, não é aquele que nos ouve, é aquele que nos vê! Um dia perguntaram a Madre Teresa o que ela dizia a Deus em suas orações, ela respondeu: “Eu não falo nada, eu somente escuto!”, então lhe perguntaram: ‘E o que Deus diz’, “Ele não diz nada, Ele somente me escuta” – respondeu ela, Não eram as palavras que moviam a oração, não eram a quantidade de palavras ditas, o tom de voz em que eram ditas, o volume em que eram ditas e muito menos o como eram ditas, mas sim a atitude de estar a orar, a oração do silêncio, a atitude de apresentar-se diante de Deus no quarto da oração e relacionar-se em gemidos da alma! Foi John Bunyan quem disse: “Na oração mais vale um coração sem palavras do que palavras sem um coração!”, orar não é falar e falar, orar é se relacionar mesmo que sem palavras! A respeito da oração muito se ensina a como prolongá-la. Uns pronunciam palavras de modo devagar para que dure mais tempo, outros oram em todos os assuntos possíveis para que fique mais tempo em oração, oram por todos os nomes para que preencha tempo como que cumprindo sua carga horária, fazem como tolos que pensam que por muito falarem serão ouvidos, uns oram gritando acreditando que isso demonstra maior ‘unção e autoridade’, uns oram de maneira rápida e ofegante acreditando que isso é o poder de Deus, mas não! Queridos, orar não é ‘falar e falar’, orar é se relacionar, pois Ele nos VÊ, Ele VÊ a atitude de se retirar do mundo e apegar-se ao silêncio de um quarto escuro!”! Agora eu entendo, oração não é pedir algo (até porque Ele sabe de tudo o que precisamos, mas, se quiser pedir, não é proibido rs), oração é entregar, me entregar, quanto mais oro, mais me entrego. Oração não é a quantidade de decibéis que sai de minha boca, mas sim o aroma suave que vem do coração! Oração é amá-lo, oração é simplesmente o querer estar mais perto, orar não é uma obrigação para os servos mas é um prazer dos filhos! Por isso essa grande pergunta se responde no que é relacional, “por que orar?”, para, simplesmente, me relacionar! Foi assim então que entendi que oração não é questão de “falar e ouvir “, mas de “fazer e ver”! Oração é como o abraço de um casal de namorados, apaixonados…, nenhuma palavra se é pronunciada, nenhuma palavra se faz necessária, o carinho no abraço já diz tudo, os olhos fechados no abraço já dizem tudo, a atitude no abraço já diz tudo! Orar é “abraçar” e não somente palavras pronunciar! Eu não ouço, não escuto quem me abraça, eu o vejo, eu vejo o sentimento no abraço, vejo a sinceridade no abraçar! Oro a um Deus que não me ouve, oro a um Deus que me vê, Ele vê a sinceridade na oração em silêncio, Ele vê o sentimento na oração sem palavras, Ele vê o meu sentir por ele, Ele sente o meu ‘abraçar’ (oração)!

Luiz Henrique Silva dos Santos
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