
13 de novembro de 2019 • 5 min. de leitura
Comunidade Tradicional e Comunidade Virtual
A construção da identidade de um ser humano é um dos fatores centrais na sua própria existência. O seu posicionamento social acaba plasmado pela sua capacidade de identificar-se enquanto um ser frente aos seus semelhantes. Neste aspecto a instituição é fator essencial para propiciar elementos que estabelecem o aspecto identitário.
Em primeiro plano é essencial compreender que identidade é diferente de papel. Os papeis desempenhados pela pessoa “são definidos por normas estruturadas pelas instituições e organizações da sociedade”(CASTELLS, 1999, p. 23). São elementos que permeiam a vida do ser humano, muitas vezes usado para tentar definir o mesmo embora sejam apenas manifestações desta pessoa no seu aspecto funcional.
“Identidades, por sua vez, constituem fontes de significado para os próprios atores, por eles originadas e construídas por meio de um processo de individuação” (CASTELLS, 1999, p. 23) Nesta construção, a instituição assume papel importante, auxiliando na introjeção dos elementos constitutivos da identidade mediante a construção do imaginário e elementos valorativos do indivíduo.
Castells indica a existência de três tipos de identidade. A primeira é a legitimadora que, mediante a ação das instituições, acaba por tornar natural a opressão e os elementos predatórios existentes no tecido social. A segunda, dentro da lógica da sobrevivência, acaba sendo desenvolvida sempre que se sente ameaçado. Nesta segunda identidade incluem-se tanto os grupos e etnias que sofrem perseguição como os grupamentos religiosos que buscam no fundamentalismo a sobrevivência frente a uma comunidade em constante mutação. A última identidade é a de projeto. Esta terceira identidade se aproxima muito daquilo que Jesus Cristo pregou ao indicar uma nova mensagem por meio do evangelho. É uma identidade que compreende a necessidade de transformação do tecido social mediante uma ressignificação da própria sociedade e da implementação de valores transformadores.
Desta forma a identidade do indivíduo se estrutura nesta tríplice possibilidade. É importante notar, contudo, que não se trata de elementos estanques. Uma mesma pessoa que se coloca numa identidade de resistência, pode acabar contraindo elementos que o levem a uma identidade de projeto ou mesmo legitimadora. É neste ponto que entra a importância das comunidades.
Inicialmente é possível, a grosso modo, dividi-las entre tradicionais e virtuais (CASTELLS, 1999c,b). As tradicionais são aquelas que existem de forma física, muitas vezes já durando milênios. Normalmente são formais pois estão estruturadas em um tempo e local estabelecidos. As regras, símbolos e ritos marcam a sua existência. Normalmente as pessoas possuem uma relação direta com a comunidade o que permite desenvolver relacionamentos profundos que derivam num senso de pertencimento. Muitas lideranças são estabelecidas por carisma. Suas principais limitações são a atitude normalmente refratária a mudanças e o risco de se tornar uma trincheira no qual os indivíduos se sentem os últimos guardiões da verdade.
Quando pensamos em comunidades virtuais o que se traz à tona é um ambiente virtual, o espaço da internet. Um espaço em que sua identidade torna-se múltipla e pode até mesmo ser trocada e disfarçada. É neste espaço que se organizam as comunidades virtuais (CASTELLS, 1999a). Caracteriza-se por possuir pouca ou nenhuma formalidade e uma tendência constante de mutação. O líder deixa de ser carismático para se tornar um influencer. Os relacionamentos são superficiais, ou nas palavras de Bauman (2004), líquidos. Desta forma existe pouca, ou nenhuma, preocupação real com as pessoas. Busca-se o espetacular e o distanciamento dos problemas alheios.
Antes de prosseguir para a provocação necessitamos voltar os olhos para Baumann (2001b,a; 2004). Ele observa que existem comunidades virtuais que acabam trazendo consigo elementos tradicionais tais como a possibilidade de exclusão caso não concorde com a “verdade” estabelecida (desfazer amizade). Por outro lado, a contaminação do virtual também chega às comunidades tradicionais que acabam adotando elementos virtuais como o pouco compromisso, o influencer como líder, pouca preocupação real com o outro. Desta forma é possível ter uma comunidade no mundo digital marcada por elementos tradicionais e uma comunidade no mundo real imbricada pela lógica virtual. Desta forma é bastante empobrecedor, numa sociedade líquida imaginar que uma comunidade virtual sempre estará no mundo virtual ou uma tradicional seguindo a lógica do mundo físico.
Desta forma a provocação deste texto é uma reflexão sobre qual tipo de identidade nossas Igrejas têm construído. Se olharmos para Jesus Cristo com certeza indicaríamos a de projeto como a mais adequada, mas não é raro observarmos Igrejas construindo identidades legitimadoras e de resistência. Por outro lado, como tem sido a postura da Igreja contemporânea? Ela se contaminou com a tendência líquida da sociedade ou se mantém um espaço onde a Verdade de Jesus Cristo é pregada? Os relacionamentos, ritos e símbolos do sagrado têm sido elementos identitários, ou têm sido substituídos por elementos fluidos que pouco têm a acrescentar na construção identitária de seus membros? São questões que a Igreja precisa responder cotidianamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAUMAN, Z. Comunidade: a busca da segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2001a. 136 p. ISBN: 8571106991. _________. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001b. 192 p. ISBN: 8571105987. _________. Amor Líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. 77 p. ISBN: 9788571107953. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999a. _________. Fim do milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999b. . O Poder Da Identidade. São Paulo: Paz e Terra, 1999c. 492 p. ISBN: 85-219-0336-7.


6 de novembro de 2019 • 5 min. de leitura
Uma Mente Renovada para o Discernimento dos Tempos
Li recentemente uma fábula postada em um grupo de aplicativo, parte de um livro do qual não tenho as informações suficientes para fazer a referência, mas aquela estorinha dizia: Era uma vez, na terra de Fuzz[1], o Rei Aling chamou seu sobrinho Ding e ordenou: – Sai e percorre toda a Terra de Fuzz e encontra-me o mais bondoso dos homens, o qual hei de recompensar pela sua bondade. – Mas como haverei eu de reconhecê-lo, quando eu o encontrar? — perguntou. – Como? Ele será sincero — zombou o rei e arrancou-lhe uma perna por sua impertinência. Então ele saiu mancando a procurar o homem bom. Mas logo retornou confuso e de mãos vazias. – Mas como hei de reconhecê-lo quando eu o vir? — perguntou novamente. – Como? Ele será dedicado — resmungou o rei, e arrancou-lhe outra perna por sua impertinência. Então saiu coxeando mais uma vez para procurar o mais bondoso dos homens. Mas outra vez retornou confuso e de mãos vazias. – Mas como hei de reconhecê-lo quando eu o vir? — implorou ao rei. – Como? Ele terá internalizado sua crescente conscientização — vociferou o rei, e arrancou-lhe outra perna por sua impertinência. Então, apoiando-se em sua última perna, saiu saltitando a fim de continuar sua busca. Depois de algum tempo, retornou com o mais sábio, mais sincero e dedicado Fuzzy de toda a Fuzzylândia e o colocou de pé, em frente ao rei. – Como! Este homem não serve absolutamente — rugiu o rei. — Ele é muito magro para o que quero. — Dizendo isto, arrancou a última perna do servo, que caiu ao chão com um baque surdo! – A moral desta fábula é que. . . se você não pode reconhecer o que vê quando o vê, pode terminar sem nenhuma perna que o sustente.[2] Lendo esta fábula, fui levado a uma citação que Ricardo Barbosa faz, na sua consagrada pastoral da Revista Ultimato. Segundo ele, em uma conversa com o teólogo americano James Huston, sobre a influência das tecnologias, mídias e outras mais, este lhe teria dito: “Quando alguém casa com o espírito da época, a época passa e ele fica viúvo”.[3] A mensagem do Evangelho é uma verdade eterna, que aponta para o governo de Deus sobre a sua criação, em um ato salvífico de redimir o que Ele criara pleno. Porém, esta mensagem e suas realidades subjacentes se materializam na mente das pessoas que a ouvem, por meio de construções sócio culturais. A Igreja é compreendida como aquela que transmite esta mensagem, porque ela se lança a viver a tensão entre os valores eternos de Deus e seu Reino e a necessidade da encarnação destes valores em um mundo caído e sua cultura ainda não redimida, que tem como objetivo ganhar e governar as mentes. Como viver nessa tensão e não perder sua voz profética no mundo da missão de Deus? Como a Igreja pode ser relevante sem se casar com o espírito da época? Algumas considerações – a cultura da beleza é obra de Deus – Gênesis 1.2 diz que não existia forma, estética, antes que Deus desse a ordem para que tudo viesse a existir. Mas, disse que o Espírito do Senhor, que dá forma ao que era somente caos, já estava presente sobre o caos – “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra” (Sl 104.30). Mesmo depois do pecado, Deus prometeu dar um Espírito que renova, que faria jovens e velhos sonharem, terem visões (Joel 2:28) – viverem entusiasticamente – A profecia de Joel aponta para um tempo de bênção – uma nova era, uma era de mudanças, muitas coisas novas estariam acontecendo – obra de renovo do Espírito Santo. A Revelação de Deus nos alerta para um viver de culto, para discernir o espírito dos tempos – A perspectiva de Romanos 12.1 e 2, é de uma vida que se dá como um ato litúrgico que se desenvolve enquanto vivemos. Com um comportamento assim, o crente vive todas as realidades subjacentes sem perder a capacidade de discernir os tempos, para nunca deixar de ser uma voz profética no mundo. Para isso acontecer, a vida, que se dá na liturgia do viver para Deus, está em constante renovação, para que se consiga ler os sinais dos tempos e se lançar à proposta de viver na tensão, sem negar à interação cultura, admitindo que “toda verdade é verdade de Deus”, mas sem deixar de discernir os sujeitos culturais que buscam dominar e transformar a criação de Deus, como expressão de sua sabedoria, graça e deleite divino. Não esqueçamos: “Quando alguém casa com o espírito da época, a época passa e ele fica viúvo” e “se você não pode reconhecer o que vê quando o vê, pode terminar sem nenhuma perna que o sustente”. [1] Fuzz significa abstração, falta de clareza. O termo íuzzy, obscuro, será usado no decorrer do livro. [2] R. F. MACER. [3] HUSTON, James In BARBOSA, Ricardo. Revista Ultimato. Viçosa: Ultimato, 2019, Ano LII, n. 379, Setembro/Outubro 2019.


31 de outubro de 2019 • 5 min. de leitura
A Radicalização da Cibercultura: o Transumanismo
4 Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Gn. 3:4,5 O desenvolvimento humano sempre esteve atrelado ao desenvolvimento tecnológico. É graças a capacidade humana de criar instrumentos que ampliam a capacidade física natural, que a natureza passa a ser dominada, “pois a fragilidade da natureza humana exigia que o homem buscasse um apoio”. (ROHREGGER; SGANZERLA). Segundo JONAS: A técnica, podemos dizer, representa uma “vocação” da humanidade, isto é, uma necessidade humana para assegurar a continuidade da sua existência. Mesmo no passado quando seu desenvolvimento era bastante vagaroso, a técnica antiga, como afirma Jonas representava um “tributo cobrado pela necessidade” (2006, p. 45) A ciência e o desenvolvimento tecnológico têm contribuído para que a humanidade tenha um maior acesso a bens de consumo, alimentos, medicamentos, facilidades de comunicação e transportes, entre outros inúmeros inventos possibilitados inclusive por um sistema econômico que possibilitou este desenvolvimento e hoje também está atrelado de tal maneira que se tornam interdependentes. Porém, a humanidade ainda enfrenta problemas relacionadas à distribuição de todo este desenvolvimento. Há uma parcela bastante significativa da população mundial que não usufrui de todo este desenvolvimento. Muitos locais de grande concentração humana não têm acesso a questões básicas como a distribuição de água e tratamento de esgoto. Mesmo em países com um grau significativo de desenvolvimento econômico podemos encontrar pessoas sem acesso a tratamento médico e a alimentação digna. Este quadro parece demonstrar que o desenvolvimento técnico-científico não é universalizável, isto é, não é acessível a toda a humanidade, pelo menos não a curto prazo, uma vez que este está atrelado ao desenvolvimento econômico e a políticas públicas. Apesar deste quadro, não parece haver outra possibilidade para o aumento da qualidade de vida humana que não passe pela concepção de que a ciência e a tecnologia seja o caminho inexorável para este objetivo. Desta forma a ciência é vista como àquela que poderá trazer a humanidade um futuro que possa assemelhar-se ao paraíso. É a partir desta concepção que a ideia do transumanismo se desenvolve, como uma ideologia de evolução que possa ser direcionada pela própria humanidade. O conceito geral que sustenta o transumanismo é que o ser humano na atualidade já possui as condições para dominar a sua própria evolução, não ficando mais a mercê do evolucionismo cego, isto é, poderíamos a partir das descobertas cientificas como a manipulação genética e tecnológicas como a miniaturização de processadores transformar o corpo humano, aumentando sua capacidade cerebral, física e de longevidade. O transumanismo deixa de ser apenas uma idéia de ficção científica para passar a ser um conceito ideológico e um projeto filosófico. O “aperfeiçoamento” e a “imortalidade” humana tem sido perseguidos por diferentes grupos sociais, entre empresários, tecnólogos, biotecnólogos. Um dos mais recentes a aderir a essa causa foi Larry Page (co-fundador e CEO do Google) que criou a empresa Calico, voltada para a pesquisa em saúde e longevidade humana. Esta e outras ações e iniciativas estão em curso com o mesmo objetivo e até maiores, a exemplo do empreendimento do empresário russo Dmitry Itskov que pretende, com ajuda da biotecnologia e da informática, alcançar até o ano de 2045, a possibilidade de fazer o upload da mente humana para uma máquina, que seria o passo posterior do transumanismo para o póshumanismo. Apesar de algumas ideias exóticas o transumanismo tem o apoio de uma boa parcela da comunidade científica, filosófica e empresarial, o que parece indicar que algum tipo de manipulação humana será desenvolvido como resultado deste projeto. É óbvio que deste ideal surgem uma série de questões que necessitam ser respondidas, as mais básicas seriam refletir sobre, quais as implicações do transumanismo para o ser humano? Como podemos compreender as afirmações transumanistas pela perspectiva metafísica e religiosa? Quais as implicações éticas para o desenvolvimento do transumanismo? E as implicações sociais? Porém há uma questão fundamental a qual nos leva à parte inicial deste pequeno texto, qual a possibilidade de universalização do transumanismo? Talvez se este desenvolvimento tecnológico não possa ser acessível a qualquer pessoa, signifique a construção de um abismo social muito maior do que o existente na atualidade e o desenvolvimento técnico-cientifico possa, não mais apontar para o progresso de toda a humanidade, mas para apenas um seleto e já privilegiado grupo. Referências bibliográficas para aprofundar o tema. BOSTROM, Nick; Superinteligência. Rio de Janeiro, RJ: Darkside, 2018 FERRY, Luc; A Revolução Transumanista, Barueri, SP: Manole, 2018 FUKUYAMA, Francis. Nosso Futuro Pós-Humano, Rio de Janeiro, RJ: Rocco, 2003 JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUCRio, 2006. JONAS, Hans. Técnica, medicina e ética. Sobre a prática do Princípio Responsabilidade. São Paulo: Paulus, 2013. ROHREGGER, R.; SGANZERLA, A. . Transhumanismo e a ampliação da desigualdade social. In: Daiane Priscila Simão-Silva; Leo Pessini. (Org.). Bioética, Tecnologia e Genética. 1ed.Curitiba: Editora CRV, 2017, v. 1, p. 51-68. ROHREGGER, R.. IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS DO TRANSHUMANISMO. 2019. (Apresentação de Trabalho/Comunicação). SANDEL, Michael J. Contra a Perfeição. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2013 SGANZERLA, A.; ROHREGGER, R. . PRUDÊNCIA: A VIRTUDE DA BIOÉTICA NA CIVILIZAÇÃO TECNOLÓGICA. THAUMAZEIN (SANTA MARIA), v. 10, p. 67-74, 2017. SGANZERLA, A. ; ROHREGGER, R. ; RODRIGUES, M. P. Transhumanismo: Poderá a tecnologia criar um ser humano ‘superior’?. Simpósio Internacional IHU, v. 1, p. 202, 2014.


24 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura
Cibercultura e Consequências Éticas: Questões em Aberto
Pierre LÉWY, que tem sido um referencial na área que estudos sobre a cibercultura, que segunda ele caracteriza-a como sistema universal sem centro: o “sistema do caos” (LEWY, 2018, p.113). Para ele, a cibercultura possui velocidade de evolução e é uni-versal (LEWY, 2018, p.114). O autor considera uma consequência da cibercultura a transformação das pessoas em seres descontextuais (LEWY, 2018, p.118), visto que, “no plano da existência midiática, jamais são atores (LEWY, 2018, p.119). Ocorre um esfacelamento da totalização, vinculando-nos à pós-modernidade, que significa o fim da grande narrativa (LEWY, 2018, p.123). Ocorrem interações de todos os tipos: o ser humano é isolado em frente à tela (LEWY, 2018, p.132). A pergunta que se coloca é se no ambiente acadêmico auxilia o estudante a se integrar e aprender a gostar de ler mais para interagir com as ciências. Uma sátira que apareceu é a que segue: Como podemos transformar a cultura do mundo da informação em algo positivo para a vida acadêmica? O que se percebe é uma grande dependência da informação (e consequentemente daquele que controla o Banco de dados). Com isto, se reconhece que a Info-esfera é o ponto central. Alan Turing, tido como o pai da revolução da Informação (chamada de quarta revolução), disse que nós somos a última geração que distingue entre se encontrar “Online” ou “Offline” (FLORIDI, 2015, p.129). As pessoas são tidas como híbridos: humanos – artificiais. Elas têm sido influenciadas. Nessa semana percebi o quanto as pessoas manifestam dependência de aparelhos: um pedestre caminhava cantando muito acima do volume normal, pois é o aparelho eletrônico que usava no ouvido se tornou o padrão. Temos de nos perguntar se existe ainda privacidade? Ou o conceito mudou? Há uma grande agressão ao ser humano: não há limites mais para as informações. Também se percebe a supremacia da Inteligência artificial: Nos perguntamos se nossa inteligência vai se nivelar? Vamos perder nossa cultura e espiritualidade? Quem controlará os dados na próxima geração? Estaremos nós preparados para a tensão entre globalização ou glocalização? Será viável a efetivação da Democracia ou quem controla o banco de dados é que domina tudo? Quem terá o controle da linguagem? Vi na Europa amigos perderem o emprego por não conseguirem dominar o novo sistema inserido no computador. Recentemente, um professor com Mestrado não conseguiu concluir a tarefa de gravar uma disciplina em EAD por não conseguir trabalhar com o “Template” usado como modelo obrigatório pela instituição de ensino. Quem tem o controle nas conexões na multimídia? Que mudanças comportamentais estão sendo geradas? As pessoas querem cada vez mais aquilo que não os comprometa ou exija sacrifício de suas vontades. Os relacionamentos humanos estão em crise. Vi um programa numa TV alemã sobre um homem que se separou e preferiu adotar bonecas sexuais como parceiras. Ele disse que não queria mais se incomodar. Ele e a filha foram entrevistados. Ele estava substituindo a antiga esposa por 6 bonecas com inteligência artificial. O que as igrejas vão fazer diante das mudanças culturais? Que posição adotaremos diante do uso de drones para nos matarmos uns aos outros? Os militares falam do Ciberespaço como 5º domínio da condução da guerra. No século XXI não se necessita mais de exército. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FLORIDI, Luciano. Die 4. Revolution. Wie die Infosphäre unser Leben verändert. Berlim: Suhrkamp, 2015. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2018. SPADARO, Antonio. Ciberteologia: pensar o cristianismo nos tempos da rede daede. São Paulo: Paulinas, 2012.


17 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura
Relações Possíveis entre a Cibercultura e a Leitura Bíblica
Introdução O objetivo desse artigo é apresentar as possíveis relações entre a ‘cultura da internet’ e a cultura do Antigo Testamento. A ‘cultura da internet’ é atualíssima e muda rapidamente, enquanto que a cultura do AT é antiga e estável. Sendo assim, qual a contribuição das disciplinas do AT para a cultura cibernética? Qual o diálogo possível entre a cultura do AT e cibercultura? Para abordar essa interrelação, propomos dois casos de choque cultural no mundo Antigo Testamento para, a partir deles, extrair, por analogia, algumas reflexões e orientações para lidar com a cibercultura. Esses dois casos são a passagem da tradição oral para a escrita e a globalização greco-romana. Da oralidade à escrita A tradição oral gera uma cultura própria, cujo principal suporte de preservação da informação é a “memória”. Nessa cultura, a tradição era emitida e recebida no mesmo contexto. A invenção da escrita não substitui a tradição oral, mas coexistem por muitos séculos. A escrita permite adotar outros suportes, como pedra, cerâmica, papiro (2500 a.C.), velino (Jr 36.26), pergaminho (séc. IV d.C.) até chegar ao papel (séc. XV). Além disso, a escrita permite a fixação do texto de modo que a mensagem saia do contexto sem perder o sentido original, dando importância às ciências hermenêuticas. A globalização greco-romana A primeira grande globalização da cultura greco-romana representou um choque grave para os judeus, impondo-lhes o dilema: resistência ou assimilação. A nosso ver, o cristianismo primitivo soube aproveitar as vantagens, como integração cultural, idiomática, maior segurança nos transportes, interligação das regiões do Império, a ampla circulação de escritos e de pessoas, ao mesmo tempo resiste aos costumes, como, por exemplo, o culto ao imperador. O processo de globalização foi acelerado pelos avanços tecnológicos, especialmente no setor de comunicações. A interconexão supriu um desejo do ser humano. Com isso, chegamos a uma nova Babel: a cibercultura venceu ‘Babel’ ou a cibercultura se tornou uma super-Babel? A Cibercultura e o estudo da Bíblia: aspectos positivos e negativos a) Aspectos positivos: – Acesso ao acervo de obras digitais: dicionários, comentários, obras não traduzidas para o português. – Pesquisa e estatística: maior capacidade de cruzamento de dados e de análise de textos; – Leitura da Bíblia: diversas versões da Bíblia e diversos idiomas e línguas originais; democratização do conhecimento. – Ciberteologia: a reflexão teológica das novas tecnologias (cibernética); a inteligência da fé em tempos de internet (SPADARO, 2011). b) Aspectos negativos e preocupantes – Dilúvio de informações: dispersão: dificuldade de seleção de fontes; superficialidade: efeito do excesso de informação; – Comunicação de massa: propaganda ideológica/comercial (mercado gospel); igrejas virtuais x fraternidade comunitária; frustração: fracasso em produzir os resultados prometidos; – Teologia fake: sensacionalismo: as novas tecnologias como ‘sinais’ da escatologia (controle mundial, chips, numerologia etc.); a rapidez da informação joga contra a verificação da verdade teológica. Considerações finais: A cibercultura, como todas as culturas da humanidade, tem aspectos positivos e negativos. Ela não é parte do desenvolvimento retilíneo e necessário da humanidade, pois, outro mundo é possível. A cibercultura reflete desejos de interconexão, de superação de limites. A teologia oferece base para a crítica permanente das obras humanas.

8 de outubro de 2019 • 4 min. de leitura
O Ciberespaço e a Cibercultura e seu impacto sobre o ser humano
Nós vivemos hoje uma realidade única na história. A invenção e o desenvolvimento da internet criou uma realidade que engloba a todas as pessoas de uma forma ou de outra. Pela rede mundial de computadores o mundo tornou-se uma aldeia global. Na história nós temos vários momentos chaves que impactaram a humanidade pelo desenvolvimento da comunicação, da informação, pelo desenvolvimento da cultura e da ciência. Tivemos a invenção da escrita, a imprensa, o telégrafo, o rádio, a televisão. Mas estas conquistas da tecnologia foram apenas prelúdios do grande impacto causado pela internet. A invenção da internet e a disseminação dos conteúdos, das ideias, dos textos e imagens, do conhecimento, por meio da rede mundial de computadores causou e causa um impacto que é difícil de mensurar. A internet é um oceano de profundezas abissais divulgando notícias, informações, canalizando o comércio a nível global, conectando pessoas, espalhando a cultura e o conhecimento. Um extraordinário cabedal de informações está à disposição das pessoas por meio da internet com todos os seus afluentes e ramificações, como as redes sociais. Ao falar da internet duas expressões se destacam: O ciberespaço e a cibercultura. O Ciberespaço A Internet é um planeta. Este planeta não é uniforme. Está dividido em “continentes, países, estados”. Estas áreas dentro da internet agregando, de forma bastante solta, assuntos afins, são chamados de ciberespaços. Não são espaços físicos, mas virtuais. Os ambientes do ciberespaço são incontáveis: Há os espaços culturais, as áreas destinadas às artes, lá se encontram setores educacionais, os esportivos. O comércio mundial é impensável sem as redes de computadores. Imenso é o ciberespaço religioso e, também, o político. Toda e qualquer área da cultura, do conhecimento, das realidades humanas, encontra sua expressão neste ciberuniverso. O ciberespaço do lazer e do entretenimento é algo poderoso. Seu poder de atração é muito grande. Pode ter um poder viciante. Há pessoas que se perdem neste ambiente. Perdem a noção do tempo, dos valores, da vida, do trabalho. Dentro do ciberespaço do entretenimento há áreas sombrias e perniciosas, como uma das maiores, que é a área da pornografia. Existe o ciberespaço educacional, que agrega universidades, temas educacionais e setores voltados à divulgação de ideias as mais variadas. Há também o onipresente e dominador ciberespaço dos relacionamentos e da comunicação. As redes sociais são onipresentes, os contatos são exigentes e os interlocutores exigem respostas imediatas. A Cibercultura De dentro do ciberespaço brota a cibercultura. Podemos dizer que a cibercultura é o conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, valores que permeiam grupos sociais a partir da vivência das mesmas no ciberespaço¹. Pierre Lévy afirma que “a cibercultura supera ciência e religião porque envolve todos os seres humanos”.² A cibercultura “criou novas formas de trabalho e de lazer, de comunicação e relacionamento social, influenciando hábitos, escolhas de consumo, ritmos produtivos e compartilhamento da informação³. Portanto a forma como nós usamos a internet ou nos movemos no ciberespaço pode nos influenciar naquilo que cremos, nos valores que assumimos, nos hábitos que cultivamos, nos alvos que buscamos, nas necessidades que procuramos suprir, na ética que adotamos. O apóstolo Paulo disse o seguinte: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1Cor 6.12). É válido, é lícito, é até necessário mergulhar no oceano da internet, mas, pergunto, usando a linguagem simbólica de Deuteronômio 28.13 (“O Senhor te porá por cabeça e não por cauda”) em relação à internet, você é “cabeça ou cauda” se em relação à internet somos dominantes ou dominados? Numa atitude de autoavaliação podemos perguntar em que ciberespaços temos navegado? De que forma os conteúdos da internet e das mídias sociais tem influenciado nossas convicções e atitudes? Como temos nos posicionado diante das mídias sociais? Sucumbimos à compulsão de consultar de forma incessante as redes sociais? Conseguimos simplesmente ler um livro, desligando o celular? Temos a capacidade de ficar a sós sem as interrupções das mensagens? A internet é uma realidade. Não podemos dispensá-la, mas ela deve estar debaixo da autoridade do Senhor Jesus. O Espírito de Deus deve encher o nosso coração e determinar os conteúdos de nossas mentes e corações e não os conteúdos das mídias sociais. Devemos declarar Jesus como Senhor também desta área de nossas vidas. Senhor do Ciberespaço no qual nos movemos e Senhor daquilo que buscamos na internet. ¹(cf. dic. Houaiss) ²(https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs180104.htm; 27.8.2019) ³(cf. LEMOS, 2004, APUD LEMOS; LÉVY, 2010 http://tiny.cc/djm3cz, 27.8.2019)


3 de outubro de 2019 • 3 min. de leitura
A Cibercultura e os transtornos psicológicos: Perigos e desafios atuais
Embora o DSM V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID 10 (da Organização Mundial da Saúde) não tenham nenhuma palavra final diagnóstica sobre transtornos psicológicos associados ao uso inadequado da internet e das várias redes sociais (Facebook, Instagram, WhatsApp, etc), sabe-se que existem vários comportamentos e sintomas associados, os quais tem sido a preocupação de vários profissionais da saúde, tais como: médicos, psiquiatras, psicólogos, pedagogos etc. Ainda que, por um lado, sejam inquestionáveis os muitos benefícios da internet e das redes sociais, por outro lado os comportamentos e sintomas preocupantes, com vários riscos nocivos à saúde, ao bem estar e segurança de seus usuários, são perceptíveis, tais como: a depressão, dependência da internet e redes sociais, crises de ansiedade, comportamento abusivo de jogos pela internet, o ciberbullying, a anorexia, a bulimia, a obesidade, problemas de visão, postura corporal, suicídio etc. Diga-se de passagem, que a internet e as redes sociais, em si, são, de certa forma, neutras. Elas não causam, por elas mesmas, as dificuldades acima mencionadas. A dificuldade está no seu uso inadequado, e também às vulnerabilidades de cada pessoa. Estudiosos apontam que algumas pessoas estão mais suscetíveis a fazer uso inadequados da internet e redes sociais, e colher dificuldades diversas, especialmente adolescentes do sexo feminino, pessoas com descontrole de impulsos, introvertidos, perfeccionistas, pessoas com baixa autoestima, pessoas em constante necessidade de aprovação. Visto que essas dificuldades, relacionadas ao uso inadequado da internet e redes sociais, são relativamente novas, em virtude da cibercultura ser um fenômeno muito recente, estudos e pesquisas, com metodologias científicas mais precisas, necessitam ser feitos para que os estudiosos da saúde possam categorizar todas essas dificuldades, quem sabe, delineando novos transtornos e tratamentos específicos. No momento, estudiosos e pesquisadores têm visto essas dificuldades, como por exemplo, a dependência da internet e redes sociais, mais como um comportamento relacionado ao controle do impulso. É provável que nas próximas edições do DSM e da CID já tragam algum delineamento sobre isso, visto que no primeiro já existe uma sugestão para que alguns assuntos sejam objeto de maiores estudos para futuros delineamentos. Por enquanto, há de perguntar-se o que, como sociedade, podemos fazer para prevenir e/ou ajudar as pessoas que estejam no processo de incorrer em algum prejuízo significativo no uso da internet e redes sociais? Além de maiores estudos e pesquisas científicas sobre o assunto, acima mencionados, é necessário haver maiores discussões e informação em todos os âmbitos da sociedade (escolas, universidades, famílias, religião etc) para as pessoas, especialmente os mais vulneráveis, sobre os benefícios e malefícios da internet e das redes sociais. Nos casos em que alguém esteja tendo um prejuízo significativo no uso dessas mídias, é necessário procurar ajuda médica e psicológica. A internet e as redes sociais vieram para ficar e modificaram a nossa maneira de ver o mundo, nos comunicarmos uns com os outros, e lidarmos com a informação. Precisamos vencer essa fase de adaptação e usá-las de maneira sábia, ética e adequada para o nosso bem, para o bem dos outros, e da sociedade em geral.


22 de maio de 2019 • 8 min. de leitura
O monstro de Frankenstein: a criatura em busca de seu criador
O livro Frankenstein (ou O Prometeu Moderno) escrito por Mary Shelley em 1826 é uma obra literária de romance de ficção científica e responsável pelo estilo literatura gótica. O livro narra a história de Victor Frankenstein, um cientista em busca do elixir da vida que através de diversos estudos em Química, da vida a um monstro horrendo construído a partir de membros de corpos humanos. Victor Frankenstein sendo cientista, criou a partir de matéria pronta (restos humanos) um ser monstruoso. Devido a sua horrenda aparência em seus 2 metros de altura é rejeitado por seu criador (Victor) que ao contemplar a criatura com vida foge, deixando a criatura viva sem rumo, vagando em meio a sociedade. A criatura uma vez confusa e desorientada se refugia nas florestas, onde inicia-se os primeiros sinais de consciência de sua existência a partir de observações feitas do mundo a sua volta. “CONHECE A TI MESMO (NOSCE TE IPSUM)” Sócrates foi um filósofo grego que dizia que o homem deveria conhecer a si mesmo e foi um dos responsáveis pela Maiêutica, alegando que o conhecimento das coisas se encontrava dentro do próprio homem. O monstro de Frankenstein recém-criado em laboratório passou do estado instintivo para o estado de ser pensante onde começou a observar o mundo e a formular pensamentos, conhecimento e a duvidar de quem era, de onde veio e quem o criou. “[…] E que era eu? Nada sabia sobre minha criação e meu criador, mas sabia que não possuía a menor parcela disso a que chamavam dinheiro, nem amigos, nem a mais insignificante propriedade. Além disso, era dotado de um físico hediondo e repelente. Eu nem sequer era da mesma natureza que o homem […] “ Não é de se esperar de uma criatura quase humana venha a querer saber de sua origem. Em uma ocasião onde se encontrava refugiado em uma cabana abandonada, o monstro aprendeu a ler e a falar apenas através da observação de uma família que habitava em uma cabana ao lado de onde estava abrigado. Após aprender a ler por si mesmo, pegou um diário no bolso de seu casaco, o qual havia anotações do cientista Victor Frankenstein descrevendo detalhadamente o processo de criação da aberração que era. Cheio de perguntas e pensamentos, ele parte em busca de seu criador para saber o motivo de ter dado vida e o rejeitado. Esses foram alguns momentos de consciência da criatura. O monstro de Frankenstein teve um início e um propósito. E nós? “NADA SURGE DO NADA (EX NIHILO NIHIL FIT)” A expressão “Nada surge do nada” é uma expressão da metafísica atribuída a Parménides que diz que nada pode vir do nada e se o universo existe então ou ele sempre existiu ou foi criado em determinado momento e logo deve ter um início. Aparentemente parece haver uma contradição no argumento do filósofo, no próximo parágrafo você irá entender melhor. Além dos filósofos que buscavam compreender a razão das coisas e a partir do método indutivo buscavam explicar a vida, surgiram diversos estudos e teorias no decorrer dos séculos tentando justificar a origem do universos e do homem assim como tudo o que nela existe e o seu propósito, como por exemplo a “Teoria do Big Bang” de Georges Lemaître, “A origem das espécies” de Charles Darwin e o Criacionismo Bíblico. Enquanto a Teoria do Big Bang diz que no início de tudo havia um átomo comprido e através de um decaimento radioativo que resultou em uma explosão, resultando na origem do universo e a expansão do mesmo o criacionismo bíblico vai dizer que a partir do nada tudo criou (ex nihilo). Segundo Santo Anselmo tudo o que existe ou provém de algo ou deriva do nada. Mas o nada não pode gerar nada, pois é impossível pensar que algo não seja gerado se não por algo. E o que a Bíblia diz? “No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1:1). O primeiro capítulo no primeiro livro da Bíblia o autor relata que Deus criou os céus e a terra, onde através da sua palavra, do seu poder, tudo veio a existir. Deus é o único ser eterno, imortal e pré-existente e não havia mais ninguém com ele, e, portanto, somente ele existia antes de tudo. Vamos analisar o versículo separando-o por partes: NO PRINCÍPIO. Quando lemos “No princípio” vemos a condição de tempo onde Deus um ser atemporal criou o tempo, algo que não pode ser manipulado, sendo assim somente pode ser sentido através da percepção de mudança e do movimento como por exemplo a percepção de presente, passado e futuro. Segundo Adaulto Lourenço (2011) “Antes de Deus ter criado o mundo não poderia ter havido o “antes”, pois não haveria o que mudar. Não havendo mudança, não haveria como medir o tempo!”. DEUS CRIOU. No Cristianismo acreditamos que tudo veio do nada, uma criação ex nihilo onde somente existia o vácuo. Em um determinado momento Deus cria o espaço, onde é encontrado tomo átomo contendo prótons, nêutrons e elétrons que compõe a criação, por exemplo uma rocha e a sua mão. Esse espaço é definido por largura, altura e profundidade. Entenda que nesse momento somente a percepção do espaço é criada e não o que nela existe. A TERRA. Após a criação do espaço, Deus cria a terra. No primeiro capítulo temos que entender que não se trata do planeta terra ou os planetas do sistema solar e sim a criação da matéria, ou seja, aquilo que é sólido, líquido e gasoso. Paulo na carta aos Romanos 4:17 diz que Deus “chama à existência as coisas que não existem” onde Deus em sua plena existência utilizou de seu poder para criar a partir do nada tudo o que existe. Quando pensamos no nada (ex-nihilo) devemos ter em mente a não existência de matéria pré-existente, ou seja, da ausência da realidade. Na carta aos Hebreus 11:3 Paulo diz: “Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível”. O vazio do universo contemplou a luz da criação onde tudo passou a existir. E DEUS CRIOU O HOMEM A SUA IMAGEM E SEMELHANÇA O primeiro relato da criação do homem se encontra em Gênesis 1:26-27 onde Deus cria o homem a sua imagem e semelhança. Primeiro quero dizer que não fomos criados por um cientista desorientado e sedento por experiências com restos de corpos humanos e muito menos fomos criados e abandonados no planeta terra sem rumo, direção e propósito. Enquanto Deus existia na eternidade, decidiu criar o ser humano para poder compartilhar de suas maravilhas, para contemplar a sua existência e magnitude. Deus criou os homens para poder interagir com o criador. Então a partir do pó da terra, soprou vida em Adão e este passou a existir. Não somente isso, de Deus nós herdamos a sua imagem e semelhança, que significa que recebemos suas características morais e éticas assim como suas capacidades pessoais. Ao homem foi dada a liberdade de ser coparticipante e a partir de sua liberdade, administrar toda a criação. Somos como uma sombra de Deus, e isso significa que para uma sombra aparecer e existir algo para gera-la deve existir então somos o reflexo de Deus, onde possuímos o seu contorno, porém não os mesmos detalhes. Diferentemente do Dr. Frankenstein Deus viu que a sua criação era boa e não a abandonou, mas continuou e continua atuante nela. A RAZÃO DE TUDO O monstro na história quer respostas vindas da boca de seu criador, portanto ele vai em sua busca até encontra-lo. A criatura não somente quer respostas, mas quer relacionamento, quer se envolver com as pessoas a sua volta, quer explicações a respeito de sua existência e seu propósito na vida, ao invés de ser um sem teto ou alguma coisa viva e sem propósito. Assim somos nós, seres humanos querendo respostas, mas infelizmente muitos buscam respostas nos lugares errados ou não tentam busca-la pois tem um olhar niilista da vida. Quero te dizer que Deus criou o homem para ter um relacionamento com ele. Esse é o plano e o motivo dele ter criado o mundo, para que o homem nele pudesse habitar e caminhar ao lado de Deus, conversando e contemplando a sua existência, porém satanás corrompeu o coração do homem e o fez ir contra a ordem de obediência a Deus. Foi com esse propósito que Deus se fez homem, nasceu da virgem, nasceu em um lugar humilde, sofreu da mesma forma que eu e você sofremos, passando fome, frio e foi traído, morrendo na cruz e venceu a morte, para que nós seres humanos possamos ter essa relação de amizade de pai e filho com o criador. Deus não abandonou a sua obra, mas ele se relaciona com ela e é o Senhor dela, o rei justo e misericordioso. O caminho até o criador é Jesus Cristo onde todo o vazio existencial é preenchido e toda vida sem sentido passa a ter um sentido verdadeiro e real. Você não precisa mais caminhar longos trajetos em busca de respostas. Eu te desafio a nesse momento a conversar com Jesus Cristo e dizer que quer conhecelo. Diferentemente do Dr. Frankenstein você não será rejeitado, mas acolhido.

29 de abril de 2019 • 3 min. de leitura
Um pouco sobre críticas e críticos
Sou profundamente crítico com muitos fatos que ocorrem nas igrejas evangélicas. Sei que não somos perfeitos e há muitas distorções, – muitas igrejas inclusive levam o título de evangélica apenas de fachada – mas critico de dentro das fileiras cristãs. Faço como auto-crítica religiosa, e inclusive pessoal, pois sei que como cristão estou muito aquém daquilo que meu Senhor e Salvador me instrui… Por outro lado, creio que a sociedade esquece facilmente também o que as igrejas evangélicas e os cristãos fazem pelo bem comum; pelo próximo. E o fazem mesmo sabendo que nada do que fizermos é o que nos leva à salvação, ou seja, não é para “recebermos favores de Deus”, já que somos salvos pela Graça. As igrejas cristãs estão entre as que mais investem na sociedade para o bem comum. É só verificar, aqui mesmo em Curitiba, a quantidade de hospitais, – evangélicos e católicos – de instituições de ensino, de casas de apoio a toxicômanos, além da imensa quantidade de igrejas que fazem um grande trabalho social de apoio à pessoas carentes, como distribuição de cestas básicas, apoio psicológico e, claro, espiritual, etc, etc, etc… Grandes ativistas pelos direitos humanos e pela justiça social saíram das fileiras das igrejas cristãs, e falo isto não somente no Brasil, mas no mundo todo. As agências missionárias cristãs estão entre as organizações mais ativas e que mais levam socorro, inclusive apoio médico e alimento, à nações extremamente fechadas. Missionários correm risco de morte para levar justiça e esperança a povos subjugados e oprimidos. Claro que o que mais aparece na mídia, são aqueles que se aproveitam do povo em benefício próprio, mas nós, cristãos protestantes, fazemos questão de afirmar que tais instituições não compartilham de fato de nossa fé e do nosso entendimento do Evangelho. Faço parte de uma Igreja séria e trabalho em instituições acadêmicas que formam pastores e pensadores sob o prisma da reta doutrina cristã ensinada por Cristo e compartilhada pelos apóstolos. Como acadêmico cristão, procuro sempre estar intelectualmente preparado para responder aos anseios e dilemas que a sociedade moderna compartilha. Como pastor, procuro sempre estar conectado com minha fé e compartilhar com aqueles que necessitam e procuram a Deus. E é por ver tantas pessoas criticando o cristianismo sem sequer ter a mínima noção do que é ser cristão, ou porque em algum momento de sua parca experiência cristã não teve os seus desejos atendidos, é que resolvi ponderar algumas das questões colocadas acima. Salvo ledo engano, creio que pouquíssimas instituições religiosas fazem pela sociedade o que o cristianismo faz. Aprendemos com os nossos erros históricos e sim, já fizemos muito mal também, mas creio, olhando para o presente, que estamos tentando acertar.


18 de abril de 2019 • 2 min. de leitura
Como manter a paixão no que você faz?
Muitos em determinado momento de sua caminhada em busca de seus projetos, acabam se perdendo, não encontram motivação para continuar… o fogo, a paixão, o impulso, perdem a força… Mais importante que o começo é o fim das coisas! Ele de fato revelará quão convictos e perseverantes realmente somos. Chegar ao fim da jornada com êxito fará com que cada sacrifício do caminho tenha valido a pena! O “fim” pode estar bem distante, por isso, manter-se motivado é essencial para quem deseja ter sucesso. Mas como conservar-se firme apesar das dificuldades? Lembrando sempre do porquê e para quem você está fazendo o que faz! Ou seja, lembrar-se constantemente do seu PROPÓSITO! Ao fazer isso: As circunstâncias não poderão abalar sua paixão e sua fé! Deixe que sua convicção mova você e lhe impulsione acima dos desafios! As circunstâncias mudam, mas o propósito permanece sempre! Guarde o coração para conseguir cumprir sua missão! Lembrar que seu propósito o protegerá! Você não tomará decisões erradas, não se encantará pelos atalhos duvidosos, nem agirá no impulso, pois buscará conservar a essência e a pureza de suas ações. Lembrar que seu propósito lhe permitirá avaliar o que realmente vale a pena! Você saberá o que precisa perder, reter, ganhar, dar… pois terá um padrão, uma medida para avaliar as ações necessárias para que o propósito se cumpra. Lembrar que seu propósito lhe fará valorizar as pequenas coisas, as tímidas conquistas, e serão elas mesmas que te manterão humilde, dependente, e com o coração no lugar certo. Lembrar que seu propósito lhe fará respeitar o fator TEMPO! Nenhuma colheita saudável ou resultados permanentes vem em velocidade de fast-food. Quem conserva o propósito, desenvolve perseverança. Lembrar que seu propósito lhe manterá vivo e capaz de enfrentar a realidade de que as coisas nem sempre acontecem como planejamos ou desejamos. A vida não é controlada por uma planilha ou uma lista de tarefas imutáveis e de fácil realização. Ela é dinâmica, e se não estivermos dispostos a nos reinventar e recomeçar, não permaneceremos!