
12 de junho de 2020 • 3 min. de leitura
O que Deus me ensinou e o que ainda estou aprendendo
Ainda quando criança, aprendi que amar o próximo e servir meus irmãos não é algo facultativo, mas uma obrigação muito honrosa, pois no reino de Deus a promoção é para baixo. Um pouco mais velho aprendi que as coisas que eu pensava que tinha, não eram minhas, mas de Deus, que por sua infinita misericórdia me permitiu administrar e usufruir delas, sabendo que também é minha obrigação usar todas elas em benefício daqueles que não foram favorecidos.
Há pouco tempo, também descobri que minha vida aqui não serve apenas para minha própria alegria ou prazer mas que ela tem um propósito maior que a minha própria existência, pois muitas pessoas ainda vivem escravizadas pelo sofrimento e medo e elas também têm o direito de conhecer o Deus maravilhoso que me foi apresentado ainda quando criança. Descobri que para essa nobre tarefa me foi confiada uma lanterna, alimentada pelo evangelho de nosso Senhor, que além de iluminar meus passos também pode iluminar o caminho daqueles que estiverem em trevas, e mais, descobri que ao fazer isso, meu coração se enche com tanta alegria e satisfação que mal posso me conter, a ponto de desejar cada dia mais compartilhar essa luz.
Aprendi que às vezes, as pessoas cometem erros terríveis com intenções puras mas que devo sempre lembrar que eu também não consigo fazer o bem que gostaria todas as vezes que tento e que o perdão é libertador. Aprendi que em alguns dias, apesar de fazer sol lá fora e não ter nuvens no céu, meu coração pode enfrentar grandes tempestades e que esses dias costumam ser bem longos, mas aprendi também que em outros dias, não importa o frio que faça lá fora, não importa o quão cinza o céu esteja, meu coração se aquece com o amor de Deus de tal forma, que poderia derreter toda frieza e apatia que me cercar, esses são dias maravilhosos.
Com o passar do tempo, tenho aprendido a orar em silêncio, ouvindo mais o que Deus espera de mim, do que dizendo o que eu espero dele, expondo sim, meus anseios e angústias porque sei que ele tem poder para fazer todas as coisas, mas sem me frustrar quando não sou atendido, porque mesmo que as negativas não façam sentido para mim, é Ele quem sabe o que é melhor de acordo com seu plano soberano para minha vida. Tenho aprendido que quando choramos fazemos as nossas melhores orações, pois são as mais sinceras e que nenhuma lágrima é desperdiçada quando derramada na presença de Deus.
Descobri que o silêncio de Deus não é sinal de sua apatia, mas na maioria dos casos, a resposta que eu preciso, e que se ambos ficarmos em silêncio por algum tempo, poderemos passar momentos incríveis juntos. Por fim, tenho aprendido que seu amor se manifesta das mais variadas formas, de pássaros cantando na janela a abraços de amigos e que absolutamente nada poderá nos afastar desse amor ou nos arrebatar de suas mãos.

6 de maio de 2020 • 4 min. de leitura
A Difícil Realidade em Tempos de Crise e a busca do Equilíbrio
Por que o equilíbrio das informações recebidas durante a pandemia é importante? É fato que a falta de informação não confere imunidade a alguém. Os veículos de comunicação cumprem seu papel ao alertar a população sobre os riscos que a COVID-19 acometem aos infectados; às vezes é preciso chocar para conscientizar. Nisto as denúncias de escassez de recursos, leitos e profissionais qualificados nos hospitais cumprem também este papel. Entretanto, neste pêndulo, realismo e pessimismo se confundem e a linha é tênue. Sim, cada vida é importante e por isso todos os meios de enfrentamento da doença se fazem essenciais neste período. Mas sem desconsiderar tudo que foi afirmado até aqui, quero pensar em outro enfrentamento: o da batalha pela sanidade mental. Nos últimos dias obtive informação de uma profissional de saúde que os hospitais estão recebendo inúmeras pessoas com sintomas que parecem com os do infarto, mas que na verdade são referentes a um ataque de pânico. E não é de se estranhar o motivo, basta assistir os jornais para ver valas abertas, funerais, gente sofrendo nos leitos e superlotação nos hospitais… Um dia vi um neurocientista falar que as informações que ouvimos são internalizadas por nosso cérebro e os sentimentos produzidos independem se aquilo é uma realidade para nós ou não. Não é difícil perceber isso após assistir a esses jornais. Com isso, você acha que proponho o fechar dos olhos para a realidade? Claro que não! Mas em tempos de enfrentamento a recepção das informações pelos meios de comunicação precisa de um cuidado importante: o equilíbrio. De acordo com o dicionário, um dos significados para equilíbrio é “ igualdade de força entre duas ou mais coisas ou pessoas, grupos etc. em oposição”. O equilíbrio das informações é importante porque o que tem ocorrido no cenário que o coronavírus propiciou é muito sério e digno de toda a atenção e cuidados, mas a forma como tudo tem sido tratado, de forma tão escancarada e intensa tem gerado desânimo e ansiedade na população. É preciso equilibrar; estamos enfrentando tempos muito difíceis, mas em momentos de crise é preciso dar à população, além de motivos para se proteger, motivos para crer, para autotranscender, para encontrar soluções, para somar esforços e beneficiar os mais frágeis. Neste sentido, há um certo jornal no Estado do Paraná que tem prestado um verdadeiro serviço à comunidade. Nele vi a solidariedade humana de fazer máscaras para a população carente, grupos comunitários encontrando alternativas para dirimir a falta da presença física e acompanhar seus beneficiados, depoimentos de pessoas recuperadas, fotos de pessoas realizando atividades em casa, pesquisas promissoras com a construção de respiradores a baixo custo e invenção de aparelho de desinfecção de roupas a partir de luz específica, conversa com a psicóloga e até uma música com mensagem de esperança composta pela banda da própria emissora. Houve a informação mas também houve uma mensagem de esperança e superação das dificuldades. E por falar em esperança, não é à toa que as Escrituras nos trazem essa mensagem. Nela as injustiças, a dor, o sofrimento e até a tragédia são descritos, mas também é nela que podemos ler “ quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21) ou, ainda, que “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8). Que Deus nos ajude neste momento difícil e que, com uma mente equilibrada, sejamos capazes, não só de passar por ele, mas de realizarmos ações de enfrentamento para que venham dias melhores.

23 de abril de 2020 • 3 min. de leitura
Mergulhar – Parte I
Há momentos em que nossos olhos ficam cegos para o que nos espera, mas isso não isenta um trajeto de se apresentar à nossa frente. Digo isso, porque era impossível saber o que aquela imensidão azul a minha frente reservava, porém perceber-me diante dela, fez-me desejá-la. Então, tomei a minha decisão. Eu decidi pela saída do cais, pela navegação por altos mares e pelo momento que me fez suspirar: meu mergulho. A embarcação não deixa o cais sem nenhuma decisão. Não se retira âncoras afundadas em meio a medos, comodismo… sem decisões. O barco nunca será visto navegando, os marinheiros nunca chegarão ao seu destino, se do cais, eles não tiverem partido. Na praia, há lugar para quem quiser. Existem pessoas que querem sentar, deixar o tempo passar… e se elas acham que não estão fazendo escolha nenhuma, infelizmente, enganam-se. Dizem por aí que quem não se posiciona de nenhum lado, já tomou sua decisão. Só espero que elas sejam mais rápidas do que a surpresa de uma ressaca do mar, espero que se levantem antes que a onda venha, e assim tomem lugar ao lado do capitão. Meu desejo é que elas possam subir a bordo, assim como eu. Bom, quero dizer para você que ao assumir viagem sobre o mar, percebi que muitas coisas serão inevitáveis. Caberá a nós mantermos a rota, mas, a velocidade dos ventos, a força das ondas, as longas tempestades, nada disso, caberá a nós o controle. Poderemos ser uma pequena embarcação em um vasto oceano, um alvo fácil de ser atingido. Mas, a viagem, mesmo com todas essas reviravoltas, oportuniza-nos conhecer o capitão e nos surpreendermos com ele, alguém que chamou todas as coisas à existência e tem prazer em dar força àqueles que mais fracos estão. Mesmo em meio às fortes tormentas, veremos que é possível ter paz, mesmo se o mar revolto estiver tentando nos trazer ao naufrágio, será necessário apenas nos preocuparmos em nos mantermos na rota, persistindo, até que as nuvens se dissipem e seja possível avistar o sol surgindo. Entre tormentas e calmarias, uma coisa é de almejo unânime entre os navegantes: chegar ao seu destino. Nem antes, nem depois dele. Se você já subiu a bordo, imagino que também abraçou a mesma causa e pretende ir até o fim. Se você já subiu a bordo, imagino que não só de tormentas fez-se sua viagem, mas que você também pode estar avistando belas paisagens, alguns pontos de parada aqui, pequenas ilhas ali, talvez outras rotas… Lembre-se da causa que você abraçou e mantenha o foco. O farol que já iluminou sobre muitos continua fiel em sua causa, ele também brilhará para você, seja fiel também e mantenha o foco. Porque haverá um momento, assim como aconteceu comigo, em que o capitão parará ao seu lado, colocará a mão em seu ombro e dirá: chegamos. Você então vai observar, e os seus olhos não alcançarão nada mais do que a imensidão azul à frente. Mas, o capitão insistirá: chegamos. Você poderia estar esperando uma terra fofa para repousar os pés, mas o convite feito é para retirar os sapatos. Sim meu amigo, o seu destino é aqui, nesta imensidão onde poucos ousam entrar. Onde a confiança é o impulso que te fará desprender-se do barco e mergulhar. Ouse confiar, não em si mesmo, mas no capitão, pois ele conhece o mar como a palma de sua própria mão. Tudo detalhado para Ele, mas um mistério para você. Onde será que esse mergulho poderá te levar? Continua…

8 de abril de 2020 • 8 min. de leitura
Descansando Sob a Soberania de Deus
Podemos descansar, em meio às crises e problemas, sob a Soberania de Deus e ainda encontrar paz? Talvez você que não é cristão, mas que já ouviu falar um pouquinho aqui, um pouquinho ali sobre Deus, sobre Cristo ou até mesmo você que é cristão de longa data, num momento como esse esteja se perguntando: “por que Deus parece não estar fazendo nada em meio ao caos que estamos vivendo?” Essa pergunta não cabe somente à crise atual que enfrentamos, de maneira muito pontual, mas ao tempo presente em que vivemos; desgraças, tragédias, violências. Será que de seu alto trono Deus olharia para nós aqui em baixo apenas como um espectador, esperando que nós pedíssemos sua ajuda ou, quem sabe, torcendo por nós? Ou pior, será que nosso sofrimento traria a Ele algum tipo de entretenimento? Com o passar do tempo, temos amoldado nossa interpretação da Pessoa de Deus, da sua personalidade e da sua ação aos nossos próprios moldes, à nossa cultura. Dizemos então que Deus é isso ou aquilo de acordo com a nossa limitada capacidade de interpretação das coisas. Confundimos nosso desejo carnal e egoísta daquilo que gostaríamos que Deus fosse, com o que ele revela de si mesmo dentro das Escrituras. O Deus popular de hoje é bonzinho, vota no meu partido preferido, torce pelo meu time de futebol e só condena à danação eterna aqueles que discordam da minha opinião. Pensamos que ele é passivo e por isso precisa a todo tempo que falemos o que deve fazer e como deve fazer por meio de orações impositivas. Nós aprendemos a tratá-lo como um velhinho que abandonamos dentro de um templo, mas que visitamos aos finais de semana para que fique feliz e nos dê aquilo que queremos; nos comportamos como aqueles filhos que abandonam seus pais o mês todo, mas que no quinto dia útil, aparecem para buscar seu dinheiro. Usamos as Escrituras hoje como um baralho de versículos que selecionamos sem nenhum contexto, sem nenhum respeito, conforme nosso humor. Em momentos difíceis dizemos que “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” ou então “Agindo Deus, quem impedirá?” e ignoramos o fato de que a nossa vontade não é a prioridade de Deus, e sacar versículos para jogar ao vento não o obrigará de maneira mágica a agir conforme nossos caprichos. Gostaria então de fazer uma reflexão contigo sobre o verdadeiro Deus da bíblia, quem ele é e sobre o exercício de sua soberania para que possamos descansar sob a Sua vontade. Sendo assim: Quem é o Deus da bíblia? No livro de Isaías capítulo 40, versículo 12, o profeta diz que Ele mede o oceano com a concha de suas mãos, mede o céu a palmos e conhece o peso da terra e das montanhas. O Deus da bíblia é o dono e criador de todas as coisas que existem no céu, na terra e no mar, do menor grão de areia na parte mais profunda do oceano ao ar que respiramos, Ele é aquele que não muda, que é e sempre será, o alfa, o ômega, o princípio e o fim. Ele é o único e verdadeiro Deus, que não se curva a nenhuma verdade pessoal para satisfazer o ego de ninguém, Ele não se esforça pra caber dentro de uma teoria ou filosofia que esteja na moda, Ele definitivamente não é uma opinião, seus parâmetros de justiça estão firmados em si mesmo e por isso vão além da nossa racionalidade. O Deus da bíblia não tem ponto fraco pois é onipotente, o Todo Poderoso, por quem, para quem e por meio de quem são todas as coisas, o Deus da bíblia é SOBERANO e sendo soberano, está no controle de todas as coisas! Neste ponto, imagino que você esteja se perguntando: “por que, sendo Soberano e Todo Poderoso, Ele nos permite passar por coisas ruins?” A nossa imagem de Deus nos dias de hoje foi tão idealizada e tão personalizada que quando Ele age conforme sua própria natureza e personalidade nos causa grande estranheza e então começamos a tentar imaginar justificativas complexas para tentar compreender suas ações, fazendo isso, é como se estivéssemos tentando fazê-lo se justificar para nós. Essa postura, apesar de reprovável, não é inédita. No livro Jó, o injustiçado questiona a sabedoria de Deus frente às suas perdas pessoais, financeiras e de sua saúde tão debilitada. A resposta de Deus é pesada, no capítulo 38 ele responde a Jó com uma série de questionamentos, sendo que o principal deles está no versículo 4 que diz: “Onde estavas tu quando eu fundava a Terra? Faz-me saber se tens inteligência.” Apesar de ser uma resposta severa, com essa pergunta, Deus deixa claro que, como autor da criação, ele tem domínio sobre ela e que ninguém tem autoridade para questionar a justiça dos seus atos. Outro exemplo que encontramos na bíblia está em Romanos capítulo 9, quando o apóstolo Paulo fala sobre a justificação dos pecados e cita as palavras do próprio Deus que diz ter misericórdia de quem ele tiver, ou seja, de quem ele quiser. Logo na sequência, Paulo compara Deus com um oleiro e nos questiona acaso esse Oleiro, tendo feito seus próprios vasos, não teria sobre eles direito de escolher quais ele usaria para honra e quais para desonra. Sabendo então que Deus é soberano, que seus parâmetros de justiça estão firmados em si mesmo e que é Ele quem decide quando o sofrimento, a crise ou nossas dificuldades cessarão, devemos então nos conformar calados independente do que aconteça? De maneira alguma, no livro de Filipenses, capítulo 4 e versículo 6, somos aconselhados a não permanecer ansiosos por coisa alguma, fazendo sim nossas petições ou desejos conhecidos do Senhor, apresentando-as com ações de graça. A questão chave não está em pedirmos ou não, e sim em agirmos como se nossas orações tivessem um poder sobrenatural de tornar Deus escravo delas, de modo que assim que orarmos ou como alguns fazem, determinarmos nossa benção, Deus então seria obrigado a cumpri-las e se possível com efeito imediato! Fazemos longas campanhas, sacrifícios de tolos na expectativa de que Deus intervenha de acordo com a nossa vontade. Quero que perceba que mesmo em narrativas bíblicas que aos nossos olhos pareciam trágicas, Deus sempre teve um propósito, um plano perfeito, infalível, ele não erra, não falha e o fato de passarmos por momentos ruins não quer dizer que Deus tenha qualquer prazer nisso, mas que algumas vezes nós precisamos passar por momentos onde nosso ego, nossos valores e nossa conduta são trabalhados, moldados; momentos em que a nossa fé realmente é posta à prova. Você já percebeu como é fácil ser grato quando temos saúde, alimento sobre nossas mesas, um bom calçado, um bom carro, um casamento feliz? E que mesmo dizendo que somos gratos a Deus por isso nós ainda pensamos que nosso sucesso está atrelado apenas a nossos atributos? Lá no fundo, pensamos que somos felizes e bem sucedidos porque somos muito bons! Mas quando percebemos que nossas conquistas não estão no controle de nossas mãos, que talvez todo nosso dinheiro não seja suficiente para trazer a saúde novamente, quando todo bom vocabulário não é útil para salvar o casamento, quando percebemos que não estamos no controle e que na verdade nunca estivemos, temos uma certeza quase que imediata que vamos perecer? E então: Como Permanecer Confiante Sob a Soberania de Deus? Sabendo que o Senhor é soberano sim, mas que a sua vontade para nós é boa, agradável e perfeita se nós não nos moldarmos aos padrões desse sistema. Ele não erra e nada está fora do controle de suas mãos. Sabendo disso, devemos então orar não mais tentando controlar Deus para que mude sua vontade ou sua ação, mas para que o Senhor nos conforme a Sua vontade e a imagem de seu filho, que em um momento de grande aflição, prestes a ser crucificado pelos pecados do seu povo, clamou ao pai pedindo que, se possível, passasse dele esse cálice, mas que, antes, a sua vontade, soberana como dissemos, fosse feita. Devemos orar não para que a vontade de Deus seja apenas aceitável a nós, mas para que cheguemos ao ponto de desejá-la com toda nossa força, com todo nosso entendimento e sobre todas as coisas, inclusive sobre a nossa própria vontade. Confie em Deus! Você pode descansar sob a soberania de um Deus que entregou a vida do seu único filho para que nós tivéssemos livre acesso a Ele, para que tivéssemos paga a dívida de nossos pecados, você deve descansar sob a soberania de um Deus que te promete a salvação eterna, descanse e confie.

19 de março de 2020 • 6 min. de leitura
O Deus das Montanhas
“Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo”. Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. “Este receberá a benção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação” Salmos 24. 3-5 Certamente, há 16 anos atrás, não era eu a quem o Salmo acima se referia… Por que? Dia 19 de fevereiro de 2004, 17 horas. Nenhuma fé. Desfaleço. Perco a consciência. Estou morto. Como Deus nos leva por caminhos e como nós (ou pelo menos eu) somos rebeldes… Nesta data eu tive o privilégio de ser a pessoa mais perto do céu, na face da terra. Em meio a mais de 7.8 bilhões de pessoas, eu estava a quase 7.000 metros de altura e ninguém mais…, mas meu coração certamente estava bem abaixo e vazio. Durante algumas horas Deus usou 14 pessoas para me resgatarem de um acidente na montanha e me trazerem de volta à vida. Demorei muito para entender isto! Deus nunca me abandonou. Sempre fui eu que o abandonei. Mas aos primeiros movimentos meus em direção a Ele, coisas boas e novas começaram a acontecer em minha vida. Eu sempre fui um executivo de muito trabalho e pouca fé. Meu deus era o trabalho e minha estrada era a carreira profissional. Meu intuito era ter muito dinheiro, prestígio e poder. O resto não tinha muita importância. Foram quase 60 anos vivendo dessa forma. Precisei perder quase tudo para entender que nada estava no meu controle. Descobri que havia depositado minha confiança nos homens e não em Deus. Não que Deus nunca me houvesse mandado sinais, mas eu nunca os havia percebido. Estava demais ocupado para sentir a Sua presença ou ouvir o seu Espírito. Sempre achei que a força estava nas pessoas e não em Deus. Um dia, Deus me mandou alguém muito especial. Rose Petenucci. Ela foi um grande presente: Entre conhecê-la e começar a namorar foi uma semana… Deus às vezes é rápido e eu fui também! Deu certo. Casamos e começamos uma vida nova dentro dos princípios cristãos. Ela tem sido um anjo permanente ao meu lado, um testemunho de fé total em Deus. Eu sempre fui um homem de pouca fé. Ainda sou um pouco, mas tenho certeza que foi Deus quem me trouxe até a Primeira Igreja Batista. E por caminhos bem estranhos. A primeira vez que entrei neste templo do SENHOR foi para jogar futebol. Mas sei que era Deus me trazendo para uma das melhores experiências de minha vida. Daquela tarde que vim me divertir com as crianças como instrutor, para o primeiro culto foram apenas alguns dias. Não faltei mais. Hoje, frequento a PIB que é minha segunda casa. No inicio de 2009, resolvi me aprofundar um pouco mais na leitura da Bíblia, que para mim ainda era um livro bastante novo, e fazer o curso para ser batizado. Acho que o SENHOR Deus já me mostrava o caminho, e coube a mim aceitá-lo integralmente. A Profissão de fé que fiz pelo batismo foi deixar para trás aquela pessoa que era, materialista, que acreditava só em si, que comprava centenas de livros de auto-ajuda, que tinha deuses para cada causa, que não se importava com o perdão das pessoas à sua volta, e cujo a moeda de troca era a vingança, de preferência tardia para ser bem saboreada. Fé? Simplesmente não tinha. Sei que a transformação é e será lenta e que muitas vezes ainda repetirei o homem que já fui, mas acredito também no perdão, arrependimento e graça de Deus, pois sou um homem novo, lavado pelo sangue de Cristo e batizado em o nome de Jesus. Durante minha vida, já me preparei para iniciar cursos muito importantes. Lembro-me quando passei no vestibular da FAE, no longínquo ano de 1967 e com muita ansiedade esperei pelo primeiro dia de aula na faculdade… Anos mais tarde, ao fazer o Mestrado na COPPEAD – UFRJ, a mesma emoção se apoderou de mim, mas a vida estava para me reservar uma alegria ainda maior: O curso de Teologia na Faculdade Betânia – Fatebe. Foi depois de ter feito o curso de pós-graduação em Aconselhamento e Gestão de Pessoas nesta Instituição, que tomei a decisão de fazer o curso de bacharelado em Teologia. Já se passaram quase quatro anos e estou me formando, se Deus quiser, neste final de ano. Pretendo ser um Teólogo e atuar na academia. Já estou, de certa maneira fazendo isto, como professor do curso de pós-graduação da Fatebe. Para terminar, gostaria de voltar ao primeiro assunto, que é como gosto de me encontrar com Deus nas montanhas. Desde aquele acontecimento fatídico de 2004, onde fui resgatado, já quase sem vida, subi muitas outras montanhas. Estive por mais 5 vezes no Aconcágua, que é a maior montanha do hemisfério Sul. Também fui escalar a Cordilheira Blanca no Peru, a Cordilheira Real na Bolívia, a Cordilheira Huayhuash que é tida como a cordilheira mais bonita depois dos Himalayas e recentemente estive no Deserto de Atacama, escalando alguns vulcões dentre os quais o Ojos del Salado, que tem quase 7.000 metros de altura. Este deserto, por ser o mais alto do mundo, é implacável e é o mais seco do planeta Terra. As temperaturas variam muito, chegando durante o dia a quase 40 graus positivos e baixando à noite para 20 graus negativos ou mais, dependendo da altura dos vulcões. Nesta viagem, fiz questão de levar comigo uma bandeira da Faculdade Betânia, para fazer uma homenagem a todos os meus amigos, alunos e professores desta Instituição. Este é o meu Deus das montanhas, todas as noites no deserto, ao olhar para o céu, a imensidão das estrelas, tive o privilégio de estar mais perto d’Ele. Minha oração é para que eu possa subir ao monte do SENHOR e estar no seu lugar santo, no aconchego da Sua proteção. Que ele limpe minhas mãos, purifique meu coração e livre minha alma da vaidade. Obrigado Senhor Deus da minha vida, por tudo que tens feito em mim!

1 de janeiro de 2020 • 4 min. de leitura
O que era Perfeito e Agradável tornou-se Repugnante
Há um empreendimento no bairro onde moro que é muito bonito. Fica bem na esquina de uma das ruas principais; e a fachada é toda em vidro, contém dois andares, é um belo imóvel. Encontra-se para locação, faz algum tempo. Há no quintal deste imóvel um cachorro; acredito que esteja ali, como protetor daquele local. Cada dia que passa aquele animal faz suas necessidades naquele espaço, e conforme os dias, semanas e meses vão passando, a sujeira vai tomando conta do “pedaço” e aquele cão mal consegue se movimentar, seu espaço vai se reduzindo a cada dia e ele está ficando praticamente encarcerado no meio daqueles estrumes. A esta altura o imóvel que antes chamava atenção por sua beleza, agora é destacado pela sujeira e pela podridão. Isso nos leva a refletir sobre o pecado, que age da mesma maneira em nossas vidas. Nesta analogia somos o empreendimento, que é bonito, bem visado, com todos os requisitos para ser locado e habitado por um ser maravilhoso, o Espírito Santo. Mas acabamos por deixar o pecado habitar ali, ele vai sujando este local, permitindo que essa sujeira vá se alastrando até um ponto em que ficamos aprisionados. Aquele edifício, que antes recebia visitas, e era admirado por todos que passavam por ali, agora naquele estado, com toda aquela sujeira não recebe mais ninguém. Assim é o pecado, nos separa de Deus, das pessoas que amamos, nos isola, nos afunda a solidão, com um enorme vazio no peito. Temos em nós a falsa impressão de que: a vida é nossa, o corpo é nosso, o espaço é nosso e achamos que temos o direito de colocar quem quisermos para morar em nós, mas, a verdade é que dando lugar ao pecado, acabamos nos tornando refém dele, aprisionados a ele. Outro detalhe, é que, o imóvel mesmo sendo alto e sua beleza podendo ser evidenciada ao olhar para cima, o que chama atenção agora é o que está no chão. Isto remete a nós quando estamos aprisionados no pecado, em nossa sujeira espiritual, por mais que falamos de Deus, o que vem à tona e o que chama atenção não será o Deus que pregamos, e de quem falamos, e que está no alto, mas sim o pecado que cometemos que está ao nosso redor. As pessoas vão olhar para os nossos erros, nossas falhas. O Deus que pregamos deve ser evidenciado primeiramente em nós, nas nossas vidas, e ao ver os frutos dignos de arrependimento em nós, automaticamente vão olhar para cima, para Deus, e glorificar o Seu nome. Outra coisa cruel, é que o próprio edifício não pode por seus meios limpar a sujeira que ali foi colocada, ele está refém das consequências de seus atoś de “liberdade”. Não foi ele, e sim, alguém que colocou o cachorro ali. O cachorro fora colocado ali com intuito de guardar aquele lugar. Mas quem o colocou ali não deu a assistência devida, os cuidados adequados. É necessário que alguém entre ali, limpe a bagunça, limpe o terreno, e deixe o imóvel atrativo novamente. Nós que estávamos espiritualmente mortos em nossos pecados, aprisionados e sem condições nenhuma de voltar a vida por nossos próprios meios, fomos resgatados por aquele que nos ama desde a fundaçăo do mundo. Ele entrou em nossas vidas, limpou nossas sujeiras, sarou o nosso coração corrompido e passou a habitar em nós, nos fez uma nova criatura e a beleza que ele tinha projetado em nós quando nos criou, passou a ser vista novamente. Aquilo que estava sujo, nojento, indesejável, agora tem aparência, é desejado, chama atenção, e novamente estamos prontos para relacionarmos com aqueles que não se aproximavam mais de nós, sabe por quê? Porque somos novas criaturas transformadas e restauradas por Deus, o pecado já näo habita mais em nós, já temos comunhão com Ele e com nosso próximo. E agora é o Espírito Santo que habita em nós. “Não por causa de alguma atitude justa que pudéssemos ter praticado, mas devido à sua bondade, ele nos salvou por meio do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” (Tito 3:5) Ao iniciar um novo ano, que possamos nos aproximar mais Dele, nos reconciliar com Ele, deixando para trás, tudo o que nos separa do seu amor, vivendo para Ele e por meio Dele, mediante a sua infinita graça.

25 de dezembro de 2019 • 2 min. de leitura
Uma reflexão sobre o Natal
Certa vez, em uma reportagem natalina, algumas pessoas desde crianças até os mais avançados em idade, foram entrevistadas sobre o que o Natal significava para elas. As respostas para a pergunta não foram muito além de: família e amigos reunidos, presentes, paz e amor. Essa resposta tão comum entre os entrevistados me assustou. Assustou-me não por ela conter elementos ruins, de pouco valor, mas por esses elementos resumirem a sua festividade. A comemoração do dia 25 de Dezembro estampa a palavra “natal” em sua classificação, a qual significa “nascimento” e esse, como é de consenso geral, remete-se ao nascimento de Jesus Cristo (apesar do dia específico de seu nascimento não ser unânime entre pesquisadores). Contudo, nenhuma alusão a isso pôde ser vista nas respostas para aquela reportagem, o nascimento de Jesus não apareceu diante de tantas coisas agradáveis que foram citadas. A casa estaria cheia, os presentes chegariam aos montões, haveria paz e amor sendo desejados uns para com os outros, entretanto, corações tão cheios dificilmente teriam lugar para Jesus. Essa mesma dedução pode ser vista há anos, no dia em que Jesus Cristo veio ao mundo. A Bíblia Sagrada, no livro de Lucas capitulo 2, expõe o nascimento de Jesus. Maria e José, seus pais, destinaram-se a Belém, cidade na qual nasceria seu filho. Todavia, eles não encontraram nenhum quarto vazio na hospedaria, todas as estalagens estavam cheias, o que levou os pais de Jesus ao único lugar disponível, o lugar em que se guardavam os rebanhos dos pastores. O motivo dos pais de Jesus não ter conseguido um lugar para este nascer na hospedaria “não foi porque o hospedeiro era cruel ou não hospitaleiro, mas porque a estalagem já estava cheia”. Essa circunstância da hospedaria de mais de dois mil anos atrás, está representada nos corações da atualidade. Acrescenta-se cada vez mais elementos e perde-se o sentido do nascimento de Cristo. O coração mostra-se focado em honras, prestígio, vaidade. Enche-se a casa de pessoas, presentes, comida e luzes, porém a alma passa mais uma vez escura, uma vez que a “Luz do mundo” não encontrou lugar para brilhar. Não há como ter Jesus em locais que estão ocupados pelo próprio “eu”. Que neste natal você ofereça-se vazio, a fim de receber tudo o que precisa.

18 de dezembro de 2019 • 6 min. de leitura
Alvo da Graça
Lembro-me da minha infância, criado em um contexto católico, no período da Páscoa, a festa começava na sexta-feira santa, e terminava no domingo. Alguns de meus familiares encerravam o período da Quaresma, bebiam, e comiam muito. Mas minha família não deixava de ir às missas todos os três dias. No sábado era um dia em que eu notava que nos postes (de rede elétrica) havia um boneco vestido de pano, onde as pessoas batiam e alguns ateavam fogo. Em um certo ano, perguntei ao meu pai o que significava, e ele me disse que era um boneco de Judas, era dia de “malhar Judas”, minha família nunca praticou essa tradição, mas eu sempre quis, só por ter o prazer de atear fogo no boneco – coisa de criança. Ao passar o tempo, após minha conversão, notei que a palavra Graça, era e é muito utilizada no contexto evangélico, muito mais que no católico. Meu primeiro contato com a palavra Graça, foi em um livro de Max Lucado, “A Graça bate à sua porta”, um presente que ganhei no dia de meu batismo. O livro contava fatos da vida do autor, de como o Espírito Santo através da Graça o surpreendeu com situações de milagres, até mesmo de bênçãos, e ele falava como a Graça do Senhor era boa. Confesso que até aquele momento eu acreditava que a Graça era como uma “vibe positiva”. Ouvi certa vez de um amigo não convertido ao evangelho, de como ele gostaria que a Graça que os evangélicos falavam e criam cercasse a vida dele para que ele recebesse recompensas e presentes do universo, como se o cosmos convergisse a favor dele. Naquele momento eu o exortei com muito respeito, e disse a ele que a Graça era o amor de Deus manifesto em Jesus Cristo para a salvação das pessoas, mas que depois ela poderia ser um meio de benção na vida dos homens. Acredito que algumas das falas de Max Lucado me influenciaram na época, ou eu interpretei mal o conteúdo de seu livro. Num outro momento em que a palavra Graça ficou martelando em minha mente, foi quando comecei a ouvir sobre a tal da “hiper-graça”, algo como se o pecado estivesse liberado, os erros tolerados e nada de ruim poderia acontecer às pessoas que viviam sua vida por ela, pois, uma vez salvo, sempre salvo. Pastores e líderes começaram a se preocupar com essa pregação, pois muitos jovens saiam de suas igrejas para irem às igrejas daqueles que testemunhavam a fé por meio dessa hiper-graça. Naquele momento levantei uma bandeira, de “caça às bruxas” contra aqueles que pregavam assim, mas o detalhe é que novamente estava sendo influenciado por algo que eu não compreendia em sua totalidade, mas mesmo assim desejava discutir e me posicionar sobre isso. Vale a pena destacar que não estou aqui entrando no mérito ou não, sobre alguém perder ou não sua salvação, mas sim, de que mais uma vez, a palavra Graça estava em voga na minha mente e em meus discursos, sem entender exatamente o que era. Ao longo do tempo, o querer entender a Graça sempre foi um de meus objetivos, e acredito que até o fim da minha vida será, mas recentemente lendo o evangelho de João em meu período devocional diário, eu me deparo com o seguinte texto: “Jesus respondeu: é aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão” (João 13:26). E por algum motivo estranho resolvi ler e entender o que era bocado, e assim fui para os comentários bíblicos para compreender. Para minha surpresa, a circunstância em torno deste acontecimento conjuntamente com a ceia e a palavra bocado, possuem um grande significado e de extrema relevância. Naquele momento pude acrescentar mais uma pequena parte de instrução sobre a Graça de Jesus, uma fração da Graça que minha mente limitada e humana poderia entender até ali. O bocado, segundo Champlin (1995, p. 512) era o pedaço de pão molhado em uma terrina, um objeto onde o molho pascal era colocado dentro, com carne de cordeiro pascal, um pouco de pão sem levedo, e ervas amargas. Cada pessoa ali na mesa provavelmente tinha sua terrina para mergulhar o pão. Mas o hóspede servia um bocado para um convidado de honra e a pessoa que recebeu esse bocado, foi nada mais nada menos que Judas lscariotes. Mas por que?, eu me perguntei, sendo que Jesus sabia que ele era o traidor, ou será que Jesus só fez isso para mostrar quem iria traí-lo, como um sinal? Acredito que não. Prefiro supor que Jesus honrou a vida de seu discípulo até o último minuto, até o fim Judas foi o alvo da Graça de Jesus, assim como, um pouco antes no mesmo capítulo 13 de João, Jesus lavou os pés de Judas, junto com os de seus discípulos como forma de servi-los. Jesus serviu a Judas lavando seus pés e dando o bocado para aquele que o trairia logo. Me pergunto como foi aquela noite para Judas, olhar para os olhos de Jesus, sabendo que ele seria o vassalo de seu Mestre, o Filho de Deus. Judas olhou para o cordeiro indo ao matadouro, o cordeiro que lavou seus pés, que o amava, o cordeiro que serviu-lhe o bocado, que o honrou, naquele momento ao seu lado, prestes a ser sacrificado. Penso que para Jesus, em seu coração misericordioso e cheio de compaixão, era como se através de suas atitudes para com Judas, seu discípulo pudesse voltar atrás e se arrepender, e deixar tudo para lá e voltar à comunhão. Talvez para Judas se tornou tarde demais, o que tinha que ser foi, mas de uma coisa eu sei, Judas até o fim foi alvo da Graça de Jesus. Nós somos alvo dessa Graça, não importa o momento, não importa nossos erros, não importa o pecado que venhamos a cometer, sempre há volta para um coração quebrantado e arrependido retornar à comunhão de Jesus e desfrutar de sua infinita Graça. REFERÊNCIA CHAMPLIN, Russel Norman. O novo testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Editora e Distribuidora Candeia, 1995. 661 p. 2 v.

13 de dezembro de 2019 • 3 min. de leitura
A Arte de Ser Cuidado
Não é fácil deixar cuidar-se, é sempre mais fácil cuidar do outro. Porque isso exige de nós abrir o coração, se expor. Cuidado significa: atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho e responsabilidade. Cuidar é perceber a outra pessoa como ela é, e como se mostra, em seus gestos e falas, sua dor e limitação. E esse cuidado, deve ir além da parte física, pois além do sofrimento físico decorrente de uma doença ou limitação, há que se levar em conta as questões emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções do outro. Para ser cuidado você precisa transparecer necessidade ou até mesmo, fragilidade. Olhando por este ponto de vista é mais fácil cuidar. Pois caso você não faça nada, de certa forma, a culpa não cai em você. Porém ao necessitar de cuidado, e não encontrando amparo, você ainda está perdendo, mas ainda assim é mais fácil permanecer em silêncio. “Cada um por si e Deus por todos” é a Máxima da Lógica. Vivemos hoje numa crise de apatia em nossas famílias, em nosso trabalho e nas ruas. É como se a gente por si só bastasse. A postura individualista diante de um mundo competitivo estabelece a superficialidade absurda que desumaniza e maquia relações. No filme O Grande Ditador de Charlie Chaplin, ele cita: “Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos (duro como pedra) e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. Perdemos a vontade de sermos cuidados pela dureza de nosso coração. Pelo medo de nos expor ao outro, ou pelo fato de não nos acharmos dignos de cuidado. Mas Deus tem cuidado de nós de uma maneira que não podemos compreender, “olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mt. 6:26). No cuidar precisa-se estar bem consigo, pois o “amar ao próximo como a si mesmo” é cuidar de si e deixar-se ser cuidado; render-se por inteiro, facilitando ao cuidador essa tarefa. É um exercício de humildade que deve ser motivo de reflexão diária, o qual nos faz lembrar a todo momento que Deus também tem cuidado de nós desde sempre. Como diz o salmista: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Sl 139: 13-16). Experimente se deixar cuidar. Abra seu coração. Fazem dois anos que passei pelo pior momento de minha vida onde foi necessária uma decisão: me expor e deixar ser cuidado de uma vez por todas ou deixar passar como se fosse mais uma tribulação e não resolvê-la. Escolhi deixar ser conhecido na totalidade, sem máscaras ou fingimentos, decidi aceitar os conselhos com humildade, reconheci que o Senhor é bom em todo o tempo. Experimentei o perdão e o amor. Por isso, posso constatar: Ao me deixar ser cuidado senti o amor de Deus através da vida dos meus irmãos, compreendi e obedeci ao meu chamado, sempre latente, que antes relegava.

20 de novembro de 2019 • 6 min. de leitura
Os Impactos das Mídias e a Cibercultura nos Aspectos Litúrgicos
Para começarmos a entender os impactos da mídia e da cibercultura em nossas liturgias, primeiramente é necessário relembrar as definições de cultura e de cyber cultura: Cultura: significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.[1] Cibercultura: Reunião de padrões, produtos, comportamentos ou valores, que são compartilhados na Internet. Condição social influenciada pelo uso contínuo de computadores, para a comunicação, diversão ou negócios.[2] Inegavelmente toda a cultura está sendo diretamente influenciada pela cibercultura. Em todas as áreas de conhecimento estamos tendo mudanças muito significativas. No conhecimento, a expressão “o céu é o limite” cai bem. Infinitas pesquisas e descobertas estão acontecendo, quase que diariamente. Nunca antes se teve tanto acesso à informação e ao conhecimento como nos dias de hoje. É possível facilmente pensar que se pegássemos um criança de hoje e a colocássemos cem anos atrás ela facilmente seria considerado um gênio. Há quem diga que esta mesma criança tem mais informação do que o imperador romano no auge de Roma. Nas artes, hoje é possível por exemplo, gravar, mixar, e vender músicas e conteúdo de vídeos sem sair de casa. Basta ter os programas e aplicativos certo. Não há como negar que os tempos são outros. Assim também nas leis, aliás, essas mudanças vieram com tanta velocidade que não estávamos preparados juridicamente para punir crimes virtuais. Foi preciso sentar, pensar e redigir novos textos e inseri-los no código penal. Um exemplo disso é a lei 12737/2012 conhecida como lei Carolina Dieckmann[3]. Ainda nesse sentido, a Moral, os costumes e hábitos estão sendo modificados na mesma velocidade em que novas informações, programas e aplicativos são gerados. Novas profissões, novos objetivos, uma nova ética e uma “nova” moral. E ao observar essas mudanças nosso papel é ir além de sentar e observar mas, pesquisar, analisar e projetar, a fim, de dar uma resposta ainda que temporária e limitada as demanda que se revelam nos dias de hoje. Hoje é quase impossível acreditar que alguém não tenha uma ou várias redes sociais. Whatsapp, instagram, facebook, twiter e etc, são mais conhecidos e usados do que se pode imaginar. As empresas especializadas na utilização dessas tecnologias geram bilhões de dólares na economia mundial. Massificando publicidade, transformando hábitos, transmitindo conteúdo em tempo “real”. A história é dividida em antes de Cristo e depois de Cristo. E, assim será para sempre, mas a história pós moderna facilmente se divide em antes do facebook e depois do facebook. Vivemos tempos da internet das coisas. Onde você executa uma busca e instantaneamente começam a chegar promoções e indicações daquilo que você pesquisou nos seus aplicativos e no seu e-mail. Estamos sendo vigiados? Certamente estamos sendo estudados e mapeados também. Com que finalidade? Acredito que são as mais diversas possíveis, desde uma busca ávida do mercado por mais consumidores, até disseminação de conceitos e valores ideológicos. Certeza, só o tempo poderá mostrar. Mas, longe de querer “demonizar” tudo. A análise aqui é no sentido de entender, como a Igreja cristã vai se comportar frente a essas mudanças tão radicais? Como esses avanços podem contribuir ou prejudicar por exemplo, em nossas liturgias? Passamos de uma liturgia “clássica” para uma “moderna” e para alguns “super moderna”. Muitos dos que estão à frente de Igrejas hoje são oriundos dos processos evangelísticos dos anos 80, 90 e início de 2000. Viram muitas coisas mudarem desde a utilização de instrumentos musicais, tipos de ritmos, até o próprio conteúdo das mensagens pregadas. A questão que se pode levantar é: essas “modernidades” são modernas para quem?. Certamente, são para que vem de gerações anteriores, que cresceram sem telefones celulares, internet e aplicativos. Mas, para quem já nasceu nesse contexto não há “modernidade” e sim “normalidade”. E como então apresentar uma liturgia que seja atraente para o tempo que se chama hoje? Será que não cabe aqui a expressão: princípios são inegociáveis, formas não? Será que antes de demonizar tudo e deixar passar oportunidades preciosas, nossas liturgias e cerimônias não deveriam ser pensadas no sentido de atrair para ganhar? O apóstolo Paulo expressa essa estratégia ao escrever aos Coríntios em sua primeira carta, quando diz: Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele. (1Co 9.19-23) A inteligência em utilizar tudo que está disponível para fazer o evangelho proclamado e Jesus conhecido, tem que ser maior que nossas amarras religiosas. Utilizar tecnologia para atrair essa sociedade que respira a cibercultura, sem esvaziar as mensagens e mudar os princípios, e ainda não só usar como instrumento de atração, mas também de retenção e capacitação é um desafio. O que precisa ser levado em consideração é que, não tem como segurar as mudanças impulsionadas pela cibercultura, que não podemos ficar para trás como gerações anteriores, que criticaram e demonizaram a televisão e hoje tem programas nos mais diferentes canais, que tentaram segurar o movimento de adoração e hoje compõem e gravam nos mesmos estilos que criticavam. Somos chamados para o tempo que se chama hoje por mais mutável e acelerado que esteja. Que não se perca mais tempo em dicções eternas se é ou não de Deus. Mas, que avancemos para um dia poder dizer: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele” (1Co 9.22,23). Referências [1] https://www.significados.com.br/cultura/ [2] https://www.dicio.com.br/cibercultura/ [3] A Lei Carolina Dieckmann é como ficou conhecida a Lei Brasileira 12.737/2012, sancionada em 30 de novembro de 2012 pela ex presidente Dilma Rousseff, que promoveu alterações no Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940), tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Carolina_Dieckmann acessado em 13 de novembro de 2019. as 17:38h.
