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6 de janeiro de 2021 • 5 min. de leitura

Em Nome de Jesus

Acredito que você já tenha ouvido por diversas vezes alguém orando ou simplesmente lançando ao vento a frase “em nome de Jesus”. Antes dessa frase ser banalizada e se tornar um jargão popular do evangeliquês, seu sentido era muito puro e representava a maior segurança que um cristão poderia ter. Em uma breve reflexão, gostaria de tentar resgatar o correto uso dessa expressão que em seu sentido original, é maior que qualquer coisa que possamos imaginar.

Primeiramente gostaria de lhe convidar a imaginar a alegria daqueles que ouviram a verdade que liberta da boca do próprio libertador, imagine comigo a honra de ter sido um apóstolo de Cristo, não apenas crer que há uma salvação mas ter consigo o próprio salvador, caminhar com ele, dividir refeições, poder ter longas conversas, consegue imaginar a segurança e o sentimento de satisfação que conviver fisicamente com Jesus deve ter proporcionado a esses homens, a ponto de deixarem tudo o que tinham para trás, crendo que apenas estar com Cristo lhes seria suficiente? Peço que gaste alguns segundos meditando sobre isso, feche seus olhos por um breve momento e tente se imaginar agora como alguém que está caminhando com Cristo e convivendo com ele, bebendo a água da vida direto da fonte, a qualquer momento você poderia lhe fazer indagações cujas resposta você esteja procurando por anos, faça isso agora. Meditar sobre isso me traz tanta paz e conforto que eu poderia fazer isso por um bom tempo, mas se apenas esse breve exercício de imaginação já é capaz de nos proporcionar alegria, paz, conforto, imagine como realmente deve ter sido estar lá.

Agora quero que tente imaginar o quão assustador deve ter sido saber que o salvador lhes seria tirado, eles ainda não sabiam o que era servir a um Cristo ressurreto, sua experiência era física, visual, auditiva. Medo e insegurança devem ter tomado conta dos seus corações. Esses homens haviam abandonado tudo para seguir seu salvador que agora lhes seria tirado. Cristo já os havia contado sobre seu propósito aqui na terra, seu sofrimento, crucificação e ressurreição, mas saber isso de antemão não tornaria o fato de não ter mais a presença física do mestre muito mais fácil, como ficaria a expansão do evangelho quando ele fosse embora? E os milagres que fazia, as pessoas precisavam daquilo, o que aconteceria dali em diante, será que a presença do mestre seria apenas como um capítulo bom que se encerraria e com o passar do tempo suas vidas voltariam a ser o que eram antes?

No evangelho de João, capítulo 14 Jesus apresenta como que um testamento para seus apóstolos e para todos os cristãos, uma garantia de que não somente o seu evangelho seria expandido, como coisas ainda maiores seriam feitas, desta vez, pelas mãos de seus apóstolos e futuramente de todos aqueles que levariam seu nome, os cristãos. Jesus diz nos versículos 12 a 14 que todos aqueles que nele cressem, fariam obras ainda maiores do que as que ele fez, diz também que tudo o que fosse pedido em seu nome, lhes seria atendido, para que o pai fosse glorificado através do filho. Com essa fala, Cristo mostra que seu poder é ainda muito maior do que seus apóstolos poderiam perceber pois agora os milagres, a expansão do evangelho, já não seriam feitos diretamente pelas mãos de Cristo, mas sim por Cristo, através das mãos de todos aqueles que cressem.

Aqui percebemos então a majestade de nosso Senhor e salvador, cujo nome tem autoridade para realizar milagres que contrariam leis da física, probabilidades naturais e subjugam todo mal, todo universo se curva perante a autoridade do nome de Jesus e por meio desse nome o evangelho seria expandido a todos os povos, pessoas seriam curadas, libertas e o pai seria glorificado através do filho, exatamente como Cristo havia dito.

Precisamos esclarecer que a autoridade do nome de Jesus, apesar de estar disponível a todos os cristãos, não é uma chave mística que pode ser lançada como uma palavra mágica, essa autoridade deve ser usada para um propósito que glorifique o nome do pai e não para conquistas egoístas, vazias ou para satisfazer vaidades. O livro de Tiago nos diz no capítulo 4 que pedimos e não recebemos porque pedimos mal, todo pedido em nome de Jesus que não resulte na glorificação do pai, é pedir mal.

Outra verdade que precisa ser compreendida é que a autoridade do nome de Jesus deve ser usada para pedir, clamar, mas não dar ordens ou determinar, isso porque o único que tem autoridade para ordenar ou criar decretos é o próprio Cristo. Para o cristão, o uso da autoridade do nome de Jesus é um favor, clamamos pelo favor de Deus em nome de Jesus e isso porque por nosso próprio nome não somos dignos de pedir nada, somos pecadores, falhos e vivemos pela graça e misericórdia de Deus, não há mérito no homem. Por isso, quando usamos a autoridade do nome de Jesus, não estamos nos valendo de nosso merecimento, mas do mérito do próprio Cristo, daquele que sofreu até o fim sem cometer pecado, do cordeiro imaculado que venceu a morte, o pecado, vive e reina junto ao pai.

Nosso Deus, é relacional e não uma força do universo ou uma energia que paira como os deuses de outras religiões, ele é um ser pessoal que se importa conosco e tem interesse por nossas vidas, por isso, com muita humildade, podemos e devemos tornar nossas petições conhecidas dele através de nossas orações, conforme o apóstolo Paulo nos orienta no livro de Filipenses capítulo 4, cientes que não buscamos nada por mérito próprio ou por direito mas tão somente por favor, por sua graça, certos de que se pedirmos algo para que seu nome seja glorificado, e em nome de Jesus, certamente ele nos atenderá.

Bruno Hilgenberg Martins
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25 de novembro de 2020 • 6 min. de leitura

Jesus e as Mulheres

Jesus disse que quando fosse levantado da terra a todos iria atrair a si (Jo. 12.32). Jesus falou isto referindo-se à sua cruz. Mas muito antes, muito antes da cruz, Jesus atraía as pessoas. O poder de atração de Jesus era enorme. Chama a nossa atenção, salta à vista, se destaca enormemente, o poder de atração que Jesus exercia sobre as mulheres. Ele as atraía como o mel atrai as abelhas, como a flor os colibris. As mulheres ficavam cativadas por Jesus como os planetas que giram na órbita do sol. E não era pelo fato de ser bonito. A única descrição física que temos de Jesus é na palavra profética de Isaías: “Olhamos para ele e não tinha nenhuma beleza que nos agradasse”. Por que Jesus exercia esta atração sobre as mulheres? Certamente uma das razões, senão a mais importante, é que as mulheres se sentiam amadas, acolhidas, compreendidas e valorizadas por Jesus. Na sociedade judaica da época as mulheres tinham pouco valor. Elas estavam limitadas, bloqueadas. Eram desvalorizadas. A teóloga católica Maria Bingemer diz que “a mulher, no judaísmo do tempo de Jesus, era considerada social e religiosamente inferior”. Citando Leonardo Boff ela explica que isto se devia, “Primeiro, por não ser circuncidada e, por conseguinte, não pertencer propriamente à Aliança com Deus; depois pelos rigorosos preceitos de purificação aos quais estava obrigada por causa da sua condição biológica de mulher; e, finalmente, porque personificava a Eva com toda a carga pejorativa que se lhe agregava”. Mas não era assim apenas no judaísmo. Esta desvalorização da mulher tinha um caráter quase universal. Stanley Jones, o grande missionário metodista que trabalhou na Índia e que conhecia profundamente o hinduísmo e o budismo, explica que, “tanto no budismo como no hinduísmo a mulher, como tal, não poderia se salvar, precisaria reencarnar como homem para obter esta graça”. Mas nada disso percebemos em Jesus. Quando Jesus na sinagoga em Nazaré, usando o texto do profeta Isaías, apresentou seu programa messiânico (Lc. 4.17-21) e afirmou: “Hoje se cumpriu a Escritura”. “O ano aceitável do Senhor”, o ano do jubileu, o ano da graça, o ano da remissão, havia chegado. Os pobres ouviriam as boas-novas. Os oprimidos seriam libertados. Os quebrantados seriam curados. Os oprimidos, entre eles as mulheres oprimidas e encurvadas debaixo do peso de séculos de discriminação e marginalização, seriam restaurados. Há um evento relatado em Lucas 13.1-13. Jesus estava ensinando num sábado numa sinagoga e entra uma mulher encurvada. Há 18 anos ela vivia presa a este mal e, encurvada, vivia com o seu rosto voltado para o chão. Jesus a chamou e disse: “Mulher, você está livre da sua enfermidade”. Ela se endireitou. Podia agora erguer a cabeça, podia olhar ao redor, podia ver o rosto das pessoas. Ela começou a louvar a Deus pela sua libertação. Com o devido cuidado podemos fazer aqui uma alegoria. Esta mulher encurvada é um símbolo de todas as mulheres encurvadas, com o olhar voltado para o chão, sentindo-se humilhadas, desvalorizadas. Mulheres no mundo, na sociedade, nas sinagogas, nas religiões e, infelizmente, às vezes, até dentro das igrejas. Mulheres que experimentando o amor e o poder libertador de Jesus, agora erguem o rosto e ocupam o seu lugar de direito no mundo, na sociedade e na igreja. Jesus resgatou a dignidade e o valor da mulher. No reino de Deus, a mulher vive a realidade do jubileu. Jesus, em relação às mulheres, explodiu os paradigmas de sua época. No judaísmo ortodoxo, até hoje, as mulheres são proibidas de estudar a lei. Mas Jesus não tinha estes preconceitos. Ele ensinou teologia não só a Maria, sua amiga assentada a seus pés, mas, à beira da estrada, ensinou sobre a realidade de Deus, da fé e da vida, a uma mulher e, mais do que uma mulher, uma mulher samaritana, e, mais do que isto, era uma mulher com uma vida moral duvidosa. Foi a ela, apenas a ela, que Jesus declarou com todas as letras: “Eu sou o Messias!” As mulheres tinham o seu lugar entre os discípulos que acompanhavam a Jesus. Muitas mulheres o serviam com os seus bens. A importância das mulheres no ministério de Jesus vemos em dois momentos. A primeira vez foi nas Bodas de Caná. Naquele casamento surgiu uma situação constrangedora que podia envergonhar o noivo e estragar a alegria da festa. Maria informa a Jesus sobre a situação e diz aos serventes que façam tudo o que Jesus disser. Jesus mandou encher os vasos de água e transformou a água em vinho. Maria foi o “botão de arranque” para Jesus iniciar o seu ministério. No outro extremo temporal do ministério de Jesus temos o exemplo de Maria Madalena. Jesus ressuscitado se revelou a ela após a sua ressurreição. Jesus a mandou dizer aos discípulos que havia ressuscitado. Foi a primeira pessoa a anunciar que Jesus estava vivo, que havia ressuscitado. Ela foi usada para transmitir a mais gloriosa mensagem que já ecoou na face da terra: “Jesus ressuscitou! Jesus vive!” O ponto alto do resgate do valor, da dignidade da mulher e da igualdade da mulher em relação aos homens, nós temos no evento que é a culminação do ministério salvador de Jesus, o Pentecostes. Lucas nos conta que naquele dia os discípulos estavam reunidos no cenáculo e “perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Quando Jesus enviou o seu Espírito, as mulheres o receberam como os demais, e manifestaram os dons espirituais como todos os outros. O que foi evidenciado no evento do Pentecoste o apóstolo Paulo declarou teologicamente no texto de Gal 3.26-28. Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos vocês que foram batizados em Cristo, de Cristo se revestiram. Assim sendo” diz Paulo, “não há mais distinção entre judeus e gregos (distinções raciais), escravos e libertos (distinções sociais), homens e mulheres (distinções de gênero). Todos vocês são um em Cristo Jesus. O que foi demonstrado por Jesus em sua vida e ministério, o que foi patenteado no Pentecoste, o que foi afirmado pelo apóstolo Paulo, a igualdade entre o homem e a mulher, faz parte da realidade do reino de Deus, e é essência do jubileu definitivo. O tempo de Jesus e o tempo de Paulo foi a época dos inícios. Foram os primeiros raios do dia do jubileu que despontava no horizonte deste mundo. Mas agora o fermento já teve tempo de levedar a massa, a semente já teve tempo de se tornar árvore. Agora é hora da igreja realizar e praticar plenamente o fato de que “em Cristo não há homem nem mulher, mas todos são um”. REFERÊNCIAS: BINGEMER, Maria Clara. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 46. BOFF, Leonardo. O rosto materno de Deus. Petrópolis: Vozes, 1979, pgs 77-78 apud BINGEMER, Maria Clara. Jesus Cristo: Servo de Deus e Messias. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 46. JONES, E. Stanley. O Cristo de todos os caminhos. 2ed. São Paulo: Imprensa Metodista, 1968, pg. 111.

Fred R. Bornschein
Fred R. Bornschein
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29 de outubro de 2020 • 5 min. de leitura

Abandono e Esperança

Ao criar o mundo, conforme o relato bíblico de Gênesis capítulos 1 e 2, primeiramente Deus preparou um jardim como um lugar perfeito para colocar a “coroa” de sua criação, o ser humano. Criou também os animais. Quando tudo estava pronto, Deus fez um convite especial ao Filho e ao Espírito Santo para formarem o homem, descrito como: “disse Deus: façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme nossa semelhança”. Em seguida, Deus formou a mulher. “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; eu lhe farei uma ajudadora que lhe seja adequada”. Os seres recém-criados eram tão perfeitos que Deus resolveu que eles deveriam ser multiplicados e, assim, conforme Gênesis 04:1 e 2, a mulher deu à luz ao seu primeiro filho. Agora o plano estava completo. Tudo perfeitamente orquestrado e funcionando. O fator mais importante da criação certamente é que apenas o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, diferentemente dos outros animais. Qual seria então o propósito para tal detalhe? Para que o homem pudesse se relacionar com Deus e com o próximo sendo que toda a humanidade teria a mesma origem. O sopro de Deus fez o homem e todos os seus descendentes seres viventes e capazes de se relacionar. Deus poderia criar todos os homens adultos (e também os animais), mas preferiu criá-los dependentes uns dos outros. Em especial o ser humano, pois este é o único ser que nasce dependente e permanece assim por um bom tempo, recebendo cuidados para depois então se tornarem independentes, ao contrário dos animais. Na viração do dia, Deus procurava o homem para saber “como estava indo”. Batiam então “aquele papo”. A criatura e o criador em perfeita comunhão. Fomos feitos então “à imagem e semelhança de Deus” para nos relacionar com Ele e com o próximo. Fomos feitos seres relacionáveis, de certa forma dependentes uns dos outros. Porém, no meio do caminho veio a “Queda” relatada em Gênesis capítulo 3, quando o homem cedeu à tentação e tomou o seu próprio caminho, independente de Deus. A promessa do inimigo é que ele seria igual a Deus; uma de suas primeiras mentiras contadas ao ser humano. Embora Deus nunca tenha abandonado o homem, mesmo tendo-o expulsado do Jardim perfeito, preparou um plano de redenção para trazer a criatura de volta ao criador, conforme relato em Gênesis 3:15, este tem se afastado cada vez mais do propósito original que é a comunhão, o relacionamento. No livro A criação restaurada, Albert Wolters escreveu: Deus persiste na sua criação original caída e a salva. Ele se recusa a abandonar a obra de suas mãos – de fato, ele sacrifica o próprio Filho para salvar o seu projeto original. A humanidade, que estragou o seu mandato original… recebe outra oportunidade em Cristo; somos restabelecidos como administradores de Deus sobre a terra. (São Paulo; Cultura Cristã, 2006, p. 80). Essa independência trouxe várias consequências, como podemos comprovar tanto no relato bíblico, como em nossa vida, em nosso cotidiano. Uma dessas consequências certamente é o “abandono”. Andando pelas ruas das cidades, vendo seres humanos, pessoas, feitas à imagem e semelhança de Deus, com o propósito principal de relacionar com ele e com os seus semelhantes, penso no estrago que a “independência”, o desejo de ser igual a Deus em tudo, provocou. Quantas pessoas abandonaram ou foram abandonadas pelos seus. Ou seja, a tentativa de ser independente não afetou somente a relação do homem com Deus, mas também com o seu semelhante, os animais e a natureza. Deus em sua infinita bondade e misericórdia trabalha incansavelmente para alcançar suas criaturas e torná-las seus filhos através do sacrifício de Jesus, como prometido em Gênesis 3:15. Como bem colocado por Randy Alcorn: “Em Gênesis, o Redentor é prometido; em Apocalipse, o Redentor retorna. Gênesis conta a história do Paraíso perdido; Apocalipse conta a história do Paraíso recuperado. Em Gênesis, o homem e a mulher caem como governantes da terra; em Apocalipse, a humanidade justa governa a nova terra, em lealdade ao Rei Jesus. Satanás e o pecado não irão frustrar o plano de Deus”. (O Romancista Romântico. Deus, vida e imaginação na obra de C.S.Lewis; p. 159). Não haverá mais “abandono”. As ruas serão ocupadas pelos remidos no sangue do cordeiro. A alegria será completa e a presença do Cordeiro nos fará esquecer toda a lágrima, todo o abandono. Esperamos com confiança a redenção dos homens e da natureza, como prometido desde o início por aquele que nos fez “conforme sua imagem e semelhança”, para que pudéssemos nos relacionar com ele. A Bíblia começa com um jardim e termina com um jardim, com o mesmo jardineiro. Isso é maravilhoso. Referências: A criação restaurada. Wolters Albert; São Paulo, SP. Cultura Cristã, 2º Edição, 2019. O Racionalista Romântico. Deus, vida e imaginação na obra de C.S.Lewis. Piper J; Mathis, David organizadores; Brasília, DF. Editora Monergismo, 1ª Edição, 2017. Bíblia Brasileira de Estudos Almeida Século 21. São Paulo, SP. Editora Hagnos, 1ª Edição, 2016.

Malena Clower
Malena Clower
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9 de setembro de 2020 • 4 min. de leitura

Proposta para Tempo de Crise – Abordagem Histórica

Quando falamos sobre a epidemia em que estamos vivendo geralmente lembramos de outras no passado, como por exemplo, as pestes medievais. A epidemia de peste atingia uma cidade aproximadamente a cada dez anos entre os séculos XIV e XVIII. A taxa de mortalidade era de 60 a 90% (um a três% no Covid-19), o que era particularmente terrível. Assim como na epidemia de peste negra, bem como em outras, os cristãos tiveram atitudes formidáveis e relevantes no meio da sociedade. O livro Crescimento do Cristianismo apresenta várias razões pelas quais o Cristianismo foi convincente: as epidemias contribuíram significativamente para a causa cristã (STARK, p.88). O Cristianismo se adaptou às tribulações em que a adversidade, a enfermidade e a morte violenta geralmente prevaleciam (STARK, p.94). Os cristãos cuidavam dos enfermos, eram infectados e morriam por eles. Depois estes curados se tornavam cristãos. A situação se desenvolveu a tal ponto que o imperador que quis reimplantar as religiões pré-cristãs no Império Romano, Juliano, o apóstata, em 362 d.C. avaliou o que então percebia, dizendo: “Os cristãos cuidam não apenas dos seus doentes, mas também dos nossos. Todo mundo pode ver que nosso povo não conta com nossa ajuda” (apud STARK, p.97). O sociólogo conclui então que, no século IV d.C., “esperava-se que o Cristianismo operasse com júbilo na assistência aos enfermos, aos inválidos e aos dependentes” (STARK, 2006, p.199). Diante disso, gostaria de elencar pessoas chaves que fizeram a diferença em seu meio e diante das crises: A visão de Martinho Lutero A pergunta é se era aceitável fugir como cristão. Lutero respondeu a seu colega John Hus, visto que em 1527 Wittenberg foi atingida pela praga e as aulas foram transferidas para uma cidade não afetada. Lutero se recusou a sair. Em vez disso, ele decidiu cuidar dos doentes e moribundos e transformou sua casa em um hospital improvisado. Lutero disse: “Ao crer em Deus e por amor ao próximo, os cristãos devem primeiro pensar em como podem contribuir para o cuidado físico e espiritual dos fracos, isolados, doentes ou moribundos”. Só então Lutero permitiu que os cristãos tomassem decisões privadas sobre a possibilidade de fugir. O Salmo 41 era a base orientadora para Lutero: “Bem-aventurado aquele que cuida dos fracos! O Senhor o salvará nos maus momentos.” Portanto: “quem cuida de uma pessoa doente (…) que faz isso com essa promessa consoladora, (…) ele tem grande consolo aqui. (…) Deus mesmo quer ser seu guardião e seu médico também.” Frederico von Bodelschwingh e a Missão de Bethel Frederico, enquanto estudante, envolveu-se com os mendigos vendo a situação sub-humana em que viviam. Em 1869, de 12 a 25 de janeiro, faleceram 4 de seus filhos. Em 1872 foi convidado a assumir o lar de epiléticos de Bethel. Para ele, a fé infantil de um doente mental ou de um agricultor epilético era a experiência que superava tudo o que a Universidade poderia oferecer. Os epiléticos eram vistos como doentes mentais nessa época. Bodelschwingh entendia que ali não se estava em frente à miséria, mas no meio dela. Isto é o que o anunciador da Palavra de Deus deveria aprender, para depois à frente da igreja ser um bom exemplo e tornar outros solícitos para todo tipo de serviço cristão. A missão possui um hospital psiquiátrico diaconal protestante em Bethel, antiga cidade, hoje um bairro de Bielefeld, na Alemanha . Quem vinha com alguma dor falar com Bodelschwingh, nunca saía inconsolado. Algo cada um recebia. Para ele, as pessoas precisam ser valorizadas como são. O amor não estabelece pré-requisitos. O amor deve persistir. Na obra missionária, os desafios eram assumidos por todos. Assim aconteceu a construção de albergues, colônia para desempregados, casa para trabalhadores da cidade. Bodelschwingh tornou-se deputado para trazer benefícios legais aos que estavam mendigando. Queria que o pequeno tivesse sua própria casa e pedaço de terra para plantar. A visão escatológica era que tudo será destruído quando Jesus voltar, com exceção do que foi feito de acordo com a vontade de Deus. O trabalho entre os pobres e insignificantes está entre a exceção, pois Cristo se identifica com os sofredores. Somente quem valoriza e age para o melhoramento desse mundo saberá valorizar e agir com vistas ao vindouro. E esta visão teve consequências nas outras gerações.

Marlon Fluck
Marlon Fluck
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24 de agosto de 2020 • 5 min. de leitura

Isolado, mas não angustiado!

O tema deste texto é “Teologia para tempos de Crise”. “Teologia”, uma palavra sobre Deus, ou de Deus, sobre a crise. Pensando em “crise” pensamos nas inumeráveis crises que podem atingir uma pessoa devido às contingências da vida e, de modo particular, pensamos na crise de saúde, crise econômica, social, emocional, que a todos nós atinge atualmente. É uma situação que, por forças das circunstâncias, traz consigo outras preocupações e ansiedades: o medo do contágio, a crise financeira, resultado do afastamento do trabalho, e, em alguns casos, até mesmo de demissões, preocupações com o futuro das firmas e empresas. O fato é que nós não podemos mudar as circunstâncias. Mas há uma coisa que podemos mudar: nós mesmos. Podemos mudar nossas atitudes, nossas reações, nossa maneira de encarar, de enfrentar esta contingência da vida. Todos nós podemos aprender com um homem que enfrentou também a crise, o isolamento, mas de uma forma brutal, compulsória, forçada, violenta – o apóstolo Paulo. Podemos perguntar como ele enfrentou as crises em sua vida, o isolamento imposto a ele pela prisão? Como ele reagiu, o que falou, como ele encarou esta situação? Especialmente na carta que Paulo escreveu à Igreja de Filipos temos alguns princípios valiosos que devemos conhecer e aplicar. Quero destacar três deles. 1. O segredo está no centro O segredo maior de Paulo para enfrentar as crises da vida é esta: no núcleo de sua vida havia uma realidade que dava sentido, que determinava todas as outras e que não dependia dos altos e baixos da vida: esta realidade era Cristo! Quero usar de uma imagem. Há pessoas que são como pêssegos, outras são como cebolas. O pêssego tem casca, polpa e semente. Tem um núcleo central. A cebola tem camadas, várias camadas. Você procura algo no centro, mas não encontra. Há pessoas que só tem camadas: trabalho, estudo, casa, carro, beleza, esporte, amigos, o clube, diplomas, dinheiro. A vida vai removendo as camadas. Esta pandemia removeu várias camadas da vida de muitas pessoas e o que há no centro? O que dá valor à vida mesmo que todas as camadas sejam removidas? Paulo tinha algo que era central. Algo que dava valor à sua vida. Uma realidade que determinava o sentido de sua existência. Ele disse: “Para mim o viver é Cristo” (Fil 1.21). 2. “Floresça onde você está plantado”. Esta frase é o título de um livreto do famoso e já falecido pastor Robert Schuller. Neste livreto ele afirma que muitas pessoas acham que só poderão ser vencedoras, ter uma vida feliz, ser pessoas realizadas, “florescerem”, se estiverem “plantadas” em outro lugar, se tiverem um outro emprego, se estudarem em outra escola, se mudarem para outra cidade ou país e, pior, muitas vezes, se tiverem um outro marido, uma outra esposa. Mas Schuller afirma: Você pode florescer, viver, ser realizado, encontrar a felicidade onde você está agora. Se há alguma coisa que precisa mudar: é você – por dentro. Voltando para o apóstolo Paulo, ele estava “plantado” num chão inóspito e desagradável – uma prisão romana. Ele poderia ter dito: “Vou poder voltar a ser útil, a servir, a ser realizado, feliz, quando sair desta prisão miserável”. Mas não! Lá onde ele estava, ele floresceu. Ele falou de Cristo aos guardas, ele escreveu várias cartas que estão entre os escritos mais lidos no mundo até aos nossos dias. Você não está bloqueado, algemado, engessado, congelado pela crise, não! “Floresça onde você está plantado!” 3. “Acabe com as saúvas, antes que elas acabem com você”. No passado havia uma frase muito conhecida: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Esta frase é atribuída ao naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, que esteve no Brasil há um século e meio atrás, estudando a flora brasileira. Usando de uma metáfora, quantas “saúvas” de preocupação, ansiedade, nos assediam nestes dias do vírus se espalhando, do perigo de contaminação, do isolamento social, da crise financeira, pessoal e nacional, do medo de ficar doente, de perder o emprego, de perder a firma. Estas “saúvas” nos atacam principalmente a noite, perturbando o nosso sono. O apóstolo Paulo também tem uma sugestão para nós diante das crises de ansiedade e de medo. Ele disse: “Não vivam preocupados com coisa alguma; em vez disso, orem a Deus pedindo aquilo de que precisam e agradecendo-lhe por tudo que ele já fez. Então vocês experimentarão a paz de Deus, que excede todo entendimento e que guardará seu coração e sua mente em Cristo Jesus.” (Fil 4.6-7, NVT) O conselho de Paulo é este: “Em vez de você carregar dia e noite o peso das preocupações nos seus ombros e no seu coração, entregue nas mãos de Deus e deixe nas mãos dele.” Alguém disse que tinha uma caixinha chamada “CDC” (Coisas para Deus cuidar). Ele colocava na caixinha as suas preocupações e deixava lá. Confiava que Deus iria cuidar daquilo que ele entregou a Deus. Eu sugiro que todos tenhamos uma caixinha “CDC” – “Coisas para Deus cuidar” e coloquemos nela tudo o que nos preocupa e aflige. Portanto, vamos aprender com o apóstolo Paulo. Ele enfrentou a crise, o isolamento, a prisão de forma brutal, mas não apenas teve uma vitória diante destas circunstâncias de sua vida, como deixou tantos princípios preciosos para nós hoje também, que poderão nos ajudar a termos, também, uma atitude de vitória.

Fred R. Bornschein
Fred R. Bornschein
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14 de agosto de 2020 • 4 min. de leitura

Teologia em tempos de crise: lições de Jeremias na ‘crise das crises’

Parto da relação etimológica entre os termos principais do título: ‘teologia’ e ‘crise’. A palavra ‘teologia’ é composta de ‘theo’ (Deus) e ‘logos’ (‘estudo’), do v. grego ‘legein’ (‘dizer’), que indica ‘dispor’, ‘organizar’ dados de ‘Deus’ de modo inteligível (inte-log[o]-ível). Já a palavra ‘crise’ deriva de ‘krisis’, do v. grego ‘krinô’ (‘julgar’) e indica uma situação ‘crítica’, que pode evoluir tanto para a ‘ordem’, como para o ‘caos’, a depender da seleção, discernimento e disposição lógica dos dados. A partir dessa breve análise, podemos deduzir o seguinte: a krisis desafia o logos, uma vez que desorganiza os dados, causa ‘desconforto’ intelectual e psicológico e demanda a busca de novo sentido. No caso da ‘teologia’, a ‘crise’ obriga o teólogo a transcender em direção ao Theós para reorganizar os dados e elaborar o ‘logos’, o sentido ‘na’ crise. À luz desse desafio, o objetivo desse artigo é propor formas de elaborar teologia em tempos de crise, partindo de uma experiência dramática do Antigo Testamento: ‘a crise das crises’ — a destruição de Jerusalém e o exílio na Babilônia. Para tanto, vamos comparar os erros e acertos e colher lições para o enfrentamento da crise atual. A crise das crises Nos dias de Jeremias (640-570 a.C.), a aliança de Yavé e o povo de Israel entrou em colapso. Os judeus perderam a posse da ‘terra prometida’, a dinastia de Davi foi afastada do poder e o sacerdócio levítico praticamente extinto com a destruição do templo. A nação perdeu autonomia política e todos os referenciais étnicos e religiosos. Esta crise atingiu todos os pilares da aliança — terra, trono e templo — e desorganizou o sentido da nação. Tudo e todos foram colocados sob suspeita: Deus, o rei, os sacerdotes, os profetas, a Torá, os patriarcas. Como interpretar a crise à luz da fé dos patriarcas? Como confiar nos guias da nação? O rei saberá o que fazer? Os sacerdotes poderão garantir a bênção de Yavé? Qual profeta fala por Yavé: Jeremias ou Ananias? Todos os membros da nação tinham acesso à mesma fonte: a memória da fé (passado), os eventos críticos (presente) e as promessas de Yavé (futuro). A partir desses dados, como cada parte reagiu à crise? Como interpretar a situação? Como dar sentido (logos) aos eventos críticos? Vamos analisar a reação do povo e do profeta Jeremias. O povo representa o erro de interpretação dos dados. Eles negaram a gravidade da situação e expressaram confiança nos ritos e no templo: “Deus está conosco”, “o templo não será destruído”. Essa reação pode ser colocada em termos de “é só uma guerrazinha” ou “o exílio vai passar logo e nós vamos voltar para Judá.” Ao errarem a interpretação da crise, o povo negligenciou as advertências e os riscos. A crise ‘julgou’ a teologia do povo. O profeta Jeremias, por outro lado, representa a leitura correta da crise. A partir dos mesmos dados, ele analisou a movimentação dos impérios, a iminência da guerra, a conduta do povo, as reivindicações de Yavé. Ele acusou o povo de pecado, advertindo-os ao arrependimento. Quando percebeu que a situação era irreversível, aconselhou seus conterrâneos a se renderem aos babilônios e enviou mensagens de calma aos exilados. A teologia do profeta também foi julgada pela crise. Note-se ainda que, mesmo acertando na interpretação da crise, Jeremias vivenciou solidariamente todas as consequências dos erros do povo. Ele profetizou a partir de dentro da crise e depois ajudou o povo a superar o caos. Lamentações, atribuído a Jeremias, é expressão franca de um homem que dá livre curso à tristeza, mas também cobra esperança nas promessas de Deus para dar sentido à crise. Assim, a crise produziu teologia. Provocações Respondendo ao desafio de fazer ‘teologia em tempos de crise’, aprendemos com Jeremias que o teólogo deve acolher honestamente suas próprias perguntas, mesmo correndo o risco de não obter respostas. Deve acolher também as interpelações da sociedade, se é que ela nos considera relevantes para o enfrentamento das crises. O teólogo deve submeter sua teologia a julgamento, acolher os dados ‘críticos’ e buscar ‘inte-log[o]-ência’ no Theos que a tudo transcende. A crise interpela a teologia e abre novas oportunidade de revelação. A crise abala as certezas teológicas e expõe o teólogo à agonia da não-resposta. A teologia dialoga com as crises à luz do Theos e experimenta novos caminhos e olhares. A teologia não foge, nem nega a crise, mas avança em meio a ela e a ilumina. Assim, em vez de ‘teologia de crise’, podemos aventar uma ‘teologia da resiliência’. Resiliente como a teologia de Jeremias que, décadas mais tarde, serviu de fundamento de esperança e fé aos judeus que voltaram do exílio e reconstruíram a nação.

Eliseu Pereira
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5 de agosto de 2020 • 4 min. de leitura

Missionários que enfrentaram crises e perdas: comunicando a mensagem bíblica em tempos de crise

“Eu vos tenho dito essas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações; mas não desanimeis! Eu venci o mundo”. João 16:33. Estas foram as palavras de Jesus aos discípulos antes de sua morte. Foram direcionadas aos primeiros discípulos, pois Jesus sabia o que os esperava após a sua partida. Desde então, muitos seguidores de Cristo e do cristianismo tem passado por tribulações, aflições e até morte. Nosso maior exemplo é o apóstolo Paulo, que em meio a muitas dificuldades não desistiu de sua fé e nem de sua carreira de apóstolo aos gentios. Embora essas palavras tenham sido ditas especificamente aos primeiros discípulos, permanecem relevantes hoje para qualquer pessoa que queira fazer a diferença no mundo por Jesus Cristo. Uma coisa é certa: os problemas estão a caminho. É a experiência normal do povo sofrido de Deus neste mundo pecaminoso. O que Jesus disse aos discípulos tem sido verdade para a sua igreja no decorrer dos séculos: “Neste mundo vocês terão aflições”. Somente em Cristo somos capazes de passar por provações, aflições e tribulações. Nós nunca sabemos quando passaremos por aflições ou quais aflições teremos, mas certamente teremos. Alguns missionários que passaram por tribulações em suas vidas e ministérios: William Carey (1761-1834) Pioneiro do movimento missionário ocidental moderno, buscando alcançar os confins do mundo. Mais especificamente, foi o pioneiro da igreja protestante na Índia e o tradutor e editor da Bíblia em 40 idiomas da Índia. Podemos dizer, em poucas palavras, que Carey foi um evangelista que utilizou todos os meios disponíveis para iluminar cada faceta escura da vida indiana com a luz da verdade, tornando-se também o personagem central da história da modernização da Índia. Passou por grande aflição quando morreu o seu filho, como também sofreu com sua esposa com problemas de saúde seríssimos. Porém Carey jamais desistiu da tarefa que Deus colocara em suas mãos. William Carey é conhecido como O Pai das Missões Modernas. Sua atuação na Índia inspirou muitos cristãos para o serviço missionário. Charles H. Spurgeon (1834-1892) Mais conhecido como C. H. Spurgeon. Foi pastor de uma Igreja Batista na Inglaterra. Escreveu inúmeros sermões. Treinou muitos jovens para o ministério. Fundou um colégio e várias outras obras assistenciais. Até o último dia de pastorado, Spurgeon batizou 14.692 pessoas. Pregou em vários países. Também escreveu e editou 135 livros durante 27 anos. Ainda jovem começou a sofrer vários problemas de saúde, e mais tarde vez por outra, era acometido por profunda depressão. Elisabeth Elliot (1926-2015) Foi missionária no Equador. Seu esposo, Jim Eliot e outros missionários foram mortos a flechadas pelos nativos da tribo Aucas, em 1956 enquanto tentavam fazer contato com este povo. Depois da morte do esposo, ela foi com os filhos viver no meio da tribo. Viveu muitos anos na América do Sul. Retornou aos EUA e se tornou palestrante e escritora, viajando por todo o país dando palestra sobre a vida e o sofrimento. Entre seus livros, escreveu: “Nos portais do seu esplendor”, Edições Vida Nova e “O sofrimento nunca é em vão”, Editora Fiel. Conclusão Em toda a história do cristianismo e de Missões, vários homens e mulheres gastaram suas vidas, mesmo em circunstâncias não favoráveis, enfrentando problemas de saúde, perda de filhos e cônjuges, colocando acima de qualquer interesse pessoal o compromisso para com Deus, seu chamado e a pregação do evangelho. Nos últimos tempos, temos ouvido sobre um evangelho triunfalista, que o crente está acima de qualquer sofrimento, de privações ou dificuldades. É interessante entender que a vida sem aflições, tribulações não será neste mundo, mas no porvir, onde toda a dor será transformada em alegria e toda lágrima em gozo eterno. Referências https://www.projetospurgeon.com.br/quem-foi-spurgeon/quem-foi-charles-haddon-spurgeon/ https://ministeriofiel.com.br/artigos/no-mundo-tereis-aflicoes-mas-tende-bom-animo-eu-venci-o-mundo/. https://en.wikipedia.org/wiki/Elisabeth_Elliot http://perspectivasbrasil.com/william-carey-1761-1834/

Malena Clower
Malena Clower
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31 de julho de 2020 • 7 min. de leitura

Crise e respostas da Teologia

A crise é algo inerente à existência humana. Sempre que algo tira a tranquilidade ou foge à regra daquilo que a humanidade considera cotidiano surge uma crise. Se a origem da crise pode ser bastante diversa, e nem sempre ter a possibilidade de ser evitada pelo ser humano, sua resolução depende da habilidade de lidar com ela e transformar as circunstâncias em novas oportunidades. Neste material teremos como objetivo observar as diversas respostas que teólogos deram em meio a estas crises. As crises estiveram presentes desde os primórdios da humanidade. Os seres humanos não teriam se desenvolvido tecnologicamente sem a existência de crises. Foi a necessidade de caçar que obrigou o homem a desenvolver os primeiros instrumentos de pedra. “De um ponto de vista puramente natural, o homem é o mais inadequado dos seres vivos existentes em nosso planeta” (PINSKY, 2011, p.10). Foi a falta de alimento que fez ele se deslocar pelas planícies da África e Ásia chegando à Europa e Américas. Por este mesmo motivo a crise denota uma “etapa crucial ou ponto de viragem no decurso de qualquer coisa” (RATO, 2008, p. 175). Embora existam vários tipos de crises de âmbito mundial, neste material gostaria de apresentar quatro tipos. Eles auxiliam a compreensão das dimensões que uma crise pode atingir. Será discorrido a respeito de crise bélica, econômica, sanitária e migratória. Para cada uma delas, várias respostas foram dadas por teólogos que viveram neste tempo. Durante o século XX ocorreram duas grandes guerras mundiais. A primeira delas entre 1914 e 1918, intitulada I Guerra Mundial, e a outra entre 1939 e 1945, conhecida como II Guerra Mundial. O palco principal das duas guerras foi a Europa, mas os conflitos atingiram várias regiões do planeta. Soldados de terras muito distantes da Europa foram arrastados para lá com o objetivo de lutar por uma das partes em conflito (HOBSBAWM, 1995). Bailey (1984) indica que os cristão evangélicos tiveram que lidar com algo bastante diverso, uma guerra contra a terra de onde veio a reforma protestante. Em meio à confusão, alguns chegaram a afirmar que a culpa era da própria mensagem de Lutero, mais afeita à agressão do que a arminiana. Outros seguiram para a direção de que se tratava de um castigo divino por conta do desvio da fé dos cristãos locais. Outros ainda perceberam, como na maioria das crises da humanidade, que é um prenúncio da volta de Jesus que se aproximava. Nesta linha não demorou para que figuras fossem identificadas como o anticristo: na primeira guerra eram o Kaiser e Oman Otomano; na segunda guerra cada lado encontraria o anticristo no seu oponente. Poucos líderes viram nestas guerras a oportunidade divina para a construção de uma outra forma de sociedade. Com o término da Primeira Guerra, os Estados Unidos se tornaram o grande credor do mundo. Todas as dívidas contraídas por conta da guerra tinham que ser pagas, com juros, aos cofres americanos. Soma-se a isso a ausência de empresas capazes de suprir as necessidades europeias que haviam sido destruídas pela guerra. Todas estas contingências, somadas à inventividade de homens como Henry Ford, levaram a um crescimento econômico sem precedentes. Tudo parecia perfeito, até que em 24 de outubro de 1929, a bolsa de nova York sofre uma quebra sem precedentes. Rapidamente o enriquecimento é substituído pela falta de empregos, as indústrias quebram juntamente com os bancos. Numa economia em processo de integração transnacional, vários países do mundo acabam por sofrer as consequências. Mesmo o Brasil viu sua produção de café ser queimada por falta de compradores (HOBSBAWM, 1995). Handy (1960) indica que durante a prosperidade, as igrejas americanas começaram a sofrer uma evasão. O suprimento financeiro acabou por diminuir o desejo de investimento em missões. Os cultos começaram a esvaziar no mesmo momento em que novas seitas começaram a aflorar em solo americano. Se de um lado, a lei seca parecia demonstrar uma igreja atuante, na verdade denotava uma religiosidade crescente, destituída de uma espiritualidade marcante. Uma apostasia que só não era sentida pelos primeiros pregadores que usavam o rádio para espalhar sua mensagens, muitas vezes sem o conteúdo adequado. Logo, não é de se espantar que vários líderes indicavam a crise como uma punição divina, resultado da ira divina. Outros olharam para este momento como sendo o fim do mundo. O olhar escatológico era facilmente chancelado pela imagem de imensos batalhões de empobrecidos perambulando nas ruas. Mais uma vez foram poucos os que perceberam nisso a oportunidade de um evangelho mais atuante e atento à necessidade humana. A terceira crise apresentada era a sanitária. Com a gripe espanhola cerca de 50.000.000 de pessoas perderam a vida em todo o planeta. Se ela foi mais letal na Europa e Estados Unidos, não poupou vidas nos demais continentes (HOBSBAWM, 1995). Ao estudar a questão do discurso adotado por teólogos e religiosos na África do Sul, Phillips (1987) chegou a refletir o racismo existente, acusando pessoas más (normalmente negras) como as responsáveis pela difusão da infecção. Esta interpretação acabou por fornecer combustível para o apartheid já praticado nesta nação. Outros grupos negaram a existência de uma pandemia, afirmando que os números estavam sendo superdimensionados e que não passava de uma enfermidade passageira. A negação é uma das formas humanas de lidar com a frustração causada pela impotência diante da dor. A grande novidade das interpretações será a compreensão de que a Igreja deve demandar do Estado o cuidado humanitário com o ser humano. A última forma de crise indicada é resultado, quase sempre, de conflitos armados. Trata-se da crise migratória. Quase a totalidade dos migrantes estão em busca de uma condição melhor de vida em relação à sua origem. As guerras sempre deslocam pessoas. No caso das guerras que varreram a Europa nos séculos XIX e XX acabaram por produzir um contingente de quase 40.000.000 de imigrantes somente para os Estados Unidos, Argentina e Brasil. Este tipo de crise ainda se faz presente hoje com os conflitos que arrasam o Oriente Médio. As interpretações na época carregavam a ideia de oportunidade divina (REINKE, 2010). A oportunidade de ocupar terras onde não existiriam as guerras da sua origem. Muitos letos vieram para o Brasil com esta esperança. Neste momento tudo era visto como sendo a vontade do próprio Deus. Ainda hoje temos que lidar com esta crise, porém hoje muitos teólogos vêm tentando caracterizar estes elementos migratórios como sendo de origem meramente religiosa. Se existe o elemento religioso, devemos compreender que as guerras custam muito dinheiro e, se existem pessoas capazes de gastar é porque alguém está lucrando muito com isso (HOBSBAWN, 1998). Se não podemos evitar que as crises, sistematicamente, possam se aproximar de nossas vidas, podemos nos prevenir e buscar interpretações teológicas capazes de gerar crescimento e fortalecimento com vistas à superação delas. O teólogo precisa interpretar de forma profunda a realidade que o cerca, buscando responder de forma profética e profunda aos problemas. É preciso vermos o todo, logo, além da bíblia, devemos portar o conhecimento da atualidade. Sociologia, história, psicologia, entre outras ciências são essenciais para que o teólogo veja além e enxergue a oportunidade do encontro pessoal entre o Deus criador e a sua criatura numa experiência de fé e comunhão. Referências Bibliográficas BAILEY, C. The brotishprotestant theologians in the first world war: guermophobia unleashed. Harvard Theologycal Review, [s.l.], v. 77, no 2, p. 195–221, 1984. HANDY, R. T. THE AMERICAN RELIGIOUS DEPRESSION , 1925-1935. Church history, [s.l.], v. 29, no 1, p. 3–16, 1960. HOBSBAWM, E. Era dos Extremos: o breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das letras, 1995. HOBSBAWN, E. sobre história. São Paulo: Companhia das letras, 1998. PHILLIPS, H. Why did it happen? Religious and lay explanations of spanish flu epidemic of 1918 in South Africa. Kronos, [s.l.], v. 12, no 1, p. 72–92, 1987. PINSKY, J. As Primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2011. 125 p. RATO, H. Crise e democracia: resolução da crise e aprofundamento da democracia. In: FERREIRA, E.; OLIVEIRA, J. P.; MORTÁGUA, M. joão (Orgs.). Investigação e prática em economia. 1 ed. Parede: Princípia Editora, 2008. p. 175–194. REINKE, A. D. Os pioneiros 1910-2010: 100 anos de história da Covenção Batista Pioneira do sul do Brasil. 1 ed. Curitiba: Convenção Batista Pioneira do sul do Brasil, 2010.

Nilton Torquato
Nilton Torquato
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15 de julho de 2020 • 4 min. de leitura

VOU PESCAR!!

“Vou pescar”. Essas foram as palavras de Pedro, registradas por João em seu Evangelho no capítulo 21. “Disse-lhes Simão Pedro: vou pescar. Disseram-lhe os outros: também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam”. João 21:3. Pensaram ser uma boa ideia, afinal, não tinham nada para fazer. O contexto nos leva para as narrativas sobre a morte e ressurreição de Jesus. E esta é a terceira vez em que Jesus aparece para os discípulos após sua ressurreição. Nesta ocasião, os discípulos estavam no mar de Tiberíades, tentando esquecer os últimos acontecimentos. Vários deles eram pescadores quando Jesus os convocou anos antes para deixarem suas redes e se tornarem pescadores de homens. Três anos haviam se passado desde este convite. Por três anos andaram com Jesus, que em tudo os instruiu, além de partilharem de uma comunhão íntima com o mestre. Durante este tempo Jesus compartilhou sobre sua missão aqui na terra e de como um dia morreria crucificado para salvar “as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Lucas 10:6). Porém, após a morte de Jesus esses mesmos discípulos ficaram perdidos, como que sem rumo, sem o mestre e, como sem saber o que fazer dali em diante, tiveram a ideia de retornarem para o antigo meio de vida, a pescaria. Pedro tomou a iniciativa e todos concordaram com ele. Estavam passando por uma crise. Pescaram a noite inteira e nada conseguiram pegar, nenhum peixinho. Jesus então, já ressuscitado, resolve lhes fazer uma visita ao clarear da madrugada e lhes preparar um café. Café com pão e peixe assado. Que bela surpresa!! Sob a ordem de Jesus lançaram a rede novamente e pegaram muitos peixes. Ao redor da fogueira inicia-se uma longa conversa. O narrador não revela todos os detalhes desse papo, mas posso imaginar o rumo que tomou a conversa. Jesus, conhecendo a natureza humana diante das crises e das dificuldades veio para o meio deles para novamente fazê-los entender qual era a missão de cada um, a razão de terem sido escolhidos para andarem com ele aqueles três longos anos. Jesus também aproveitou a oportunidade para tratar com Pedro. Pedro, que o havia negado na hora crucial, na hora em que ele mais precisava de apoio: “não o conheço!” Palavras que podem ferir profundamente, se pronunciadas por alguém que você ama. Por três vezes Pedro negou a Jesus. Por três vezes nessa conversa Jesus pergunta para Pedro: “tu me amas”? Pedro se irritou, mas Jesus o restaurou, como que dizendo, “está tudo bem Pedro”. Deu a ele uma missão clara e ainda lhe revelou como morreria. Desse café da manhã preparado por Jesus para os seus discípulos podemos aprender como Jesus nos trata quando estamos em crise. Os discípulos estavam enfrentando uma crise, talvez uma das mais difíceis de suas vidas, pois estavam sem direção. Haviam perdido o mestre, estavam sem chão, sem âncora, sem rumo. Jesus não chegou acusando a nenhum deles, não chegou condenando, não chegou criticando, não chegou dando “um sermão”. “Que vergonha hein gente? Parece que não me conhecem? Que não andaram comigo? Não viram os milagres? Não viram a ressurreição? Que vergonha”! Não. Jesus chegou servindo, chegou para restaurar o que havia sido quebrado. Como seres humanos passaremos por crises, as mais diversas no decorrer da vida. Às vezes teremos o sentimento de que fomos abandonados, que falamos e não somos ouvidos, que estamos sozinhos e queremos retroceder. Somos seres dotados de emoções e às vezes são essas emoções que não nos deixa ver a razão, o óbvio, a direção. E como os discípulos somos tentados a voltar atrás, esquecemos de tudo o que já vivemos com o Senhor, de todas as experiências que tivemos com ele. Mas Jesus sempre virá em nosso socorro para nos fazer enxergar sua bondade, seu desejo de continuar andando conosco, de nos pegar no colo, de nos tomar pela mão e continuar nos guiando. Um pouco antes desse encontro na praia, antes de sua morte e ressurreição, Jesus havia ceado com os discípulos e após a ceia tiveram uma conversa, onde ele os advertiu: “no mundo passais por aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” João 16:33. Ou seja, vocês terão aflições, crises, tribulações, pandemias, mas eu estarei com vocês. Creiamos nisso. Ele estará conosco. A solução nunca será retroceder, voltar atrás. A antiga vida. Jamais! Ele estará conosco todos os dias até que tudo se cumpra.

Malena Clower
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8 de julho de 2020 • 4 min. de leitura

A crise no contexto missionário: um panorama

A partir da análise de eventos relacionados ao cristianismo dos primeiros séculos, em especial as epidemias sucessivas até meados do século terceiro e a chamada conversão do imperador romano Constantino, no início do século quarto, propomos um paralelo com a conjuntura de 2020. Este paralelo tem como objetivo, através da leitura destes eventos, compartilhar oportunidades e alertas para o comportamento da igreja cristã durante a recente crise que se abateu sobre o mundo com o advento da manifestação da COVID-19, que se materializa em múltiplas crises, seja ela sanitária, econômica e, no caso do Brasil, uma crise política sem paralelos na história da república brasileira. O Movimento Missionário na Igreja Antiga Em seus primeiros séculos, o cristianismo apresenta um movimento descentralizado de evangelismo, partindo dos apóstolos e de seus discípulos diretos. Neste “cristianismo embrionário”, o processo de evangelização e transmissão das boas novas de Cristo acontecia a partir do contato pessoal entre o convertido e o “pagão”, compreendido como o fiel das religiões politeístas tradicionais dos limites do império romano, mas não só. Os territórios “bárbaros” (não romanizados), também contavam com a presença de cristãos, na medida em que este processo acompanhava o avanço de soldados, comerciantes e outras funções que demandassem o deslocamento geográfico por parte destes convertidos. Neste sentido, a pessoalidade estava muito presente neste processo, através do contato pessoal com aquele que conhecia o Evangelho. Neste sentido, as mulheres eram uma grande força missionária, no sentido de serem as primeiras em seus núcleos a conhecerem e propagarem a mensagem de Cristo. Até a segunda metade do século três, diversas epidemias se abateram sobre os territórios mediterrânicos e os cristãos cresceram neste ambiente por duas razões principais. Em primeiro lugar, o senso de comunidade gerado desde o período apostólico fez com que os cristãos cuidassem mais de si mesmos, ao mesmo tempo em que cuidavam dos doentes, que eram descartados pela sociedade romana. Este contato direto com os infectados, levou muitos cristãos à morte e isso trouxe simpatia de camadas mais simples da população romana, desprotegidas pela estrutura oficial imperial. Em contrapartida, a declaração de conversão do imperador Constantino no início do século IV trouxe desafios adicionais, até o momento inéditos para a Igreja Cristã. Se por um lado, o fim das perseguições melhorou a produção teológica que floresce após este período, notoriamente marcada pelos escritos de Atanásio, Jerônimo, Agostinho, entre outros, por outro, a institucionalização do cristianismo pelo império trouxe diversos antagonismos, dos quais destacamos dois de maneira especial. Em primeiro lugar, uma divisão interna entre aqueles que viam com bons olhos a chegada da fé cristã à estrutura imperial e aqueles que viam este novo momento como um desvirtuamento dos ensinos de Cristo com esta aproximação da fé com o império. Em segundo lugar, a associação dos cristãos de maneira direta com o governo imperial, trouxe a hostilização para aqueles que estavam em territórios “bárbaros”, por serem considerados simpatizantes dos romanos. Possibilidades Partindo do exposto até o momento, analisando os feitos da igreja em sua gênese, é possível destacar possíveis oportunidades, além de um alerta para a igreja contemporânea. A pandemia da COVID-19 pode oferecer uma grande oportunidade de aproximação com a sociedade pós-moderna, caso ela ofereça empatia e auxílio para aqueles que estão necessitados. Na medida em que a crise sanitária gera uma crise econômica, o papel da igreja como agente ativo de auxílio e instrumento social de integralidade do evangelho que atinja o indivíduo em todas as suas necessidades será cada vez mais necessário. Como alerta, usando o evento da conversão de Constantino como base de análise, é preciso verificar o papel de parte da liderança protestante brasileira, como elemento ativo no quadro político presente. Quando a igreja demonstra publicamente seu apoio a determinado governo, qualquer que ele seja, automaticamente gerará os efeitos apontados neste artigo: a divisão interna entre os que apoiam e os que desaprovam este apoio, e a hostilidade entre o grupo maior da sociedade que não se identifica ao governo vigente. A reflexão é válida, na medida em que a igreja precisa atentar para seu papel fundamental de fazer discípulos de todas as nações. A igreja tem prevalecido diante dos governos ao longo dos últimos dois milênios. Por esta razão, é condição essencial analisar sua longa história e aprender com ela para direcionar suas ações em nosso presente.

Eduardo Medeiros
Eduardo Medeiros